domingo, 1 de março de 2009

ANGOLA -- 1) OS REINOS, POVOS, AS SUAS ORIGENS E AS SUAS VIDAS

II ) ANGOLA 1) OS REINOS, POVOS, AS SUAS ORIGENS E AS SUAS VIDAS 2) - O ENSINO EM ANGOLA -


1) OS REINOS, POVOS, RAÇAS, SUAS ORIGENS E AS SUAS VIDAS..."

ÁFRICA (ANGOLA...) AMÉRICAS (BRASIL...) TRANSCRIÇÕES PARCIAIS DE :

I ) OBRAS JÁ PUBLICADASl PELO AUTOR E DE OUTRAS ENGLOBADAS NOS SEUS DIVERSOS "SÍTIOS" :



A" -- "ANGOLA - DATAS E FACTOS" - (1º Volume - 1482/1652)-

-- 1482/3 - ABRIL(?) - 3(5 ?) - Chegada de DIOGO CÃO à foz do rio NZARE (ou N'ZARI , ZALI , NZAIDI , NZADI , ENGAZE) -- "O RIO PODEROSO", ou ainda "ÁGUA GRANDE" e "CONGO". NZARE significa "rio que engole todos os outros". Foi nomeado pelos portugueses por ZAIRE.
-- ABRIL - 23 - Colocação do padrão de S.JORGE na foz do rio NZARE e na sua margem esquerda, então chamado CABO DO PADRÃO (ou PONTA DO PADRÃO).
-- Viagem dos seus emissários à corte do rei do CONGO, NZINGA-NKUYU, ou NZINGA-A-CUUM, o MUENE CONGO (MANICONGO) - "SENHOR DO CONGO" -, instalado na povoação de EKONGO.



(Foto - Pg. 78 /1º Vol /2ª ed. - O rei do CONGO e a sua corte --("Uma feitoria no início de céc. XVIII : a pesagem de ouro - W.Bosman, Voyage en Guinée, 1705)- B.N.)-

.................................................

-- "...O REINO DO CONGO teria sido formado nos fins do século XIV ou princípios do século XV, por separação do antigo REINO DE IUBA(do KATANGA), sendo a sua capital, designada por eles,MBANZA CONGO." Estendia-se então muito além, para norte do rio ZAIRE. Este, assim como o RIO RIAMBELE (LIAMBEJE ou ZAMBEZE). "O PAI DE TODOS", nasce nos GRANDES LAGOS, no "Coração de África", ao sul dos lagos MOERO e BANGUELO; tem ai a designação de LUAPULA e recebe as águas daqueles lagos. Mais ao norte passa a designar-se LUALABA e, a partir de KINSAGANY, começa então a ser conhecido por NZARE (ZAIRE). Na sua margem esquerda recebe depois as águas do seu grande afluente KASSAI, de outros rios mais pequenos e de alguns lagos, até atingir as cataratas de MATADI, passando por NÓQUI antes de atingir a "PONTA DO PADRÃO", na sua foz".
................. (consultar pg. 10) ...............
-- "AGOSTO - 28(?) - Alcançaram o CABO LOBO (CABO DE SANTA MARIA),depois de terem ultrapassado a PONTA CHOCA(CASTELO DE ALTER PEDROSO), onde foi colocado o Padrão de SANTO AGOSTINHO. Era o fim dessa viagem, tendo atingido a posição de 13º e 27',15º (?) sul.
-- 1483 - AGOSTO/SETEMBRO - (?) - Regresso de DIOGO CÃO a caminho da foz do rio ZAIRE, onde tinha deixado os seus emissários.
-- (?) - Não os encontrando ali e, pensando então que tivessem ficado prisioneiros, deteve quatro visitantes do SOYO (SONHO) no seu barco, acabando por levá-los para LISBOA.
-- ? - Foram todos bem recebidos pelo próprio rei D.JOÃO II.
.............................................
-- 1484/85 (?) - DIOGO CÃO regressa com os quatro congueses. Permanece cerca de três meses no ZAIRE.
-- 1485 - JANEIRO - Avança para o sul, além da foz do rio ZAIRE.
-- JANEIRO - 16(18 ?) - Colocação do Padrão do CABO NEGRO a 15º 40' 3'' sul, depois de ter chegado à ANGRA DAS ALDEIAS e alcançado ainda a MANGA DAS AREIAS.
-- JANEIRO -(?)- Prossegue ainda para sul; passou pelo GOLFO DA BALEIA, indo fundear próximo do CABO DA SERRA (PARDA). Aí coloca um outro padrão; estava a 22º (?).
-- (?) - DIOGO CÃO continua a sua viagem e chega à BAÍA DAS SARDINHAS e à PONTA DOS FARILHÕES, a 21º 50'.
Regressa ao rio ZAIRE e sobe pelo seu curso até encontrar as QUEDAS DE YELALA (da SERRA COMPRIDA). Ali, nuns rochedos, mandou gravar o seu nome e dos seus navegadores : DIOGO CÃO - PÊRO ANES - PÊRO DA COSTA - e ainda depois de : ÁLVARO PERES - PEDRO ESCOBAR - GONÇALO ÁLVARES - DIOGO PINHEIRO - ANTÃO.
Seguem novos emissários para contactarem com o REINO DO CONGO, então designado por "Mundeles" (Mu-n'dele) - "branco".
-- 1486 - (?) - Regresso de DIOGO CÃO para LISBOA cuma embaixada do rei do CONGO, chefiada por CAÇUTÁ, carregado de marfim e panos de palma.
O REINO DO CONGO, assim designado pelos portugueses por derivação do nome do seu chefe, MUENE-CONGO (MANICONGO), era então um território imenso :

A)-- ao norte do rio ZAIRE -(também já chamado de "CONGO"), englobava alguns antigos e pequenos Reinos, tais como os de : LOANGO - CACONGO - N'GOYO(ANGOY), limitados ao norte pelo rio MAYUMBA(MAIOMBA).
-- O REINO DO LOANGO tinha a sua capital em BUÁLI e estendia-se entre os rios MAYUMBA e CHILOANGO, ou seja, entre a aldeia de MACANDA, a 4º.5' de latitude sul, até ao rio LUISA-LUANGO, a 5º,5' de latitude sul;
-- O REINO DE CACONGO (MALEMBA)situava-se ao sul daquele até ao rio BEBE(BELE);
-- O REINO DE N'GOYO,designado CABINDA, situava-se ao sul,limitado pelo rio ZAIRE;
-- O REINO DE IOMBA(MAIOMBA ou MAIOMBE) ficava a nordeste, assim como o REINO DE TECA.
-- Ao REINO DE CACONGO pertencia ainda a baía de MOLEMBO(FUTILA).
-- O REINO DE N'GOYO ficava situado entre o 5º e o 6º de latitude sul e o 12º e 13.30' de longitude leste.

B) -- Ao sul do rio ZAIRE englobava outros reinos menores,seus tributários : NDOANGO(ou NDONGO) - "Ndongo" significa uma canoa, comprida, feita de tronco de árvore).

Abrangia ainda as províncias de : MBEMBA, MBAMBA, MBATA, MPANGU, MSUNDI, SONYO (SONHO), que acabaram por se unificar sob a chefia de NIMIA LUQUENI(ou LUKÉNI MUTINU, NIMIA-A-LUKEME, também ainda conhecido por MOTINO BENE ou NTOTELA NTINU), formando um só REINO, NEKONGO, depois designado "CONGO", com a sua capital em M'BANZA CONGO(M'BAJI ou EMBASSE). Estendia-se então para o sul,alcançando o CABO NEGRO"...(Pgs. 10 a 12) --

+++++ (Foto - Pgs. 135 /1º Vol.- 2ª ed.- Mapa - Os Reinos de ANGOLA e de BENGUELA (no século XVII) -
...................................................

-- O Chefe LUKENI viera do oeste, sendo talvez filho de KWANGU (MINI-NZIMA), chefe da aldeia de KURIMBA, da província de NSUNDI, aliado do chefe NSAKU, curandeiro, que o havia tratado com um rabo de búfalo.

-- Todos os Reinos ao norte do rio ZAIRE foram considerados como formando um único reino: o do LOANGO. NIMIA(NIMI) LUKÉNI terá mandado matar uma sua tia para não lhe pagar tributo e intitulando-se de seguida, na ausência do pai, "NTINU" (rei). Atacou os seus vizinhos, alargando o Reino e instalando a capital em MBAZI-A-NKUNU. Os seus filhos fundaram o REINO DE CACONGO e o do LOANGO. O terceiro filho,cuja mãe terá sido uma escrava branca, era depois o MUENE DE SOYO (SONYO).
-- "O rei de CACONGO tinha de ser casado com uma princesa do REINO DO CONGO e o do REINO DO LOANGO com uma princesa de CACONGO. Ao "rei" LUKÉNI sucederm : NANGA KIA NTINU, depois ainda NKUVU-A-NTINU, até à chegada dos portugueses.

-- No REINO DO CONGO haviam-se instalado os povos BANTOS (BANTUS)- "BA-NTU", em que "NTU" significa "ser humano", "homem", "pessoa" ou MUTU(MUNTU),tem o plural "BANTU". Pertencem à raça negra e teriam vindo do norte, da ETIÓPIA, EGIPTO ou mesmo da ÁSIA, infiltrados pelo SUEZ ou pelo MAR VERMELHO para a ABISSÍNIA,cerca de 2.500 a 2.000 a.C., ou ainda da região dos GRANDES LAGOS, berço da Humanidade, tendo seguido pelos afluentes do KASSAI ou pelo rio LUAPULA e depois pelo LUALABA, cursos superiores do rio ZAIRE. Entretanto, outros seguiram para o sul, desviando-se do deserto do KALAÁRI.
-- Assim,o BANTUS do "RAMO OCIDENTAL" ou "FAIXA OCIDENTAL",em correntes migratórias, foram invadindo os territórios a norte e sul do ZAIRE. Destruídores, talvez vândalos, expulsaram os autóctones e ocuparam as suas terras, mas sem as cultivarem!

-- Na parte superior dessa zona, os BANTU-KONGOS, fundaram o REINO DO CONGO. Deles faziam parte : - MUXICONGOS, MUSSURONGOS, MUZOMBOS, DEMBOS E MUCUSSOS. O prefixo "MU", antes do nome duma região é utilizado para designar os respectivos habitantes. Os MUXICONGOS pertencem ao grupo linguístico designado "QUICONGO", assim como os : BACONGOS, BAIACAS, BASSONGOS , BASSORONGOS, BASSUCOS, BAZONGOS e POMBOS.

-- Eram povos originários da margem esquerda do rio ZAIRE(ou CONGO), e que a partir do século XIV haviam empurrado,submetido ou até eliminado os anteriores residentes. Porém,os primitivos povos do CONGO e doutras regiões africanas, não foram esses Bantos, mas sim os VÁTUA(o plural de Vátua é "Mutua"), mas antes deles, ainda os HOTENTOTES (KHOIS), pertencendo ambos ao mesmo grupo dos KHOISANS (KHOIS-SANS). Esses povos foram expulsos pelos BANTUS para regiões do interior ou zonas desérticas.

Na parte nordeste,os Bantos do grupo BANTU-BONDO (BUMDAS), teriam fundado o REINO DE NDOANGO (NDONGO). Os do leste, (os BANTU-LUNDA), QUIOCOS (KYOCOS), do KATANGA, atravessaram o rio KASSAI e instalaram-se na LUNDA ("Terra abandonada"), sendo seu primeiro rei, MWAKU.(- 1486 - pgs.12/14) --



-- 1486/7 (?) - ABRIL/MAIO(?) - O rei D. JOÃO II recebeu a embaixada do rei do CONGO quando se encontrava em BEJA, refugiado da peste que invadira LISBOA.
-- O CAÇUTÁ foi baptizado com o nome de JOÃO DA SILVA, sendo seus padrinhos os reis de PORTUGAL.
-- (?) - DIOGO CÃO desaparece de cena de maneira pouco clara, sendo mesmo desconhecido o seu verdadeiro fim !
-- 1487 - AGOSTO - Partida de BARTOLOMEU DIAS, prosseguindo as viagens ao longo da costa africana. na tentativa de descobrir finalmente uma passagem para as ÍNDIAS, sonho "falhado" ou antes, não atingido por DIOGO CÃO, como talvez tivesse acreditado (ou feito acreditar)mas pelo que "teria sido" recompensado financeiramente !
-- (?) - Passagem de BARTOLOMEU DIAS por ANGRA DAS ALDEIAS, ao sul do CUANZA e do CABO DE SANTO AGOSTINHO.
-- DEZEMBRO - 25 - Chegada de BARTOLOMEU DIAS a ANGRA PEQUENA, a 26º sul.

-- 1488 - FEVEREIRO - BARTOLOMEU alcança o "CABO DAS TORMENTAS", ponto extremo da costa africana, ficando assim aberto o "Caminho Marítimo" para as desejadas "ÍNDIAS", a 34º 21' latitude S.
-- DEZEMBRO - BARTOLOMEU DIAS chega a LISBOA, no regresso da sua viagem ás ÍNDIAS.

-- 1490 - DEZEMBRO - 19(17 ?) - Saída de LISBOA dos congueses com uma missão católica (dominicanos)...
-- 1490 - (?) - Por alturas de CABO VERDE faleceu GONÇALO DE SOUSA,em consequência ainda da peste de LISBOA (ou por escorbuto ?), sendo substituído por seu sobrinho (?) RUI DE SOUSA.
-- Faleceu ainda o emissário do rei do CONGO, CAÇUTÁ, já baptizado com o nome de JOÃO DA SILVA.

--- (A consultar na INTERNET : www.dightonrock.com/diogocaoi1.htm
..........................................................
-- 1509 - O REINO DO LOANGO reforça a sua independência(tributária)englobando diversos outros reinos, ao norte do rio ZAIRE."... -Pg. 20 -
.........................................................................
== 1518 - O REINO DE NDONGO foi dividido então em dois Reinos : - NDONGO(ANGOLA) e NDONGO(MATAMBA).
O termo "ANGOLA" derivou também do nome do seu chefe NGOLA. Ficava rodeado de cinco poderosos reis, "muito grandes" : - CONGO, NDONGO, MATAMBA, MALEMBA(CACONGO), MASSINGA (MJINGA) e MOSSONGONGA(BA-SONGO/MA-SONGO), tributários do REINO DO CONGO.
O REINO NDONGO(ANGOLA) terá tido como seu primeiro rei NGOLA MUSSÚRI, ferreiro de NDONGO. Este fora então assassinado pelo Vice-rei que pouco depois seria substituído pela filha de MUSSÚRI,princesa ZUNDA RIANGOLA. Esta, na sua velhice, terá mandado matar um seu sobrinho, filho de TUMBAR RIANGOLA, que lhe sucedeu, mas acabara por passar o trono a seu filho, NGOLA CHIVALQUI. A este sucedera NDAMBI NGOLA,que, com receio dos irmãos, os mandou eliminar. Antes,porém, terá havido um curto reinado de NZINGA-NGOLA-CHILAMBO-QUIERAFANDA.

Surge então NGOLA INENE que,por intermédio do rei do CONGO,pede a presença de sacerdotes portugueses, pondo à sua disposição as minas de prata.

== 1526 - NGOLA INENE,rei do NDONGO,liberta-se da sujeição tributária ao REINO DO CONGO.

== 1539 - MARÇO - 25 - Carta do rei D.AFONSO I para D.JOÃO III, manifestando o desejo de enviar uma embaixada a ROMA, para prestar obediência ao papa PAULO III, com os mesmos embaixadores escolhidos em 1532, com os quais seguiriam ainda mais alguns dos seus sobrinhos e um neto (D.MANUEL). Os sobrinhos eram : D.PEDRO DE CASTRO, D.MATEUS, D.HENRIQUE, D,GONÇALO e D.FRANCISCO DE MENEZES. Uns iam para estudar e outros para serem ordenados.
Com o apoio dado pelo rei de PORTUGAL, do embaixador PACHECO e de outros portugueses, o rei do CONGO, apesar da sua avançada idade,ia conseguindo manter o seu REINO, pelo que se intitulava :"...rei do Congo, e Ibungo,Cacongo e Agoyo de auém e de além-ZAIRE, senhor dos Ambundos de Angola e da Quissama e Musuauru e da Matamba e de Muyllu e de Musuci e dos Anzinos e da conquista de Panzoalambu..." !
.............................
== 1558 - Regista-se uma invasão dos povos jagas no CONGO mas não chegando porém so REINO DO N'GOYO (NGOIO).

== 1560 - MAIO (?) - Os Bângalas(Imbangalas)descem do REINO DA LUNDA, atacados pelos Iubas, para KASSANGE, entre os rios CUANZA e o LUI.Eram originários da SERRA LEOA.


== 1563 - Chegada do chefe KINGURI (CHINGÚRI), dos Bângalas(LUNDA) aos rios CUANDO e LUI, fugindo a uma invasão dos Lubas.

== 1568 - D.HENRIQUE (NERIKA-A-MPUDI) também foi derrotado e morto na luta contra os Anzicos. Era o último descendente legítimo da 1ª dinastia congolesa.

== 1569 - Os jagas avançam pelo REINO DO CONGO,destruíndo S.SALVADOR. O rei, D.ÁLVARO I, refugia-se na ILHA DOS HIPOPÒTAMOS (ou "DOS CAVALOS",- referentes a cavalos marinhos), no Rio ZAIRE, assim como os portugueses ali residentes.

== 1570 - ...Os jagas, na sua fuga,do CONGO, invadem a MATAMBA. Depois seguem para o sul e dividem o REINO DE MATAMAM.
-- MBULA MATADI revolta-se contra D.ÁLVARO I, mas foi eliminado.
.............................
== 1575 - No REINO DE ANGOLA, NGOLA KILUANJI sucedera ao rei NGOLA NDAMBI.
-- KILUANJI, também designado MBANDI-A-NGOLA-QUILOANJI ou, ainda, NGOLA-MBANDI-A-NGOLA-KILOANJI, assim que teve conhecimento da chegada de PAULO DIAS, mandou alertá-lo que se encontrava nos seus domínios!
..........................
== 1585 - NGOLA KILUANJI retira-se de CABASSA,a capital.
-- 1585 - JUNHO - PAULO DIAS DE NOVAIS demora alguns dias a reagir contra alguns sobas de CAMBAMBE e nem evita a apreensão de ..."500 peças (escravos)e 500 capados".
-- ILUNGA MBILI, derrotando um seu sobrinho, fundara o REINO IUBA,onde fora rainha a célebre LUEGI.
..........................
== 1591 - Na ILHA DE LUANDA (ILHA DAS CABRAS), pertença do rei do CONGO, residiam alguns dos seus fidalgos(governadores): - D.PEDRO MANILUANDA, D.ANTÓNIO MANIBAMBA e D.JOÃO MANIPOSO (com o seu escravo africano,FERNÃO DUARTE, refugiado do PORTO).
-- Mais ao sul se M'BANZA CONGO,na KISSAMA, existiam duversos sobados e Estados Independentes,tais como : -MUXIMA - KITANGOMBE - KIZVA - NGOLA KIKAITO e KAFUXE, que não pagavam tributo, fazendo frente ao CONGO, a NDONGO (ANGOLA) e aos portugueses.
..................................
== 1595 - CHINGURI entrara em ANGOLA ido da MUSSUMBA (CATANGA) e iniciara a formação dos Impérios dos Lundas (RUNDA ou NGANDA).
Este REINO terá sido fundado nas margens do rio CASJIDÍCHI pelo chefe IALA MÁKU ("Mãe das Pedras" - Povos Bungos), enquanto no LUACHIMO já se encontravam os Bena-Mai. Era filho de CUNDE e KÔNDI (e neto de IALA), bem como seus irmãos : TCHINHAMA e LUÉGI. Esta fora indigitada única herdeira porque esses irmãos eram tidos como desordeiros, alcoólicos, tendo até agredido seu pai(CUNDE, que sucedera a IALA).

== Mais tarde (?) surgiu TCHIBINDA ILUNGA, famoso caçador, filho de MUTOMBO MUCULO e neto do potentado MBILI MUCULO.
ILUNGA apaixonou-se por LUÉGI e assim se instalaram em ANGOLA.
.................................
Posteriormente (?) seguiram pelo QUANZA até LUANDA, acompanhados de muita gente, tendo prestado auxílio ao governador (FORJAZ COUTINHO ?). Este,agradecido,ofereceu-lhes algumas terras entre AMBACA e o GOLUNGO ALTO, sendo considerado "jaga" e com direito a bandeira.
Formou o REINO DOS BÂNGALAS e aliou-se ao soba ANGONGA (do LIBOLO). Concordaram que o REINO passaria depois para um filho de ANGONGA.
-- Mais tarde, fizeram uma aliança com CALUNGA (dos Jingas).
-- Um neto de TCHINGURI transferiu a sede do REINO DOS BÂNGALAS para CASSANJE. Uma tia de LUÉGI, ANGUINA CAMBAMBA,interroga alguns Quilolos, seus parentes, sobre a sobrinha, herdeira do trono ("suana um Lunda") acerca do paradeiro de TCHINGURI e solicitaram ao MUATIÂNVULA (ILUNGA -- "Senhor da riqueza", sendo : - "muata" (senhor)-- "iá" (de) -- "ânvu" (riqueza)--, para que o mandasse de volta para ser castigado ! No entanto, a própria LUÉGI, comunica à sua tia qual a resposta dada pelo MUATIÂNVUA, aceitando essa incumbência, mas desde que fossem acompanhados por todos os descontentes. Como tivessem ficado receosos, LUÉGI arranjou uma desculpa por não terem acompanhado TCHINGÚRI.
Aproveitando essa autorização, o chefe ("muata") ANDUMBA, com muito povo, seguiu para as margens do rio CHICAPA, no chamado "caminho de TCHINGÚRI", até ao rio CUANGO, onde se fixou.
-- Depois (?) surgiram os "Quiocos" e que se espalharam e se misturaram com os "Lundas".
.......................................
== 1599 - Foi durante este século que começaram a chegar os Ovahelelo, provenientes dos famosos GRANDES LAGOS. Teriam entrado pelo leste e, atravessando o Planalto Central, seguiram para o sul, descendo depois a SERRA DA CHELA e prosseguindo além paralelo 17º.

== 1600 - Foi formado o REINO UAMBU-KALUNGA --
*== 1608 - O rei de PORTUGAL aprova a ida de missionários para o REINO DE LOANGO (conforme seu pedido de 27/9/1584).
== 1611 - ABRIL - BANHA CARDOSO determinou o ataque ao antigo adversário de armas, o rei de ANGOLA, NGOLA KILUANJI.
Depois de algumas vitórias, mandou degolar o principal apoiante do NGOLA,que era o soba QUILONGA, bem como o ex-aliado BAMBATUNGO e outros sobas menores.
Em consequência desses actos, os REINOS DA MATAMBA e NDONGO coligaram-se num forte ataque contra CAMBAMBE. As tropas de BANHA CARDOSO saíram vencedoras e arrazaram muitos chefes locais.

-- Fundação do Presídio de ANGO-AQUI-COITO, próximo do rio LUCALA, em terras do soba de EMBACA, local designado então "S.BENTO DO ANGO(HANGO)".

-- O soba NABUANGONGO, da QUISSAMA,atravessa os rios DANDE e BENGO, mas foi logo derrotado pelas tropas do governador, sendo ainda detido o soba da TUNDA.

== AGOSTO - BANHA CARDOSO manifesta a sua discordância quanto à separação dos REINOS DE ANGOLA e do CONGO, tendo em atenção os contratos já firmados para resgates ! Entretanto avassala 78 sobas e afastara os corsários holandeses que se tinham aproximado de LUANDA.

== 1617 - NOVEMBRO - No DONGO já reinava NGOLA MBANDI, filho de NGOLA QUILUANJI, depois de ter eliminado o irmão e um sobrinho, filho de sua irmã,JINGA (NZINGA-MBANDI-NGOLA), que tinha ainda as irmãs : QUIFUNJE e MOCAMBO.
-- Transferência do Presídio do ANGO para a margem do rio LUCALA para o DONGO.
-- CERVEIRA PEREIRA, do REINO DE BENGUELA, ataca os Helelso (Ova-Helelo), a noroeste do REINO DA MATAMBA.

== 1618 - O Governador LUIS MENDES DE VASCONCELOS,em CABAÇA, capital de NDONGO(ANGOLA), tenta negociações (infrutíferas) com NGOLA MBANDI. JOÃO MENDES VASCONCELOS, filho do governador, tendo apenas 19 anos de idade, com o apoio de diversos sobas, avança contra sa forças do soba CALABALANGA e obtendo bons resultados. Mandou prender cerca de 100 sobas. Depois ataca o soba KASSANJE.
*-- 1621 - CERVEIRA propõe a D. FILIPE III a união dos Reinos de LUANDA e BENGUELA.
== 1622 - Maio - No REINO DO CONGO morreu D.ÁLVARO III, sucedendo-lhe D.PEDRO II AFONSO (NKANGA-A-MIKI, mas sem o apoio)do governador CORREIA DE SOUSA Este confisca os bens do REINO DO CONGO existentes na ILHA DE LUANDA, onde alguns fidalgos congoleses tinham assassinados uns residentes portugueses.

-- NGOLA MBANDI, do REINO DO CONGO, envia sua irmã, JINGA com uma embaixada ao governador de ANGOLA.
JINGA MBANDI foi baptizada na SÉ CATEDRAL DE KUANDA, passando a ter o nome de ANA DE SOUSA, sendo seus padrinhos o Governador e D. JERÓNIMA MENDES, mulher do capitão-mor, GOMES MACHADO.
-- O soba de CASSANJI foi derrotado e enviado para LUANDA. Posteriormente foi decapitado e outros sobas (26)e seus apoiantes foram desterrados para o BRASIL.

-- Os refugiados de CASSANJE instalam-se entre os rios CUANGO e LUI,onde fundam o REINO DE CASSANJE.

-- DEZEMBRO - As tropas de GOMES MACHADO, com a poio da "guerra preta" e dos jagas, derrotam as forças de D;PEDRO II AFONSO, em NAMBUA-ANGONGO, destruíndo as instalações existentes.

== 1623 - Os Mbangalas/Kulaxingo, saídos de AMBACA, movimentam-se para a BAIXA DE CASSANJE.

== No REINO DE NDONGO faleceu NGOLA KILUANJI (talvez envenenado), sucedendo-lhe sua irmã, JINGA MBANDI. com o auxílio dos jagas.

-- 1624 - Os Mbângalas (Imbangalas) instalam-se a oeste da SERRA DA MATAMBA, nas margens do CUANZA, praticando assaltos e roubos (contra os pombeiros).

== 1626 - Ataque contra as PEDRAS DE MAUPUNGO (MATADI MAUPUNGO, refúgio de JUNGA MBANDI).

-- ABRIL - O duque de SUNDE colocara no trono do REINO DO CONGO, D. AMBRÓSIO I ("CAPACALA"), sobrinho de D.ÁLVARO III.

-- BANHA CARDOSO avança contra JINGA MBANDI refugiada em terras de AMBOLA CASSANJE(CASSAQUE) que entretanto foi vítima duma praga de "bexiga". JINGA foi salva pelo jaga CAZA. Além do REINO DO CONGO, JINGA MBANDI era também apoiada pelos sobas de AMBUÍLA, por CACULO CABAÇA e alguns outros.

== EM MAUPUNGO (PEDRAS NEGRAS), foi eleito NGOLA AIRE(AIDI), "crismado" D.FILIPE DE SOUSA,para suceder a AIIDI KILUANJI, rei de NDONGO.
-- MAUPUNGO também era designado por : PUNGO-A-NDONGO --- MATADI MAUPUNGO ("PEDRAS ALTAS") -- MATADI-A-MAPUNGO-A-NDONGO - (depois vulgarmente por PUNGO ANDONGO). O termo "UPUNGU" significa "altura".

-- DEZEMBRO - Os portugueses fazem um acordo com o rei de KAKONGO para negociarem o cobre do BUNGO.


== 1627 - JINGA MBANDI retira-se para a ilha de KATAXE,enquanto o rei D.AMBRÓZIO expulsa os holandeses do PINDA (rio ZAIRE).

== 1629 - MARÇO - Regresso de LOPO SOARES LASSO para BENGUELA depois de ter vencido os sobas : MANISONGO - LUBEMBE - CUMBE - MANIEANGA - CABOMBO - COZAMBA - MONADUNDO - MANICA - MANI CATUMBELA - CABAMBE - QUITEMO, LANGUANDA e outros.
-- CASSANJE retira-se para o CONGO (MANIONDO) com 8o mil flecheiros !

-- MAIO - PAIO ARAÚJO AZEVEDO ataca o arraial de JINGA MBANDI, perseguindo-a por QUITUXELA (terras de CANGOLA-CA-CACONDA e de NADALA QUISSUBA). JINGA consegue escapar-se. Entretanto foram presas suas irmãs QUIFUNGE e MOCAMBO) e sua tia QUILOJE (KILUANJI).
-- JINGA MBANDI "desaparece" na descida de COVA (QUINA GRANDE DOS GANGUELAS -- "SERRA DO MUGONGO") a caminho da região dos Songos (Mossongos - Bassongos - Cassongos), entre os rios LUANGO e CUANGO (ALTO SONGO). Prossegue ainda para KINA, sob protecção de MBAGALA/KULAXINGO e do soba QUISSUBA.
-- ARAÚJO AZEVEDO foi cercado no rio LUCALA pelos sobas GOLACUMBA e CASSANDA.
-- As irmãs de JINGA MBANDI (D.ANA DE SOUSA) chegam a LUANDA sendo recebidas com fidalguia pelo Governador, FERnÃO DE SOUSA, e capitão-mor AZEVEDO e sua esposa D.ANA DA SILVA,que foram então os padrinhos de baptismo das duas irmãs que passaram a ser chamadas : D.BÁRBARA DA SILVA (MOCAMBO) e D. ENGRÁCIA FERREIRA (QUIFUNGE).

== 1630 - SETEMBRO - Chegada de DUARTE LEMOS LANDIM ao REINO DE BENGUELA. Reconstituição do REINO DA MATAMBA com auxílio dos Jagas, Holos e de CASSANJE (ESTADO DO CUANGO), onde se encontravam também bastantes Bângalas e Sossos. Assim, JINGA MBANDI regressa ao REINO DA MATAMBA,sendo "eleita rainha",contando com a protecção do poderoso "rei" CASSANJE.-
-- Os portugueses derrotam as duas coligações da QUISSAMA,estando em litígio alguns dos seus sobas : SAMBAGOMBE - KALUNGO - AKAMAKOTO - MOLUNDO,por um dos lados e ainda : MBANGALA/KULAXINGO - ACABONDA E QUIGOANGOA.

== 1631 - MARÇO - No REINO DO CONGO falecia D. AMBRÓZIO I, sucedendo-lhe D.ÁLVARO IV (MANI-MBAMBA), apenas com 13 anos de idade, filho de D.ÁLVARO III (rei do CONGO).

== 1632 - DIOGO DE SOUSA ataca e derrota O MONOMOTAPA CAPRANZINE que se havia rebelado.

== 1633 - O governador PEREIRA COUTINHO submste os régulos : QUIGILO -
QUIGOANDA - ACABONDA e AMBUÍLA.
*== 163 - Foi efectuado um Acordo de paz entre os portugueses e s "rainha" JINGA MBANDI.
== 1635 - O Governador FRANCISCO DE VASCONCELOS inicia conversações de paz com JINGA MBANDI em terras do soba CABOCO (margens do rio LUCALA).
-- No entanto JINGA MBANDI forma uma nova coligação contra os portugueses, sendo apoiada por : NDONGO - CONGO - CASSANJE - DEMBOS e QUISSAMA.

== 1636 - FEVEREIRO - Falecimento do rei do CONGO, D.ÁLVARO IV, com 19 anos de idade, mas talvez envenenado (como já contecera com outros personagens). Sucedeu-lhe seu irmão(bastardo),ÁLVARO V, pouco depois derrotado e preso pelo Duque de MBAMBA, que por sua vez passou a ser o "rei", designado D.ÁLVARO VI (dalinha "Quimulanza")!.

== 1640 - FEVEREIRO - Depois de se ter deslocado ao BRASIL e HOLANDA,na tentativa de obter apoios contra os portugueses,faleceu o rei D.ÁLVARO VI (talvez também envenenado). Foi substituído por D.GARCIA II AFONSO (GARCIA AFONSO II), designado NKANGA-A-LUKENI, da "linha KIMBAKU" (de Quimpaco -- feiticeiro), irmão do Marquês de KIWA.
= 1640 - FEVEREIRO - Representantes(?) do MANI-SOYO e do rei do CONGO,D.ÁLVARO IV, tinham-se deslocado ao BRASIL e à HOLANDA para tentarem alianças directas contra os portugueses, enquanto a "rainha" JINGA MBANDI continuava em guerra.

== 1641 - DEZEMBRO - 26 - O Conselho da Fazenda aprova o envio de auxílio militar a ANGOLA contra o invasor holandês.
-- Os holandeses tratam de negociar com o cobre do REINO DO CONGO, ao norte do rio ZAIRE(CONGO).

== 1642 - MARÇO - 28 - Tratado Provisório entre D.GARCIA II,do CONGO, com os holandeses.
==============================

IN ANGOLA / BRASIL / PORTUGAL
o site de Roberto Correia

sábado, 28 de fevereiro de 2009

OS BOCHIMANES, os aborígenes de Angola?

"ANGOLA E BRASIL"

..."Os aborígenes de Angola seriam os bochimanes, hoje muito reduzidos no número em que se encontravam dispersos, desde a embocadura do Cunene até ao Cubango. Conforme os locais da sua fixação (passageira como veremos) e os nomes dos seus chefes de tribo, os bochimanes tomam vários nomes : bacuisses, bacuandos, bacuacos, bacubais, baconcabos ou mucancabos e muitos outros.
"Eram um povo atrasado, de vida errante, de nível extremamente primitivo, que preferia consumir raízes e fritos selvagens a dedicar-se a uma agricultura mesmo que rudimentar. Raça decadente, ia ser vencida e dispersa pelo invasor banto, mistura de raça negra e hamita,que hoje constitui o filão preponderante nas populações da África centro e subtropical.
"Sobre o destino dos bochimanes, foi agora publicado o interessante estudo de Laurens Van Der Post, The lost World of the Kalahari, que mostra o melancólico fim das tribos que primeiro pisaram as terras do Sul de Angola.
"A amálgama resultante da invasão banto iria beneficiar substancialmente o trem de vida dos habitantes de Angola. Povo cultor da agricultura e da pecuária, introdutor de plantas, vestes e hábitos árabes (através da Abissínia) o banto iniciou a sua expansão em África há cerca de dois mil anos. Descendo até ao Zaire, teve de contorná-lo infiltrando-se na região dos lagos, ou fixando-se ao norte do rio, nas terras de Cabinda. Os que preferiram enviesar para sudoeste acabariam por fundar os Estados de Muota Janvua, de Bakololo e do Luva. Ou foram mais longe, criando as vastas dimensões do Império Ovampo.
"Do Luva, acoçadas por diveras invasões, correntes bantos desceram até aos Congos, ocupando o norte de Angola. Daqui,o movimento foi sempre para o sul até ao Cuanza, e viria a dar lugar aos actuais muchicongos, sossos, pombos, maiacos, mossucos e dembos.
"Não vem a propósito refereir-vos os inúmeros grupos étnicos que constituem Angola de hoje... Não cabia, de resto, nos limites deste pequeno apontamento, a referência às centenas de sub-raças que compõem o quadro deste território da África Ocidental Portuguesa.
"Fundamentalmente, temos, portanto, os povos bantos e os não bantos, estando os quatro milhões de negros de Angola de hoje, assim divididos : Povos bantos : Kikongos(meio milhão), quimbundos(um milhão), lunda-kiocos(quatrocentos mil), umbundos(um milhão e meio), ganguelos(trezentos mil), nhaneka-humbes(cem mil), ambós(cinquenta mil), hereros(vinte e cinco mil), xindongos(quatro mil). Povos não bantos : hotentotes-bochimanes (sete mil), vátuas (cinco mil).
" Regressando da região dos lagos e cordilheiras, os ovampos e os damaras seriam os primeiros a ganhar a costa atlântica e a estabelecer-se até às margens do Cunene." - Pgs. 114/115) ......................................................

--- Em : "ANGOLA E BRASIL - Duas Terras Lusíadas do Atlântico" - de JOÃO PEREIRA BASTOS -- 1964 -- (Conferência realizada no Instituto Geográfico e Histórico da Baía, a pedido do "Pen Club" de SALVADOR - Julho de 1963 - ) ---------

 Clicar AQUI para saber mais sobre este povo

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Povos de Angola

===== B") --- "ANGOLA -DATAS E FACTOS - 2º Volume (1652/1837) ===

== 1655 - "Os holandeses, já instalados no CABO DA BOA ESPERANÇA, prosseguem o seu avanço pelo interior, além do rio QUEI e,para o norte,em busca do REINO DE MONOMOTAPA.
Contactam com outros povos, em especial os BOCHIMANES (BUSHMEN, BOSJEMANS ou ainda BOSHEMEN),designação que significa "Homem dos Bosques", conhecidos ainda pelos portugueses por "BOSQUÍMANOS", com certas analogias aos, já detectados anteriormente, mais ao sul e leste, HOTENTOTES, que os perseguiram.
Efectivamente já haviam sido contactados muito antes pelo portugueses, talvez,ainda quando BARTOLOMEU DIAS chegara à ANGRA DOS VAQUEIROS, no extremo sul do continente africano, ou mesmo antes, por DIOGO CÃO, quando alcançou o sul de ANGOLA !
Havia(ou ainda há)dúvidas quanto às suas origens,bem como as dos Curocas, de que são ascendentes, sendo várias as opiniões surgidas :
"...enquanto uma os quer afins dos Bergdamas do sudoeste Africano, a outra considera-os resultado do mestiçamento de Bosquímanes e Hotentotes com Mucuissis -- uma relativa população negra semi-nómada situada a ocidente da Serra da Chela..." -- (em : "ALGUNS VELHOS E NOVOS CONCEITOS SOBRE OS POVOS NÃO BANTOS DE ANGOLA", de ANTÓNIO DE ALMEIDA,pg.179)incluída na obra : "ANGOLA - Curso de Extensão Universitária - Ano Lectivo 1963/4, da Universidade Técnica de LISBOA.

== 1655 - OS Bosquímanos eram os sobreviventes dos povos da Idade da Pedra, já no seu último período, sendo aparentados com os Hotentotes, com base em aspectos linguísticos,mas sendo de estatura inferior à destes, contactados mais tarde, talvez seus descendentes com pré-bantos (Hamitas ?).
-- ... "Ainda não foi determinado com exactidão o verdadeiro parentesco entre Bosquímanos e Hotentotes; têm muitos pontos comuns, quer linguísticos, quer físicos, sendo a principal diferença entre eles o tipo de economia"...- (em : ÁFRICA AUSTRAL", de BRIAN FAGAN, pg. 32 - 1972).

== 1655 - Vejamos,em resumo, como se apresentava a situação desses antigos povos e onde existiam duas diferenças rácicas principais : -

A) - Povos pré-históricos - Paleolíticos, Mesolíticos e Neolíticos.

-- 1) - RAÇA KHOISANE - palavra que resulta dos termos "KHOIN-KHOIN", respeitante aos Hotentotes e "SAN", referente aos grupos Bochimanes, (o que significa "homem"). Assim : "KHOISANE" quer dizer - raça Hotentote-Bochimane. Nestes incluem-se ainda os pequenos múcleos de "KEDES" (MUQUEDES) da zona do CUANHAMA(KUANYAMA), da OMUPANDA e na MUPA.
Os seus antepassados são também designados "BOSKOPOIDES" (localizados em FLORISBAD por BOSKOP). Ocupavam todo o território, antes da chegada da raça negra no século XIII, desde o extremo sul da ÁFRICA até ao sudoeste, tendo características próprias, bem diferenciadas dos Negros.

-- 2) - RAÇA NEGRA : - Há que distinguir os dois grupos : PRÉ-BANTOS (NÃO BANTOS) e os BANTOS, com origens no ALTO NILO, zona dos GRANDES LAGOS, bem no interior da ÁFRICA, donde se dirigiram em avanços para o sul em sucessivas vagas, algumas ainda recentes.
Já mencionámos no 1º volume desta obra (pg.9 e 10), a sua origem e a do termo "BANTO" (BANTU), ou seja, : BA-NTU, em que o radical "NTU" significa "ser humano"("homem", "pessoa"). MUTU (MUNTU)tem o plural "BANTU". Os SANTOS constituíam a grande maioria dos povos do REINO DO CONGO e de outros Reinos. Eram os "BANTOS OCIDENTAIS" e teriam quase eliminado os outros povos,NÃO BANTOS,seus antecessores, quando da sua invasão : - teriam avançado pelo MEDITERRÂNEO e daí passaram ao norte de ÁFRICA, talvez +ela zona de GIBRALTAR, ou vindos da ÁSIA (Caucasóides), pelo SUEZ para a ETIÓPIA ou EGIPTO.

Apenas restaram algumas manchas de CUISSIS, que eram negros pré-bantos, refugiando-se na zona desértica do NAMIBE(NAMIB). Foram designados de "VATWA" (Vátuas), termo depreciativo, significando "errantes" ou MUCUISSOS, bem assim como ainda aos seus descendentes CUROCAS(COROCAS), ou OVA-ZOLOTWA, que significa "errantes negros", ou no BAIXO CUROCA, de "MUCUEPES" -- "KWEPES" -- ('KWAI/TSI ou VAKUEPE), residentes no deserto do NAMIBE, na zona de ONGUAIA e MACALA.

-- Os BOCHIMANES(BOSQUÍMANOS) são ..."os mais extraordinários e notáveis(caçadores) entre todos os povos indígenas de ANGOLA" ...(em "OUTRAS TERRAS,OUTRAS GENTES", de HENRIQUE GALVÃO, pg. 425).

Reside em ANGOLA, entre as vertentes da SERRA DA CHELA às margens do rio CUBANGO, o mais importante ramo da família BOCHIMANE : "... são os IKUNG. Foram derrotados e perseguidos pelos Hotentotes, Bantos e pelos europeus, para o deserto do KALAHÁRI.
Os autênticos BOCHIMANES (amarelos)são os BACANCALS (- MUCANCALA - é o plural de VA-CANCALA, ou ainda OVA-KWANKALA),residentes na região compreendida entre o paralelo 15º e a fronteira, e ainda entre o rio CUBANGO, margens da "MULOLA DO TCHIMPORO" e o ocidente do planalto da OYLLA. São também os BASSEQUELES (MUCUASSEQUELES) e ainda, no SE de ANGOLA, os ditos "pretos" a que pertencem os CAZAMAS. Designados ainda aqueles por CASSEQUELES, BACASSEQUELES ou CAMUSSEQUELES, situados a leste do rio CUBANGO. Instalavam-se nas zonas com cursos de água durante os períodos em que não havia chuvas e em simples abrigos.

MUCUANCALA, deriva de mukua (gente) e Nkala (caranguejo) ou ONKALA, usados como depreciativos.
MUCUASSEQUELES deriva de ; mukua + sequele (porco espinho), também como depreciativo, e ambos designados ainda por "KHUN", na sua própria língua.

-- Os BANTOS generalizaram essa designação a todos os KHOISAN : HOTENTOTES e seus descendentes.
-- Os CAZAMAS(MUCUAZAMAS) e CACUENGOS (MUCUENGOS), residentes no Sudoeste de ANGOLA, ditos "KHWE" (HUKWE ou KWERI)eram talvez descendentes dos Pré-Bantos. A diferença entre os BOCHIMANES e os CUISSIS é que estes,ditos também MUCUISSIS, são provavelmente descendentes da RAÇA NEGRA,e,por sua vez, os ascendentes dos MUCUEPES (CUROCAS), como vimos.
-- MUCUISSO deriva de MOCOISSE (mestiço com alguma raça primitiva e quase desaparewcida). Também lhes chamam "MUKUA-MATARI", o que significa ..."a gente das pedras"...,seu refúgio habitual ! Os BANTOS chama aos MUCUISSOS do deserto do NAMIBE, ao sul do rio BERO ("rio dos Mortos"), de `´ATUAS, ou seja o plural de "MUTUA", significando "expulsos" e em que : "VA-TWA", o VA ou OVA é o prefixo plural e TWA traduz..."levar diante de si"...,ou seja, "expulsar". Constituem os grupos COROCAS (OVA KHEPE, ou VAKUEPE) e os CUISSES (OVA KWISI ou VAKUISI).

-- Os NEGROS designam os BOCHIMANES de "VÁTUAS - VERMELHOS) e os CUISSIS de "VÁTUAS NEGROS" !
-- Os BOCHIMANES existemm tambem fora de ANGOLA. Foram assim baptizados pelos "BOERS" (palavra holandesa que significa "camponeses"), quando do seu avanço a partir do CABO DA BOA ESPERANÇA para o norte e sudoeste, onde tiveram de os enfrentar por diversas vezes. São conhecidos, como vimos, por CUANCALAS (OVA-KWANCALA), sendo pois anteriores aos povos Bantos. Mas, antes deles ainda existiam outros povos no sul de ÁFRICA, os pré-Bantos, desconhecendo-se o seu destino.

-- Os BOCHIMANES (BOSQUÍMANOS, BUSHMEN ou OVA-CONGOLO), podem mesmo ter descendido dos "homens de Grimmald", negróides, efectuando um percurso,(há 5 mil anos) a partir da ÁSIA CENTRAL, MONGÓLIA, civilizações já mencionadas no "RIG VEDA", o mais antigo livro do mundo, atravessando a RÚSSIA, SOMALIA, ou pelo EGIPTO (os Zindjis), ou ainda pelo MEDITERRÂNEO até ESPANHA, GIBLALTAR e norte de ÁFRICA, refugiando-se depois para o sul ("Bush"), talvez à cerca de 2.000 anos, empurrados pelos invasores BANTOS para o sul do lago TANGANICA e bacias do ZAMBEZE (LIAMBEJE), do CONGO (ZAIRE), para o deserto do CALAARI e do sudoeste angolano mais tarde ainda pelos europeus.
- É provável que os BOCHIMANES - ..."se tivessem deslocado para sul provindos do Norte do Tanganica, passando pela ponta norte do lago Niassa e pelo extremo sul do lago Tanganica e,daí,para sul, através do deserto de Calaari e ao longo da bacia Zambeze-Congo, para o Sudoeste de Angola"... -- em "ÁFRICA AUSTRAL", de BRIAN FAGAN, pgs. 47/48).
-- Tinham pele acobreada e carapinha, baixa estatura, contrariada com a corpulência dos "homens de Grimald". Foram expulsos para o deserto.
-- "BUSH" é a zona arborizada, que vai desde o sul de BENGUELA-A-VELHA, ao sul das TERRAS ALTAS DA HYLA, englobando uma parte do deserto do NAMIBE, mais na zona litoral (ANGRA DAS ALDEIAS e MANGA DAS AREIAS), região do CABO NEGRO, com deserto absoluto na zona mais ao sul até às margens do rio CUNENE e ainda mais além do mesmo rio até ao CABO DA BOA ESPERANÇS, deslocando para o leste, costa oriental africana, subindo depois a norte e oeste, zona do sudoeste.

-- Os HOTENTOTES "misturaram-se" com os negros ou podem ter sido ainda "originados" pela mestiçagem dos BOSQUÍMANOS com antigos Hamitas (CAMITAS), pigmeus ou outros, ou seriam já o resultado de cruzamentos com os BOCHIMANES (os "OVA-KEDE"). Foram absorvidos ou repelidos para o sul, refugiando-se na zona desértica, no BAIXO CUNENE.
Os residentes do litoral alimentavam-se então de peixes, moluscos e de produtos silvestres, ou mesmo das suas raízes.Os residentes no interior eram pastores nómadas, mas com grandes manadas de bois de enormes chifres e de rebanhos de carneiros, alimentando-se dos seus produtos, da caça, de raízes e frutos selvagens.
Assim, os agrupamentos, muito posteriores, existentes no NAMIBE, eram divididos em 4 agregados : -- CUVALES (ou DOMBES) , os mais numerosos, nas zonas dos rios BERO, GIRAÚL e VINTIAVA; -- os CUANHOCAS, no rio COROCA (CUROCA); -- os CUEPES e os CUISSOS (estes Pré-BANTOS), tanbém conhecidos por CUISSIS ou MUCUISSOS.

O deserto do NAMIBE fica situado desde o norte do rio CUNENE, entre a SERRA DA CHELA e a costa litoral,até ao DOMBE GRANDE (rio COPOROLO), prolongando-se pela zona da costa litoral para o sul até à zona do deserto do KALAÁRI(KALAHARI), mas estreitando-se de sul para o norte, em vez do sentido oposto.
Era habitado desde a pré-história(período Paleolítico), conforme justificam as pinturas e gravuras rupestres do CHITUNDULO (CITUNDU-HULU, ou TCHITUNDU-HULO), no Sudoeste de ANGOLA, em BRÚTUEL e na mulola do TCHIPOPILO (CAMUCUIO),no deserto do NAMIBE, na margens do rio CUNENE, no curso superior do rio ZAMBEZE e ainda na QUIBALA(PEDRA QUISSANGE). Foram atribuídas a povos ainda anteriores aos BOCHIMANES, bem como os instrumentos de pedra da época Pré-Chelense, ou talvez aos próprios BOSQUÍMANOS, assim como algumas outras ainda na ÁFRICA MEDIDIONAL.

Os desertos do KALAÁRI e o do NAMIBE(NAMIB) são distintos, mas estão situados numa zona própria e por isso com condições climatéricas interdependentes. A causa da existência do deserto do NAMIBE é a "corrente fria de BENGUELA".
..........................................................
-- No Sudoeste de ANGOLA os Bantos distribuem-se em três grupos étnicos :

--- A) -- OVA-AMBO(AMBÓ) -- com as trbos de : - Balântu -- Cafimas -- Coluctsi -- Cualuthi -- Cuamátui -- Cuâmbi -- Cuanhama -- Dombondola -- Donga -- Eunda -- Gandjela -- Vales.

--- B) -- MBANGALA/HUMBIS -- compreendendo : OVA-MBANGALA(HUMBI) e afins : Nkumbi -- Donguena -- Hinga -- Cuâncuas -- Handas -- Quipungos(Typungu) -- Tylengue-humbi) -- e ainda os NHANECA(UANYANECA), com as tribos de Mwilla e Ngambwe.

--- C) -- HERERO (OVA-HELELO) - com as tribos de : Chimbuas -- Chavicuas -- Kuvales -- Dimbas -- Guedelengos -- Ndimbes -- Cuanhocas -- Tylengue-musós -- Cuandos -- Cuissis(?) e Hacavonas.

Esses BANTOS OCIDENTAIS terão chegado ao sul de ÁFRICA já no século XI, ou mesmo até ao século XVII ! Em ANGOLA encontram-se divididos em 10 grupos linguísticos, num total de 60 tribos. Os cinco principais grupos são : -- 1) - KIKONGO, ao norte e ao sul do rio ZAIRE(CONGO) e até ao rio CUANDO. -- 2) - KIMBUNDU, ao norte e sul(litoral) do rio CUANZA, até ao CONGO e MALANGE. -- 3) - UMBUNDO - no Planalto Central, do lioral até ao VIÉ(BIÉ). -- 4) -- LUNDA-KIOCO, uma faixa interior, da LUNDA norte, prolongando-se em cunha pelo CUBANGO. -- 5) - GANGUELA, do lioral sul aos planaltos da OYLLA, VIÉ e MOXICO.

== "...O subgrupo étnico-linguístico KIKONGO(QUICONGO) engloba os povos : Mucusso -- Pombo -- Muxicongo -- Mucongo -- Mussosso - Muzombo -- Maiaka e Mussorongo.." - (em "ANGOLA - Curso de extensão universitária - l963/4", do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, 1964 - pgs. 197/8 )

-- Dos restantes grupos,principais,ainda os : LUNJANECA -- LUNKUMBI --XIKUANJAMA e XINDONGA, todos do planalto da OYLLA e os TJIHERERO no BAIXO CUBANGO. Mas, o principal de todos grupos é o dos UMBUNDO, com cerca de um terço da população.

-- A origem dos BANTOS será talvez o resultado do cruzamento entre PRETOS do norte do EQUADOR e outros com os PIGMEUS e BOSQUÍMANOS.

-- "...Os povos de raça negra não têm história e a que como tal se intitula é baseada em meras hipóteses, à falta de fontes de informação"...
..."Parece não haver dúvidas que todos estes povos pertencem ao tipo "bantú",que, juntamente com o tipo "chilouk", foram os primeiros invasores "aditas" da raça negra que,segundo os monogeístas, do planalto da Pérsia -- do alto maciço asiático -- desceram,muitos séculos antes da nossa era, à Arábia,donde uns,contornando o Mediterrâneo, atingiram o Nilo pelo istmo de Suez,descendo por ele até à região elevada onde nasce o Branco, o Nilo Azul e outros,seguindo o vale do Eufrates e a costa do golfo Pérsico, alcançaram primeiro esta mesma região, atravessando o Mar Vermelho no estreito de Bab-el-Mandeb..." - ..."Os que penetraram por sueste na região montanhosa do leste de África, sofrem aqui a selecção, e, repelindo para o sul os contigentes inferiores, originam o tipo "bantu",cuja área de colonização abrange toda a região ocidental além do Zaire..." - "...Este movimento migratório é mais rápido, provocando lutas, pois que uns terceiros invasores, mestiços de raça branca e negra -- os segundos "aditas" -- provenientes da Arábia, mais fortes e melhor organizados que os seus antecessores "bantus", alcançam com facilidade os planaltos etiópicos..." - "...Aqueles invasores de raça negrítica, expulsaram do seu "habitat", segundo algumas opiniões,os autoctones,representados hoje por "bushmem" ou "boschjemans" e "hotentotes", havendo quem supunha estes últimos de raça amarela, rechassando-os para os desertos de Kalahári e representados,também, pelos : "ba-cassaqueres", "ba-cancalas","ba-cuisses" e, talvez, pelos "ackas" do equador a que se refere Schweinfuth, todos de pequena estatura,vivendo fragmentados e nómadas, dedicados à caça de que se alimentam juntamente com raízes e frutos de árvores silvestres"... (in "Relatório da coluna de operações aos bondos e sul da Jinga", no B.O. da Província - pg. 88 -, de ALBERTO DE ALMEIDA TEIXEIRA, transcrito na sua obra "ANGOLA INTANGÍVEL" - 1934 - pgs. 619 a 621) --

==================================================



++++++ (Foto - Pg. 50/51 - 2º Vol. - Mulheres - ( Batuque de Muhumbis)

.............................

== 1655 - No seu avanço para o interior os "Bóers" vão vencendo os HOTENTOTES,mas,embora racistas,não resistem aos "encantos" das mulheres nativas; assim surgem os "bastardos" ou "coloured" que depois os acompanhavam. Por sua vez os "Boers" eram descendentes de emigrantes holandeses (calvibistas) e dos protestantes franceses já ali residentes, designados "africaner" (sul-africano), ou ainda "africander".

== 1655 - DEZEMBRO - 13 - A rainha GINGA acusa os anteriores governadores de terem recebido escravos sem que tivessem libertado sua irmã,D,BÁRBARA DA SILVA.-
- Embaixada do jaga CASSANGE para recuperar escravos portugueses detidos.

== 1656 - OUTUBRO - 12 - Foi então assinada a paz com a rainha GINGA, agradecida pela libertação de sua irmã,D.BÁRBARA...Foi assinado na MATAMBA,com a intervenção dos Capuchinhos, muito embora o desagrado do rei do CONGO, D.GARCIA II...

== 1656 - NOVEMBRO - 27 - O CONSELHO ULTRAMARINO manda suspender a libertação de D.BÁRBARA, irmã da rainha JINGA, a pedido do Senado da Câmara de S.PAULO DA ASSUNÇÃO (já efectuada em Outubro de 1654, a troco de 100 escravos).

== 1657 - FEVEREIRO - 4 - Casamento da rainha GINGA com D.SALVADOR, celebrado por Fr.FRANCISCO ANTÓNIO(?)ROMANO, na capela de SANTA ANA,na MATAMBA e de sua irmã D.BÁRBARA com JINGA AMONA, então baptizado ANTÓNIO CARRASCO, que era o seu capitão-geral.
== 1659 - Surgem novos conflitos com o rei do CONGO e, de acordo com as decisões tomadas em Março, o governador ordenou ao capitão-mor o ataque aos sobas DAMBI ANGONGA (NDAMBI NGONGA) e QUITATI CANDAMBI, dos DEMBOS, não só pelas investidas feitas anteriormente como ainda por não se sujeitarem à fé católica. -
.........................................................
-- 1683 - SETEMBRO - ...Terminavam assim, nesta altura, as lutas na MATAMBA e chegara ao fim o REINO DE NDONGO / MATAMBA, surgindo novas perspectivas na bacia do rio CUANGO, para o REINO DE CASSANGE...
.....................................................
-- 1709 - FEVEREIRO - 15 - No CONGO, D.PEDRO IV, derrota D.PEDRO CONSTANTINO que acabou por ser degolado; os seus "parceiros" dessas contendas desapareceram do mapa.
-- 1709 - OUTUBRO - 3 -Chega a LUANDA o novo Governador de ANGOLA,ANTÓNIO SALDANHA DE ALBUQUERQUE CASTRO E RIBAFRIA, já nomeado em 9 de Janeiro.
-- 1714 - Terminaria o reinado de D.PEDRO IV, tendo vivido esses últimos anos e constantes sobresaltos e receios dosd seus antagonistas, em especial do Conde de SONHO.
...................................................
===============================================

do site AngolaBrasil

Povos de Angola

===== B") --- "ANGOLA -DATAS E FACTOS - 2º Volume (1652/1837) ===

== 1655 - "Os holandeses, já instalados no CABO DA BOA ESPERANÇA, prosseguem o seu avanço pelo interior, além do rio QUEI e,para o norte,em busca do REINO DE MONOMOTAPA.
Contactam com outros povos, em especial os BOCHIMANES (BUSHMEN, BOSJEMANS ou ainda BOSHEMEN),designação que significa "Homem dos Bosques", conhecidos ainda pelos portugueses por "BOSQUÍMANOS", com certas analogias aos, já detectados anteriormente, mais ao sul e leste, HOTENTOTES, que os perseguiram.
Efectivamente já haviam sido contactados muito antes pelo portugueses, talvez,ainda quando BARTOLOMEU DIAS chegara à ANGRA DOS VAQUEIROS, no extremo sul do continente africano, ou mesmo antes, por DIOGO CÃO, quando alcançou o sul de ANGOLA !
Havia(ou ainda há)dúvidas quanto às suas origens,bem como as dos Curocas, de que são ascendentes, sendo várias as opiniões surgidas :
"...enquanto uma os quer afins dos Bergdamas do sudoeste Africano, a outra considera-os resultado do mestiçamento de Bosquímanes e Hotentotes com Mucuissis -- uma relativa população negra semi-nómada situada a ocidente da Serra da Chela..." -- (em : "ALGUNS VELHOS E NOVOS CONCEITOS SOBRE OS POVOS NÃO BANTOS DE ANGOLA", de ANTÓNIO DE ALMEIDA,pg.179)incluída na obra : "ANGOLA - Curso de Extensão Universitária - Ano Lectivo 1963/4, da Universidade Técnica de LISBOA.

== 1655 - OS Bosquímanos eram os sobreviventes dos povos da Idade da Pedra, já no seu último período, sendo aparentados com os Hotentotes, com base em aspectos linguísticos,mas sendo de estatura inferior à destes, contactados mais tarde, talvez seus descendentes com pré-bantos (Hamitas ?).
-- ... "Ainda não foi determinado com exactidão o verdadeiro parentesco entre Bosquímanos e Hotentotes; têm muitos pontos comuns, quer linguísticos, quer físicos, sendo a principal diferença entre eles o tipo de economia"...- (em : ÁFRICA AUSTRAL", de BRIAN FAGAN, pg. 32 - 1972).

== 1655 - Vejamos,em resumo, como se apresentava a situação desses antigos povos e onde existiam duas diferenças rácicas principais : -

A) - Povos pré-históricos - Paleolíticos, Mesolíticos e Neolíticos.

-- 1) - RAÇA KHOISANE - palavra que resulta dos termos "KHOIN-KHOIN", respeitante aos Hotentotes e "SAN", referente aos grupos Bochimanes, (o que significa "homem"). Assim : "KHOISANE" quer dizer - raça Hotentote-Bochimane. Nestes incluem-se ainda os pequenos múcleos de "KEDES" (MUQUEDES) da zona do CUANHAMA(KUANYAMA), da OMUPANDA e na MUPA.
Os seus antepassados são também designados "BOSKOPOIDES" (localizados em FLORISBAD por BOSKOP). Ocupavam todo o território, antes da chegada da raça negra no século XIII, desde o extremo sul da ÁFRICA até ao sudoeste, tendo características próprias, bem diferenciadas dos Negros.

-- 2) - RAÇA NEGRA : - Há que distinguir os dois grupos : PRÉ-BANTOS (NÃO BANTOS) e os BANTOS, com origens no ALTO NILO, zona dos GRANDES LAGOS, bem no interior da ÁFRICA, donde se dirigiram em avanços para o sul em sucessivas vagas, algumas ainda recentes.
Já mencionámos no 1º volume desta obra (pg.9 e 10), a sua origem e a do termo "BANTO" (BANTU), ou seja, : BA-NTU, em que o radical "NTU" significa "ser humano"("homem", "pessoa"). MUTU (MUNTU)tem o plural "BANTU". Os SANTOS constituíam a grande maioria dos povos do REINO DO CONGO e de outros Reinos. Eram os "BANTOS OCIDENTAIS" e teriam quase eliminado os outros povos,NÃO BANTOS,seus antecessores, quando da sua invasão : - teriam avançado pelo MEDITERRÂNEO e daí passaram ao norte de ÁFRICA, talvez +ela zona de GIBRALTAR, ou vindos da ÁSIA (Caucasóides), pelo SUEZ para a ETIÓPIA ou EGIPTO.

Apenas restaram algumas manchas de CUISSIS, que eram negros pré-bantos, refugiando-se na zona desértica do NAMIBE(NAMIB). Foram designados de "VATWA" (Vátuas), termo depreciativo, significando "errantes" ou MUCUISSOS, bem assim como ainda aos seus descendentes CUROCAS(COROCAS), ou OVA-ZOLOTWA, que significa "errantes negros", ou no BAIXO CUROCA, de "MUCUEPES" -- "KWEPES" -- ('KWAI/TSI ou VAKUEPE), residentes no deserto do NAMIBE, na zona de ONGUAIA e MACALA.

-- Os BOCHIMANES(BOSQUÍMANOS) são ..."os mais extraordinários e notáveis(caçadores) entre todos os povos indígenas de ANGOLA" ...(em "OUTRAS TERRAS,OUTRAS GENTES", de HENRIQUE GALVÃO, pg. 425).

Reside em ANGOLA, entre as vertentes da SERRA DA CHELA às margens do rio CUBANGO, o mais importante ramo da família BOCHIMANE : "... são os IKUNG. Foram derrotados e perseguidos pelos Hotentotes, Bantos e pelos europeus, para o deserto do KALAHÁRI.
Os autênticos BOCHIMANES (amarelos)são os BACANCALS (- MUCANCALA - é o plural de VA-CANCALA, ou ainda OVA-KWANKALA),residentes na região compreendida entre o paralelo 15º e a fronteira, e ainda entre o rio CUBANGO, margens da "MULOLA DO TCHIMPORO" e o ocidente do planalto da OYLLA. São também os BASSEQUELES (MUCUASSEQUELES) e ainda, no SE de ANGOLA, os ditos "pretos" a que pertencem os CAZAMAS. Designados ainda aqueles por CASSEQUELES, BACASSEQUELES ou CAMUSSEQUELES, situados a leste do rio CUBANGO. Instalavam-se nas zonas com cursos de água durante os períodos em que não havia chuvas e em simples abrigos.

MUCUANCALA, deriva de mukua (gente) e Nkala (caranguejo) ou ONKALA, usados como depreciativos.
MUCUASSEQUELES deriva de ; mukua + sequele (porco espinho), também como depreciativo, e ambos designados ainda por "KHUN", na sua própria língua.

-- Os BANTOS generalizaram essa designação a todos os KHOISAN : HOTENTOTES e seus descendentes.
-- Os CAZAMAS(MUCUAZAMAS) e CACUENGOS (MUCUENGOS), residentes no Sudoeste de ANGOLA, ditos "KHWE" (HUKWE ou KWERI)eram talvez descendentes dos Pré-Bantos. A diferença entre os BOCHIMANES e os CUISSIS é que estes,ditos também MUCUISSIS, são provavelmente descendentes da RAÇA NEGRA,e,por sua vez, os ascendentes dos MUCUEPES (CUROCAS), como vimos.
-- MUCUISSO deriva de MOCOISSE (mestiço com alguma raça primitiva e quase desaparewcida). Também lhes chamam "MUKUA-MATARI", o que significa ..."a gente das pedras"...,seu refúgio habitual ! Os BANTOS chama aos MUCUISSOS do deserto do NAMIBE, ao sul do rio BERO ("rio dos Mortos"), de `´ATUAS, ou seja o plural de "MUTUA", significando "expulsos" e em que : "VA-TWA", o VA ou OVA é o prefixo plural e TWA traduz..."levar diante de si"...,ou seja, "expulsar". Constituem os grupos COROCAS (OVA KHEPE, ou VAKUEPE) e os CUISSES (OVA KWISI ou VAKUISI).

-- Os NEGROS designam os BOCHIMANES de "VÁTUAS - VERMELHOS) e os CUISSIS de "VÁTUAS NEGROS" !
-- Os BOCHIMANES existemm tambem fora de ANGOLA. Foram assim baptizados pelos "BOERS" (palavra holandesa que significa "camponeses"), quando do seu avanço a partir do CABO DA BOA ESPERANÇA para o norte e sudoeste, onde tiveram de os enfrentar por diversas vezes. São conhecidos, como vimos, por CUANCALAS (OVA-KWANCALA), sendo pois anteriores aos povos Bantos. Mas, antes deles ainda existiam outros povos no sul de ÁFRICA, os pré-Bantos, desconhecendo-se o seu destino.

-- Os BOCHIMANES (BOSQUÍMANOS, BUSHMEN ou OVA-CONGOLO), podem mesmo ter descendido dos "homens de Grimmald", negróides, efectuando um percurso,(há 5 mil anos) a partir da ÁSIA CENTRAL, MONGÓLIA, civilizações já mencionadas no "RIG VEDA", o mais antigo livro do mundo, atravessando a RÚSSIA, SOMALIA, ou pelo EGIPTO (os Zindjis), ou ainda pelo MEDITERRÂNEO até ESPANHA, GIBLALTAR e norte de ÁFRICA, refugiando-se depois para o sul ("Bush"), talvez à cerca de 2.000 anos, empurrados pelos invasores BANTOS para o sul do lago TANGANICA e bacias do ZAMBEZE (LIAMBEJE), do CONGO (ZAIRE), para o deserto do CALAARI e do sudoeste angolano mais tarde ainda pelos europeus.
- É provável que os BOCHIMANES - ..."se tivessem deslocado para sul provindos do Norte do Tanganica, passando pela ponta norte do lago Niassa e pelo extremo sul do lago Tanganica e,daí,para sul, através do deserto de Calaari e ao longo da bacia Zambeze-Congo, para o Sudoeste de Angola"... -- em "ÁFRICA AUSTRAL", de BRIAN FAGAN, pgs. 47/48).
-- Tinham pele acobreada e carapinha, baixa estatura, contrariada com a corpulência dos "homens de Grimald". Foram expulsos para o deserto.
-- "BUSH" é a zona arborizada, que vai desde o sul de BENGUELA-A-VELHA, ao sul das TERRAS ALTAS DA HYLA, englobando uma parte do deserto do NAMIBE, mais na zona litoral (ANGRA DAS ALDEIAS e MANGA DAS AREIAS), região do CABO NEGRO, com deserto absoluto na zona mais ao sul até às margens do rio CUNENE e ainda mais além do mesmo rio até ao CABO DA BOA ESPERANÇS, deslocando para o leste, costa oriental africana, subindo depois a norte e oeste, zona do sudoeste.

-- Os HOTENTOTES "misturaram-se" com os negros ou podem ter sido ainda "originados" pela mestiçagem dos BOSQUÍMANOS com antigos Hamitas (CAMITAS), pigmeus ou outros, ou seriam já o resultado de cruzamentos com os BOCHIMANES (os "OVA-KEDE"). Foram absorvidos ou repelidos para o sul, refugiando-se na zona desértica, no BAIXO CUNENE.
Os residentes do litoral alimentavam-se então de peixes, moluscos e de produtos silvestres, ou mesmo das suas raízes.Os residentes no interior eram pastores nómadas, mas com grandes manadas de bois de enormes chifres e de rebanhos de carneiros, alimentando-se dos seus produtos, da caça, de raízes e frutos selvagens.
Assim, os agrupamentos, muito posteriores, existentes no NAMIBE, eram divididos em 4 agregados : -- CUVALES (ou DOMBES) , os mais numerosos, nas zonas dos rios BERO, GIRAÚL e VINTIAVA; -- os CUANHOCAS, no rio COROCA (CUROCA); -- os CUEPES e os CUISSOS (estes Pré-BANTOS), tanbém conhecidos por CUISSIS ou MUCUISSOS.

O deserto do NAMIBE fica situado desde o norte do rio CUNENE, entre a SERRA DA CHELA e a costa litoral,até ao DOMBE GRANDE (rio COPOROLO), prolongando-se pela zona da costa litoral para o sul até à zona do deserto do KALAÁRI(KALAHARI), mas estreitando-se de sul para o norte, em vez do sentido oposto.
Era habitado desde a pré-história(período Paleolítico), conforme justificam as pinturas e gravuras rupestres do CHITUNDULO (CITUNDU-HULU, ou TCHITUNDU-HULO), no Sudoeste de ANGOLA, em BRÚTUEL e na mulola do TCHIPOPILO (CAMUCUIO),no deserto do NAMIBE, na margens do rio CUNENE, no curso superior do rio ZAMBEZE e ainda na QUIBALA(PEDRA QUISSANGE). Foram atribuídas a povos ainda anteriores aos BOCHIMANES, bem como os instrumentos de pedra da época Pré-Chelense, ou talvez aos próprios BOSQUÍMANOS, assim como algumas outras ainda na ÁFRICA MEDIDIONAL.

Os desertos do KALAÁRI e o do NAMIBE(NAMIB) são distintos, mas estão situados numa zona própria e por isso com condições climatéricas interdependentes. A causa da existência do deserto do NAMIBE é a "corrente fria de BENGUELA".
..........................................................
-- No Sudoeste de ANGOLA os Bantos distribuem-se em três grupos étnicos :

--- A) -- OVA-AMBO(AMBÓ) -- com as trbos de : - Balântu -- Cafimas -- Coluctsi -- Cualuthi -- Cuamátui -- Cuâmbi -- Cuanhama -- Dombondola -- Donga -- Eunda -- Gandjela -- Vales.

--- B) -- MBANGALA/HUMBIS -- compreendendo : OVA-MBANGALA(HUMBI) e afins : Nkumbi -- Donguena -- Hinga -- Cuâncuas -- Handas -- Quipungos(Typungu) -- Tylengue-humbi) -- e ainda os NHANECA(UANYANECA), com as tribos de Mwilla e Ngambwe.

--- C) -- HERERO (OVA-HELELO) - com as tribos de : Chimbuas -- Chavicuas -- Kuvales -- Dimbas -- Guedelengos -- Ndimbes -- Cuanhocas -- Tylengue-musós -- Cuandos -- Cuissis(?) e Hacavonas.

Esses BANTOS OCIDENTAIS terão chegado ao sul de ÁFRICA já no século XI, ou mesmo até ao século XVII ! Em ANGOLA encontram-se divididos em 10 grupos linguísticos, num total de 60 tribos. Os cinco principais grupos são : -- 1) - KIKONGO, ao norte e ao sul do rio ZAIRE(CONGO) e até ao rio CUANDO. -- 2) - KIMBUNDU, ao norte e sul(litoral) do rio CUANZA, até ao CONGO e MALANGE. -- 3) - UMBUNDO - no Planalto Central, do lioral até ao VIÉ(BIÉ). -- 4) -- LUNDA-KIOCO, uma faixa interior, da LUNDA norte, prolongando-se em cunha pelo CUBANGO. -- 5) - GANGUELA, do lioral sul aos planaltos da OYLLA, VIÉ e MOXICO.

== "...O subgrupo étnico-linguístico KIKONGO(QUICONGO) engloba os povos : Mucusso -- Pombo -- Muxicongo -- Mucongo -- Mussosso - Muzombo -- Maiaka e Mussorongo.." - (em "ANGOLA - Curso de extensão universitária - l963/4", do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, 1964 - pgs. 197/8 )

-- Dos restantes grupos,principais,ainda os : LUNJANECA -- LUNKUMBI --XIKUANJAMA e XINDONGA, todos do planalto da OYLLA e os TJIHERERO no BAIXO CUBANGO. Mas, o principal de todos grupos é o dos UMBUNDO, com cerca de um terço da população.

-- A origem dos BANTOS será talvez o resultado do cruzamento entre PRETOS do norte do EQUADOR e outros com os PIGMEUS e BOSQUÍMANOS.

-- "...Os povos de raça negra não têm história e a que como tal se intitula é baseada em meras hipóteses, à falta de fontes de informação"...
..."Parece não haver dúvidas que todos estes povos pertencem ao tipo "bantú",que, juntamente com o tipo "chilouk", foram os primeiros invasores "aditas" da raça negra que,segundo os monogeístas, do planalto da Pérsia -- do alto maciço asiático -- desceram,muitos séculos antes da nossa era, à Arábia,donde uns,contornando o Mediterrâneo, atingiram o Nilo pelo istmo de Suez,descendo por ele até à região elevada onde nasce o Branco, o Nilo Azul e outros,seguindo o vale do Eufrates e a costa do golfo Pérsico, alcançaram primeiro esta mesma região, atravessando o Mar Vermelho no estreito de Bab-el-Mandeb..." - ..."Os que penetraram por sueste na região montanhosa do leste de África, sofrem aqui a selecção, e, repelindo para o sul os contigentes inferiores, originam o tipo "bantu",cuja área de colonização abrange toda a região ocidental além do Zaire..." - "...Este movimento migratório é mais rápido, provocando lutas, pois que uns terceiros invasores, mestiços de raça branca e negra -- os segundos "aditas" -- provenientes da Arábia, mais fortes e melhor organizados que os seus antecessores "bantus", alcançam com facilidade os planaltos etiópicos..." - "...Aqueles invasores de raça negrítica, expulsaram do seu "habitat", segundo algumas opiniões,os autoctones,representados hoje por "bushmem" ou "boschjemans" e "hotentotes", havendo quem supunha estes últimos de raça amarela, rechassando-os para os desertos de Kalahári e representados,também, pelos : "ba-cassaqueres", "ba-cancalas","ba-cuisses" e, talvez, pelos "ackas" do equador a que se refere Schweinfuth, todos de pequena estatura,vivendo fragmentados e nómadas, dedicados à caça de que se alimentam juntamente com raízes e frutos de árvores silvestres"... (in "Relatório da coluna de operações aos bondos e sul da Jinga", no B.O. da Província - pg. 88 -, de ALBERTO DE ALMEIDA TEIXEIRA, transcrito na sua obra "ANGOLA INTANGÍVEL" - 1934 - pgs. 619 a 621) --
do site AngolaBrasil


Ver também AQUI

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pombeiros Angolanos-Os Primeiros expedicionário

pombeiros angolanos

VÊR PESQUISA COMPLETA - CLICAR: http://www.carlosduarte.ecn.br/pombeirosinicio2.htm Para mim é inquestionável que a vida tem determinismos, e determinismos muitas vezes de uma obscuridade tal, que os torna muito mais difíceis de entender. Determinismos que nos fazem conhecedores ou participantes de acontecimentos que, embora reais, de tão extraordinários e surrealistas, mais parecem fruto da imaginação de um louco. Mas loucas nos parecem também a nós, simples mortais alijados que somos de novas teorias que surgem e nos explicam em teoremas e corolários, incerteza, indeterminação, dinamismo, universos fractais e caos. Entre os determinismos que mais me causam perplexidade, estão as coincidências. No início de 1972, havia uma cubata a pouco mais de cem metros do Forte de Kabatukila, escorada por um megalito que fica quase flutuando sobre o verde exuberante e majestoso da Baixa de Kassange, onde morava um secúlo Jaga, de nome Tchá-Tchiála diá Katchipwa. Passei lá nessa época a caminho da Lunda, ia passar uma temporada em casa do Vicky Pais Martins, onde pretendia estudar um pouco “in loco” costumes Tchokwé e Luba para um trabalho “Etnografia Sobre os Povos de Angola” que me havia metido a escrever. Viajávamos em caravana, e o Vicky viajava usando a farda do exército, e então, a despeito dos meus esforços e pedidos através do intérprete – o secúlo só falava Jaga – o velho ermitão não foi pródigo nas histórias contadas sem variação nem emoção no tom. Fosse por me ter confundido com um comprador de kamanga, fosse pela farda do Vicky, ou simplesmente porque não teve vontade; portanto por inibição, pudor ou mera vontade, não respondia aos meus apelos para falar sobre Jingas e Jagas, as guerras do Kahange e do Kassange, a Epopéia do Massangano, antes divergindo para a história da primeira travessia de África pelos pombeiros ou tangomanos - como eram conhecidos pelos povos locais os mercadores de escravos e por similaridade os mercadores em geral – Pedro João Baptista e Anastácio José, este também conhecido por Anastácio Francisco ou Amaro José – de quem se dizia descendente – empreendida entre 1802 e 1811 ida, e 1811-1814 a volta. Uma expedição fantástica até pra os dias de hoje, imagine-se na época, antes de Serpa Pinto, Capelo e Ivens, antes de Cecil John Rhodes. Esses dois mercadores angolanos, com o feito deles, deram pela primeira vez ao colonizador português a idéia do Mapa Cor de Rosa – uma fatia do continente Africano compreendendo Angola, Moçambique e os territórios entre os dois países, como colônia da Coroa Portuguesa. Mas na época em que passei por Kabatukila, mais focado em etnografia e acontecimentos referentes aos atritos e evoluções históricas tribais, fiquei um pouco desconsolado com o rumo da prosa do secúlo. Anos mais tarde – ó a coincidência aí – numa demonstração da Teoria dos Fractais, num sebo da Rua da carioca no centro do Rio de Janeiro, tornei-me o feliz proprietário dos Diários de D.Francisco Franque, 1º Boma Zanei – N'Vimba, um negro cabinda porreta e invocado que, entre outras atividades e ocupações foi negreiro, comerciando a mercadoria no Brasil, onde tinha estudado com os jesuítas quando menino. Depois de ter lido nas anotações do Chico Franque, em cujo diário diz ter encontrado, conhecido e se tornado amigo dos dois pombeiros no Rio de Janeiro, por mera curiosidade e necessidade de conhecer mais – o tanto que pudesse pesquisar – a história dessa travessia, comecei a minha busca. Além do que conta Chico Franque, das conversas tidas com os pombeiros nos bordéis e outros lugares escusos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, conversas entre libações alcoólicas e o esvoaçar de marafonas em volta, muito pouco se sabe...ou muito pouco resta registrado e preservado. A História de Portugal dá mais ênfase às expedições de Serpa Pinto e Capelo e Ivens; Amaro José e Pedro Baptista eram apenas negros. Sabe-se que fizeram um diário com anotações até bastante precisas apesar da falta de instrumentos e equipamento, anotando nomes de rios, povos e sobas, que foi traduzido para o Inglês e usado por Livingstone, para preparar a sua expedição, mas não logrei conseguir nenhuma cópia em Inglês ou Português desse diário. Suspeito que não haja uma versão dele completa em Português. E por isso, me vejo quase limitado à versão pouco confiável do Chico Franque, mais dado à farra e esbórnia do que ao pormenor de anotações de interesse histórico. A história do Chico Franque, “Memória e Aventuras de Um Cabinda em Terras Brasiliensis ”, foi quase uma mera transcrição, dos diários que me chegaram ás mãos completos. Limitei-me a dar pequenos retoques para melhor entendimento e a fazer pequenas observações analíticas e esclarecedoras ao final de cada “capítulo” ou episódio, fruto da pesquisa em manuais que corroborassem ou desmentissem o que ele contava. Não poderá ser muito diferente a narrativa da expedição dos pombeiros Amaro e Pedro, uma vez que a oralitura africana se mostrou vaga e imprecisa além de renitente e os registros históricos coloniais praticamente nulos. Seria karmático fosse eu um historiador. Mas sou um mero contador de histórias, vez ou outra instigado pela curiosidade a buscar os complementos de episódios incompletos...ou uma vítima da incerteza, indeterminação, dinamismo, dimensões fraccionárias do universo, acaso, Murphy e caos, cruzando-se na minha cabeça e vida, que nem os sete ventos da Umpata, como dizia o Xarope ao Carlos Alexandre, evento no qual o Victor Macedo fazia completa fé, como confirmou a mim e ao Sapo, no Exágonos, o que cacimbava de forma irrefutável e definitiva a cabeça dos aplicados alunos das técnicas agrícolas do Tchivinguiro. Como aconteceu na transcrição dos diários de Chico Franque, me limitarei a pequenas notas de pé de página ou no final de cada episódio, que autentiquem, esclareçam ou tragam polêmica e luz ao narrado., e claro a algum arranjo ou modernização nos termos usados, nas expressões da época que hoje não fazem mais sentido. A razão da busca aos episódios incompletos? Bom neste caso da travessia dos dois pombeiros, é antes de mais nada pelo fato de essa expedição, muito além de ter aberto novas rotas de comércio aos portugueses, ter sido o episódio que deu origem à idéia do que mais tarde seria o Mapa Cor de Rosa, tendo assim influenciado de forma marcante a história do mundo. Podemos é claro especular que se não tivessem sido os dois angolanos os primeiros outros seriam...tá mas foram eles os primeiros! X X X O expansionismo imperialista britânico no continente africano, levou o governo Inglês a tentar apoderar-se de alguns territórios coloniais portugueses, como foi o caso da Ilha de Bolama e territórios adjacentes do continente, bem como a parte sul da Baía de Lourenço Marques. Nestes dois casos o governo Português conseguiu persuadir o governo Inglês a submeter o assunto à arbitragem internacional. As sentenças proferidas pelo Presidente dos EUA U.S.Grant e da França Marechal Mac Mahon, deram ganho de causa aos portugueses. Estas duas decisões resolveram alguns problemas importantes relativos à soberania portuguesa em África, mas as definições dos limites dos domínios de Portugal Colonial na época em que as potências européias mostravam um particular interesse nesse continente, era um problema que viria a avolumar-se e tornar-se extremamente grave para Portugal no último quartel do século XIX. Tornara-se indispensável definir de uma vez por todas os domínios lusitanos em África e na Ásia, o que só poderia ocorrer através de negociações com a Grã-Bretanha. O então Ministro da Marinha e do Ultramar de Portugal (de 1872 a 1877), Andrade Corvo, conseguiu que a Inglaterra aprovasse um tratado sobre os limites portugueses e ingleses na Índia, e iniciou então negociações sobre os limites de Moçambique e da Bacia do Zaire. O tratado sobre Moçambique, denominado de “Tratado de Lourenço Marques”, foi assinado em 30 de maio de 1878, embora não aprovado pelo parlamento português, onde facções conservadoras temiam a política liberal de Andrade Corvo, que pretendia abrir as colônias portuguesas em África ao investimento estrangeiro. As negociações sobre a Bacia do Zaire foram retomadas em 1882 e levaram à assinatura do tratado Luso-Britânico em 26 de Fevereiro de 1884. Mas nesse meio tempo, oposições internacionais já se haviam formado a essa solução, principalmente por parte da França e Alemanha, o que levaria à formação da Conferência de Berlim em 12 de Outubro de 1884, comandada por Bismark que então dominava o cenário político europeu. A Conferência estabeleceu o “Princípio da Ocupação Efetiva” nas costas do Continente Africano, isto é, da necessidade de manter nos territórios reclamados autoridades suficientes para fazer respeitar os direitos adquiridos, e atribuiu também à Associação Internacional do Congo, criada pelo Rei Leopoldo II da Bélgica, uma enorme área da Bacia do Rio Zaire ou Congo, territórios de que faziam parte áreas consideradas por Portugal como parte da Colônia de Angola. O então Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Barbosa du Bocage, pretendia realizar um velho sonho de ligar Angola a Moçambique, consciente de que tal projeto entrava em linha de colisão com os interesses britânicos na África central. Os planos ingleses na Cidade do Cabo, encabeçados por Cecil John Rhodes, um político pró expansionismo imperialista, incluíam a influência Britânica através da Bechwanaland e dos territórios Matabeles e Machonas, do Berotze, até à região dos Grandes Lagos, com a construção de uma ferrovia que facilitasse a continuidade das possessões britânicas, do “Cabo ao Cairo”. Bocage iniciou negociações com a França e a Alemanha que reconheceram a Portugal uma esfera de influência sobre uma longa faixa do território ligando Angola a Moçambique; essa faixa, destacada num mapa anexo à carta de reconhecimento e com a cor rosa, era o famoso e já falado Mapa Cor de Rosa. No final do Século XIX o mundo se submetia á supremacia econômica capitalista e imperialista da Grã-Bretanha principalmente, mas a Alemanha, com uma indústria bélica respeitável e que prosperava de forma evidente e preocupante para as outras potências, desenvolvendo o Plano Naval 1900 que visava conquistar um império colonial, começou a deslocar esse eixo de influência. A Inglaterra por seu lado impunha a sua hegemonia, possuidora que era do maior império colonial, bem como detentora da totalidade de capitais exportados para investimentos. Os ingleses, pretendendo não apenas preservar mas expandir os domínios coloniais, equiparam-se militarmente. O colonialismo transformara África e Ásia em áreas de disputa colonial; a Alemanha exigia uma parte do continente africano condizente com o seu poder bélico. Portugal, ignorando os protestos britânicos e confiando sobretudo na proteção alemã, envia diversas expedições para a área do mapa Cor de Rosa. Em 8 de Novembro de 1889, a expedição comandada pelo major Serpa Pinto foi atacada pelos Macololos, tribo sobre a qual os britânicos haviam declarado exercer protetorado. Os Macololos sofreram grandes baixas, e face a essas perdas, a imprensa inglesa inicia maciça campanha contra Portugal, campanha que atinge o auge quando se soube que Serpa Pinto ocupara a região de Chire. A 11 de Novembro de 1890, o Ministro Britânico em Lisboa, transmitiu ao Governo Português um ultimato, exigindo a retirada dos portugueses do Chire e dos territórios Macololos e Machonas. Ou desocupavam, ou a frota britânica disparava sobre Lisboa. O Governo Português denotou pouca firmeza e se retirou dessas áreas, precisamente as áreas compreendidas entre Angola e Moçambique. Assim temos que a primeira travessia do continente africano fez germinar nos portugueses a idéia de colonizarem uma fatia do continente, o que levou ou acelerou a Conferência de Berlim, que dividiu África sem levar em consideração as nações Africanas, divisão essa ratificada após a II Grande Guerra Mundial. Esse verdadeiro desrespeito e desconsideração das potências européias para com as Nações Africanas, dividindo-as, foi e ainda é o fulcro de guerras e conflitos que têm devastado milhões de vidas em África. Um verdadeiro corolário à Teoria dos Sistemas Caóticos! * * * Mas sobre os dois pombeiros e a primeira viagem costa a costa do continente africano, os registros são falhos, aparentemente propositadamente falhos, como numa “determinação” da comunidade científica da época de menosprezar o feito. Na verdade há incoerências da parte das autoridades coloniais, que beiram o insólito, como por exemplo o fato de Pedro João Baptista ter achado pouco o papel que lhe foi dado para registro dos dados de viagem, ter pedido mais e o Governador ter negado sem qualquer outra explicação, como relatado por ele mesmo a D.Francisco Franque e como colocado preto no branco por Ilídio e Ana Amaral em Garcia da Orta Vol.9 números 1 e 2. Não admira assim que os dados registrados nos diários sejam econômicos, sucintos, e muito fez ele no meu entender. Transcrevo o que sobre o assunto dizem Ilídio Amaral e Ana Amaral no mesmo tomo: Quote Em geral, os estudiosos das travessias da África Central não têm dado o necessário relevo às viagens anteriores à de Davis Livingstone, de 1845-1856, entre Loanda e Kelimane. Há uns que as citam, mas aligeiradamente e com erros; outros as ignoram, sobretudo quando os protagonistas foram africanos. Porém é justo destacar que foi realizada uns cinqüenta anos antes da travessia do missionário inglês por dois pombeiros angolanos, Pedro João Baptista e Amaro José, desde a Feira de Mucari no Kassange, Angola, donde partiram em finais de Novembro de 1802, até à Vila de Tete, em Rios de Sena, Moçambique, aonde chegaram após várias peripécias e detenções, no dia dois de Fevereiro de 1811. ... Recordemos em primeiro lugar o texto de J. C. Feo Cardozo sobre o governo de Antonio Saldanha da gama, que esteve em Angola de 1807 a 1810 (p.p. 298-302, na parte “História dos Governadores” [...]: “ Foi no seu tempo e pelos seus desvelos, que se estabeleceu a comunicação directa com a Nação dos Moluas, por cujo intermédio se veio a ter conhecimento da Contracosta. O projeto da comunicação das duas costas, oriental e ocidental da África, já tinha existido no tempo de D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, mas havia sido abandonado. ... No Presídio de Pungo Andongo vivia retirado, ocupando-se de trabalhos de agricultura e um pequeno comércio, o Tenente Coronel Francisco Honorato da Costa, homem instruído e capaz. Foi este nomeado director da Feira de kassange, nas terras dos jaga do mesmo nome, o mais oriental dos potentados avassalados, e por sua via é que se soube que aquele régulo confinava com outro maior, com o qual comunicava, impedindo-lhe todo o tráfico directo com os portugueses, para conservar o monopólio de que tirava grandes lucros. Para este fim o Jaga se servia de vários ardis grosseiros, que julgava próprios, para conter o Muatiânvua ( nome daquele potentado), cujas forças temia, insinuando-lhe, por exemplo, que os brancos saíam do mar, que comiam os negros, que as fazendas que ele comerciava eram fabricadas nas suas terras e que, se o Muata invadisse os seus estados, o Mueneputo (nome que os negros dão ao soberano de Portugal e, por extensão, ao governador de Angola ) tomaria disso vingança. Logo que o governador soube destas particularidades, ordenou a Francisco Honorato de se informar da posição da nação Molua. Francisco Honorato conseguiu que os seus pombeiros (traficantes ambulantes do sertão), chegassem à banza principal em que habita o Muata, onde foram bem recebidos e agasalhados. Desabusado dos embustes do Jaga de Kassange, posto que ainda algum tanto receoso, o Muata expediu logo um embaixador pra Luanda, e o mesmo fez sua esposa, que vive distante. Estes embaixadores, acompanhados pelos pombeiros de Francisco Honorato, não tendo podido passar pelas terras dos Jaga, que se obstinavam a vedar-lhes o trânsito, dirigiram-se para os estados do Soba Bomba, que lho franqueou e junto com eles mandou também o seu embaixador ao Mueneputo .... Mais adiante ainda escreve que “soube-se mais pelos pombeiros, que a Nação do Kazembe, onde tinha falecido o naturalista Lacerda, era feudatária do Muatiânvua, e lhe pagava em sinal de vassalagem um tributo de sal marinho, que lhe vinha da costa oriental. Assim se veio a conhecer a possibilidade da comunicação interior das duas costas, e o governador Saldanha deu logo as providências necessárias para que os pombeiros prosseguissem o seu caminho para oriente, até verem o mar e gente branca, de que já lhes tinham dado notícia certos negros que encontraram nas terras dos Moluas. O fruto de tantos trabalhos ficou reservado para o general que lhe sucedeu”. . ... O início da viagem teve lugar em finais de Novembro de 1802, quando o governador de Angola Fernando Antonio Soares de Noronha (desempenhou o cargo de 1800 a 1806). Foi ele quem solicitou a Francisco Honorato da Costa que fizesse o necessário para “indagação e conhecimento da comunicação dessa costa oriental com a costa ocidental da África” bem como para a penetração até “ao Kazembe, onde consta que morrera o Ilmo Lacerda, digno antecessor de V.Excia”, segundo o teor da carta de F.H. da Costa, datada da feira de Kassange, 11 de Novembro de 1802, para o Governador de Sena e Tete, levada em mãos pelos pombeiros. . ... Um último exemplo de desinformação, que nos parece merece comentários, é o de Paul Barre, “ A prioridade dos exploradores portugueses nas travessias Africanas”, Revista Portuguesa Colonial e Marítima, Lisboa, 1º ano,1º semestre de a897-98, p.p. 145-148, de quem se pode ler logo na primeira página: “A primeira travessia africana conhecida, efectuada do Atlântico ao Oceano Índico, foi realizada por indígenas pombeiros, Pedro João baptista e Amaro José, dirigidos pelo governador português Antonio Saldanha daGama, e pelo coronel português F. Honorato da Costa, entre Angola, Tete e a embucadura do Zambeze, de 1802 a 1811” . Todavia os pombeiros não passaram de Tete! ... Trinta anos antes, W.D.Cooley, ob.cit. 1845, p. 214, exprimia-se nos seguintes termos: “[...] o diário contém, nos pormenores de cada um dos seus dias de viagem, abundância de matérias curiosas e interessantes, embora inteiramente deficiente em elementos científicos de geografia. Não há medidas de distância, mas apenas os dias de viagem, sem qualquer menção do tempo passado em marcha. A direção seguida não é indicada senão ocasionalmente e de forma vaga; diz pouca coisa sobre o curso dos rios ou sobre as cristas separando as grandes bacias [...]. Todavia, apesar desses defeitos, não se encontram dificuldades em seguir, sem grande erro, as rotas descritas, em face da coerência das informações”. O belga A. J. Waters, em finais do século passado, depois de considerar sem grande importância os itinerários percorridos pelos pombeiros “mestiços ao serviço de traficantes de Angola [...]”, acabaria por afirmar que “é, contudo, por um grande número de posições, a única autoridade sobre a qual nos continuamos a apoiar”. CD

domingo, 15 de fevereiro de 2009

José Mendes Ribeiro Norton de Matos

José Mendes Ribeiro Norton de Matos, nascido em Ponte de Lima em 1867 e falecido também em Ponte de Lima em 1955, foi por duas vezes governador de Angola, a primeira entre 1912 e 1915 e a segunda entre 1921 e 1923.

Norton de Matos, promovido a General por distinção, (depois de exonerado acintosamente de oficial do exército, acusado de deserção por Sidónio Pais, simpatizante germanófilo), foi então eleito pelo Senado como Alto-Comissário para Angola. Dotado de poderes legislativos e administrativos, mas lutando sempre, contra as forças mais retrógradas instaladas no Terreiro do Paço e territórios vizinhos, tomou posse para o segundo mandato, em Luanda, na residência oficial, em 16 de Abril de 1921, para dar início a um dos períodos de maior desenvolvimento e progresso da Província, dando continuidade ao programa que traçara durante o seu primeiro governo e introduzindo reformas que se perpetuaram pelos anos fora e permaneceram até à independência do território.

Todos os governadores de Angola do fim do século IXX e princípios do século XX que pretendessem fazer algo de positivo para o desenvolvimento do território tiveram uma permanência curta no poder, pois segundo as regras e estratégia da época, não era para isso que os mandavam para as colónias. Infelizmente isto aconteceu nomeadamente com os governadores: general Norton de Matos; António Vicente Ferreira; capitão Henrique Mitchel de Paiva Couceiro; major Manuel Maria Coelho; e outros.

O Governador-Geral Norton de Matos passou como um vendaval por Angola, nos anos que precederam a primeira grande guerra mundial, pondo fim à ocupação militar e iniciando a administração civil, demolindo e implantando novas estruturas, produzindo alguns fortes abanões na administração do território – os primeiros que se davam em Angola – os quais visavam a resolução dos constrangimentos ou a anulação dos interesses que as autoridades, industriais e comerciantes todos combinados e comodamente instalados na Praça do Comércio ou/e na “Baixa Lisboeta”, defendiam com quantas unhas e dentes possuíam. A larga visão desse Homem de Estado não pactuava com essas mentalidades mesquinhas e entendia que as Províncias Ultramarinas só poderiam desenvolver-se se os responsáveis pela sua administração pudessem dar resolução atempada aos problemas que afligiam os seus habitantes e impediam o normal desenvolvimento desses territórios. Norton de Matos ao desembarcar em Luanda, pela primeira vez, anunciou logo ao que vinha. O seu discurso de posse desenvolveu-se sob o tema: «Ordem e Progresso – tudo se contém nisto; respeito pela lei, justiça em tudo e todos, uma grande disciplina em todos os serviços, o mais inflexível rigor na repressão de todos os abusos, corrupções ou desonestidades, a mais severa fiscalização na administração dos dinheiros públicos, o mais franco auxílio a todas as iniciativas fecundas, uma decidida e eficaz protecção a todos os que dela careçam». Foi no seu primeiro governo que se olhou para os problemas da agricultura e da pecuária coloniais de uma forma diferente, como factores eminentemente responsáveis pelo bem-estar físico e material dos seus habitantes (Mendes, 2000b).

Os Altos Comissários tinham poderes legislativos e administrativos que podiam usar, desde que não fossem contrários às ordens emanadas do Governo Central. Obrigado, por força das circunstâncias a combater em várias frentes, Norton de Matos acabou por ser vencido pelas mesmas forças políticas que em Portugal se digladiavam, mas seu nome ficou na história enquanto que os dos outros, dos que se lhe opunham, há muito foram esquecidos… Fonte: Texto retirado em partes do documento “História dos Serviços Veterinários de Angola – Os primeiros anos”, da autoria de António Martins Mendes. > Vicente Ferreira, alto comissário de Angola entre 1926 e 1928, entre outras coisas, deu impulso à construção um grande Laboratório de Patologia Veterinária, consolidando a existência de duas Estações Zootécnicas, doze Delegações de Sanidade Pecuária e contando já com 15 médicos-veterinários, com menos de 40 anos de idade e mais de 5 anos de permanência na Colónia. O Alto Comissário, António Vicente Ferreira é mais conhecido por, fascinado pelas características do meio geográfico onde se localizava a cidade do Huambo, que Norton de Matos fundara em plena savana africana, mas que se mostrava poucos anos depois já pujante de vida e em pleno desenvolvimento, transferir para ela a capital de Angola especificando porém que «…até que se realize a mudança, a sede do Governo-Geral con­tinua na cidade de Luanda…» (Ferreira, 1926). Essa transferência porém nunca se concretizou e mesmo a sua elevação a sede de distrito demorou algumas dezenas de anos, embora fosse de toda a justiça pois o Huambo constitui «…uma unidade geográfica perfeita, quaisquer que sejam os aspectos por que seja encarada: geológico, orográfico, climático, agrícola ou populacional» (Pinto, 1955). 15 RPCV (2003) 98 (545) 11-18 Mendes, A. M.

Enquanto que uns afirmam que estas figuras contribuíram positivamente para a história portuguesa no Mundo, outros dirão que contribuíram para a aculturação dos povos nativos. A única certeza é a de que se não tivessem sido os portugueses a ocupar esses território seriam outros, certamente menos tolerantes para os naturais do que nós portugueses fomos, que em vez de falarem português mais de 20 milhões de pessoas em África, falariam hoje inglês ou francês. Coincidência, tributo ou propaganda, o certo é que os heróis portugueses em África tiveram quase todos direito a nomes de novas cidades, avenidas e praças nas antigas colónias, principalmente em Angola e Moçambique, mas muito poucos no território Europeu. A mim parece-me que já não há heróis, ou não se cultivam heróis, poucos mereceriam ser heróis, e líderes que lideram, há muito pouco. O Mundo mudou. Actualmente cultiva-se mais a inveja e a intriga a qualquer preço.

ver tambem
http://www.fmv.utl.pt/spcv/PDF/pdf3_2003/545_11_18.pdf.

José Mendes Ribeiro Norton de Mato

José Mendes Ribeiro Norton de Matos, nascido em Ponte de Lima em 1867 e falecido também em Ponte de Lima em 1955, foi por duas vezes governador de Angola, a primeira entre 1912 e 1915 e a segunda entre 1921 e 1923.

Norton de Matos, promovido a General por distinção, (depois de exonerado acintosamente de oficial do exército, acusado de deserção por Sidónio Pais, simpatizante germanófilo), foi então eleito pelo Senado como Alto-Comissário para Angola. Dotado de poderes legislativos e administrativos, mas lutando sempre, contra as forças mais retrógradas instaladas no Terreiro do Paço e territórios vizinhos, tomou posse para o segundo mandato, em Luanda, na residência oficial, em 16 de Abril de 1921, para dar início a um dos períodos de maior desenvolvimento e progresso da Província, dando continuidade ao programa que traçara durante o seu primeiro governo e introduzindo reformas que se perpetuaram pelos anos fora e permaneceram até à independência do território.

Todos os governadores de Angola do fim do século IXX e princípios do século XX que pretendessem fazer algo de positivo para o desenvolvimento do território tiveram uma permanência curta no poder, pois segundo as regras e estratégia da época, não era para isso que os mandavam para as colónias. Infelizmente isto aconteceu nomeadamente com os governadores: general Norton de Matos; António Vicente Ferreira; capitão Henrique Mitchel de Paiva Couceiro; major Manuel Maria Coelho; e outros.

O Governador-Geral Norton de Matos passou como um vendaval por Angola, nos anos que precederam a primeira grande guerra mundial, pondo fim à ocupação militar e iniciando a administração civil, demolindo e implantando novas estruturas, produzindo alguns fortes abanões na administração do território – os primeiros que se davam em Angola – os quais visavam a resolução dos constrangimentos ou a anulação dos interesses que as autoridades, industriais e comerciantes todos combinados e comodamente instalados na Praça do Comércio ou/e na “Baixa Lisboeta”, defendiam com quantas unhas e dentes possuíam. A larga visão desse Homem de Estado não pactuava com essas mentalidades mesquinhas e entendia que as Províncias Ultramarinas só poderiam desenvolver-se se os responsáveis pela sua administração pudessem dar resolução atempada aos problemas que afligiam os seus habitantes e impediam o normal desenvolvimento desses territórios. Norton de Matos ao desembarcar em Luanda, pela primeira vez, anunciou logo ao que vinha. O seu discurso de posse desenvolveu-se sob o tema: «Ordem e Progresso – tudo se contém nisto; respeito pela lei, justiça em tudo e todos, uma grande disciplina em todos os serviços, o mais inflexível rigor na repressão de todos os abusos, corrupções ou desonestidades, a mais severa fiscalização na administração dos dinheiros públicos, o mais franco auxílio a todas as iniciativas fecundas, uma decidida e eficaz protecção a todos os que dela careçam».

Foi no seu primeiro governo que se olhou para os problemas da agricultura e da pecuária coloniais de uma forma diferente, como factores eminentemente responsáveis pelo bem-estar físico e material dos seus habitantes (Mendes, 2000b).

Os Altos Comissários tinham poderes legislativos e administrativos que podiam usar, desde que não fossem contrários às ordens emanadas do Governo Central.

Obrigado, por força das circunstâncias a combater em várias frentes, Norton de Matos acabou por ser vencido pelas mesmas forças políticas que em Portugal se digladiavam, mas seu nome ficou na história enquanto que os dos outros, dos que se lhe opunham, há muito foram esquecidos…

Fonte: Texto retirado em partes do documento “História dos Serviços Veterinários de Angola – Os primeiros anos”, da autoria de António Martins Mendes.

>

00051p0k

Vicente Ferreira, alto comissário de Angola entre 1926 e 1928, entre outras coisas, deu impulso à construção um grande Laboratório de Patologia Veterinária, consolidando a existência de duas Estações Zootécnicas, doze Delegações de Sanidade Pecuária e contando já com 15 médicos-veterinários, com menos de 40 anos de idade e mais de 5 anos de permanência na Colónia.

O Alto Comissário, António Vicente Ferreira é mais conhecido por, fascinado pelas características do meio geográfico onde se localizava a cidade do Huambo, que Norton de Matos fundara em plena savana africana, mas que se mostrava poucos anos depois já pujante de vida e em pleno desenvolvimento, transferir para ela a capital de Angola especificando porém que «…até que se realize a mudança, a sede do Governo-Geral con­tinua na cidade de Luanda…» (Ferreira, 1926). Essa transferência porém nunca se concretizou e mesmo a sua elevação a sede de distrito demorou algumas dezenas de anos, embora fosse de toda a justiça pois o Huambo constitui «…uma unidade geográfica perfeita, quaisquer que sejam os aspectos por que seja encarada: geológico, orográfico, climático, agrícola ou populacional» (Pinto, 1955). 15 RPCV (2003) 98 (545) 11-18 Mendes, A. M.

Enquanto que uns afirmam que estas figuras contribuíram positivamente para a história portuguesa no Mundo, outros dirão que contribuíram para a aculturação dos povos nativos. A única certeza é a de que se não tivessem sido os portugueses a ocupar esses território seriam outros, certamente menos tolerantes para os naturais do que nós portugueses fomos, que em vez de falarem português mais de 20 milhões de pessoas em África, falariam hoje inglês ou francês.

Coincidência, tributo ou propaganda, o certo é que os heróis portugueses em África tiveram quase todos direito a nomes de novas cidades, avenidas e praças nas antigas colónias, principalmente em Angola e Moçambique, mas muito poucos no território Europeu.

A mim parece-me que já não há heróis, ou não se cultivam heróis, poucos mereceriam ser heróis, e líderes que lideram, há muito pouco.

O Mundo mudou. Actualmente cultiva-se mais a inveja e a intriga a qualquer preço.