sábado, 15 de novembro de 2008

"DO TEJO GRANDIOSO AO ZAIRE PODEROSO" Poema épico

foto: © Blog da Rua Nove

CANTO I - "DO TEJO GRANDIOSO AO ZAIRE PODEROSO" -(65 estâncias)-

1)-
Não pretendo cantar lutas gloriosas
Desses antigos reis e outros senhores,
Já gabadas em versos e altas prosas
Por alguns de mais rápidos louvores,
Mas sim aquelas duras,perigosas,
As mais negras, sem fim e sem favores,
Desses aventureiros de espantar
Que venceram as terras e o alto mar !

2)-
Olhos ténues do céu azul e distante
Que sois luzes de estranhos universos,
Eis,bem erguida, minha lira sonante
Pra relatar por estes pobres versos
Quanto labotou o luso navegante
Nestes ocidentais rincões imersos,
Bem longe, nas lonjuras tão profanas
Das seculares costas africanas !

3)-
Apenas pra os de triunfos merecidos
E que, de pó,seus feitos silenciosos
Estavam já cobertos ou sumidos
P'la pata de inimigos temerosos,
A eles, de tantas lutas esquecidos,
Louvo a Calíope, para que animosos
Vibrem os seus, em som alto e mais forte
Contrariando os caprichos d'outra sorte!
..............................................

28)-
"Não pudera ser maior essa alegria
Para quem sem maldade oferecia tanto :
- Manicongo,com certa fidalguia
Tomava da sua terra,doce encanto,
Pelos peitos de RUI assim a escorria,
Fazendo-o aos seus,sem qualquer manto,
Graça de que só eram merecedores
Os que se mostravam veros senhores.

29)-
Largos dias de alegria reinou na corte
Do alto senhor do Congo agradecido,
Sendo recompensado em rara sorte
Pelas mercês que ao rei tinha pedido.
E,antes que lhe pudesse dar a morte
Ou receoso mas lutas ser vencido,
Quis logo tomar a hóstea consagrada
Que de tal era a força já mostrada !

30)-
E ainda não estando pronta a lusa igreja
Nos reais paços a gente se reunia;
Com grada devoção e mais singeleza
O braço da amizade se estendia.
Cada um teve seu título e nobreza,
Coisa que até ali nunca se fazia,
E,usando um modo fácil,certo ardil,
Viriato antigo obtinha o metal vil.

31)-
Todavia os laços santos pior corriam
Porque os sobados nunca aceitavam
Dispensar as mulheres que possuiam
E que em certos aspectos ajudavam;
Os da nova Ordem tal cousa puniam
Pelo que muitos logo os criticavam,
Em gestos demonstrando o pensamento
Que menos seguro era o fingimento.

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63)-
Mas ainda abaixo tinha ele chegado
Passando por um golfo, rumou à terra,
Onde o último padrão foi colocado,
Que já bastante pelos seus fizera !
P'ra frente nem podia ter continuado
Arriscando naquela Parda Serra,
Ponto extremo,onde ficou constrangido
Por não ir mais além quanto havia querido.

64)-
Vindo de volta, por seu grande feito,
Cansado estava o duro lusitano;
Em Yelala parou mais satisfeito
Visto que para a armada não havia dano;
E numas altas pedras,junto ao leito
Uns nomes lavrara em mais do que um plano :
- Dos mortos, com respeito os escrevia,
Em memórias que nunca se esquecia!

65)-
Estavam alcançados os objectivos
Que um Infante por Sagres estudara
Num alto,sobre o mar,lendo os motivos
E o que o horizonte distante ocultava :
- Outros Mundos e Povos primitivos
Que mais por diante tanto procurara,
Estando longe o sonho principal
De aumentar tanta glória a Portugal !

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-- ANOTAÇÕES: - Estância nº 1) - Referência ás inúmeras obras de historiadores e poetas,em especial "Os Lusíadas", de Luis Vaz de Camões(1524/1580)--
- 2) - Invocação a Calíope,musa da poesia épica e da eloquência. --

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CANTO II - NO REINO DO CONGO - (171 estências) -

1) -
Os negros barulhentos, todos ledos
Na festa com que os lusos recebiam,
Por vencerem as lendas e alguns medos
Das tantas terras que, vendo, possuíam,
Entre si, com recato e alguns segredos,
Mais dobrados cuidados lhes faziam,
Sem esconderem seus tratos e modos
Dum apreço e respeito dados a todos.

2) -
Em tão gratas mercês deles ficavam
Que deixar sair ninguém desejaria,
Pretendendo aprender quanto ensinavam
Do seu muito saber, fé e valentia.
Por diversos locais tambores soavam
Convidando ao batuque a negraria,
Cada qual em seus trajos mui variados
E aos outros parecendo desusados.

3) -
Corpos cobertos só das baixas partes
Com troncos nús e braços musculosos,
Outros fêmeos, gentis, de finas artes
Dançavam e saltavam mui graciosos,
Fazendo certas coisas sem desastres
Com pulos, gestos, gritos estrondosos;
O visitante espantado ficava
E,de certo modo, isso não admirava!
........................................

56)-
Com uns mestres de letras embarcavam
Muitos outros artífices variados,
Que da usança de cunhos ensinavam
Cos símbolos antigos respeitados.
Uns dos profissionais que lhes ofertavam
Para erguer uma igreja eram mandados,
Guardando-se os tesouros escolares,
Conforme seu desejo, em bons lugares.

57)-
Afonso melhor casa recebia
Para gozar saúde e seu sossego,
Folgando dos trabalhos que fazia
Entr'uns malvados sem qualquer apego;
E pelo bem das normas olharia
Sem os deixar sair do natural rego,
Não havendo mais dinheiros emprestados
A quem pedia pra não serem cobrados.

58)-
Voltavam os navios logo refeitos
Compensando despesas antes gastas :
- Ia o alvo marfim e tantos negros peitos
Com outras coisas,quais as mais nefastas !
Muitos estudos foram assim feitos
Em todas terras já por si mais bastas
Como outras sempre tanto apetecidas,
Supostas dum metal bem fornecidas.

59)-
Por Simão,el-rei mandara esclarecer
Dom Afonso bastante agradecido,
Que devia uma embaixada promover
Para em Roma ser mui bem acolhido.
Seu filho as bençãos iria receber
Que ao Sumo aconselhado tinha sido,
Porque lhe merecia tal distinção
Quem nas obras punha bom coração.

..............................................

120)-
Mas destas coisas tanto havia sofrido
Que sua vida ir mais longe se negara
E com ele o povo andava perdido
Com o quase nada que se aproveitara;
Leis do Reino e da Fé havia cumprido
Co ardor e sofrimento que aceitara,
Sem justa recompensa receber
P'lo respeito que havia de merecer.

121)-
Não foi mais feliz o outro sucessor
Pois tudo cada vez mais se agravava,
Perante a sua fraqueza e o seu temor
Contra ele uma revolta rebentava.
Soaram gritos da luta com ardor
Que aos iberos e aliados ppreocupava;
Cruzaram-se as zagaias co'a gritaria
Que das turbas ferozes se fazia.

122)-
Em fugida, ganhando na escalada,
Vencedores em cima de vencidos,
Nada poupavam nessa debandada
Em que se safavam alguns atordoídos.
Nem rei,nem sua família foi poupada
Bem como os que lhes eram mais queridos,
Degolados p'las gentes esquecidas
De quantos lhes sanaram as feridas !

123)-
Seguiu-se outro incapaz nessa chefia
Desleixado dos costumes sagrados
Pra que com tanto custo e garantia
Alguns lusos cristãos foram mandados.
Na política e fé não houve valia
Surgindo lutas de todos lados;
Com prejuízos para a população
Ficavam os problemas sem solução.

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169)-
Em breve chegam a um entendimento
Cada qual protegendo suas fronteiras,
Não deixando que um qualquer elemento
Lhes mostrasse escondidas maroteiras,
Ou tivessem negócio em pensamento
Levando as fêmeas pr'as suas esteiras;
E pra em melhor descanso sua alma estar
Uns santos capuchinhos deixava entrar.

170)-
Ginga chega porém a novo pacto
Com o luso governo agradecido,
Ficando Dom Garcia assim estupefacto
E sem saber em que andava metido.
Seu sucessor causara forte impacto
Não tendo a dita trégua compreendido;
Bem contrariado e rápido avançando
A desafiar Sequeira e seu comando.

171)-
Em Ambuíla, a memória não esqueça,
Tentara cada qual bom resultado,
Mas o Congo perde sua cabeça
Logo andando cada um para seu lado!
Antes que nela o real sangue arrefeça
Com honra esse troféu era sepultado.
Uns lusos de ambas partes ali havia
Mas o Reino depressa sucumbia !
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CANTO III - NO REINO DE ANGOLA - (108 estâncias) -

1) -
Do Congo ao Cabo o Reino estava
Em cada dia alargando a sua fronteira,
Engolindo outros sobados, andava
Juntando tributos d'outra maneira.
Desse,que antes de Ndoango se chamava,
A Angola dava a palavra primeira,
Assim sendo para sempre conhecido
E por aquele senhor protegido.

2)-
Uns antigos os quimbundos combateram
E em seu lugar ficaram instalados,
Depois, ainda os anzicos submeteram
E tomaram as rédeas desses lados.
Um, N'gola Inene, que antes conheceram,
Seria dos angolanos iniciados
O que mais terras depois conquistara
Formando um Reino que em grande tornara;

3)-
Um que de ferrador tinha alguns jeitos
E aos seus queria com muito coração
Teve cuidado com valiosos peitos
Livrando-os da mais rude privação.
Por todas essas coisas satisfeitos
O buscaram para a nova Nação,
Designando-o po N'GOLA, rei primeiro,
E mais Mussuri, nome verdadeiro,
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64)-
Convindo novos postos alcançar
Pois que já andavam fora do comando,
Uma guarnição teve de avançar
Utilizando o férreo e bruto mando.
Logo um fortim tiveram de elevar,
Nada valendo andar sempre bufando;
Mas,achados nas praias em distração,
Massacrados ficaram sem perdão.

65)-
Nascia Calumbo,nova povoação,
Assentando mais bases para a luta,
Fazendo com disfarce a infiltração
Às terras da prata ainda escura e bruta.
Outro Branco tomava a direcção
Adonde o Negro Cabo se disfruta;
Ali maior decepção havia de sofrer
Por nada encontrar para se colher.

66)-
Era tudo de areias,dunas sem fim,
Terras do Namibe, árido deserto,
Que só raro animal,cacto ou capim
Ali podia viver a descoberto.
As verduras que viam, num ínterim,
Deles logo fugiam, ao chegar perto !
- Era a sede e o calor que davam vidas
Aos sonhos e miragens repetidas !

67)-
Uma traição, das muitas conhecidas,
Quebrou as boas relações dos soberanos :
- Punindo o capitão normas proibidas
Ordenara prender uns desumanos,
Os quais,com razões falsas,escondidas,
Não ficaram à espera d'outros anos,
Antes seguindo, pérfidos,fugidos,
Ao Ngola ofertando uns planos sabidos.
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81)-
Obtida foi p'los lusos a vitória
Chamada de Candeias pelo dia que era,
Ficando muitos anos na memória
Pois a fugida gente não a esquecera.
Cortaram os narizes pela glória
Em triunfo que ninguém assim prevera,
Restando pelos campos,estirados,
Muitos corpos em tal forma truncados !

82)-
A luta fora trágica,danada,
Que nunca mais viria a ser esquecida,
Folgando depois em terra tomada
(Por Massangano seria conhecida).
Com a ajuda por vários ali dada,
Levando os inimigos de vencida,
Instalaza-se a paz nessas regiões
Obtida com a força e sem sermões !

83)-
O capitão instalado sem mais dano
Pedia socorro ao novo monarca,
Mandando Velez e outro todo ufano
Que prestes,temeroso,logo embarca.
Queria auxílio,mas como a guerra do ano
Contra os danados mouros deixou marca,
Teria de renovar noutra ocasião
Que nessa não lhe podiam dar a mão.
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.........................................
105)-
Numa penosa marcha,em retirada
Pra Massangano, forte salvador,
Logo se apressou a tropa ali sobrada,
Rosto em sangue, gemendo tanta dor !
Antes pedem pra Loanda melhor guarda
De que Luiz Serrão nem lhe vira a cor,
Findando a donatária recebida
E surgindo uma outra medida.

106)-
Ainda assim o entendera um licenciado
Que do Brasil irmão ali tinha vindo,
E de fortes medidas do seu agrado
(As brandas nem estavam mais surtindo):
- Seria de escravos e ouros bem saldado
Para co real erário, quase caíndo,
Compensando os metidos em panelas
Que nas guerras tomavam parte delas.

108)-
Outras havia,porém,suaves,humanas,
Terminando atitudes gananciosas,
Trocando uns padres causas mais tiranas
Por lei justa e medidas proveitosas,
Porque era sua missão todas semanas
Alimentar as almas duvidosas
E ainda seus corpos fracos,muito doentes,
Forçados p'los senhores insolentes.
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CANTO IV - O GOVERNO GERAL - (113 estâncias) -

1) -
No ano noventa e dois, sendo Janeiro,
Foi nomeado pra Angola outro gestor;
Vinha c'o ilusões e homens,bem lampeiro,
Sendo um ilustre e mui rico senhor.
Teve boa recepção, sendo o primeiro,
Nem se sabendo qual o seu valor
Porque às gentes surgia como um estranho,
Vindo que era das terras doutro amanho.

2) -
Mas o modo de sua governação
Causou protestos dalguns contrafeitos,
Feridos no interesse e na feição
E pelos quais houvera bons proveitos.
Surgia deles um padre, com acção
Alegando os haveres e direitos
Ganhos em anos de muitas canseiras
E para outros o fim das suas asneiras!

3) -
Duvidando por onde a razão andava
E sendo tantos falsos, intriguistas,
Deixou tudo ficar como ali estava
Aguardando a sentença dos legistas.
Cada soba uma nova causa dava
Sendo apoiado com largas, santas vistas,
Por certos padres que ali comandaram
E quase por si também governaram.
.............................................

72)-
"Havia chegado a boa nova do Oriente
Sobre Xavier, que a Santo era elevado,
Pelas causas obradas,sempre crente
E sem nenhuma sombra de pecado.
Surgia,como por mola,muita gente
Reunida pelos lados do Bispado,
Ali largando fogo bem vistoso
Que nisso fora o povo generoso.
..........................................

73)-
Os clarões majestosos pelos ares
E formados de vários,belos tons,
Iluminaram rápidos os olhares
Enchendo os arredores de fortes sons.
Haviam construido os mais ricos altares
Cheios de metais caros,alguns bons,
Onde,com certos ares de vaidade,
Se instalavam os grandes da cidade.
..........................................

74)-
Nas fortalezas,rudes,os engenhos,
Apoiavam o governo autorizado,
Troando com calorosos sons rufenhos
E abafando o outro fogo em tom variado.
Ao largo, conhecidos,velhos lenhos
Que à manifestação se haviam juntado,
Lançavam uns petardos coloridos
Que os povos botavam estarrecidos !
..........................................

75)-
Outros festejos mais iam preparando
Por ser ainda nas vésperas do dia,
Mas prestes tudo estava caminhando
Com as faltas que nesse tempo havia.
Da Figura do Santo ali cuidando
Com expressão que real mais parecia
E com discurso bem esclarecido
O ateu ficaria logo comovido.
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80)-
"Desfilavam na frente feios gigantes
Em suas arrogantes estaturas,
Deixando alguns indígenas errantes
Mais temerosos com as tais figuras.
Outros, de dimensões pouco importantes,
Eram os filhos,plenos de farturas,
Todos alçados,bempostos,vestidos
Com diversos e válidos tecidos.
...........................................

81)-
Depois, as santomistas bem ligeiras,
Ganhando admiração e fortes aplausos,
Passavam orgulhosas,altaneiras,
Inchadas de valor ou de outros casos !
Diante o cortejo, as danças verdadeiras
Com tecidos brilhantes,sem atrasos,
Iam fazendo com graça voltas,rodas,
Exibindo cada uma co suas modas.
.............................................

82)-
A grande nau que o Santo transportara
Noutros tempos às partes orientais,
-(Por estranhos milagres o salvara
De se finar nas águas cos demais) -,
Uns estrondosos tiros dispersara
Assustando os medrosos naturais,
Que por misteriosa e fera a fazia
Não sabendo das causas que a movia !
.............................................

83)-
Na cauda vinha a dança das espadas
Seguida pelos rápidos pastores,
Manobrando mudanças combinadas
Com o agrado dos amos e senhores.
E seguiam outras bem mais preparadas
Representando válidos valores,
Fazendo-se por serem tão vistosas
Para ganharem moedas mui valiosas."

............................................

87)-
"À frente, a Europa, tão formosa e bela,
De pérolas coberta a cabeleira,
Trazia por de sobre elas u'a capela
Toda em flores de dourada maneira;
E dos ombros marmóreos,fina estrela,
Desnudos um pedaço na dianteira,
Viam-se seus seios,forma bem perfeita,
Numa sedução mais insatisfeita !
...............................................

88)-
Adiante,os mantos divinais pendentes,
E com graça senhoril segurados,
Caindo p'los braços belos,mais atraentes,
Roçavam finos pés bem afagados.
E na esbelta cintura,indiferentes,
Lindos colares,ricos e apertados,
Salientavam seus dotes bem perfeitos
Só pela Natura sábia mais eleitos.

89)-
As outras damas bem ornamentadas
Entoando loas e músicas sabidas,
Vinham em cores ricas e variadas
Por elas a seu gosto preferidas;
E as virtudes ao Santo consagradas
Iam no mesmo carro ali reunidas,
Com simples vestes bem menos ligeiras
Mas a seu livre gosto e boas maneiras;
.......................................

90)-
Puxando o dito as belas e gostosas.
(Digna guarda,honrada e protegida),
Vinham pelas Nações,as mais valiosas
Esforçando-se pela doce vida,
Além das naires,lindas e formosas,
Todas contentes por terem guarida,
Tratando dolorosos ferimentos
Em cautelas e certos fingimentos.

91)-
Com as tranças de pérolas brilhando
Por dentro da mantilha em escalate,
Seguia Malaca em passos,desfilando
Com estilo estudado e sabida arte;
Os cabelos p'las costas adejando,
Ou tapando na frente bela parte,
Eram cobertos de esmeraldas finas
E rematados entre serpentinas !
...............................................

108)-
Nos subidos altares enfeitados
A Figura ficou em contemplação
Pelos crentes nos baixos ajoelhados
Em respeitosa e santa posição.
Vários arcos metálicos,armados
Com frutos de natural formação,
Circundavam os quadros dos eleitos
Só visíveis em tão grandes respeitos.

109)-
Um enorme castelo a meio situado
Já repleto de bombas,buscapés,
Deitava lindas luzes com mui agrado
Pelas bordas que estavam de revés.
Tinham os estudiosos ajudado
Largando muito fogo e dando aos pés;
E pela oitava ao Santo concedida
Deitaram todo o resto de fugida !

110)-
Não bastando porém as ígneas feras
Que alegria e medo punham ao sujeito,
Outras coisas mais calmas e sinceras
Suavisavam com doce e melhor jeito.
Belas canções e glosas mais austeras
Entoavam para alcançar melhor preito,
Desejando ficar co'as primazias
E receber de Mendes honrarias;

111)-
Que decerto o melhor fizera
Em trabalhos que aos outros agradara;
Pelo seu bolso u'a parte compusera
E de ver representar mui gostara.
Mas em outras oitavas mais houvera,
Correndo touros, que muito espantara,
Com músicas e danças divertidas
Em largos gestos d'arte dirigidas.

112)-
E Mendes filho atrás não lhes ficara
Com uma peça muito bem ensaiada,
A quando Xavier aos lusos salvara
Numa fera luta em Archens travada.
Aplausos no Colégio conquistara
De gente numerosa e regalada,
E de bom modo a festa se acabou
Com a ordem e paz com que começou.

113)-
Tudo o Santo lhes pagaria por certo
Em bençãos que antes já eram pretendidas,
Sendo incauto premiar o mais esperto
Deixando para os outros só as feridas.
Pelos antigos reinos, em céu aberto,
Todas suas pregações foram ouvidas,
Razão dos muitos gastos que operaram
Em despesas que não se limitaram !
......................................

----- CANTO V - A GRANDE GINGA - (63 estâncias) -----

1)-
Vasconcelos, pra Angola fora eleito
E logo toma posse de sua herdade,
Só seguindo mais tarde ao duro leito
Quer fosse p'lo receio ou pouca vontade.
Evitando um perigo ou algum mau jeito
Com holandeses sem qualquer piedade,
Tivera de fazer um melhor plano
Dispondo armas e homens com menor dano.

2)-
Os tributos ao reino destinados
P'los diversos caminhos se sumíam,
Por uns padres e chefes controlados
E que entre si essas coisas discutiam;
Despertados de sonhos, enganados,
Que com promessas vãs os iludiam,
Passaram a explorar as novas fontes
(Que andavam as cabeças ali as montes!)

3)-
Entre eles as discórdias aumentavam
Repondo em lutas pérfidos rivais,
Pois que dos mesmos meios todos usavam
Esquecendo de pronto tudo o mais.
A paz com alguns sobas negociavam
Para alcançar daqueles naturais
Auxílios necessários nas suas guerras
Com as quais se ganhavam as boas terras.

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11) -
Com grandes recepções, bem preparadas,
Reposto mais cuidado em certo trato,
Foram com um agrado encaminhadas
A quem não lhe faltava certo tacto.
E de um vistoso séquito amparadas
Em finos trajes, com rude recato,
Causavam no meio muita admiração
Não sendo vulgar tal ponderação.

...........................................

12) -
Altiva,Ginga logo que notara
A falta do seu assento reservado,
Uma jovem escrava ali prostara,
Joelhos no solo,dorso bem dobrado,
E sobre a dita então logo sentara
Ficando todo o tempo ali passado
E deixando-a estar quando levantou
Que ao memsmo banco nunca regressou !

...........................................

13) -
E já depois de ser obtida a paz
Por entre todas partes aí reunidas,
A conversão ali se tornou capaz
Entre preces solenes e subidas.
E pela benção santa mais vivaz
Titulares funções foram cedidas,
Porque enganar é fácil a vaidade
Quando se cuida não haver falsidade.

14) -
Para o distante Ngola agradecido
Levam elas diversos,bons presentes :
- Sistema velho, mas sempre sabido,
De subornar as mais escuras gentes !
E, de quanto ficou ali esclarecido,
Mandaram parte aos seus dois dirigentes,
Sendo que um em Castela residia
Vendo de longe quanto se fazia.

..........................................

24) -
E logo a esperta rainha podia uns padres
A Vaz que, pelo rei fora mandado,
Indo fiados e cientes das verdades
O pobre do Pacónio e outro,Vogado.
Porém,em vendo as tristes realidades,
Pretenderam logo outro combinado,
Devendo antes escravos entregar
Com o que a dita não havia de aprovar.

25) -
Então, fingindo enviá-los a uma feira
Que algum sobeta aliado promovia,
Outra coisa escondia dessa maneira
Que só escravos guerreiros ali havia.
Defronte a soberana mais matreira
Novo grupo em socorro aparecia,
Assim caindo Leitão e outros na cilada
Com esperteza e astúcia preparada.

26) -
Ganhando Ginga a luta ali travada
Ocupou umas ilhotas do rio Quanza,
Sendo p'la enorme corte real rodeada
Cada vez reforçando mais sua banza.
Desejava porém ser desculpada
Pelas razões daquela feia vingança,
Mas,como se informara Landroal,
Preparava de novo certo mal.

27) -
Fernão aplicava rápidas medidas
Escutando o Conselho em conferência;
Seguiam as lusas tropas aguerridas
Enfrentanto algum poovo com urgência.
Juntaram muitas gentes escolhidas
Das qu'andavam p'lo interior em falência,
Sendo melhor haver boa precaução
Que,enorme,devia ser a multidão !

.........................................

61) -
Em muitas represálias e vinganças
Esse glorioso Reino se extinguia
Depois de tantas e alvas esperanças
Que vidas inocentes consumia.
Assim resultou nessas vãs heranças
Em fracas mãos de quem não competia,
Desejoso das fáceis pretensões
Que não bastam para cuidar das nações !

62) -
Mas Amona tentara envenenar
Cavazzi, dedicado dessa rainha;
As damas da corte dava pra trocar
Por vinhos e alimentos que não tinha.
Surgira Diogo para governar
Mas sua cabeça nem ali sustinha
Perante o cutiloso e cruel jaga
Que nem o tempo um ódio tal apaga.

63) -
Nem D.Luis consegue sobreviver
Tal o poder do válido guerreiro
Apossado de novo do poder
Que em Matamba tivera, desordeiro!
Foi Gutteres depressa a combater
Cercando-o numa igreja, prisioneiro;
Dali saindo p'lo escuro,assustado,
Sem nada lucrar, sendo degolado !
..............................................

- CANTO VI - O DRAMA DA ESCRAVATURA - (75 estâncias) -

1) -
Muitos escravos foram retomados
Que eram vendidos em boa quantidade,
Sendo para novas terras embarcados
Que deles havia lá necessidade.
Mas os poderes régios contrariados
Logo os mandavam de volta à sua herdade,
Sendo caso de má e desleal conduta,
Não fosse obra feia, de filhos de puta!

2) -
Não era por Dom Henrique ou sua alegria
Que em escuros negócios se metessem,
Sendo antes para Cristo e a Santa Pia
Todos quantos a Nova ali quizessem;
Amolecendo as mentes pretendia
Evitar que outros piores ali viessem
Colher frutos em tão enorme fartura,
Que uma vida fácil nem sempre dura!

3) -
Em tendo aquele campo bem semeado
Seria farta e válida a colheita
E,próximo do tal reino ali buscado,
Uma outra melhor já havia de estar feita.
Pra tanto era o caminho procurado
Em naus que o Índico rápido rejeita,
Se outra solução não fora a escolhida
Que era a vela,mais fácil,sumetida.
....................................................

44) -
As guerras,pela Europa ensanguetada,
(Povos contra si todos revoltados),
Afastavam do mar a força ,irada
Na defesa dos montes ocupados.
E mais lucrava a malta interessada
Em escuros negócios,desejados,
Mandando negros pra onde eram escassos,
Havendo nesses Reinos tantos braços !

45) -
Por isso o Desejado,mui prudente,
Regulara com lei sua,bem medida,
O modo legal pra cativar gente
Que nas guerras ficasse aqui apreendida.
Antes, a outro ordenara na sua frente
O que fazer na terra concedida,
Deixando aos santos mestres boa vantagem
E impondo a muitos sobas vassalagem.

46) -
Paulo Dias, com poderes concedidos,
Acordava contratos mui rendosos,
Em "assientos" por si estabelecidos
Com os Filipes,também cobiçosos.
E muitos outros já nisso iam metidos
Esquecendo os terrenos trabalhosos,
Preferindo repousado viver
Que lhes desse mais válido prazer.

47) -
Primeiro desprezavam uns metais
Que só valor limitado antes possuíam,
Mas, os escuros povos e os demais,
Para não serem vistos,os encobriam;
A tais pontos os câmbios ainda mais
Do que o falado máximo subiam
C'o espanto de causar perturbação,
Colhendo o inquiridor nova lição.
.....................................

73) -
Com os zimbos e búzios escolhidos
Por gentios em negócios satisfeitos,
Ignorando os escândalos,perdidos,
Que depressa dariam maiores proveitos,
Voltavam os danados convencidos,
Cheios de lucros ganhos sem direitos,
Obtidos com feios modos,comerciantes,
Mais deixando alguns negros bem radiantes!

74) -
Outros, Campo e um Martel, bem preparados,
Com enormes riquezas se abotoavam,
Pelos muitos escravos transportados
Das costas Índias, em que os esperavam
De volta c'o ouro e prata carregados,
Que os mais antigos mestres facultavam
Sendo tratados de modo especial
Porque o sonante abafa todo o mal !

75) -
E sentado num Cabo pedregoso
Estava o negro ancião se recordando,
Cos olhos no horizonte,bem receoso :
- Quantos filhos seus foram transportando
Certos negreiros pra um fim duvidoso,
Sob controle de pérfido comando,
Sem esperanças de os voltar a ver
Em seu mais triste e trágico viver ?!...

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CANTO VII - DOS ATAQUES HOLANDESES À RECONQUISTA - (103 estâncias)-

1) -
Os mares muito turvo se tornavam
Por algumas escuras, feias razões,
Doutros que o rico Reino desejavam
Cheios de cobiça e ódio de ladrões;
Para o interior as tropas não marchavam
Poupando as fracas forças e os canhões,
E,deslocando-os antes para as costas
Protegiam-se das naus ao largo expostas.

2) -
Da outra banda dos mares oceânicos
Chegava triste nova de espantar,
Que plebes calmas já punha em pânicos
Das coisas que por certo se iam passar:
- Velas grandes, tamanhos titânicos,
Preparavam-se para os atacar !
Sendo fraca a defesa residente,
Temerosa se punha toda a gente,

3) -
Mas, suspendendo um pouco essa eminência
Os reservados, cautos holandeses,
Sabidos da possível resistência
Comum em muitas lutas e revezes,
Prosseguiam com mais pérfida violência
Sobre alguns desses pobres camponeses,
Sondando talvez aos poucos os caminhos
Pra ver que haveria entre esses ninhos.
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28) -
O peso estranho já os incomodava
Pressentindo-se certas realidades,
Que toda gente séria murmurava
Noutras maiores e vãs dificuldades.
Do reino principal então chegava
Socorro e tropas de boas qualidades,
Mas,contrariando alguém tal atitude,
Talvez por ver nos outros mais virtude !

29) -
E de Benguela, rápido um enviado
Para saber das novas escolhia,
Que foi p'la hoste porém logo apanhado
Seguindo o rumo que ela levaria.
Nesse Quicombo,já em versos cantado,
Ao desembarque então procederia,
Indo para o presídio protector
Onde resistiam com muito valor.

30) -
Contudo a sorte foi.lhes contrariada
Nas lutas frente aos jagas conhecidos
E de força guerreira bem formada
Sendo disso desde há tempos sabidos.
O destino da vida atormentada
Desviara um natural desses fugidos :
- Nem se sabendo ao certo as suas razões
Seguira a dar parte aos novos patrões.

31) -
Concluidas essas guerras se instalavam
Superando as obrigações impostas,
E as raízes de uma nova classe armavam
Vergando com o peso velhas costas;
As povoações melhor assim ficavam
Ocupando com paz ricas encostas;
Procedendo ao contrário,se dizia,
Que o gentio ledo a todos mataria !
............................................

100)-
Como Correia de Sá não concordasse
Procuram os ditos um outro amanho
Mas sem cuidar que o luso com disfarce
Mostrava um poderio de mais tamanho :
Bem antes que o inimigo se adiantasse
Finge o general seu valor de antanho,
Descendo a terra todos seus soldados
Tendo a bordo espantalhos espetados !

101)-
Logo alcança o fronteiriço e alto Penedo
Levando quanto surgia p'la frente,
Os forte toma e ocupa de arremedo
Que a coragem fazia aumentar a gente!
Em fuga alguns se botam bem mais cedo
Cuidando noutra forma diferente,
Com os fogos danados incendiando
Tudo o que por ali iam abandonando.

102)-
Restava por refúgio a fortaleza
Que o encorajado luso ali arremete,
Defendendo-se então a cercada presa
Mas que sem forças já pouco acomete.
De novo Salvador com mais firmeza
Se prepara para honrar seu galhardete,
Quando nota no alto mastro a bandeira
Agora branca, em vez da desordeira !

103)-
"Abre-se a porta" dessa "cidadela"
Saindo os vencidos bem envergonhados,
Em número maior e em vária farpela
Entre alas dos vencedores formados.
Metidos depois numa caravela
Dali são pra sua terra despachados,
Enquanto por toda a costa angolana
Ardia de novo a flama lusitana !

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VOLUME II -- "DO ZAIRE PODEROSO AO CUNENE MISTERIOSO" --

- CANTO VIII - "A RESTAURAÇÃO DOS REINOS" ...... 71 Estâncias -
- CANTO IX - "A INFLUÊNCIA BRASILEIRA"........ 72 Estâncias -
- CANTO X - "A INEVITÁVEL EVOLUÇÃO".......... 72 Estâncias -
- CANTO XI - "NOS REINOS DO SERTÃO" .......... 59 Estâncias -
- CANTO XII - "A COBIÇA INTERNACIONAL"......... 94 Estâncias -
- CANTO XIII - "OS CAMINHOS DA LIBERTAÇÃO" ..... 72 Estâncias -
- CANTO XIV - "OS MISTÉRIOS DO CUNENE..." ..... 128 Estâncias -
- CANTO XV - "...ATÉ À DESCOBERTA DA SUA FOZ". 102 Estâncias -
TOTAL ..... 670 Estâncias -

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CANTO VIII - A RESTAURAÇÃO DOS REINOS - (71 estâncias) -

1) - Para esse mesmo Reino de Benguela
... Foi então nomeado Gomes de Gouveia
... Enquanto outros de sua douta tutela
... Fugiram da terrível alcateia.
... Muita gente, com boa e melhor farpela
... Seguia a santa, de flores toda cheia,
... Sendo o colégio antigo recompensado
... Porque junto ao palácio era situado.

2) - Assim caminham para a fortaleza
... Com uns santos e santas resguardados,
... Sendo sua fé mostrada com firmeza
... Entre tantos fiéis e alguns soldados.
... Não causara nenhuma outra estranheza
... O que logo surgira noutros lados
... Já festejando com muita alegria
... O fim do sofrimento e vilania.

3) - Outros, enviados à Vila Vitória,
... Informavam da nova situação,
... Retirando da lusa e boa memória
... Tanta desgraça e total desolação.
... Mandara recolher, sem mais história,
... Todos que se mantinham p'lo sertão
... Sendo bem mais segura a capital
... Antes que lhes surgisse novo mal.
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69)- O Congo estava a cair com desagrados
... Desafiando os poderes constituídos
... Que reunira diversos potentados
... Reformando os exércitos unidos.
... Voltam a Massangano reforçados
... Onde os congueses bem arrependidos
... Prometem boa política fazer
... E aos noviços impor o seu mister.

70) - No reino da Matamba a rainha aceita
... Negociar ampla paz com portugueses,
... Não lucrando continuar mais sujeita
... Aos seus problemas e aos dos congoleses,
... Ficando com sua fé mais satisfeita
... Como fora também diversas vezes.
... Outro Novais em sua capitania
... Renovara a que a Paulo pertendia.

71) - Afonso sexto nada governava
... Passando o seu poder para a regência,
... Assumida com fé sempre agradava
... Usando demonstrada e real sapiência.
... Diversas penitentes destinava,
... Para em Angola darem assistência,
... Mesmo, com uns colonos se casando
... E que estavam até necessitando.
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- CANTO IX - A INFLUÊNCIA BRASILEIRA - (72 estâncias) -

1) (72)-
... Para Vieira chegara a ocasião
... De assumir o comando desejado
... Tendo tido outra boa governação
... Em terras do Brasil com muito agrado.
... Aos jesuítas não alegra a nomeação
... Pelo que logo fora excomungado;
... Julgando-se em Angola superiores
... Manobravam sem ter opositores.

2) (73)-
... Massangano recebeu benefícios
... Passando a vila por merecimento,
... Depois de tanto azar e sacrifícios
... Da população em fácil crescimento.
... Os ingleses cometem artifícios
... Numa grave traição sem fundamento,
... Quando Chichorro,calmo,regressava
... E em Paraíba porém preso ficava!

3)(74)-
... Doente e com fome finha falecido
... Nem lhe valendo o farto e bom marisco
... Pois,pelo mesmo,foi depois comido
... Sendo assim muito pior que um outro risco!
... Ao sobrado esqueleto,ali esquecido,
... De nada servia já o poder ou o fisco
... E,nem mesmo o salvando,o Salvador,
... Só restando entregar a alma ao Criador!
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70(141)-
... Távora,recebera sua patente
... Prometendo en Angola governar
... Quando não tivesse algum na sua frente;
... Mas Furtado tomava outro lugar
... No Reino de Benguela,diferente,
... E sem ter tido tempo p'ra aguardar.
... O Senado da Câmara mudava
... E um novo chefe já ali governava.

71(142) -
... Na Matamba Gutteres sucedera
... A Amona,por Carrasco conhecido,
... E que,depois do que lhe acontecera,
... P'ra salvadora mata havia fugido.
... O outro capitão-mor permanecera
... Com uns oficiais, tendo preferido
... Manterem a ordem entre os comerciantes
... E os que ali redidiam todos muito antes !

72(143) -
... Mas,no Congo,o Colégio foi assaltado
... Sendo depois daí logo transferido
... Deixado p'lo jesuíta abandonado,
... Terminando o seu tempo ali perdido.
... Com tanto assunto assim mal orientado
... Fugira todo o povo espavorido.
... Rafael chegara ao trono em abandono
... De que o do Sonho queria ser o dono!

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- CANTO X - A INEVITÁVEL EVOLUÇÃO - (72 estâncias) -

1) (144)-
... Távora chega a Luanda com atraso,
... Em plena juventude da sua vida,
... Entre grande alegria,sem qualquer prazo,
... Com espanto da gente embevecida.
... Não perdendo mais tempo e, sem dar azo
... A avanços de adversários nessa lida,
... Mandara reforçar fortes, fortins,
... E outras bases de mais seguros fins.

2) (145)-
... Chegam à capital embaixadores
... Do novo rei conguês com cumprimentos
... Ao governador jovem e uns senhores
... Que davam apoio aos doutos elementos.
... Solicitam vencer usurpadores
... Estranhos, sem humanos sentimentos,
... Que mantinham negócios dos escravos
... Recordando outros tempos dos eslavos.

3)(146)-
... Dom Rafael concedera outro condado
... Que junto ao Pinda estava protegido,
... Muitos seguiam o destino desgraçado,
... Não cumprindo o tratado antes havido.
... Os jesuítas também haviam falhado
... Com o escuro negócio, repelido,
... Sendo expulsos p'ra tais bandas,distantes,
... Em companhia de certos traficantes!

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70(213) -
... O capitão-mor Sousa complicava
... As vidas dalguns povos da região
... Onde o jaga Cassanji manobrava
... Derrotando Quiguanga na questão
... Que seu padrinho,"Pai do Sol",apoiava
... P'ra não complicar essa ligação;
... No funeral de Dom Pascoal matavam
... Alguns jovens também, que ali enterravam!

71(214)-
... Afonso Terceiro, um seu sucessor,
... Encontrara diversas confusões
... Com as fugas dum Reino de pavor
... Sem conseguir segurar os cordões.
... Daniel nem se pudera recompor
... Porque Pedro Segundo,com bastiões,
... Tornara todas rédeas em fraqueza
... Suprida por Manuel com subtileza,

72(215) -
... Que,como falsa noiva, disfarçado,
... Elimina seu irmão com u'a pistola
... Mas não ganhando num outro atentado
... Que o atingira certeiro na sua tola,
... Porque Garcia Terceiro,mais cuidado,
... Lucra dos capuchinhos essa esmola !
... Sem deixar arrefecer tal vantagem
... Solicitara a régia vassalagem.

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- CANTO XI - NOS REINOS DO SERTÃO - (59 estâncias) -

1) (216)-
... Silva e Sousa chegado finalmente
... P'ra comandar o Reino principal
... Não tempo de aguçar o dente
... Contra Dala e o Cassanje, seu rival,
... Que nem aproveitou a ajuda presente
... E o livrou de sofrer um grande mal;
... Perdera assim aquele seu comando
... Ficando tudo a saque d'outro mando.

2) (217)-
... Não consegue,porém,ali aguentar
... Preferindo regressar à origem,
... Sendo logo preenchido seu lugar
... Com apoio renovado e vassalagem.
... Em Catole, Sequeira iria acampar
... Com um certo descuido,mas coragem;
... Acabava com trágica surpresa
... Perdendo terrenoe alguma firmeza.

3) (218)-
... Explodiam as barracas num instante
... Repletas de armas, muitas munições,
... Mais parecendo festa delirante
... Apavorando suas populações.
... E Sequeira, o "invencível" e triufante,
... Foi abatido com setas nos pulmões
... Sem desânimo dos seus companheiros,
... Conseguindo vencer, foram primeiros.

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56(271) -
... Beatriz Kimpa,chamada Dona Santa
... Por reencarnar António celestial,
... Esquiva,a todos pintava sua manta
... Com visitas ao Senhor Principal,
... Sendo sua convidada, o que encanta,
... Por ser de São Salvador natural !
... Uma ressurreição teria imitado
... E aquela Terra Santa havia salvado.

57(272) -
...De muito longe os fiéis ali acudiam
...Para ajudarem nessa Salvação;
...Pedro Quarto e outros não se convenciam
...Pondo um fim nessa tal encenação,
...Terminada nuns troncos que sumiam
...Com os corpos, ardendo sem cremação !
...Mas perdeu a mais antiga e sua linhagem
...Sem outro descendente ou vassalagem.

58(273) -
... Do Brasil mais escravos pretendiam
... P'ra salvar os "engenhos" desfalcados
... Mas pelo interior lutas ressurgiam
... Em terras de Caconda e seus sobados.
... Dom Pedro Quarto e os seus se recolhiam
... P'ra Lelunda, enviando o outro com aliados;
... Constantino, porém,mais desejava
... E ficar nesse trono se esforçava.

59(274) -
... Esse Pedro não aceita tal mudança
... Mandando-o prender pelo seu pescoço
... E,cortado a cutelo, com pujança,
... Perante alegria e num grande alvoroço
... Acabara de vez com tanta andança
... E pretensões de mais algum rei moço!
... Os "Quibango" reassumem a realeza
... Dando aos "Quipanzo" os restos da sua mesa.

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- CANTO XII - A COBIÇA INTERNACIONAL - (94 estâncias) -

1) (275)-
... Ribafria sucedera ao nobre Almada
... Que foi governar para outro reinado
... E para onde não houvera mais jornada,
... Que o governo acabara co'"el-dourado";
... Mesmo p'ra degredado era vedada
... Sendo Angola o destino sobejado,
... Como acontecera antes a diversos
... Embora fossem santos não perversos.

2) (276)-
... A revoltada gente da Quiçama
... Fora vencida por sobas reunidos.
... Ribafria nunca teve santa cama
... Actuando com processos mal sabidos:
... Pouco valera alguma justa fama
... Nem resolveu problemas conhecidos.
... No seu regresso teve de aquecer
... Quando seu barco estsva a fenecer.

3) (277)-
... Entretanto, chegara Dom Noronha,
... Havendo situações bem complicadas,
... Com casos muito doentes,qual peçonha,
... Para o que devia ter as mãos pesadas.
... Mesmo o Senado, com bastante ronha,
... Desviava nomeações menos cotadas
... E, por não serem da alta sociedade,
... Apenas dos musseques da cidade!

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92(366) -
... Nalgumas Feiras foi determinado
... Manter certo negócio mais habitual
... Com escravos de diverso sobado
... Ali vendidos, por bem ou por mal,
... Com estranhas influências dalgum lado
... Onde estava o danado capital,
... Não podendo os capitães intervir
... Nas vendas que pudessem ressurgir.

93(367) -
... A macuta fazia sua aparição
... Em Angola, com válidos valores.
... No Reino de Benguela houve a criação
... Duma Irmandade com alguns andores
... E,num Reino do Congo, u'a vocação
... Sucedera a Dom Pedro com clamores;
... Mas este, regressando, os sossegara
... Com protecção do bispo que o coroara.

94(368) -
... Degredados tentaram atacar
... O governador e os seus oficiais
... Praticando assassínios sem parar,
... Com assalto a Conventos e demais,
... Querendo algumas pratas arrebanhar,
... Porque os jesuítas tinham-nas a mais.
... Uns deles foram logo silenciados
... Ficando Álvares com ossos quebrados !

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- CANTO XIII - OS CAMINHOS DA LIBERTAÇÃO - (72 estâncias) -

1)(369)-
... Tomara posse Dom Sousa Coutinho
... Reunindo os comerciantes da cidade,
... Devendo cessar logo de caminho
... Com os que nunca obtinham liberdade,
... Nem havendo um imposto mais daninho
... Prejudicando toda lusa herdade,
... Mesmo tendo suas dívidas somadas
... Com as diversas, tão mal disfarçadas.

2)(370)-
... Sendo o Terreiro Público ali criado
... Para a recolha dos bons alimentos,
... Assim ficando tudo armazenado
....Para distribuir com mais fundamentos,
....Sem que algum fosse mais beneficiado
....Ficando outros com menos suprimentos;
....Assim evitam feios, fracos negócios
....Ou trocas de trabalhos pelos ócios.

3) (371)-
... A Geometria, porém, e a Construção,
... Em "aulas",antes já sendo existentes,
... Tiveram uma nova pretensão
... Havendo muitas obras dependentes,
... Porque nem encontravam solução
... Para resolver casos das suas gentes
... Em casas mais antigas,mal situadas,
... Sem posses para serem reparadas.

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70(438) -
...Aguns mestres no ensino e,certa ciência,
...Tinham ali acabado de chegar
...Pra fornecer aos jovens a sapiência
...Suficiente no saber governar.
...Nas igrejas mudara Sua Eminência
...Por uma outra que estava a começar
...Para remediar má, triste conduta,
...Que não aceitava mudança absoluta.

71(439) -
... Albergaria deseja mais colonos,
... Uns bons milhares para o povoamento,
... Antes que ali surgissem outros donos
... Prontos a colher frutos sem tormento.
... Foram gastos uns válidos abonos
... Para o "Naturalista", com talento,
... Estudar no rio Cuanza suas vantagens
... Com apoio de Donatti nas pastagens.

72(440) -
... Visita o Bispo o Sonho e o seu condado
... Que nunca recebera essa excepção;
... Com muito casamento e baptizado
... Ficava mais católica a Nação.
... Do forte militar ali iniciado
... Decidem completar a construção
... E que fora atacado p'los franceses
... Metidos em negócios tantas vezes !

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- CANTO XIV - OS MISTÉRIOS DO CUNENE - (128 estâncias) -

1)(441)-
... Decide a Junta fixar em Benguela
... Os dirigentes das expedições,
... Como se fosse uma imensa janela
... Aberta p'ra desvendar os sertões;
... Com Furtado e Valente em curta trela
... Tinha em Silva e Lacerda uns bons peões,
... Buscando o estranho final do Cunene :
... Rio estreito,largo,rápido ou perene !?

2) (442)-
... Uns chegam a Angra do Negro p'lo mar
... Encontrando emissários dum sobeta,
... Curiosos de conhecer,"conversar",
... Como sendo "homens" dum outro planeta!
... Mais não pretendiam do que desvendar
... A ligação do rio com a sua meta,
... Julgada estar situada num maior
... Que os levasse ao longíquo interior.

3) (443)-
... Caminhara Gregório para o sul,
... Indo pelo Quilengues e mais terras
... Para alcançar em Angra o mar azul,
... Depois de atravessar deserto e serras;
... Com uma caravana passa um paul,
... Chegando a Banda(Angra) sem mais guerras
... E conseguira algumas vassalagens
... Desde Quinzamba ao Negro,fim das viagens.
......................................................

126(566) -
... As tentativas contra a escravatura
... Foram renegociadas com ingleses,
... Evitando mais saídas nessa altura
... Prejudicadas já, por tantas vezes.
... Muitos interessados, gente dura,
... Nada gostando doutros portugueses,
... Discordavam de tantas transações
... Feitas com traficantes ou ladrões !

127(567) -
... Carta Orgânica fora publicada
... Criando em Angola um governo-geral;
... Nos dois Reinos ficava completada
... Com distritos, presídios sem igual.
... A gestão militar fora trocada
... Pela forma civil, menos formal.
... Suas leis teriam um próprio difusor
... Para nem haver nenhum difamador.

128(568) -
... A ansiada Abolição foi resolvida
... Duma forma geral,definitiva,
... Para que no mar não acabasse a vida,
... Nem havendo mais pena punitiva.
... Terminava o negócio e a fé ferida
... Em que tantos, na triste comitiva,
... Sempre perderam, não só a Liberdade,
... Como, talvez, sua própria Dignidade !
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CANTO XV - ATÉ À DESCOBERTA DA SUA FOZ - (102 estâncias) -

1)(569)-
... Vidal fora o primeiro governante
... Segundo a nova Carta Nacional,
... Que orientaria os destinos doravante
... Co'a justiça p'ra todos sendo igual.
... Em Benguela ninguém seria ignorante
... Da lei aplicada por ali em geral,
... P'ra matarem mosquitos com metralha
... Ou,queimando umas ervas sem ter falha!

2) (570)-
... Ngola Quiassama,soba numa serra,
... Não concordando com a instalação
... Dum Presídio dos lusos em sua terra,
... Avança contra Ambaca,no sertão,
... Mas,a tropa depressa mais o encerra,
... Algemando-lhe com vontade a mão.
... Garcia,regente na Oylla,nem sabia
... Como dominar outra rebeldia.

3) (571)-
... O distrito "Bragança" surgiria
... Na zona em que Quiassama dominava;
... Andrade,coronel,melhor fazia
... E a ordem ali de novo se instalava.
... Benguela no local se manteria
... E,Catumbela,na memsma ficava,
... Enquanto Luanda obtinha provimentos
... Com as diversas obras e uns eventos.

......................................................
100(668) -
... Os ingleses tentaram conquistar
... O Reino de Cabinda, sem prudência,
... Sabendo que não estava p'ra alugar,
... Mas ao cargo da lusa previdência.
... Subornavam o N'hongo sem cessar,
... Fazendo quase perder a paciência
... A quem tinha a total obrigação
... De manter em boa paz sua povoação.

101(669) -
... Costa Leal percorrendo pelo sul,
... Passa a Baía dos Peixes, continuando
... Em busca do mistério, sob céu azul :
... - Se o Cunene, absorvido e sem comando
... Há tantos anos, longe do Giraul,
... Entrava nessa areia que o ia ocultando ?!
... Findava esse segredo centenário
... Um caso,talvez, bem extraordinário !

102(670) -
... Leal, manda estudar sua navegação,
... Pretendida por outros governantes,
... Pensando na possível ligação
... Ao Cubango, desejo dos meliantes,
....Para terem mais rápida função
....Com os barcos de tantos traficantes,
....Na busca dos escravos e marfim
....Sem cuidar que esses podia ser seu Fim.

----------------- FIM -----------------
...... (COIMBRA, 28/02/2003) ......

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-- NOTA I)-- ESTE POEMA ÉPICO TEM DOIS VOLUMES COM UM TOTAL DE 1.368 ESTÂNCIAS : Vol.I = 698 e Vol.II = 670, A QUE CORRESPONDEM 10.944 VERSOS, TALVEZ O MAIOR EM LÍNGUA PORTUGUESA) --

-- NOTA II ) -- ALÉM DAS ESTÂNCIAS ACIMA TRANSCRITAS JÁ SE ENCONTRAM PUBLICADAS (VIRTUALMENTE)MAIS AS SEGUINTES :

A) - NO "SÍTIO" - http://angola.do.sapo.pt :
== VOLUME I - "DO TEJO GRANDIOSO AO ZAIRE PODEROSO" :
- CANTOS I a VII : nºs. 1-2-3 --

== VOLUME II - "DO ZAIRE PODEROSO AO CUNENE MISTERIOSO":
- CANTO VIII - nºs. 1 a 71 -- CANTO IX - nºs. 1 a 72 --
CANTO XI - nºs. 1 a 59 --

B) - NO "SÍTIO" - http://angola-brasil-portugal.blogspot.com :

== VOLUME I -
- CANTO VI - nºs 1-7-15-20-36-49-53-58-59-64-75 e 75 --

C) - NO "SÍTIO" - http://angola-brasil-portugal.blogspot.com :

== VOLUME I -

- CANTO I (1-2-3... 28-29-30-31-...63-64-65) -
- CANTO II (1-2-3-...-56-57-58-59-...120-121-122-123-...169-170-171)- - CANTO III (1-2-3-... 64-65-66-67-...81-82-83-...105-106-108) -- - - CANTO IV (1-2-3-... 72-73-74-75-... 80-81-82-83-87-88-89-90-91-108- 91...108-109-110-111-112-113)--
- CANTO V (1-2-3... 11-12-13-14-...24-25-26-27-...61-62-63) --
- CANTO VI (1-2-3... 7-8-9-10-11-12-13-14...15-20-21-22-23-..36- ...44-45-46-47-...49-53-58-59-64...73-74-75) --
- CANTO VII (1-2-3... 28-29-30-31-...100-101-102-103) --

== VOLUME II :

- CANTO VIII (1-2-3...69-70-71) --
- CANTO IX (1-2-3...70-71-72 ) --
- CANTO X (1-2-3...70-71-72 ) --
- CANTO XI (1-2-3...56-57-58-59) --
- CANTO XII (1-2-3...92-93-94) --
- CANTO XIII (1-2-3...70-71-72) --
- CANTO XIV (1-2-3..126-127-128) --
- CANTO XV (1-2-3..100-101-102) --
================================

Governadores Gerais de Angola

Soberania Portuguesa
Angola Donatária
(São Paulo de Luanda) Colónia

1 de Fevereiro de 1575 - 1589 Paulo Dias de Novais, Donatário
África Ocidental Portuguesa Colónia da Coroa
1589 - 1591 Luís Serrão, Governador
1591 - Junho de 1592 André Ferreira Pereira, Governador
Junho de 1592 - 1593 Francisco de Almeida, Governador
1593 - 1594 Jerónimo de Almeida, Governador
1594 - 1602 João Furtado de Mendonça, Governador
1602 - 1603 João Rodrigues Coutinho, Governador
1603 - 1606 Manuel Cerveira Pereira, Governador 1.º mandato
Setembro de 1607 - 1611 Manuel Pereira Forjaz, Governador
1611 - 1615 Bento Banha Cardoso, Governador
1615 - 1617 Manuel Cerveira Pereira, Governador 2.º mandato
1617 - 1621 Luís Mendes de Vasconcelos, Governador
1621 - 1623 João Correia de Sousa, Governador
1623 - 1623 Pedro de Sousa Coelho, Governador
1623 - 1624 Simão de Mascarenhas, Governador
1624 - 4 de Setembro de 1630 Fernão de Sousa, Governador
4 de Setembro de 1630 - 1635 Manuel Pereira Coutinho, Governador
1635 - 18 de Outubro de 1639 Francisco de Vasconcelos da Cunha, Governador
18 de Outubro de 1639 to 1641 Pedro César de Meneses, Governador
1641 - Outubro de 1645 Em oposição aos holandeses
Outubro de 1645 - 1646 Francisco de Souto-Maior, Governador

Soberania Holandesa
África Ocidental Holandesa
1641 - 1642 Pieter Moorthamer, Director
1642 - 1648 Cornelis Hendrikszoon Ouman, Director
Soberania Portuguesa
1646 - 24 de Agosto de 1648 Junta
24 de Agosto de 1648 - 1651 Salvador Correia de Sá e Benevides, Governador
1651 - Março de 1652 ..., Governador Interino
Março de 1652 - 1653 Rodrigo de Miranda Henriques, Governador
1653 - Outubro de 1654 Bartolomeu de Vasconcelos da Cunha, Governador Interino
October 1654 - 18 de Abril de 1658 Luís Martins de Sousa Chichorro, Governador
18 de Abril de 1658 - 1661 João Fernandes Vieira, Governador
1661 - Setembro de 1666 André Vidal de Negreiros, Governador
Setembro de 1666 - Fevereiro de 1667 Tristão da Cunha, Governador
Fevereiro de 1667 - Agosto de 1669 Junta
Agosto de 1669 - 1676 Francisco de Távora, Governador
1676 - 1680 Pires de Saldanha de Sousa e Meneses, Governador
1680 - 1684 João da Silva e Sousa, Governador
1684 - 1688 Luís Lobo da Silva, Governador
1688 - 1691 João de Lencastre, Governador
1691 - 1694 Gonçalo da Costa de Alcáçova Carneiro de Meneses, Governador
1694 - 1697 Henrique Jacques de Magalhães, Governador
1697/1698 - 1701 Luís César de Meneses, Governador
1701 - 1702 Bernardino de Távora de Sousa Tavares, Governador
1705 - 1709 Lourenço de Almada, Governador
1709 - 1713 António de Saldanha de Albuquerque Castro e Ribafria, Governador
1713 - 1717 João Manuel de Noronha, Governador
1717 - 1722 Henrique de Figueiredo e Alarcão, Governador
1722 - 1725 António de Albuquerque Coelho de Carvalho, Governador
1725 - 1726 José Carvalho da Costa, Governador Interino
1726 - 1732 Paulo Caetano de Albuquerque, Governador
1732 - 1738 Rodrigo César de Meneses, Governador
1738 - 1748 João Joaquim Jacques de Magalhães, Governador
1748 - 1749 Fonseca Coutinho, Governador Interino
1749 - 1753 António de Almeida Soares Portugal, Marquês do Lavradio, Governador
1753 - 1758 António Álvares da Cunha, Governador
1758 - 1764 António de Vasconcelos, Governador
1764 - 1772 Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, Governador
1772 - 1779 António de Lencastre , Governador
1779 - 1782 José Gonçalo da Gama, Governador
ou João de Câmara, Governador
1782 - 1784 Juntas
1784 - 1790 José de Almeida e Vasconcelos de Soveral e Carvalho Soares de Albergaria, 1.º visconde da Lapa, Governador
1790 - 1797 Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1.º conde da Lapa, Governador
1797 - 1802 Miguel António de Melo, Governador
1802 - 1806 Fernão António de Noronha, Governador
1806 - 1807 ..., Governador
1807 - 1810 António de Saldanha da Gama, Governador
1810 - 1815 José de Oliveira Barbosa, Governador
1816 - 1819 Luís da Mota Feio e Torres, Governador
1819 - 1821 Manuel Vieira Tovar de Albuquerque, Governador
1821 - 1822 Joaquim Inácio de Lima, Governador
1822 - 1823 Junta Provisória do Governo
1823 - 1824 Cristóvão Avelino Dias, Governador
1824 - 1829 Nicolau de Abreu Castelo Branco, Governador
1829 - 1834 José Maria de Sousa Macedo Almeida e Vasconcelos, Barão de Santa Comba Dão, Governador
1834 - 1836 Junta Governativa
1836 - 1836 Domingos de Saldanha Oliveira e Daun, Governador
1836 - 1837 Junta Governativa
1837 - 1839 Manuel Bernardo Vidal, Governador-Geral
1839 - 1839 António Manuel de Noronha, Governador-Geral
1839 - 1842 Manuel Eleutério Malheiro, Governador-Geral Interino
1842 - 1843 José Xavier Bressane Leite, Governador-Geral
1843 - 1844 Conselho de Governo
1844 - 1845 Lourenço Germack Possollo, Governador-Geral
1845 - 1848 Pedro Alexandrino da Cunha, Governador-Geral
1848 - 1851 Adrião Acácio da Silveira Pinto, Governador-Geral
1851 - 1853 António Sérgio de Sousa, Governador Interino
1853 - 1853 António Ricardo Graça, Governador Interino
1853 - 1854 Miguel Ximenes Gomes Rodrigues Sandoval de Castro e Viegas, Visconde do Pinheiro, Governador-Geral
1854 - 1854 Governo Provisório
1854 - 1860 José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador-Geral 1.º mandato
1860 - 1861 Carlos Augusto Franco, Governador-Geral
1861 - 1862 Sebastião Lopes de Calheiros e Meneses, Governador-Geral
1862 - 1865 José Baptista de Andrade, Governador-Geral 1.º mandato
1865 - 1866 Conselho de Governo
1866 - 1869 Francisco António Gonçalves Cardoso, Governador-Geral
1869 - 1870 José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador-Geral 2.º mandato
1870 - 1870 Joaquim José da Graça, Governador Interino
1870 - 1873 José Maria da Ponte e Horta, Governador-Geral
1873 - 1876 José Baptista de Andrade, Governador Interino 2.º mandato
1876 - 1876 Conselho Governativo
1876 - 1878 Caetano Alexandre de Almeida e Albuquerque, Governador-Geral
1878 - 1880 Vasco Guedes de Carvalho e Meneses, Governador-Geral
1880 - 1882 António Eleutério Dantas, Governador-Geral
1882 - 1882 Conselho Governativo
1882 - 14 de Fevereiro de 1885 Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, Governador-Geral
Província de Angola
14 de Fevereiro de 1885 - 1886 Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, Governador-Geral
1886 - 1886 Conselho Governativo
1886 - 1892 Guilherme Augusto de Brito Capelo, Governador-Geral
25 de Agosto de 1892 a Setembro de 1893 Jaime Lobo de Brito Godins, Governador Interino
1893 - 1894 Álvaro António da Costa Ferreira, Governador-Geral 1.º mandato
1894 - 1895 Francisco Eugénio Pereira de Miranda, Governador-Geral
1895 - 1896 Álvaro António da Costa Ferreira, Governador-Geral 2.º mandato
1896 - 1897 Guilherme Augusto de Brito Capelo, Comissário Régio
1897 - 1897 Conselho Governativo
1897 - 1900 António Duarte Ramada Curto, Governador-Geral 1.º mandato
1900 - 1903 Francisco Xavier Cabral de Oliveira Moncada, Governador-Geral
1903 - 1904 Eduardo Augusto Ferreira da Costa, Governador Interino 1.º mandato
1904 - 1904 Custódio Miguel de Borja, Governador-Geral
1904 - 1906 António Duarte Ramada Curto, Governador-Geral 2.º mandato
1906 - 1906 Ernesto Augusto Gomes de Sousa, Governador Interino
1906 - 1907 Eduardo Augusto Ferreira da Costa, Governador-Geral 2.º mandato
1907 - 1907 Ernesto Augusto Gomes de Sousa, Governador Interino
Junho de 1907 - Junho de 1909 Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, Governador Interino
1909 - 1909 Álvaro António da Costa Ferreira, Governador Interino
1909 - 1909 Conselho Governativo
1909 - 1910 José Augusto Alves Roçadas, Governador-Geral
1910 - 1911 Caetano Francisco Cláudio Eugénio Gonçalves, Governador Interino
1911 - 1912 Manuel Maria Coelho, Governador-Geral
1912 - 1912 Manuel Moreira da Fonseca, Encarregado do Governo
1912 - 1912 António Eduardo Romeiras de Macedo, Governador Interino
1912 - 15 de Agosto de 1914 José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, Governador-Geral
Colónia de Angola
15 de Agosto de 1914 a 1915 José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, Governador-Geral
1915 - 1915 Mário Teixeira Malheiros, Encarregado do Governo
1915 - 1915 António Júlio da Costa Pereira de Eça, Governador-Geral
1915 - 1915 Conselho de Governo
1915 - 1916 Francisco Pais Teles de Utra Machado, Governador Provisório
1916 - 1917 Pedro Francisco Massano de Amorim, Governador-Geral
1917 - 1918 Jaime Alberto de Castro Morais, Governador Interino
1918 - 1919 Filomeno da Câmara de Melo Cabral, Governador-Geral
1919 - 1919 António Nogueira Mimoso Guerra, Governador Interino
1919 - 1920 Francisco Coelho do Amaral Reis, Visconde de Pedralva, Governador-Geral
1920 - 1920 Isidoro Pedro Leger Pereira Leite, Governador Interino
1920 - 1921 José Inácio da Silva, Governador Interino
1921 - 1921 José de Abreu Barbosa Macelar, Encarregado do Governo
1921 - 1923 José Mendes Ribeiro Norton de Matos, Alto Comissário
1923 - 1924 Miguel de Almeida Santos, Encarregado do Governo
1924 - 1924 João Augusto Crispiniano Soares, Encarregado do Governo
1924 - 1925 Antero Tavares de Carvalho, Governador Interino
1925 - 1926 Francisco da Cunha Rego Chaves, Alto Comissário
1926 - 1926 Artur de Sales Henriques, Encarregado do Governo
1926 - 1928 António Vicente Ferreira, Alto Comissário
1928 - 1929 António Damas Mora, Governador Interino
1929 - 1930 Filomeno da Câmara de Melo Cabral, Alto Comissário
1930 - 1930 Bento Esteves Roma, Governador-Geral
1930 - 1931 José Dionísio Carneiro de Sousa e Faro, Governador-Geral
1931 - 1934 Eduardo Ferreira Viana, Encarregado do Governo e Governador Interino
1934 - 1935 Júlio Garcês de Lencastre, Encarregado do Governo
1935 - 1939 António Lopes Mateus, Governador-Geral
1939 - 1939 José Diogo Ferreira Martins, Encarregado do Governo
1939 - 1941 Manuel da Cunha e Costa Marques Mano, Governador-Geral
1942 - 1942 Abel de Abreu Sotto Mayor, Encarregado do Governo
1942 - 1943 Álvaro de Freitas Morna, Governador-Geral
1943 - 1943 José Ferreira Rodrigues de Figueiredo dos Santos, Encarregado do Governo
1943 - 1943 Manuel Pereira Figueira, Encarregado do Governo
1943 - 1947 Vasco Lopes Alves, Governador-Geral
1947 - 1947 Fernando Falcão Pacheco Mena, Encarregado do Governo
1947 - 11 de Junho de 1951 José Agapito da Silva Carvalho, Governador-Geral
Província de Angola
11 de Junho de 1951 - 1955 José Agapito da Silva Carvalho, Governador-Geral
1955 - 1956 Manuel de Gusmão Mascarenhas Galvão, Alto Comissário e Governador-Geral
1957 - 15 de Janeiro de 1960 Horácio José de Sá Viana Rebelo, Alto Comissário e Governador-Geral
15 de Janeiro de 1960 - 23 de Junho de 1961 Álvaro Rodrigues da Silva Tavares, Alto Comissário e Governador-Geral
23 de Junho de 1961 - 26 de Setembro de 1962 Venâncio Augusto Deslandes, Alto Comissário e Governador-Geral
26 de Setembro de 1962 - 27 de Outubro de 1966 Silvino Silvério Marques, Alto Comissário e Governador-Geral 1.º mandato
27 de Outubro de 1966 - 1971 Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz, Alto Comissário e Governador-Geral
Estado de Angola
1971 - Outubro de 1972 Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz, Alto Comissário e Governador-Geral
Outubro de 1972 - Maio de 1974 Fernando Augusto Santos e Castro, Alto Comissário e Governador-Geral
Maio de 1974 - 15 de Junho de 1974 Joaquim Franco Pinheiro, Alto Comissário e Governador Interino
15 de Junho de 1974 - 24 de Julho de 1974 Silvino Silvério Marques, Alto Comissário e Governador-Geral 2.º mandato
24 de Julho de 1974 - 29 de Novembro de 1974 António Alva Rosa Coutinho, Alto Comissário e Governador-Geral Interino
29 de Novembro de 1974 - 28 de Janeiro de 1975 António Alva Rosa Coutinho, Alto Comissário e Governador-Geral
28 de Janeiro de 1975 - 2 de Agosto de 1975 António Silva Cardoso, Alto Comissário e Governador-Geral
2 de Agosto de 1975 - 26 de Agosto de 1975 Ernesto Ferreira de Macedo, Alto Comissário e Governador-Geral Interino
26 de Agosto de 1975 - 10 de Novembro de 1975 Leonel Cardoso, Alto Comissário e Governador-Geral
10/11 de Novembro de 1975 Independência da República Popular de Angola

A continuação, após a independência, prossegue em Lista de presidentes de Angola.

[editar] Fontes
* http://www.rulers.org/rula2.html#angola
* http://www.worldstatesmen.org/Angola.html
* African States and Rulers, John Stewart, McFarland
História de Angola

Governadores Gerais de Angola













Paulo Dias de Novais
Período Incumbente Notas Soberania Portuguesa Angola Donatária
(São Paulo de Luanda) Colónia 1 de Fevereiro de 1575 - 1589 Paulo Dias de Novais, Donatário
África Ocidental Portuguesa Colónia da Coroa 1589 - 1591 Luís Serrão, Governador
1591 - Junho de 1592 André Ferreira Pereira, Governador
Junho de 1592 - 1593 Francisco de Almeida, Governador
1593 - 1594 Jerónimo de Almeida, Governador
1594 - 1602 João Furtado de Mendonça, Governador
1602 - 1603 João Rodrigues Coutinho, Governador
1603 - 1606 Manuel Cerveira Pereira, Governador 1.º mandato Setembro de 1607 - 1611 Manuel Pereira Forjaz, Governador
1611 - 1615 Bento Banha Cardoso, Governador
1615 - 1617 Manuel Cerveira Pereira, Governador 2.º mandato 1617 - 1621 Luís Mendes de Vasconcelos, Governador
1621 - 1623 João Correia de Sousa, Governador
1623 - 1623 Pedro de Sousa Coelho, Governador
1623 - 1624 Simão de Mascarenhas, Governador
1624 - 4 de Setembro de 1630 Fernão de Sousa, Governador
4 de Setembro de 1630 - 1635 Manuel Pereira Coutinho, Governador
1635 - 18 de Outubro de 1639 Francisco de Vasconcelos da Cunha, Governador
18 de Outubro de 1639 to 1641 Pedro César de Meneses, Governador
1641 - Outubro de 1645 Em oposição aos holandeses Outubro de 1645 - 1646 Francisco de Souto-Maior, Governador Em oposição aos holandeses Soberania Holandesa África Ocidental Holandesa 1641 - 1642 Pieter Moorthamer, Director
1642 - 1648 Cornelis Hendrikszoon Ouman, Director
Soberania Portuguesa 1646 - 24 de Agosto de 1648 Junta
24 de Agosto de 1648 - 1651 Salvador Correia de Sá e Benevides, Governador
1651 - Março de 1652 ..., Governador Interino
Março de 1652 - 1653 Rodrigo de Miranda Henriques, Governador
1653 - Outubro de 1654 Bartolomeu de Vasconcelos da Cunha, Governador Interino
October 1654 - 18 de Abril de 1658 Luís Martins de Sousa Chichorro, Governador
18 de Abril de 1658 - 1661 João Fernandes Vieira, Governador
1661 - Setembro de 1666 André Vidal de Negreiros, Governador
Setembro de 1666 - Fevereiro de 1667 Tristão da Cunha, Governador
Fevereiro de 1667 - Agosto de 1669 Junta
Agosto de 1669 - 1676 Francisco de Távora, Governador
1676 - 1680 Pires de Saldanha de Sousa e Meneses, Governador
1680 - 1684 João da Silva e Sousa, Governador
1684 - 1688 Luís Lobo da Silva, Governador
1688 - 1691 João de Lencastre, Governador
1691 - 1694 Gonçalo da Costa de Alcáçova Carneiro de Meneses, Governador
1694 - 1697 Henrique Jacques de Magalhães, Governador
1697/1698 - 1701 Luís César de Meneses, Governador
1701 - 1702 Bernardino de Távora de Sousa Tavares, Governador
1705 - 1709 Lourenço de Almada, Governador
1709 - 1713 António de Saldanha de Albuquerque Castro e Ribafria, Governador
1713 - 1717 João Manuel de Noronha, Governador
1717 - 1722 Henrique de Figueiredo e Alarcão, Governador
1722 - 1725 António de Albuquerque Coelho de Carvalho, Governador
1725 - 1726 José Carvalho da Costa, Governador Interino
1726 - 1732 Paulo Caetano de Albuquerque, Governador
1732 - 1738 Rodrigo César de Meneses, Governador
1738 - 1748 João Joaquim Jacques de Magalhães, Governador
1748 - 1749 Fonseca Coutinho, Governador Interino
1749 - 1753 António de Almeida Soares Portugal, Marquês do Lavradio, Governador
1753 - 1758 António Álvares da Cunha, Governador
1758 - 1764 António de Vasconcelos, Governador
1764 - 1772 Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, Governador
1772 - 1779 António de Lencastre , Governador
1779 - 1782 José Gonçalo da Gama, Governador
ou João de Câmara, Governador
1782 - 1784 Juntas
1784 - 1790 José de Almeida e Vasconcelos de Soveral e Carvalho Soares de Albergaria, 1.º visconde da Lapa, Governador
1790 - 1797 Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1.º conde da Lapa, Governador
1797 - 1802 Miguel António de Melo, Governador
1802 - 1806 Fernão António de Noronha, Governador
1806 - 1807 ..., Governador
1807 - 1810 António de Saldanha da Gama, Governador
1810 - 1815 José de Oliveira Barbosa, Governador
1816 - 1819 Luís da Mota Feio e Torres, Governador
1819 - 1821 Manuel Vieira Tovar de Albuquerque, Governador
1821 - 1822 Joaquim Inácio de Lima, Governador
1822 - 1823 Junta Provisória do Governo
1823 - 1824 Cristóvão Avelino Dias, Governador
1824 - 1829 Nicolau de Abreu Castelo Branco, Governador
1829 - 1834 José Maria de Sousa Macedo Almeida e Vasconcelos, Barão de Santa Comba Dão, Governador
1834 - 1836 Junta Governativa
1836 - 1836 Domingos de Saldanha Oliveira e Daun, Governador
1836 - 1837 Junta Governativa
1837 - 1839 Manuel Bernardo Vidal, Governador-Geral
1839 - 1839 António Manuel de Noronha, Governador-Geral
1839 - 1842 Manuel Eleutério Malheiro, Governador-Geral Interino
1842 - 1843 José Xavier Bressane Leite, Governador-Geral
1843 - 1844 Conselho de Governo
1844 - 1845 Lourenço Germack Possollo, Governador-Geral
1845 - 1848 Pedro Alexandrino da Cunha, Governador-Geral
1848 - 1851 Adrião Acácio da Silveira Pinto, Governador-Geral
1851 - 1853 António Sérgio de Sousa, Governador Interino
1853 - 1853 António Ricardo Graça, Governador Interino
1853 - 1854 Miguel Ximenes Gomes Rodrigues Sandoval de Castro e Viegas, Visconde do Pinheiro, Governador-Geral
1854 - 1854 Governo Provisório
1854 - 1860 José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador-Geral 1.º mandato 1860 - 1861 Carlos Augusto Franco, Governador-Geral
1861 - 1862 Sebastião Lopes de Calheiros e Meneses, Governador-Geral
1862 - 1865 José Baptista de Andrade, Governador-Geral 1.º mandato 1865 - 1866 Conselho de Governo
1866 - 1869 Francisco António Gonçalves Cardoso, Governador-Geral
1869 - 1870 José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador-Geral 2.º mandato 1870 - 1870 Joaquim José da Graça, Governador Interino
1870 - 1873 José Maria da Ponte e Horta, Governador-Geral
1873 - 1876 José Baptista de Andrade, Governador Interino 2.º mandato 1876 - 1876 Conselho Governativo
1876 - 1878 Caetano Alexandre de Almeida e Albuquerque, Governador-Geral
1878 - 1880 Vasco Guedes de Carvalho e Meneses, Governador-Geral
1880 - 1882 António Eleutério Dantas, Governador-Geral
1882 - 1882 Conselho Governativo
1882 - 14 de Fevereiro de 1885 Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, Governador-Geral
Província de Angola 14 de Fevereiro de 1885 - 1886 Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, Governador-Geral
1886 - 1886 Conselho Governativo
1886 - 1892 Guilherme Augusto de Brito Capelo, Governador-Geral
25 de Agosto de 1892 a Setembro de 1893 Jaime Lobo de Brito Godins, Governador Interino
1893 - 1894 Álvaro António da Costa Ferreira, Governador-Geral 1.º mandato 1894 - 1895 Francisco Eugénio Pereira de Miranda, Governador-Geral
1895 - 1896 Álvaro António da Costa Ferreira, Governador-Geral 2.º mandato 1896 - 1897 Guilherme Augusto de Brito Capelo, Comissário Régio
1897 - 1897 Conselho Governativo
1897 - 1900 António Duarte Ramada Curto, Governador-Geral 1.º mandato 1900 - 1903 Francisco Xavier Cabral de Oliveira Moncada, Governador-Geral
1903 - 1904 Eduardo Augusto Ferreira da Costa, Governador Interino 1.º mandato 1904 - 1904 Custódio Miguel de Borja, Governador-Geral
1904 - 1906 António Duarte Ramada Curto, Governador-Geral 2.º mandato 1906 - 1906 Ernesto Augusto Gomes de Sousa, Governador Interino
1906 - 1907 Eduardo Augusto Ferreira da Costa, Governador-Geral 2.º mandato 1907 - 1907 Ernesto Augusto Gomes de Sousa, Governador Interino
Junho de 1907 - Junho de 1909 Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, Governador Interino
1909 - 1909 Álvaro António da Costa Ferreira, Governador Interino
1909 - 1909 Conselho Governativo
1909 - 1910 José Augusto Alves Roçadas, Governador-Geral
1910 - 1911 Caetano Francisco Cláudio Eugénio Gonçalves, Governador Interino
1911 - 1912 Manuel Maria Coelho, Governador-Geral
1912 - 1912 Manuel Moreira da Fonseca, Encarregado do Governo
1912 - 1912 António Eduardo Romeiras de Macedo, Governador Interino
1912 - 15 de Agosto de 1914 José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, Governador-Geral
Colónia de Angola 15 de Agosto de 1914 a 1915 José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, Governador-Geral
1915 - 1915 Mário Teixeira Malheiros, Encarregado do Governo
1915 - 1915 António Júlio da Costa Pereira de Eça, Governador-Geral
1915 - 1915 Conselho de Governo
1915 - 1916 Francisco Pais Teles de Utra Machado, Governador Provisório
1916 - 1917 Pedro Francisco Massano de Amorim, Governador-Geral
1917 - 1918 Jaime Alberto de Castro Morais, Governador Interino
1918 - 1919 Filomeno da Câmara de Melo Cabral, Governador-Geral
1919 - 1919 António Nogueira Mimoso Guerra, Governador Interino
1919 - 1920 Francisco Coelho do Amaral Reis, Visconde de Pedralva, Governador-Geral
1920 - 1920 Isidoro Pedro Leger Pereira Leite, Governador Interino
1920 - 1921 José Inácio da Silva, Governador Interino
1921 - 1921 José de Abreu Barbosa Macelar, Encarregado do Governo
1921 - 1923 José Mendes Ribeiro Norton de Matos, Alto Comissário
1923 - 1924 Miguel de Almeida Santos, Encarregado do Governo
1924 - 1924 João Augusto Crispiniano Soares, Encarregado do Governo
1924 - 1925 Antero Tavares de Carvalho, Governador Interino
1925 - 1926 Francisco da Cunha Rego Chaves, Alto Comissário
1926 - 1926 Artur de Sales Henriques, Encarregado do Governo
1926 - 1928 António Vicente Ferreira, Alto Comissário
1928 - 1929 António Damas Mora, Governador Interino
1929 - 1930 Filomeno da Câmara de Melo Cabral, Alto Comissário
1930 - 1930 Bento Esteves Roma, Governador-Geral
1930 - 1931 José Dionísio Carneiro de Sousa e Faro, Governador-Geral
1931 - 1934 Eduardo Ferreira Viana, Encarregado do Governo e Governador Interino
1934 - 1935 Júlio Garcês de Lencastre, Encarregado do Governo
1935 - 1939 António Lopes Mateus, Governador-Geral
1939 - 1939 José Diogo Ferreira Martins, Encarregado do Governo
1939 - 1941 Manuel da Cunha e Costa Marques Mano, Governador-Geral
1942 - 1942 Abel de Abreu Sotto Mayor, Encarregado do Governo
1942 - 1943 Álvaro de Freitas Morna, Governador-Geral
1943 - 1943 José Ferreira Rodrigues de Figueiredo dos Santos, Encarregado do Governo
1943 - 1943 Manuel Pereira Figueira, Encarregado do Governo
1943 - 1947 Vasco Lopes Alves, Governador-Geral
1947 - 1947 Fernando Falcão Pacheco Mena, Encarregado do Governo
1947 - 11 de Junho de 1951 José Agapito da Silva Carvalho, Governador-Geral
Província de Angola 11 de Junho de 1951 - 1955 José Agapito da Silva Carvalho, Governador-Geral
1955 - 1956 Manuel de Gusmão Mascarenhas Galvão, Alto Comissário e Governador-Geral
1957 - 15 de Janeiro de 1960 Horácio José de Sá Viana Rebelo, Alto Comissário e Governador-Geral
15 de Janeiro de 1960 - 23 de Junho de 1961 Álvaro Rodrigues da Silva Tavares, Alto Comissário e Governador-Geral
23 de Junho de 1961 - 26 de Setembro de 1962 Venâncio Augusto Deslandes, Alto Comissário e Governador-Geral
26 de Setembro de 1962 - 27 de Outubro de 1966 Silvino Silvério Marques, Alto Comissário e Governador-Geral 1.º mandato 27 de Outubro de 1966 - 1971 Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz, Alto Comissário e Governador-Geral
Estado de Angola 1971 - Outubro de 1972 Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz, Alto Comissário e Governador-Geral
Outubro de 1972 - Maio de 1974 Fernando Augusto Santos e Castro, Alto Comissário e Governador-Geral
Maio de 1974 - 15 de Junho de 1974 Joaquim Franco Pinheiro, Alto Comissário e Governador Interino
15 de Junho de 1974 - 24 de Julho de 1974 Silvino Silvério Marques, Alto Comissário e Governador-Geral 2.º mandato 24 de Julho de 1974 - 29 de Novembro de 1974 António Alva Rosa Coutinho, Alto Comissário e Governador-Geral Interino
29 de Novembro de 1974 - 28 de Janeiro de 1975 António Alva Rosa Coutinho, Alto Comissário e Governador-Geral
28 de Janeiro de 1975 - 2 de Agosto de 1975 António Silva Cardoso, Alto Comissário e Governador-Geral
2 de Agosto de 1975 - 26 de Agosto de 1975 Ernesto Ferreira de Macedo, Alto Comissário e Governador-Geral Interino
26 de Agosto de 1975 - 10 de Novembro de 1975 Leonel Cardoso, Alto Comissário e Governador-Geral
10/11 de Novembro de 1975 Independência da República Popular de Angola


"O ENSINO EM ANGOLA"

"O ENSINO EM ANGOLA"

APONTAMENTOS VIRTUAIS DO AUTOR
(além dos constantes das suas obras já publicadas) :

1845 - Início da INSTRUÇÃO PÚBLICA oficial.

1857 - FEVEREIRO - Publicação em LUANDA do Decreto (de 1856) sobre a criação do Colégio das Missões Ultramarinas.

1883 - MARÇO 3 - Chegam a LUANDA as Irmãs Hospitaleiras.

1883 - ABRIL 25 - As "Irmãs Educadoras" (S.José de Cluny) foram proibidas de exercer a sua actividade na Escola Indígena das INGOMBOTAS e regressam para PORTUGAL, acusadas de administrarem ilegalmente ..."instrução religiosa".

1885 - FEVEREIRO - 22 - D.ANTÓNIO TOMÁS DA SILVA LEITÃO E CASTRO,Bispo de ANGOLA E CONGO,criou uma ..."Aula de Línguas africanas", em LUANDA.

1883 - SETEMBRO 6 - Início da primeira Escola Primária

1888 - SETEMBRO 30 - Início do funcionamento da Escola Primária das INGOMBOTAS (
Municipal e destinada apenas ao sexo masculino), em especial aos mais necessitados..."pois podia ser frequentada usando somente uma tanga,se não tivessem mais roupa"...

1893 - DEZEMBRO 12 - Determina a recolha de todos documentos oficiais recebidos até 1889, enviando-os para a Secretaria-Geral, para futura classificação e registos.

1897 - JUNHO 3 - Referência ao MUSEU PROVINCIAL DE ANGOLA, a cargo do pároco da Sé, Padre MIGUEL AUGUSTO FERREIRA (Conservador).

1902 - ABRIL 24 - Criação do HOSPITAL COLONIAL DE LISBOA e ESCOLA DE MEDICINA TROPICAL (anexa), sob a direcção do ex-governador-geral, RAMADA CURTO.

1906 - JANEIRO 18 - Foi criada a ESCOLA COLONIAL, em LISBOA,enquanto em LUANDA era criada a ESCOLA PROFISSIONAL D.CARLOS I.

1906 - OUTUBRO 25 - Inauguração da ESCOLA COLONIAL (com Estatutos aprovados no dia 4).
1906 - DEZEMBRO 12 - Inauguração do MUSEU ETNOGRÁFICO DE ANGOLA.

1908 - JANEIRO - 9 - Publicação do "GUIA DE LÍNGUAS INDÍGENAS" : sua preparação -- penas aplicadas aos professores primários...

1908 - MARÇO 11 - Criação da ESCOLA PRIMÁRIA em Nª.Sª. DO CARMO (LUANDA).

1908 - JULHO 4 - Foram criadas 10 Escolas Primárias no distrito do CONGO.

1908 - SETEMBRO 25 - D. MANUEL II determina que devem ter preferências os alunos da Escola Colonial de Lisboa ou com o Curso Colonial da Faculdade de Direito.

1908 - DEZEMBRO 30 - Inauguração das "OFICINAS AUGUSTO DE CASTILHO".

1910 - JUNHO 1 - Criação das "ESCOLA MÓVEIS" em ANGOLA.-- Plano de criação de ESCOLAS MUNICIPAIS em LUANDA, CATUMBELA, MOÇAMEDES (uma para cada sexo).
Um outro plano alargava as localizações dessas Escolas (então mistas).
Plano para a instalação do Ensino Secundário e suas disciplinas, bom como para a instalação de uma ESCOLA NORMAL e do Curso Profissional (comercial e industrial).

1910 JULHO 29 - O Governador-geral,interino,determina a inspecção aos Arquivos Públicos da cidade de LUANDA para a sua selecção e divulgação pública.

1912 MARÇO 5 - P.P. dá instruções para a remessa de exemplares anolanos para o MUSEU ETNOGRÁFICO DE ANGOLA E CONGO, então criado.

1911 MARÇO 8 - BERNARDO PIRES, director do MUSEU DE ZOOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, solicita a remessa de exemplares da fauna angolana, tendo o apoio do Governador-geral, MANUEL MARIA COELHO.

1912 Um relatório do Governador CÉSAR AUGUSTO DE OLIVEIRA MOURA BRÁS, refere-se às Escolas Primárias da HUILA (5), CHIBIA e HUMPATA.

1919 - MARÇO 10 - Criada a primeira Escola Primária na povoação da HUILA.

1919 - MARÇO (?) - Fundação do LICEU CENTRAL DE ANGOLA.

1927 - ABRIL 16 - Reorganização do Ensino Primário na Província de ANGOLA, dependendo cada Administração Escolar da respectiva Junta Distrital de Ensino.
Mantinham-se as designações :... "assimilado,europeu e indígenas com : ensino infantil - primário geral - elementar profissional - profissional"...
O elementar profissional era destinado mais aos indígenas nas escolas rurais, como um ..."meio-termo" !

1927 - OUTUBRO 1 - Alteração para "PROVÍNCIA" DE ANGOLA.

1927 - OUTUBRO 29 - Regulamento do Conselho de INSTRUÇÃO PÚBLICA DA COLÓNIA DE ANGOLA.

1929 - MAIO 15 - Publicação da "ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE INSTRUÇÃO PÚBLICA DA COLÓNIA DE ANGOLA", fixando as suas regras.

1929 - AGOSTO 19 - Criação de 4 Circunscrições Escolares em ANGOLA para o Ensino Primário : LUANDA(ZAIRE e CONGO) --- MALANJE (MALANJE - LUNDA - QUANA NORTE e QUANZA SUL) --- NOVA LISBOA (HUAMBO - BIÉ - MOXICO) --- SÁ DA BANDEIRA (HUILA _ MOÇAMEDES) ---

1933 - FEVEREIRO - 8 - Reorganização do Ensino Primário.

--- INTERNET - a consultar : "PATRONOS DAS ESCOLAS DE ANGOLA" - MARTINS DOS SANTOS
www.geocities.com/Athens/Troy/4285 sabercultural.com

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vergonha portuguesa..já passaram 30 e poucos anos...mas há quem nunca esquece


Outubro 01 2008


Há momentos na vida em que tudo se depara negro e a esperança parece irremediavelmente perdida. Se em Angola não poderia continuar, por sua vez em Portugal, quem regressava de África era recebido do pior modo possível; com hostilidade, desdém e mesmo agressividade.


(…) É intolerável que as pessoas que voluntária ou involuntariamente quisessem abandonar Angola, Moçambique, Guiné ou outra qualquer província não pudessem trazer livremente os seus haveres; dinheiro, carros ou quaisquer outros bens materiais. Prédios, terrenos urbanos ou rústicos, fazendas, fábricas, estabelecimentos, imóveis de qualquer índole, estavam sentenciados a ficar; é mais que evidente que os seus possuidores todos os pretendiam vender mas, em face da situação, não havia quem se interessasse pela sua aquisição. A maior parte dos bens pertencentes aos cidadãos portugueses foi pura e simplesmente abandonada pelo facto de seus donos não terem outra opção.


Chegou-se ao cúmulo de se trocarem carros quase novos por simples volumes de maços de tabaco ou por pequenas porções de determinados alimentos, entre eles o pão, que raramente se encontrava à venda. Houve quem trocasse fazendas e casas por títulos de hipotéticas transferências bancárias para o continente as quais nunca chegaram às mãos dos seus destinatários. O depósito no banco nunca se concretizou e o paradeiro do burlão na maioria dos casos era desconhecido. Os lesados nunca pode­riam reclamar sob pena de incorrerem em crime punido por lei, sendo acusados de transferência ilegal e fraude, se persistissem na queixa. facto do Governo Português não acautelar ou, pior ainda, não autorizar a transferência dos bens dos portugueses na altura da descolonização foi uma das maiores injustiças, praticadas por quem mandava e a desgraça de tanta gente, que após longos anos de trabalho, caiu sem culpa nem pecado na mais odiosa das misérias, na pobreza extrema, no desespero, muitos na loucura e até na morte. Foi a situação mais injusta e catastrófica que imaginar se possa! Dum momento para o outro perderem todos os seus haveres sem nada terem contribuído para essa perda. Serem forçados a abandonar o fruto do trabalho árduo no decorrei de longos anos, de canseiras, vigílias, economias feitas à custa de grandes sacrifícios. Deixarem empresas, fazendas, prédios, terrenos, carros, dinheiro, a própria casa com seu recheio, objectos pessoais, roupas, enfim... tudo, (houve pessoas que, se quiseram salvar a vida, regressaram apenas a roupa que traziam vestida).


Para quem espoliado de África, ao chegar a Portugal se encontrava sem nada, sem trabalho e sem dinheiro para fazer face às despesas mínimas, com filhos, dois, três, quatro, que necessitavam de alimentação, casa, roupa, cuidados de saúde, de educação e os demais inerentes à vida. Bater de porta em porta à procura de trabalho, de alojamento e ver as portas fecharem-se-lhe sistematicamente. Tentar junto das instâncias oficiais encontrar soluções para minimizar as causas da tragédia que sobre si se abatera e não conseguir resposta. Agora virem para cá e querem que o estado (eles, que no fim de contas eram eles) os sustentassem à boa vida! Isso era o que mais faltava! Lá tinham vivido à custa dos pretos, cá queriam viver à custa dos brancos. Este clima de acolhimento que nunca esperaram encon­trar, deixava os retornados tristes e exasperados (…)”

Aida Viegas, Abandonar Angola. Um olhar à distância. Aveiro, 2002, pp. 101-112

publicado por Moxilas

Contornos da guerra em Angola: FACTOS mais RELEVANTES

Contornos da guerra em Angola 1

FACTOS mais RELEVANTES

- Junho de 1960: O MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) envia uma declaração ao governo de Portugal com vista a negociações para resolver o problema colonial. Este documento levou à prisão de Agostinho Neto e Joaquim Pinto de Andrade.

- Novembro de 1960: Realizaram-se manifestações em Luanda, Lourenço Marques e, também, em Lisboa contra as decisões da ONU em declarar os territórios ultramarinos portugueses parcelas colonizadas; portanto, com direito à autodeterminação e independência.

- Janeiro de 1961: Assalto ao Santa Maria

Quando navegava com turistas no mar das Caraíbas, o paquete Santa Maria foi assaltado por um grupo de portugueses comandado pelo capitão Henrique Galvão. Curiosamente, este militar com serviços prestados na administração Angola, foi o mentor da criação de Nova Lisboa como capital do Império. Segundo as suas declarações, pretendia fazer um desembarque na costa angolana, mas acabou por navegar até ao Brasil onde pediu asilo político.

- Janeiro 1961: Revolta no Cassange

Na sequência de vários protestos por causa dos fracos salários pagos aos trabalhadores, estes entraram em greve por tempo indeterminado, tendo sido violentamente atacados por efectivos da polícia e do Exército. As aldeias da população da zona foram queimadas pelas bombas lançadas por aviões e os tumultos alastraram às fazendas de algodão da Cotonang, culminando com a chacina de milhares de trabalhadores e seus familiares. Os indiciados cabecilhas da rebelião foram presos e fuzilados na região de Gabela. As tropas metropolitanas em serviço em Angola (cerca de 1.700) participaram na repressão aos manifestantes, colaborando com a polícia e tropas locais (cerca de 5.000 efectivos indígenas).

- Fevereiro de 1961: Assalto às prisões de Luanda

Com os poucos efectivos de segurança ocupados na região do Cassange, a agitação foi-se agravando em Luanda onde os revoltosos assaltaram a Casa de Reclusão Militar, tendo morrido um cabo; pretendendo soltar os seus dirigentes presos nas cadeias, os bandidos assaltaram a esquadra de S. Paulo, da Polícia de Segurança Pública, e a repartições do estado. Na refrega, foram mortos sete agentes da polícia que caíram numa cilada dos revoltosos e, em consequência, os colonos armados caçaram e lincharam vários assaltantes. No dia do funeral dos polícias, os desacatos começaram nas ruas e acabaram nos muceques, onde os colonos mataram muitos indígenas.

- 15 de Março de 1961 : Início do terror

Tiveram início os massacres, organizados pela União das Populações de Angola (de Holden Roberto de origem Bakongo) e por militares congoleses, onde foram mortos e mutilados alguns milhares de colonos brancos e empregados negros, nas fazendas do café; especialmente nas zonas dos Dembos, Negage, Úcua, Nambuangongo, Zala, Quitexe, Nova Caipenda, Ambriz, Maquela do Zombo, Madimba, Luvaca, Buela e outras.

Em consequência, mobilizaram-se meios terrestres e aéreos para socorrer os residentes nas zonas ameaçadas, muitos dos quais conseguiram chegar a Luanda com os familiares. A escassez de efectivos militares obrigou a um desmesurado esforço para chegar aos pontos mais necessitados. As autoridades perderam o controlo das vias de comunicação para toda a zona Norte, onde foram destruídas pontes, obstruídas as estradas com derrube de árvores e abertura de valas. Alguns grupos de camionistas que tentaram avançar na direcção dos Dembos, tiveram que regressar por encontrarem as estradas cortadas; outros mais afoitos, caíram em emboscadas e foram mortos a tiros de canhangulo e à catanada. Na cidade organizaram-se milícias para tentar evitar que os bandidos da UPA se aproximassem com a sua sanha monstruosa. Já em Abril, depois das poucas tropas do alferes Meireles terem regressado ao Caxito, os ataques traiçoeiros e selvagens, utilizando catanas e granadas, aproximavam-se de Luanda, passando pelo Úcua, onde foram assassinados mais europeus e os empregados bailundos. Entretanto, a barragem das Mabutas, que fornecia energia a Luanda corria sérios riscos de ser atacada; civis e militares organizaram-se para a sua defesa.

Entretanto, os ataques chegam a outras povoações e fazendas: Bessa Monteiro, Carmona, Pango-Aluquem, Aldeia Viçosa, Lucunga, e Sanza Pombo continuando a perturbar as populações dessas terras.

Ainda em Março e nos meses seguintes de 1961, as tropas especiais (caçadores especiais e pára-quedistas) e alguns pelotões do Exército começaram a reconquistar povoações e fazendas, como Bembe, Maria Teresa, Quicabo, Damba, Madimba, Maquela do Zombo, 31 de Janeiro, Songo, Mucaba, Toto. Foi com alguma surpresa que vieram a constatar que o empenhamento das missões religiosas protestantes teve um grande peso na orgânica e no engajamento de indígenas para a rebelião, já que os diversos documentos encontrados nos locais das missões demonstravam a conivência entre os missionários oriundos de países como os Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra e Países nórdicos, bastante próximos dos dirigentes da UPA, cuja sede é no Congo Belga. Numa operação na zona de Cuimba, encontrámos diversas fotografias com elementos da UPA acompanhados de representantes de organizações americanas; e, mais tarde, foram encontradas mais fotos em Madimba e Buela, onde estavam também dirigentes da UPA em festas religiosas e na sede de Leopoldeville.

- Em Abril de 1961: Embarque de tropas

Embarcou em Lisboa o 1º contingente de tropas para Angola no navio NIASSA, cujos militares desfilaram na avenida marginal de Luanda onde foram recebidos com manifestações de intensa alegria e confiança. Poucos dias antes, uma coluna militar foi emboscada na picada de Cólua, onde morreram nove militares, incluindo dois oficiais. Chegados a Luanda, seguiram para o interior Norte, o Batalhão de caçadores 88 foi reocupar a povoação de Damba e o batalhão de caçadores 92 instalou-se em Sanza Pombo; parte das companhias de caçadores continuaram a progredir na direcção da fronteira com o Congo ex-Belga, ocupando Santa Cruz e Maquela do Zombo.

- A 19 de Abril de 1961: Três pelotões de pára-quedistas embarcaram no avião da TAP com destino a Angola, para reforçar o contingente de grupos e equipas com cães de guerra que andavam pelos matos a ajudar na defesa das povoações. Outro grupo de pára-quedistas, que estava destacado em Lourenço Marques, deslocou-se para Angola. Com mais este grupo, outras povoações como o Bungo, Songo, Sanza Pombo, Quitexe melhoraram as condições de defesa contra os ataques dos bandidos da UPA.

- Em 14 de Maio de 1961: Desembarque de tropas

Chegou a Luanda um numeroso contingente militar, composto de unidades de Caçadores, Engenharia e Sapadores. Parte desses militares instalaram-se no quartel do Grafanil, onde permaneceram durante a organização e planeamento das suas primeiras missões. Ao Batalhão de Caçadores 96, comandado pelo Tenente-coronel Maçanita, incluindo um grupo de engenharia comandado pelo Alferes Jardim Gonçalves, coube fazer o reconhecimento e segurança das picadas até à ponte do rio Dange. Sofreram aí os primeiros ataques dos guerrilheiros da UPA, aos quais causaram pesadas baixas. Foi precisamente nesse itinerário que se deram as mais selváticas matanças de fazendeiros portugueses. E os bandidos do Holden Roberto atacavam em grandes grupos munidos de canhangulos e catanas. Para lhes dar o dom da ressurreição, os feiticeiros forneciam mixórdias e drogas que os tornavam imunes às balas dos portugueses. Morriam aos magotes, ficando os corpos espalhados ao longo das povoações como em Cacola, causando um cheiro nauseabundo.

- Em Junho de 1961Acções das marinha

A partir da costa norte, o batalhão de caçadores 156 instala-se em S. Salvador do Congo e Cuimba, enquanto forças da marinha desembarcam em Ambrizete e avançam na direcção de Tomboco e Quinzau, que ocupam.

- Em 10 de Julho de 1961: Operação Viriato

O Ten-Coronel Armando Maçanita, comandante do Batalhão de Caçadores 96, dá início à “operação Viriato”, destinada a abrir caminho até Nambuangongo e lá instalar um Batalhão do Exército, com máquinas de engenharia, artilharia, atiradores, telegrafistas e enfermeiros. Seguiram o itinerário de Caxito, Quibaxe, Santa Eulália, Mucondo, Muxaluando e Nambuangongo, onde chegaram na tarde do dia 9 de Agosto; tiveram que reconstruir diversas pontes, incluindo a do rio Dange; durante o percurso, foram atacados pelos bandoleiros da UPA que causaram mortos e feridos.

Com o mesmo objectivo, o Batalhão de Caçadores 114, comandado pelo Tec-coronel Oliveira Rodrigues, seguiu o itinerário por Caxito, ponte do rio Lifune para Quicabo, onde foram severamente atacados pelas hordas inimigas e interromperam a marcha por dificuldades em atravessar a ponte que estava destruída. Sofreram 17 mortos e 46 e feridos, ficando impossibilitados de chegar ao objectivo.

Por outro itinerário mais longo, foi o Esquadrão de Cavalaria 149, comandado pelo Capitão Rui Abrantes, passando por Ambriz, Bela Vista e Zala, chegando a Nambuangongo um dia após o BCaç96, tendo sofrido apenas feridos nos ataques de que foi alvo.

Em todos estes itinerários, as dificuldades eram acrescidas com as pontes destruídas e as picadas obstruídas com árvores de grande porte e valas profundas. As máquinas da engenharia e os sapadores foram fundamentais para que o sucesso destas missões de reocupação.

Nambuangongo era um objectivo determinante para desalojar os bandidos da UPA, que ali tinham instalado o seu quartel-general, e para dar um sinal inequívoco de que as tropas portuguesas jamais dariam tréguas aos terroristas que agiram da forma mais selvagem contra os seus patrões e companheiros de trabalho nas fazendas e roças da região dos Dembos.

Para concretizar uma missão de tamanha envergadura, cada contingente militar seguiu um itinerário diferente. Do ponto de vista da estratégia militar, seria essa a forma de enfrentar os diversos obstáculos que se previam ao longo das “picadas”. Cada unidade militar muniu-se de viaturas e equipamentos de corte e remoção de obstáculos, tendo por base grupos de engenharia e sapadores. E tiveram sortes diferentes ao longo da jornada de cerca de quatro semanas de duros combates e dificuldades tremendas para abrir caminho. Fazendo dos reveses vitórias, a determinação daqueles militares, que poucas tinham viajado amontoados no navio e desembarcado em Luanda, foi fundamental para o êxito da operação “Viriato”. Só o Batalhão de Caçadores 96 e o Esquadrão de Cavalaria 149, conseguiram chegar a Nambuangongo, indo o primeiro por Quibaxe e o segundo por Ambriz e Zala. Enquanto isso, o Batalhão de Caçadores 114 debatia-se com grandes dificuldades para reconstruir a ponte sobre o rio Lifune, antes de Quicabo, sofrendo mortíferos ataques do inimigo que, apesar das pesadas baixas, nunca deixou de flagelar perigosamente os valentes combatentes daquele Batalhão.

Em Luanda, os estrategas militares começaram a ficar preocupados com a lenta progressão das unidades que enfrentavam inesperados obstáculos para chegar ao objectivo. O comando da Força Aérea tentou por em prática os seus planos de reocupação de Nambuangongo e convocou o comandante dos pára-quedistas com vista a fazer um lançamento por via aérea. Quando os chefes do estado-maior do Exército perceberam a manobra, deram o alerta para que mais ninguém interviesse nessa operação senão as unidades que já estavam no terreno. Apesar de progredirem com tremendas dificuldades, era ponto de honra que esse feito – reconquistar Nambuangongo – estava entregue ao Exército. E, quando as notícias vindas da frente (da ponte do rio Lifune e do rio Onzo) onde os Batalhões de Caçadores 96 e 114 sofriam as mais severas baixas, a Força Aérea fez a última tentativa de tomar Nambuangongo, à revelia dos pareceres do estado-maior do Exército, dando ordem de embarque a um grupo de pára-quedistas pronto para realizar o assalto ao quartel-general da UPA. Esse episódio ficou gravado na cabeça dos intervenientes, porque a voz do Tenente-coronel Maçanita fez-se ouvir com ameaças de mandar atirar contra os pára-quedistas que passassem ao alcance das armas dos seus homens. É um facto que muito boa gente quis limpar da história da guerra em Angola.

Continua em:

"Contornos da guerra em Angola 2"

in http://micaias.blogs.sapo.pt/2007/06/