domingo, 12 de dezembro de 2010

Portugueses que foram presos e desapareceram em Angola

ANEXO
Ao publicar os nomes dos portugueses que foram presos e desapareceram em Angola — antes e depois do fim da soberania portuguesa -, não nego que me invade um sentimento de cerimónia fúnebre para com os que já morreram. Penso que nunca lhes foi prestada qualquer homenagem que reunisse tantos nomes. E devem faltar muitos. Eles são prova do que correu mal.
Não me lembro de, alguma vez, algum representante do Estado português me ter convidado, como familiar de um cidadão desaparecido em Angola, para qualquer evento que lamentasse estas vítimas escondidas da descolonização em Angola


.
É impossível devolver a vida a quem a perdeu. Mas é possível, pelo menos, contar o que aconteceu e, de uma vez por todas, romper o silêncio sobre o sofrimento que isso causou a tanta gente. A homenagem que lhes quero prestar é a de já não poderem ser mais ignoradas.
Eu não me esqueço. Nós, os familiares e os amigos, não nos esquecemos. Espero que a História também não esqueça.
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LEONOR FIGUEIREDO
PORTUGUESES DESAPARECIDOS364 EM ANGOLA (263)
Abel Pereira Fernandes — Data e local desconhecidos.
Abel Rodrigues de Oliveira — Data desconhecida. Em Luanda.
Abílio dos Santos — Data desconhecida. Em Conda-Vila Nova de Seles.
Acácio José Geraldo - Data desconhecida. Em Cacolo-Lunda.
Acrísio Lopes e mulher — No início de 1976. No Lobito.
Adalberto Manuel Ferreira - Data desconhecida. No Bungo.
Adelino Francisco Abreu e irmão José Augusto Abreu — Data des-conhecida. Em Vila Massano de Amorim. Caiengue-Huambo.
Aguinaldo Francisco de Oliveira - Data e local desconhecidos.
Albano Neves e Sousa — Data desconhecida. Em Luanda.
Albano Nogueira - 29 de Julho de 1975. Em Luanda.
Albertino Gil Delgado — Data desconhecida. Na Quibala.
Alberto Maia Gabriel — Data desconhecida. No Luso.
Aldemiro Joaquim de Almeida Pereira - Data desconhecida. No Lobito.
Alexandre Nunes Lagos - Data desconhecida. Em Nova Sintra.
Alfredo Gonçalves Bessa - Data desconhecida. Em Novo Redondo.
Alfredo Velho Rodrigues - Em Dezembro de 1975. Em Quicu-lungo.
Alípio Madeira Manaia — 5/4/1975. Desapareceu no percurso Luanda-Cela.
Allecenes Nogueira —Julho de 1975. Local desconhecido.
Álvaro de Matos — Data desconhecida. Em Benguela.
Amadeu Teixeira Alves — Data desconhecida. Na Gabela.
Amadeu Vieira Pereira - 27/8/1975. No Lubando. Militar do Exército.
Amândio dos Anjos Rego — Data desconhecida. No Uíge.
Amândio Lopes — Data desconhecida. Em Choa-Ebo, Quanza-Sul.
Américo Peixoto Faria — Setembro de 1975. Em Luanda.
Anselmo da Silva Monteiro - Data desconhecida. Na Canhoca.
António de Almeida Ferreira -Julho de 1975. Tinha loja de roupa no Bairro Palanca, em Luanda.
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FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
António Carvalho Teixeira — Data e local desconhecidos.
António da Cova Júnior- Data desconhecida. No Saurimo (Henrique de Carvalho).
António Fernandes Machadeiro — 1/8/1975. Local desconhecido.
António Fernando — Data e local desconhecidos.
António João de Almeida - 5/4/1975. No percurso Luanda-Cela.
António Joaquim Ribeiro Ferreira - Data desconhecida. No Huambo.
António José Pereira da Costa - Data desconhecida. Em Benguela.
António Luís Gonzaga Vaz Correia — Data e local desconhecidos.
António Marques Sequeira — Data desconhecida. Em Luanda.
António Pereira da Silva — 1975. Junto à fábrica Cuca, em Luanda.
António Pestana Gonçalves — Data e local desconhecidos. Militar do Exército.
António Pinho Gama Rosa — 15/10/1975. Em Luanda.
António Rebelo Cardoso — 1975. Junto à fábrica Nocal.
António dos Santos Pratas —Janeiro de 1976. No Cuna-Huambo.
António da Silva Duarte — Data desconhecida. No Bié.
António Simões Marques — Data desconhecida. Do Lobito.
António Vicente Coelho — Data desconhecida. Na Quibala.
Aríete Martins Baptista - Data desconhecida. No Huambo.
Arlindo Magalhães — Data desconhecida. No Lubango.
Armando Correia da Costa Baptista - 29/7/1975. Bairro Palanca, em Luanda.
Armando dos Santos Gomes — Data desconhecida. No Saurimo (Henrique de Carvalho). Funcionário da Polícia Mineira.
Arménio António Gonçalves da Silva — Data e local desconhecidos. Funcionário dos Caminhos de Ferro de Benguela.
Armindo Tuna Fernandes - Data desconhecida. No Huambo.
Armindo Augusto Esteves — Data desconhecida. Em Tchamotete--Huíla.
Armindo Monteiro dos Santos - Data e local desconhecidos. Era da Polícia Montada no Lubango, ex-Sá da Bandeira.
Artur José de Jesus Pereira — Data desconhecida. Em Luanda.
Artur Rebelo do Nascimento - Data desconhecida. Em Luanda.
Ataíde Antão - 29 de Julho de 1975. Em Luanda.
Augusto Calino Lareiras Garpejo - 12/7/1975. Em Luanda.
247
LEONOR FIGUEIREDO
Cândido Gomes da Silva Constantino — Data desconhecida. No Huambo.
Cândido Xavier Correia Coelho — Data desconhecida. Em Luanda.
Carlos Alberto da Cunha Sobreiro — Data desconhecida. Em Luanda.
Carlos Alberto Menezes Figueiredo — Data desconhecida. Em Luanda.
Carlos Alberto da Silva Serrano - 30/6/1975. Em Luanda.
Carlos Artur— 13/6/1975. Em Luanda. Funcionário da Junta Au-tónoma das Estradas.
Carlos Duarte Pimentel Marques — Data desconhecida. No Luso
Carlos Manuel Gomes Ascenso — 2/8/1975. Em Luanda.
Celeste Evangelista Correia (e cinco filhos) — Data desconhecida. Em Humpata-Lubango.
Cesário José Trigo — 31/1/1975. Local desconhecido. Militar do Exército Português.
Cipriano dos Santos - Data desconhecida. Em Luanda. Da Guarda Fiscal do Porto de Luanda.
Conceição Esperança Frederico Mendes (e filha de dois anos) — 22/9/1975. Local desconhecido.
Diamantino Augusto Cunha da Silva — Data e local desconhecidos. Funcionário do Banco Totta Standard de Angola em Nova Lisboa.
Diamantino José da Silva e esposa Maria José Martins da Silva -Data desconhecida. Em Santa Comba.
Edgar Eldino Ferreira da Costa - Data e local desconhecidos.
Elísio da Silveira Pais - Data desconhecida. Em Mariano Machado.
Emanuel da Silva - 29/8/1975. No Lubango.
Eugénio Alves Ferreira da Silva — Data desconhecida. Em Luanda.
Eugénio Carlos de Sousa Reis — Data e local desconhecidos.
Esmeralda Joana de Freitas e seis filhos — Novembro de 1975. Em Cateymero-Pereira d'Eça.
Fernando Gouveia da Silva — Em Malange.
Fernando Augusto Brás e o pai Jaime d'Assunção Brás — Data e local desconhecidos.
Fernando Correia da Silva - Data desconhecida. Em Malange.
248
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
Fernando Dias Borges de Sousa — Feito prisioneiro pelos cubanos em Setembro de 1975 no Lucala, quando combatia pela FNLA.
Fernando Duarte de Carvalho — Data desconhecida. No Huambo.
Fernando Moreira Marques - Data desconhecida. No Huambo.
Fernando Paulo Diogo — Data desconhecida. Em Luanda.
Fernando Pereira Lemos — Data e local desconhecidos.
Fernando Pereira Lopes — Data desconhecida. Em Malange. Fun-cionário do Instituto de Investigação Agronómica de Angola Gan-gassol em Malange.
Fernando Rodrigues Monteiro — Data desconhecida. Em Luanda.
Firmino Augusto Rodrigues Ferreira — Data desconhecida. No Lobito.
Francisco Gonçalves Braz das Neves - Data desconhecida. Em Luanda.
Francisco Sarmento Figueiredo — Data desconhecida. Em Novo Redondo.
Francisco da Silva Saraiva e esposa - Data desconhecida. Em Luanda. Da PSP de Angola.
Gaspar Augusto Palhares - Data e local desconhecidos.
Gabriel Amaro de Carvalho - Data e local desconhecidos. Morador no Bairanha-Cubal.
Hélder Rezende - Novembro 1975. Em Luena (ex-Luso).
Hermínio dos Santos Canavezes —Julho de 1976. Em Catete.
Horácio Alberto Pena - Data desconhecida. Em Benguela.
Inácio da Costa Neiva - Data desconhecida. Em Silva Porto-Bié.
Isaac de Magalhães Pereira - Data desconhecida. Em Aldeia Nova, Banya.
Isaac Sefarty Nóbrega — Data desconhecida. Em Quinjunji.
Jacinto Manuel Almeida da Silva - Data e local desconhecidos. Do Instituto dos Cereais de Angola no Quanza-Norte.
Jacinto Teixeira — Data desconhecida. Em Luanda.
Jaime A.F.M.A Rosário Rodrigues - Data e local desconhecidos. Director do Hospital Regional do Luso.
João Baptista Madeira — Data desconhecida. Em Bulatunba--Belém.
João António Sequeira Vieira — Data desconhecida. No Lobito.
João Cândido Figueiredo — 16/7/1975. Em Luanda. Empresário.
249
LEONOR FIGUEIREDO
João Carlos Silva Fernandes — Data desconhecida. Em Catuta--Assango, Gabela.
João Dias — Data desconhecida. Em Luanda.
João Emanuel Frazão de Carvalho Ribeiro — Janeiro de 1976. Em Viana.
João José G. Correia - Data desconhecida. No Cubai.
João Manuel Azevedo — Data desconhecida. Na Jamba. Funcionário da Companhia Mineira do Lobito.
João de Oliveira — Data desconhecida. Em Luanda.
João Pinto Geraldes —Julho de 1975. No Dundo.
João dos Reis Monteiro — Data desconhecida. No Lubango.
João Ribeiro de Carvalho —Janeiro de 1976. Em Viana.
João Teodoro Ferreira - 1975. Em Artur de Paiva.
Joaquim António Lopes Farrusco — Data desconhecida. No Lubango.
Joaquim Carvalho Pinto — Data desconhecida. Em Luanda. Fun-cionário da Câmara Municipal de Luanda.
Joaquim da Costa — Data e local desconhecidos.
Joaquim Leitão - Data desconhecida. Em Malange.
Joaquim Nunes Feliciano — Data desconhecida. Em Xamacupa.
Joaquim Quitão — Data e local desconhecidos.
Joaquim Rodrigues Pinto — Data desconhecida. Em Maquela do Zombo.
Joaquim Teixeira Pinto - Data e local desconhecidos.
Jorge Alberto Paiva Lopes — Data desconhecida. Em Luanda.
Jorge Aquiles de Carvalho Vila Nova — Data e local desconhecidos.
Jorge Araújo - Data desconhecida. Em Luanda.
Jorge Manuel Bendrau — Início de Novembro de 1975. Na estrada Nova Lisboa-Luanda.
José Adelino Sousa - Data desconhecida. Em Luanda.
José Adriano de Sousa Couto - Data desconhecida. Em Vila Nova de Seles. Professor da Escola D. Moisés Alves de Pinho.
José Cândido Maia — Data desconhecida. No Huambo-Jamba.
José Carlos Cardoso - 13/7/1975. Em N'dalatando?
José Carlos de Sousa - 15/7/1975. No Ambrizete.
José Carvalho Pereira Dias - Data desconhecida. Em Serpa Pinto.
250
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
José de Carvalho Teixeira e irmão Ramiro de Carvalho Teixeira -Data desconhecida. Em Luanda.
José da Conceição Vieira - Data desconhecida. Em Luanda.
José Damas Teles — Data desconhecida. Em Cabinda.
José Dias —Julho de 1975. Na Fazenda Maria Cacuso, em Malange.
José Filipe Magalhães Abreu de Sá Lemos — Data e local desco-nhecidos. Funcionário do Banco Pinto e Sotto Mayor em Santo António do Zaire.
José Gomes Pereira — Data desconhecida. No Monte Bela Via, Lobito.
José João da Costa — Data e local desconhecidos.
José Joaquim Gouveia Amado —Junho de 1975. Na Barragem do Calueque.
José Luís Elias — Data e local desconhecidos.
José Luís Empis Bragança - Agosto de 1975. No Caxito. Militar do exército português.
José Luís Soares — Data e local desconhecidos.
José Manuel Lourenço Marrocos — Data desconhecida. Em Luanda.
José Manuel Marcelino — Data desconhecida. Em Caloba-Dinde--Quilengues.
José Manuel Rocha Abrantes Costa - 27/5/1975. Em Luanda.
José Martins — 1975. Em Malange. Funcionário do Instituto do Algodão em Malange.
José Mendes e esposa — Data e local desconhecidos.
José Miguel Justino Teixeira de Melo — Data e local desconhecidos. Funcionário do Instituto de Investigação Agronómica de Angola.
José Miguel de Melo - 21/4/1976. Em Nova Lisboa.
José de Oliveira Pereira e esposa Carmilda de Oliveira Pereira — 2/6/1975. Na estrada Lussusso-Luanda.
José Pio — Data desconhecida. No Dongo-Huíla.
José Pires Caetano — Data desconhecida. Entre Caála e Vila Flor.
José da Rocha Elias - Maio de 1975. Em Vila Roçadas.
José dos Santos Cardoso de Nápoles - Data e local desconhecidos. Funcionário da Junta Autónoma das Estradas de Angola em Moçâmedes.
251
LEONOR FIGUEIREDO
José da Silva Guimarães — Data desconhecida. Em Luanda.
José Taborda da Silva, esposa e dois filhos — Data desconhecida. Em Malange.
Justino António Quintino - Data desconhecida. No Huambo.
Lauriano dos Santos - Data e local desconhecidos.
Lino Rodrigues Freituoso — Data desconhecida. No Andulo.
Lucinda Jesus — Data e local desconhecidos.
Lucinda Soares Mendes — Data e local desconhecidos.
Luís Augusto Teixeira Baptista - 1976. No Lobito.
Luís Barbosa — Data desconhecida. Em Luanda.
Luís dos Santos Gonçalves — Data desconhecida. Em Luanda.
Manuel Alves e esposa -Junho de 1975. No Uíge.
Manuel Alves Vieira - Data desconhecida. Em Luanda.
Manuel António dos Santos — Data e local desconhecidos.
Manuel Bispo Jerónimo — Novembro de 1975. No Colonato da Cela.
Manuel da Cruz Guiomar de Matos - Data e local desconhecidos.
Manuel Dias - Data desconhecida. Em Luanda.
Manuel Domingos Farinha — Data desconhecida. Na Quibala.
Manuel Fernando Patrício Ferreira - Setembro de 1975. Em Luanda. Militar do Exército.
Manuel Fidalgo Mercês - Data e local desconhecidos.
Manuel Francisco Branha Castilho Dias — Data desconhecida. Em Luanda.
Manuel Gomes de Melo — Data desconhecida. Em Benguela.
Manuel Gonçalves Domingues - Agosto de 1975. Em Luanda.
Manuel Henriques de Loureiro e Silva - Data desconhecida. No Calulo.
Manuel José Bonezes - Data desconhecida. No Lobito.
Manuel José Lino — 15/3/1976. No Cuangar.
Manuel Maria Rosa e esposa Maria Stella dos Santos Caldeira Rosa - Data desconhecida. Em Benguela.
Manuel do Nascimento - Data desconhecida. Em Luanda.
Manuel Nunes Martins - Data desconhecida. No Uíge.
Manuel Pereira da Costa - Data desconhecida. Em Maquela do Zombo.
Manuel Ribeiro Torres - Data desconhecida. Em Luanda.
252
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
Marcelina Soares Romão — Data desconhecida. Em Caála-Catata.
Maria Amélia Mira Peta - Data desconhecida. Em Luanda.
Maria dos Anjos Antunes Mendes Telmo — Data desconhecida. No Caculo-Quilengues, Lubango.
Maria Celeste Sefarty — Data desconhecida. No Lubango.
Maria Elisa Bubesses e dois filhos — Data e local desconhecidos.
Maria Elvira da Silva Amaral - Data e local desconhecidos.
Maria Fernanda Matos Sá Pereira Ramalho -Julho de 1975. Em Luanda. Médica na Maternidade de Luanda.
Maria Jesus Carvalho e quatro filhos — Data e local desconhecidos.
Maria Odete Aparício Pinheiro - Data e local desconhecidos. Fun-cionária do Ministério das Finanças da República Popular de Angola.
Mariana Galvão Rocha e a filha Elsa Maria Galvão Rocha - Data e local desconhecidos.
Mário Craveiro Campos - Data desconhecida. Em Luanda.
Mário Fernandes dos Santos — Data desconhecida. No Bonco--Uíge.
Mário Mesquita — Data desconhecida. Em Luanda.
Martins dos Santos - 7/8/1975. Local desconhecido.
Mateus Neto Ribeiro, esposa e filho — Data e local desconhecidos.
Matias (Martins?) dos Santos - 7/8/1975. Em Luanda.
Modesto Serpa Pagarim — Data desconhecida. Em Luanda.
Narcisa Gonçalves da Cunha e filha — Data e local desconhecidos.
Nelson dos Santos Silva - Data e local desconhecidos.
Norberto Cláudio Fernandes dos Reis — Data e local desconhecidos. Militar do Exército Português.
Nuno José Gabriel e esposa Maria Isabel Pinto Osório Gabriel -Data desconhecida. No Uíge-Carmona.
Paulino Rodrigues da Cunha — Data desconhecida. No Huambo.
Pedro Ferreira Cavacante Filho - Data desconhecida. Em Luanda. Funcionário da Direcção dos Serviços de Economia.
Reinaldo Artur da Silva Soares — Data desconhecida. Em Malange.
Salete Gomes Correia, Teresa Gomes Correia, João Carlos Gomes Correia, Rosa Maria Gomes Correia, José Rodrigues Correia, Idalina Gomes Correia e Alcindo Correia — Data e local desconhecidos.
Sandra Margarida Vila Nova Freitas Gomes - Data desconhecida. Em Benguela.
253
LEONOR FIGUEIREDO
Sebastião Teixeira e esposa Beatriz Teixeira - Data e local des-conhecidos.
Serafim Pedroso da Silveira — Data desconhecida. No Dondo--Cambambe.
Severino dos Santos - Data desconhecida. No Lobito.
Silvestre Moreira Teixeira Santos — Data e local desconhecidos.
Sotero José Sancho Cabrita - Data desconhecida. Em Luanda.
Sebastião de Carvalho Correia Dourado — Data desconhecida. Em Luanda.
Tibúrcio Pires de Andrade — Data desconhecida. Em Luanda.
Tito Carlos Vieira —Data e local desconhecidos.
Virgílio Almeida Mateus - Data desconhecida. Em Luanda.
Valdemar Rodrigues - Data desconhecida. Em Vila Nova? Qui-bala?
PORTUGUESES RAPTADOS E PRESOS PELO MPLA365 ANTES DA INDEPENDÊNCIA (30)
Abel Dias - Data de prisão desconhecida. Estava desaparecido desde 29/7/1975.
Adelino Tavares da Silva - Data de prisão desconhecida. Libertado antes de Janeiro de 1976.
Alfredo Ferreira de Oliveira - Preso em Setembro 1975. Expulso 27/9/1977.
Amílcar José Barreira - Preso em Maio de 1975. Expulso 9/9/1977.
António Jorge Cardoso Monteiro — Preso a 3/9/1975. Expulso 15/6/1978. Era subchefe dos Bombeiros Voluntários de Luanda.
Carlos Monteiro S. R. Las Heras - Raptado a 18/8/1975. Expulso a 5/6/1978.
Fernando Dias Borges de Sousa — Preso em Setembro de 1975. Nunca mais apareceu.
Fernando M. C. Lamas de Oliveira — Raptado a 26/8/1975. Expulso em Agosto de 1977. Especialista em análise e programação informática.
Franciso José Brito Quintino — Preso a 7/9/1975.
254
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
Joaquim Francisco Serra Crastes — Preso a 9/11/1975.
Joaquim Gomes de Oliveira - Preso a 11/1975.
Joaquim Luís Teixeira Pereira - Preso a 15/9/1975.
Joaquim Manuel dos Anjos Brígida - Data de prisão desconhecida. Expulso em Janeiro de 1978.
Joaquim Serra - Preso a 11/11/1975.
Jorge Monteiro - Data de prisão desconhecida.
José Evangelista dos Santos Remédios - Preso a 9/11/1975.
José Ferreira Gil - Preso a 3/9/75. Expulso em 29/9/1977. Era dos Bombeiros Voluntários de Luanda.
José Joaquim Damião Judas — Data de prisão desconhecida. Expulso em Janeiro de 1976.
José Paulo Cardoso Seara — Preso em Agosto de 1975. Expulso em Agosto de 1977.
José Pena Monteiro - Preso a 12/10/1975. Expulso a 3/8/1977. Proprietário da fábrica «Mestre Especiarias».
Luís Guerreiro Pereira — Preso em Julho de 1975. Expulso a 5/10/1977.
Manuel Augusto Telles Grilo - Preso antes da independência e a 25/2/1976. Era tenente-coronel de Infantaria na reserva. Libertado em Maio de 1982.
Manuel Nicolau da Silva Perdigão — Preso em Outubro de 1975. Estava desaparecido.
Mário Caninhas Valadas - Preso a 22/7/1975. Estava desaparecido. Técnico de ar condicionado.
Mário Manuel da Rocha Baptista - Preso em Setembro de 1975. Expulso a 15/6/1978.
Mário Rui Monteiro da Silva — Preso em Agosto de 1975. Expulso a 9/8/1977. Era ship-chandler.
Maximiano Alves Fernandes — Preso em Setembro de 1975. Tenente do Exército.
Nelson Manuel Pinto Simões de Lima - Preso em Outubro de 1975. Expulso a 28/9/1977.
.. .dos Santos — Preso a 7/8/1975. Era dono de um supermercado que abastecia todos os movimentos. Estava desaparecido.
Sílvio Manuel Abrantes Garrido — Preso em Setembro de 1975. Ex-pulso a 9/8/1977. Era chefe dos Bombeiros Voluntários de Luanda.
255
LEONOR FIGUEIREDO
PORTUGUESES PRESOS DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA366
Data de prisão desconhecida (115)
Abrão Lincoln Pereira Mendes — Expulso em Julho de 1978.
Agostinho Alberto Varandas - Expulso em Abril de 1978.
Agostinho José Alexandre — Expulso em Maio de 1977.
Agostinho Paulo Pereira — Expulso em Agosto de 1977.
Alcino Ferreira da Costa e Sá
Alfredo Oliveira e Silva — Expulso em Junho 1978.
Alice — Professora.
Amadeu Ribeiro Soares - Expulso em Setembro de 1977.
Américo José de Oliveira Valinho — Expulso em Agosto de 1977.
Amílcar do Nascimento Pereira - Expulso em Agosto de 1977.
Ana Cristina Gouveia Gonçalves — Expulsa em Julho de 1978.
António das Dores Seixas
António Eduardo da Silva Frazão e Maria Judith Cortes Laço -Expulsos em Maio de 1978.
António Fernando Ferreira Vivas — Expulso em Julho de 1978.
António Fernando Ferreira das Neves - Expulso em Setembro de 1978.
António Ferreira de Sousa — Expulso em Agosto de 1977.
António Francisco da Costa Vaz — Expulso em Setembro de 1977.
António de Jesus Leitão - Expulso em Abril de 1978.
António Mendes Jorge Rodrigues
António Praça
António da Silva Malheiro
Arlindo Mendes Brazão - Expulso em Setembro de 1977.
Armando Carlos de Barcelos Rodrigues de Andrade
Armando Manuel de Jesus da Silva - Expulso em Abril de 1978.
.. .Baltazar - Libertado em 1977.
Belo Eron Filomeno Mesquita - Expulso em Agosto de 1977.
Camilo Porfírio Mendes Pinto - Expulso em Agosto de 1977.
Carlos Eduardo Heitor Carmo — Expulso em Agosto de 1978.
Carlos Fernando Seabra Gonçalves - Expulso em Setembro de 1978.
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
Carlos Manuel de Jesus Teixeira - Libertado em Julho 1978.
Dálio Lopes Leite - Expulso em Agosto de 1977.
Daniel Gomes Borges
Defensor de Jesus Dias - Expulso em Setembro de 1977.
Eduardo de Jesus Pinho - Libertado em Agosto de 1978.
Eugénio Teixeira Furtado
Eurico da Silva Gomes
Fernando Alves Baganha
Fernando Bettencourt Reis - Secretário das Finanças.
Fernando Carapinha — De Benguela.
Fernando Furtado Âmbar - Expulso em Maio de 1978.
Fernando Mesquita------Expulso.
Fernando Silva Araújo — Libertado em Fevereiro de 1977.
Francisco Assunção Marvalheiro — Expulso em Janeiro de 1978.
Francisco Pinheiro Ramos - Expulso em Setembro de 1978
Francisco Prazeres Pinto — Expulso em Maio de 1977.
Francisco Rodrigues Correia — Expulso em Agosto de 1977.
Gil do Pranto Morgado — Corredor de automóveis.
Gilberto Almeida Ribeiro
Gonçalves Vidal - Libertado em 1977.
Guilhermina Flora de Carvalho Araújo — Expulsa em 1978.
Henrique Jorge Pedreira da Silva e Ana Cristina Costa Pedreira da Silva — Expulsos em Agosto de 1978.
Humberto Alves Moniz
Humberto Fernando Sérgio Baptista da Costa - Expulso em Setembro de 1977. Funcionário da companhia de seguros «A Nacional de Angola». Mais tarde o governo de Angola reconhece que foi expulso indevidamente.
Ilídio Augusto da Silva
Isaura de Jesus Silva — Libertada em Julho de 1978.
.. Jardim — Terá falecido de maus tratos em 1976.
J. Almeida Tomé
João Esteves Ferreira de Araújo - Expulso em Agosto de 1977.
João Luís Gomes de Aguiar — Expulso em 1978.
João Manuel dos Santos - Expulso em Janeiro de 1978.
Joaquim Carmo — Expulso em Maio de 1978.
Joaquim José Marques da Silva
257
LEONOR FIGUEIREDO
Joaquim José Santos — Expulso Setembro 1978. Joaquim Oliveira Pereira Joaquim Teixeira Pereira - Expulso. Joaquina... — Libertada em Março 1977. Jorge Monteiro Fernandes - Expulso em Novembro 1977. José António de Jesus Teixeira - Libertado em Julho de 1978. José Carlos de Jesus
José Carrasco — Expulso em Maio de 1977. José Castelo
José da Costa Carneiro — Expulso em Dezembro de 1977. José Germano Gouveia Rodrigues
José Fernando Moreira Brito - Expulso em Agosto 1978. José Maria Magalhães Barbosa José Ferreira Pedro - Libertado em Julho de 1978. José Luís Teixeira
José Manuel da Costa Marques - Expulso em Outubro de 1977. José Manuel da Cunha Teixeira - Expulso em Agosto de 1977. José Manuel Teixeira Bastos - Libertado em 1978. José de Sousa Canto - Expulso em 1978. José Sousa Pereira — Expulso em Agosto de 1978. Júlio Vidal - Professor?
Luciano Frederico Santos Álvares — Libertado em Março de 1977. Luís Ferreira Esteves - Expulso em Agosto de 1978. Luís Filipe da Silva Santos - Libertado em 1978(?). .. .Malta - Funcionário da Diamang Manuel Gil (Nelo)
Manuel Alonso de Carvalho — Expulso em Agosto de 1978. Manuel Baptista e Sousa - Libertado em 1979 Manuel Caetano Ferreira — Expulso em Agosto de 1977. Manuel Guerreiro - Libertado em Março de 1977. Manuel Marques Fernandes - Expulso em Abril de 1978. Manuel Magalhães Linares — Terá sido morto no campo de reeducação da Sapu. Estava desaparecido.
Manuel Pinto Botelho — Expulso em Agosto de 1977. Manuel Vaz Afonso - Expulso em Junho de 1978. Manuel Ventura Teixeira Pinto — Expulso em Agosto de 1977. ...Marcos — Libertado em Setembro de 1977.
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FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
Maria Alcina Pires Andrade Saraiva — Expulsa em Dezembro de 1977.
Maria Luisa Corrreia Duarte - Expulsa em Dezembro de 1977.
Maria Susana César Gaspar de Almeida - Expulsa em 1978.
Mário dos Anjos Ramos — Expulsa em Agosto de 1977.
Mário Rodrigues da Graça - Expulso em Maio de 1978.
.. .Mateus - Expulso em Maio de 1977.
Padre João Crisóstomo
Padre Crisestero - Libertado em Março de 1977.
Padre Gouveia — Libertado em Março de 1977.
Pedro Álvares Reigadas - Expulso em Setembro de 1977. Funcionário da Companhia de Seguros «A. Nacional de Angola». Governo angolano reconheceu que a sua expulsão foi indevida.
Pedro Emílio da Silva e Costa - Expulso em Setembro de 1977.
Ricardo Hermínio Silva Fonseca — Expulso em Agosto de 1977. Locutor.
Rui Fonseca Torres
Sandra Cristina Jesus (Pinho?) — Libertada em Julho de 1978.
Wilson — Do Saurimo (Henrique de Carvalho).
Vicente Manuel da Silva Tavares - Expulso em Setembro de 1977.
.. .Xavier — Ex-administrador de posto.
Presos entre 1975 e 1976 (8)
Alfredo D. Júnior — Preso pós-independência, expulso em Julho de 1977. Foi responsável da Emissora Oficial de Angola.
António Oliveira — Preso em 1975, pelo menos até 1980.
António Vieitas - Preso em Dezembro de 1975.
Eduardo Rebelo da Silva - Preso em Dezembro de 1975 e expulso em Abril de 1978.
Jaime Augusto Castelo - Preso em Novembro de 1975 e libertado em Março de 1976.
João Alberto Xisto Mendes da Fonseca
Jorge Nascimento Oliveira Cruzeiro - Preso em 14 de Novembro de 1975.
Maria Salomé Santos Fénix Vizeu
259
LEONOR FIGUEIREDO
Presos em 1976 (81)
Adelino Alves Durães e Maria Sebastiana Valadas Durães — Presos em Junho de 1976 e expulsos em 1977.
Agostinho Herculano - Preso em Outubro de 1976.
Alberto Mendes Branco - Preso em Novembro de 1976, libertado em Março de 1978.
Alberto Pacheco — Preso em Novembro de 1976 e libertado em Março de 1978. Geólogo, foi presidente da comissão directiva de Geologia e Minas de Angola.
Alípio Neves dos Santos - Preso em Novembro de 1976, libertado em Junho de 1977.
Amável Mendes Simões — Preso no primeiro trimestre de 1976.
Américo Ataliba Santos do Nascimento - Preso em Março de 1976.
Américo Augusto Doreta - Preso em Novembro de 1976, e libertado em Março de 1977.
António Augusto Martins Pamplona — Preso em Outubro de 1976.
António Augusto Teixeira Espírito Santo — Preso em Fevereiro de 1976, e expulso em Junho de 1978.
António (?) Freitas Varela - Preso em Novembro de 1976.
António Gil - Preso em Outubro de 1976, e libertado em Março de 1978.
António José de Lemos Cravo — Preso em Novembro de 1976, expulso em Agosto de 1977. Inspector dos Caminhos de Ferro de Benguela.
António Lima - Preso em Novembro de 1976. Padre da missão católica.
António Maria de Vilas Boas Potes — Preso em Novembro de 1976 e expulso em Agosto de 1977. Engenheiro dos Caminhos de Ferro de Benguela.
António Meireles - Preso em Março de 1976.
António Palminha Marques - Preso em Junho de 1976. Motorista de táxi no Lobito.
António Pinheiro Silva Vasconcelos — Preso em Fevereiro de 1976 e expulso em Agosto de 1978.
António Pinto Babo — Preso em Abril de 1976. Piloto aviador dos Caminhos de Ferro de Benguela.
260
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
António Pinto da Fonseca - Preso em Outubro de 1976 e expulso em Maio de 1977. Advogado.
António Pinto Nunes — Preso em Novembro de 1976. Reformado da PSP de Angola.
António da Silva Bernardo - Preso em Setembro de 1976 e libertado em 1977.
Arlindo Joaquim Magalhães Pereira - Preso em Novembro de 1976 e libertado em Maio de 1977.
Avelino Carvalho Campos — Preso em Setembro de 1976. Fun-cionário da Taag.
Bernardo da Nai Sardo — Preso em Outubro de 1976 e libertado em Março de 1978.
Carlos Miguel Maia de Castro Sá — Preso em Junho de 1976.
Carlos Teixeira - Preso em Outubro de 1976 e libertado em Dezembro de 1976.
Celestino de Oliveira Santos - Preso em Maio de 1976.
Cesário Mendes Simões — Preso no primeiro trimestre de 1976.
Eduardo Duarte Bastos — Preso em Novembro de 1976.
Félix Marques — Preso em Novembro de 1976.
Fernando Espírito Santo — Preso em Fevereiro de 1976.
Fernando Ribeiro Esperança — Preso em Junho de 1976. Fugiu para Portugal em Dezembro de 1977.
Fernando Ribeiro das Neves Soares — Preso em Janeiro de 1976, e libertado em Junho de 1977.
Fernando da Silva Farinha — Preso em Fevereiro de 1976 e expulso em Julho de 1977.
Fernando Teixeira Morais — Preso em Fevereiro de 1976. Foi agri-cultor na baixa do Cassange.
Gabriel Ramos David Coelho - Preso em Dezembro de 1976, expulso em Março de 1977.
Gil Pereira Gonçalves - Preso em Setembro de 1976. Engenheiro da Casa Americana.
Guilherme D. H. Loureiro - Preso em Agosto de 1976, libertado no início de 1977.
Hélder Amado Pinto da Cruz — Preso em Novembro de 1976.
Hernâni Sequeira - Preso em Setembro de 1976 e libertado em Março de 1978.
261
LEONOR FIGUEIREDO
Humberto Gonçalves - Preso em Março de 1976.
Idalécio Bexigas Viegas — Preso em Dezembro de 1976.
Ilídio Heitor Rosado - Preso em Julho de 1976 e expulso em Setembro de 1977.
João António Fernandes — Preso em Novembro de 1976 e libertado em Março de 1977.
João da Cruz — Preso em Agosto de 1976 e libertado em Março de 1978.
João Manuel de Almeida Fernandes - Preso em Dezembro de 1976 e expulso em Setembro de 1977.
João Marques - Preso em 1976.
João de Sousa Cordeiro - Preso em Novembro de 1976 e libertado em Junho de 1977.
Joaquim Cabrita Clemente - Preso em Setembro de 1976. Dono de uma farmácia no Huambo, Nova Lisboa.
Joaquim da Cunha Velho Sotto Mayor — Preso em Dezembro de 1976, e libertado em Março de 1978.
Joaquim Martins Carreira — Preso em Novembro de 1976.
Jorge Almeida Salles - Preso em Junho de 1976.
José Adelino Ferreira Marques — Preso em Novembro de 1976 e libertado em Março de 1978.
José Augusto Rosado dos Santos - Preso em Novembro de 1976, expulso em Agosto de 1977.
José Eduardo Moreira de Sá Correia — Preso em Agosto de 1976, libertado em Março de 1977.
José Fernandes Ferreira — Preso em Março de 1976 e expulso em Agosto de 1977.
José Joaquim da Silva e Sousa - Preso em Abril de 1976.
José Luís dos Santos — Preso em Novembro de 1976 e expulso em Agosto de 1977.
José Manuel Espírito Santo Rodrigues Almeida - Preso em Novembro de 1976.
José Manuel Rodrigues Pitoco — Preso em Novembro de 1976 e libertado em Junho de 1977. Administrador da Companhia de Açúcar de Angola.
José Maria Chaves da Fonseca — Preso em Maio de 1976. Comer-ciante e fazendeiro.
262
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
José Pais Nogueira dos Reis - Preso em Agosto de 1976 e libertado em Março de 1977. Camionista.
José Ribeiro da Fonseca - Preso em Abril de 1976.
Manuel Cavaco - Preso em 1976.
Manuel Custódio Tavares da Silva - Preso em Julho de 1976. Tra-balhava no Café Arcádia em Luanda.
Manuel Jacinto Canha (60 anos) e esposa Amélia Prazeres Canha (66 anos) — Presos em Outubro de 1976, e expulsos um mês depois.
Manuel Nogueira — Preso em Dezembro de 1976.
Manuel Serafim Alves - Preso em Outubro de 1976, e expulso em Maio de 1977.
Manuel Simões — Preso em Setembro de 1976 e expulso em Agosto de 1977.
Mário de Matos Gonçalves - Preso em Março de 1976.
Paulo José Vieira da Rocha Simões — Preso em Agosto de 1976. Era funcionário público da Geominas.
Rodrigo de Castro Simões da Silva — Preso em Novembro de 1976.
Rogério Henrique Manjua Diogo — Preso em Novembro de 1976. Libertado em Maio de 1982. Advogado.
...Santos — Preso em Janeiro de 1976.
...Soares - Preso em Março de 1976. Gerente do Hotel Negage.
...Teixeira — Preso em Janeiro de 1976.
Virgílio Lourenço da Silva — Preso em Abril de 1976, libertado em 1982.
Vasco Pereira — Engenheiro técnico agrário.
Presos em 1977 (52)
Adelino Rodrigues Rica — Preso e expulso em 1977.
Aires dos Santos - Preso em Fevereiro de 1977, expulso em Agosto.
.. .Almeida — Preso no início de 1977.
Amaro dos Santos — Preso em Abril de 1977, expulso em Julho.
Américo Cardoso Botelho — Preso em Fevereiro de 1977 e expulso em finais de 1980. Autor do livro Holocausto em Angola.
Amílcar Frazão Deb. Bragança M. Lopes — Preso em Dezembro de 1977 e expulso em Abril de 1978.
263
LEONOR FIGUEIREDO
Ângelo Pinto das Neves Júnior e Maria Fernanda Almeida Santos Manjua — Presos em Janeiro de 1977 e expulsos em Agosto.
Aníbal de Morais Castro — Preso em Janeiro de 1977 e libertado em Março de 1978.
Antonino Rodrigues
António José CL. de Oliveira — Preso em Fevereiro de 1977 e expulso em Agosto.
António José da Costa e Silva - Preso em Dezembro de 1977.
Avelino Pichei Marques — Preso em Novembro de 1977 e expulso em Abril de 1978.
Carlos João de Sá Varão - Preso em Março de 1977, e expulso em Maio.
Emídio Dias Fernandes — Preso em Janeiro de 1977.
Fernanda Pinto Gonçalves Gomes - Presa em Março de 1977.
Fernando Antunes da Graça — Preso em Março de 1977.
Francisco Silva Araújo - Preso antes de Fevereiro de 1977.
Gilberto Alberto Almeida Romeira — Preso em Março de 1977. Funcionário da Diamang.
Gustavo Rui Martins da Fonseca — Preso em Março de 1977.
Hélder José Caetano Verças - Preso em Março de 1977.
Herculano António da Cruz Cunha
Ilídio Pereira de Magalhães — Preso no início de 1977 e expulso em Agosto de 1977. Ourives.
Isaías dos Anjos Machado — Preso em Janeiro de 1977 e expulso em Agosto de 1977.
Jacob Xavier - Preso no início de 1977.
Jaime Cabrita Carneiro — Preso e expulso em 1977.
João Boinho — Preso no início de 1977. Pescador no Lobito.
João Eduardo Silva Carvalho - Preso em Dezembro de 1977 e expulso em Dezembro de 1979.
João Félix Lima — Preso em Novembro de 1977 e expulso em Abril de 1978.
Joaquim «Careca» — Preso em Janeiro de 1977.
Joaquim Ramalho da Costa — Preso no início de 1977.
Jorge Carlos Niblet dos Passos — Preso em Março de 1977. Ad-ministrador de empresa pública.
264
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
José Albertino Figueira de Morais — Preso no início de 1977.
José Francisco Gestosa — Preso em Janeiro de 1977.
José Joaquim — Preso em Abril de 1977 e expulso em Agosto de 1977.
José Manuel da Conceição Santos Martins — Preso em Março de 1977 e expulso em Agosto de 1977.
José Ramos Ambrósio - Preso em Maio de 1977 e expulso em Agosto de 1977.
José dos Santos Nogueira — Preso em Novembro de 1977 e expulso em Abril de 1978.
Luís Pedro do Carmo de Sottomayor — Preso em Dezembro de 1977.
Manuel de Almeida Lemos — Preso em Março de 1977.
Manuel Fernando Nunes Fortunato — Preso em Janeiro de 1977 e expulso em Julho de 1977.
Manuel Nunes - Preso em Janeiro de 1977. Camionista.
Manuel Pinheiro - Preso em Fevereiro de 1977.
Manuel de Oliveira Reste
Mário dos Reis Enes - Preso no início de 1977.
Nunes Maria — Preso em Março de 1977.
Padre José Alves - Preso no início de 1977.
Raul Fausto Vitorino Rodrigues — Preso em Janeiro de 1977, expulso em Julho de 1977. Engenheiro.
Sotero Lopes Grifo — Preso no início de 1977.
...Vasconcelos — Preso em Janeiro de 1977 e libertado em Março de 1977.
Vitor Félix - Preso em Março de 1977.
Vitor Silva — Preso em Março de 1977.
Presos entre 1976 e 1978 (32)
Acácio Augusto Lima Alves — Libertado em Janeiro de 1978. Adeodato Rui Barreto Álvaro Barbosa Amabílio Gouveia da Silva Amândio Manuel Barceló Carreiras
265
LEONOR FIGUEIREDO
António Alberto da Costa
António Dias da Silva
António Gomes Rodrigues - Libertado em Agosto de 1978. Da família proprietária dos Armazéns do Minho.
António José Ferreira Chaves
António João Pires
António Luís da Conceição Nunes
António Vital da Silva
Armindo da Silva - Esteve no campo de São Nicolau e aí adoeceu por falta de assistência médica, tendo sido evacuado para Luanda, onde faleceu.
Carlos Alberto Rodrigues
Constantino Ferreira de Oliveira — Militar da Força Aérea?
Fernando Nunes Maria
Fernando de Sousa Correia
Francisco Ricardo Borges
João António Isidoro Cavaco Alfarrobinha
Jorge Manuel de Matos Francisco
José Fernando Castro Pinho
José Ferreira Pinto Reis
José Maria Ernesto de Carvalho Rego
José Pereira Magalhães
Manuel António Ferreira
Manuel Antunes
Manuel Moreira Garcês — Técnico da Diamang.
Manuel Joaquim Campos Duarte — Funcionário da Diamang
Manuel Pires da Mota
Rogério Augusto Soares
Teixeira de Sousa
Telmo António Suceno Perfeito - Expulso em Abril de 1978. Estava desaparecido.
Presos em 1978 (50)
Alberto Martins Rodrigues Marcos - Preso em Agosto de 1978. Dono de uma fazenda.
266
FICHEIROS SECRETOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA
...Alves Ferreira - Preso e libertado em 1978.
António Barata dos Santos - Preso em Julho de 1978.
António Campos - Preso de Fevereiro a Agosto de 1978.
António José Matos Nogueira Garcia — Preso em Fevereiro de 1978.
António José Gaveia — Preso em Julho de 1978.
António Pinho Ferreira - Preso em Março de 1978.
Carlos Manuel Baptista de Sousa - Preso em Março de 1978 e re-patriado em Dezembro de 1979.
Diamantino Adalfredo Costa - Preso em Março de 1978.
Eduardo de Araújo Pereira — Preso em Junho de 1978 e expulso em Setembro de 1978.
Eduardo Empis - Preso em Julho de 1978.
Eduardo Manuel de Moura Portugal Primo — Preso em Fevereiro de 1978 no Lubango.
Eduardo Santos A. R. — Preso em Março de 1976 e em Janeiro de 1978.
Eleutério da Câmara — Preso em Julho de 1978.
Eugénio Teixeira de Sousa — Preso em Julho de 1978.
Fernando José de Alpoim — Preso entre Junho e Agosto de 1978.
Fernando Walter Afonso - Preso em Março de 1978. Saurimo (Henrique de Carvalho).
Francisco Manuel Ricardo Filipe - Preso em Junho de 1978, em Moçâmedes.
Francisco Simões Cardoso - Preso em Abril de 1978.
Frederico Guilherme de Magalhães — Preso entre Janeiro e Abril de 1978.
Gabriel de Jesus Rodrigues de Carvalho — Preso em Março de 1976 e expulso em Janeiro de 1978.
Gustavo Francisco Eloy Gomes Cruz — Preso em Abril de 1978.
Irineu Pinheiro Pereira de Almeida — Preso em Março de 1978.
Ivo de Almeida Barata - Preso em Junho de 1978.
João Albino Pires - Preso em Abril e expulso em Setembro de 1978.
João Baptista Cordeiro Pastor — Preso em Março de 1978.
João Baptista Moutinho - Preso em Março de 1978.
João Gonçalves - Preso em Março de 1978.
267
LEONOR FIGUEIREDO
Joaquim da Costa Ruivinho - Preso em Maio de 1978.
Jorge Manuel Pires Ferreira — Preso em Abril de 1978.
Jorge Marques da Cunha — Preso em Maio de 1978.
Jorge Marques dos Santos — Preso em Janeiro de 1978.
José Antunes Fernandes — Preso em Março e expulso em Setembro de 1978.
José Carlos Soares da Fonseca — Preso em Abril e expulso em Agosto de 1978. Industrial de pesca.
José Inácio Inês Torres — Preso em Abril de 1978. Camionista.
José Manuel Adão L. Serra — Preso em Junho e expulso em Agosto de 1978.
José Marques Cesário — Preso em Abril e expulso em Maio de 1978. Industrial.
Luís Francisco Oliveira Lopes - Preso em Julho de 1978.
Luís «Pescador» - Preso em Julho de 1978.
Luís Rodrigues Alves - Preso em Junho de 1978.
Maria Fernanda Mendes Pires — Libertada em Julho de 1978.
Manuel Francisco de Oliveira e mulher — Presos em Fevereiro de 1978, no Lubango.
Manuel Pereira Mabaia — Preso em Abril de 1978 em Cabinda. Comerciante.
Maria da Graça Ferreira de Araújo — Presa em Março de 1978.
Pedro José Ferreira Pereira - Preso em Março e expulso em Julho de 1978.
.. .Seixas - Preso em Abril de 1978 em Cabinda.
Silvino Augusto Pires Lourenço — Preso em Fevereiro e expulso em Abril de 1978.
Valdemar do Nascimento Reicha Parreira — Preso em Janeiro de 1978.
Vitor Manuel dos Santos Soares - Preso em Junho de 1978.
FIM
268

http://macua.blogs.com/files/anexo.pdf

Entrevista a Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre descolonização de Angola

Entrevista inédita de Mario Soares -1974
O então Ministro dos Negócios Estrangeiros português Mário Soares sobre a descolonização em África 
 
 
SP – Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica. 
 
MS – Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar. 
 
SP – Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais – como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo. 
 
MS – Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados.
Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa. 
 
SP – Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?  
 
MS – Bem, se quisermos fazer a paz – e nós queremos sem demora a paz – temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo. 
 
SP – E com quem pode o Sr. negociar em Angola onde existem vários movimentos rivais? 
 
MS – Em Angola há dois movimentos de libertação reconhecidos pela OUA – o MPLA e a FNLA. Assim temos de negociar com ambos. Para avaliar qual dos dois é o mais representativo do povo é um problema que os Angolanos e as coligações que no futuro formarão governo terão de resolver mais tarde. 
 
SP – Acredita que esses movimentos e em particular os ainda discutíveis têm suficiente autoridade de impor a solução que vai ser negociada? 
 
MS – Esperamos que sim. Mas o processo de descolonização em Portugal, no formato, não deverá decorrer de modo muito deferente do da Inglaterra e França. 
 
SP – Na Argélia havia um movimento de libertação muito forte, como no Kénia e sem dúvida também na Guiné-Bissau e Moçambique. Mas e em Angola? 
 
MS – Sim, na verdade em Angola a situação é difícil devido às divisões dentro dos movimentos. E nós não podemos alterar aí quase nada. Estamos prontos a falar com cada uma das facções e, dentro das nossas possibilidades, procurar que se unam. Mas não temos muitas ilusões, as nossas possibilidades de intervir aqui são muito limitadas. 
 
SP – Se o processo de descolonização português correr como o inglês ou o francês, na sua opinião qual será a tendência a seguir - como no Kénia que seguiu a via capitalista, ou como a Zâmbia que tenta uma espécie de socialismo africano? 
 
MS – Eu julgo que é sempre perigosa a transposição de modelos estranhos. Mas, de momento, parece-me que a evolução em Moçambique será semelhante à da Zâmbia. Noutras regiões poderá haver outras soluções. Quando falei da semelhança do nosso processo de descolonização com o inglês ou o francês, pensei mais nas linhas gerais – que nós, como potência colonial, como os ingleses e os franceses, devíamos negociar com os movimentos fortes a operar nas colónias. 
 
SP – E o que virá depois das negociações? 
 
MS – Parece-nos importante que as populações sejam consultadas e que, depois do domínio português, não lhes seja imposto outro domínio que poderá não ter a maioria. Gostaríamos que a liberdade da população fosse garantida e assegurada. Mas temos nós, como antiga potência colonial, autoridade bastante para discutir isso? A nós parece-nos isso muito problemático. Por outro lado, o PAIGC e a Frelimo são movimentos de libertação que em anos de luta renhida pela independência ganharam indiscutível autoridade. Eles têm chefes muito qualificados e conscientes das responsabilidades. Com quem mais, a não ser com eles, deveremos negociar?
 
SP – Sente-se o novo governo português também responsável por aqueles milhares de africanos que, por motivos diversos, colaboraram com o anterior regime?  
 
MS – Certamente que nos sentimos responsáveis por essa parte da população e sobre o seu destino já se falou por diversas vezes nas conversações. No caso concreto da Guiné, onde o processo está mais avançado, tencionamos, por exemplo, repatriar para Portugal os ex-combatentes africanos que o queiram por não se conseguirem integrar na nova República independente. 
 
SP – Quantas pessoas são essas? 
 
MS – Sabemos de cerca de 30 antigos comandos que aos olhos do PAIGC representam um certo perigo. Para estas pessoas temos de encontrar uma solução qualquer – talvez integrá-los nas forças armadas portuguesas ou coisa semelhante. 

SP – Acredita que do lado dos movimentos de libertação exista a boa vontade de não exercer represálias contra os colaboradores africanos do antigo regime? 
 
MS – Sim, isso foi-me espontaneamente assegurado, mesmo antes de nós termos levantado o problema. Também nos deram certas garantias, os movimentos de libertação não são racistas. Eles estão conscientes dos imensos problemas que terão de enfrentar e não querem comprometer já a sua vida política com crueldades e actos de vingança. 
 
SP – No entanto, a “Voz da Frelimo” emissora do movimento para Moçambique tem, nas passadas semanas, por diversas vezes apelado aos soldados negros para desertarem das tropas portuguesas, sob pena de ajuste de contas após a independência. 
 
MS – Uma guerra, infelizmente não é um jogo de cavalheiros nem um concurso hípico com regras éticas fixas. Tais excessos verbais e ameaças são lamentáveis, mas também muito naturais. Na verdade, não sei se essas ameaças foram feitas, mas considero-as possíveis. Mas até agora tivemos na Guiné e em Moçambique – em Angola ainda não – uma impressionante onda de confraternização e tudo tem corrido muito melhor do que seria de esperar depois de 13 anos de guerra. 
 
SP – Muitos brancos nas colónias portuguesas sentem-se traídos por Lisboa. Com razão? 
 
MS – Se acreditou nos slogans do antigo regime – que Angola é nossa e sê-lo-á para sempre, e que não são colónias mas simplesmente províncias ultramarinas – então terá razão em sentir-se traído. Mas, na realidade, a traição é do regime de Salazar e Caetano que quiseram fazer esta gente acreditar que seria possível oferecer resistência ao mundo inteiro e à justiça. 
 
SP – Qual será o futuro destes brancos desiludidos, se, apesar de tudo, quiserem permanecer em África? 
 
MS – Se forem leais para com os novos Estados independentes na cooperação e respeitarem as suas leis, não têm nada a temer. Na Guiné, por exemplo, o próprio movimento de libertação exortou-nos a deixar os nossos técnicos, médicos, engenheiros e agrónomos, porque precisavam deles. É cómico: a extrema esquerda portuguesa exigia a nossa saída imediata, total e sem condições, mas os próprios movimentos de libertação não exigiram nada disso. 
 
SP – O que será dos brancos que não querem ficar em África? Em Moçambique já se iniciou entre os brancos um grande movimento de fuga. 
 
MS – É verdade. Mas estou certo que dois anos após a independência e quando as instituições do País funcionarem razoavelmente, haverá mais portugueses, em Moçambique, que hoje. Isto é, aliás, um fenómeno geral. O Presidente Kaunda da Zâmbia disse-me, quando estive em Lusaka: “ Saiba que temos aqui na Zâmbia o dobro dos ingleses que tínhamos antes da independência”. 
 
SP – E o Sr. acredita que isso também acontecerá em Moçambique? 
  
MS – Sim. Primeiro virão muitos para Portugal, porque têm medo, mas depois regressarão. 
 
SP – E em Angola?  
 
MS – Ali ainda não há muitos que abandonaram o País. Ali generaliza-se entre os brancos uma atitude perigosa. Precisamos de convencer os brancos, no seu próprio interesse, que fiquem, mas já não como patrões, como até agora. 
 
SP – Apesar disso Portugal tem de contar com o regresso de muitos. Como irão resolver o caso?  
 
MS – Isto é para nós um problema económico muito sério, pois não é apenas o regresso dos colonos brancos mas também os soldados – cerca de 150.000 a 200.000 homens que regressam duma assentada. Acrescem ainda os imigrantes que querem regressar desde que Portugal é livre. O assunto está a ser estudado pelo Ministério da Economia e Finanças. Temos de criar novos postos de trabalho, mas isso significa igualmente a reestruturação da totalidade da economia portuguesa, que vai precisar de se adaptar às sociedades industriais modernas.
 
SP – Não existem portanto planos concretos para absorver os retornados?  
 
MS – Há investigações adiantadas.
 
SP – Entre os brancos que não querem regressar a Portugal, tenta-se criar um exército de mercenários para se opor aos movimentos de libertação. Em Angola, nos últimos tempos, radicais brancos de direita provocaram confrontos raciais sangrentos. Pode Lisboa impedir que tais brancos, especialmente em Angola, tomem o poder?  
 
MS – Eu penso que sim. 
 
SP – Como? 
  
MS – O exército em Moçambique e em Angola é completamente leal para com os que fizeram a Revolução de 25 de Abril. E o exército não permitirá que mercenários brancos ou grupos semelhantes se levantem contra o exército. Tentativas haverá. Em Moçambique já as houve. 
 
SP – E em Angola onde vivem mais do dobro dos brancos e um terço menos de negros que em Moçambique? 
 
MS – Em Angola haverá certamente uma série de situações mais ou menos desesperadas e tensões perigosas entre as raças. Apesar disso, julgo que por ora o exército pode e fará manter a ordem – a ordem democrática. 
 
SP – Portanto, se necessário, o exército português fará fogo sobre portugueses brancos?  
 
MS – Ele não hesitará e não pode hesitar. O exército já mostrou que tem mão forte e quer manter a ordem a todo o custo. 
 
SP – Apesar do exército, não se pode excluir a hipótese de os brancos se declararem independentes, como na Rodésia. Pelo menos Angola podia tentar mesmo economicamente uma tal solução.  
 
MS – De princípio, nos primeiros momentos da Revolução tive muito receio que tal pudesse acontecer. Mas quanto mais o tempo passa, mais difícil se tornará uma tal tentativa. 
 
SP – Suponhamos, no entanto, que tal venha a acontecer – reagiria Lisboa como Londres, na altura, tentando impor um bloqueio económico?  
 
MS – Não creio que em Angola exista uma solução rodesiana, mas se tal acontecesse combatê-la-íamos com todas as nossas forças, pois uma tal solução seria para África e para o Mundo uma aventura inaceitável. 
 
SP – Também se pensou isso no caso da Rodésia e, no entanto, não se pôde evitar.  
 
MS – Para nós tal solução é improvável a não ser que tivéssemos um golpe de direita aqui em Portugal. Nós – este governo democrático – não permitirá que tal solução rodesiana aconteça em Angola ou Moçambique. Eu repito! Nós combatê-la-emos com todos os meios ao nosso dispor. 
 
SP - Porquê?  
 
MS – Porque isso poria em causa todo o nosso processo de descolonização, a nossa credibilidade, e a nossa boa vontade. E porque com uma tal solução até o regresso do fascismo poderia ser encaminhado em Portugal. 
 
SP – Do ponto de vista económico a perda da Guiné e de Moçambique são um alívio para Portugal. Angola, no entanto, com os seus diamantes, petróleo, café trouxe para Portugal as tão necessárias divisas. Pode Portugal dar-se ao luxo de perder essa fonte de divisas?  
 
MS – Todas estas receitas não compensavam os custos de guerra. Nós gastávamos cerca de 2 biliões de marcos por ano com a guerra. O que pouparmos com o fim da guerra compensa plenamente a perda dessas divisas, que de qualquer modo, acabavam na maior parte nos bolsos dos americanos, alemães e ingleses. 
 
SP – Lisboa irá ajudar no futuro as suas antigas colónias? Concretamente: -Se Moçambique independente resolvesse impedir o trânsito de mercadorias da Rodésia para Lourenço Marques ou Beira para exercer pressão política sobre o regime branco de Salisbury, estaria Portugal disposto a compensar Moçambique pela perda de divisas que tal operação acarretaria? 
 
MS – Os nossos meios são escassos, temos de ter em atenção a nossa muito tensa situação económica. Mas, dentro das nossas possibilidades, ajudaríamos, numa tal situação. 
 
SP – No seu livro “Portugal e o Futuro”, o general Spínola propunha uma espécie de comunidade portuguesa como forma de cooperação futura entre Lisboa e África. Os movimentos de libertação não deram qualquer importância à ideia. Como serão as futuras relações entre Lisboa e África?  
 
MS – O discurso pragmático proferido pelo general Spínola em 27 de Julho sobre o futuro das colónias está muito distante da concepção do seu livro. Se, algum dia, uma espécie de comunidade dos países lusófonos se verificar, só na condição de todos os países serem realmente independentes. E seriam então os países africanos a dizer até que ponto tal associação poderia ir. 
 
SP – Sr. Ministro, muito obrigado pela entrevista. 
 
Fonte: DER SPIEGEL Nº 34/1974 


Não deixe de lêr também no link em baixo:

Entrevista inédita de Jonas Savimbi.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Subsídios para o breve reinado de Mandumbe

Mandume ya Ndemufayo
Fotografia: Jornal de Angola



Mandume ya Ndemufayo foi o último rei kuanyama e morreu a 6 de Fevereiro de 1917. Chegou ao poder em 1911 e o seu reinado durou apenas até 1917. O padre Keiling, que com ele conviveu, relata desta forma a sua morte: “E virando-se para os sobrinhos (primos) os filhos do falecido soba Weyulu, lhes perguntou se queriam ser muleques de brancos. Como eles dissessem que antes queriam morrer, o soba, levando a espingarda à cara, prostrou-os com dois tiros, e virando em seguida a arma contra si mesmo, fez saltar os miolos”.
À volta da figura de Mandume circulam lendas e estórias mais ou menos fantasiosas. A tradição oral costuma acrescentar sempre “um ponto” a cada conto. Os alemães, com quem Mandume conviveu e de quem foi fiel aliado, pouco ou nada relatam sobre a sua figura. Os militares portugueses, sim, têm muitas referências ao rei do Cuanhama. Mas curiosamente não descrevem uma única batalha travada contra ele. Quase todos os oficiais que combateram no Sul, Sudoeste e Sudeste de Angola publicaram as suas memórias da guerra. E nenhum, salvo o major Artur de Moraes, que trocou correspondência com Mandume, descreve sequer contactos com o rei.
A pesquisa que fizemos sobre a época através de relatórios militares e livros de memórias permitiu-nos obter importantes subsídios para melhor compreendermos o breve reinado de Mandume.
Em primeiro lugar interessa reter que ele chega ao poder em 1911, alguns meses depois do triunfo da revolução republicana em Portugal, que pôs fim à monarquia. O distrito da Huíla, que abrangia o território das actuais províncias do Kuando-Kubango, Namibe e Huíla, estava em guerra permanente. Depois do triunfo da República, os oficiais portugueses no terreno tentam resolver a guerra através de negociações de paz com os sobas da vasta região. Mas os oficiais monárquicos sabotam de todas as formas essas iniciativas. Eles apenas têm um objectivo: a ocupação pela força. Querem medalhas, condecorações, promoções por distinção, lugares bem pagos no regresso a Lisboa como “heróis”. Os militares do Quadro do Ultramar, tratados depreciativamente por “oficiais mandioca”, querem a paz a todo o custo porque já têm poucos laços com a “metrópole” e em Angola casaram e lhes nasceram os filhos.
A situação dos colonos é dramática. O major Artur de Moraes escreve no seu livro de memórias que estão “dispersos pelo interior de Angola e por falta de recursos e de auxílio do Estado se acham na maior miséria”. As guerras no Sul consomem largas somas de dinheiro e centenas de vidas humanas. “Angola está desguarnecida e é sobretudo a fronteira do Sul que está mais ameaçada”, diz ainda aquele oficial que viveu os últimos anos da sua vida, já como civil, na cidade do Kuito, onde faleceu.
Estudos dos alemães
Nesta época a fronteira de Angola era praticamente o rio Cunene e o último posto português estava situado no Humbe, então sede de concelho que foi chefiado, entre outros, pelo capitão Gomes da Costa, que mais tarde foi o líder do golpe fascista em Portugal do 28 de Maio de 1926. Morreu no posto de marechal. Outro administrador foi o capitão Artur de Moraes, republicano militante e que após o 5 de Outubro de 1910 ganhou algum protagonismo na região. Foi ele que assinou um tratado de paz e amizade com o rei do Cuanhama, Nande, em 22 de Fevereiro de 1909. Na realidade era um “auto de vassalagem”. Mas as condições no Cuanhama eram péssimas devido a uma estiagem prolongada à qual se seguiram dois anos seguidos de inundações. Artur Moraes fretou três carros bóeres puxados por dez juntas de bois, carregou-os de mantimentos, atravessou o Cunene e foi até a cidadela real de Nande a quem entregou os mantimentos. Na sequência deste gesto de boa vontade, o rei assinou o tratado.
Artur Moraes refere nas suas memórias que ficou provada a abertura de espírito dos cuanhamas e que era possível ocupar todo o território sem sacrifícios de vidas humanas. Ele escreveu que “é inadiável fazer-se a delimitação da fronteira Sul o que servirá de barreira à cobiça de estranhos”. Ele sabia do que estava a falar. Umas das testemunhas da assinatura do tratado foi o missionário alemão, Aray Woolfhorst, que imediatamente informou o alto comando germânico no Sudoeste Africano (Namíbia). Os alemães iniciaram de imediato acções que pusessem em causa o tratado. Eles tinham um plano ambicioso de ocupação do Sul de Angola cujo núcleo principal ficava no triângulo entre o Cuanhama, Humbe e Cassinga.
O governo alemão queria um porto de mar no Sul de Angola e colocou três hipóteses: Baía dos Tigres, a apenas 50 quilómetros da fronteira com o Sudoeste Africano, então território sob ocupação alemã, Namibe e Tombwa. Fez estudos sobre a viabilidade da construção de um caminho-de-ferro que ligasse esse porto de mar à Namíbia, Rodésia (Zimbabwe) e África do Sul. Os engenheiros alemães decidiram que a via-férrea devia ser feita ao longo do Paralelo 17º Sul entre o porto de mar escolhido e atravessando a Namíbia, o Zimbabwe e mergulhando no centro da África do Sul.
Conhecemos hoje pormenores do traçado da linha que acabou por não ser feita, dado que os alemães foram derrotados em 1915. A via-férrea passava ao longo do rio Cunene até aos rápidos de Sacavala, contornava o Morro de Capupito, seguia para Ediva, passava ao longo do rio dos Elefantes, atravessava o território dos mucubais seguindo a margem esquerda do rio Curoca e terminava na Baía dos Tigres (Namibe ou Tombwa).
Rendição dos alemães
Norton de Matos, que foi governador-geral de Angola entre 1912 e 1914, conhecedor dos planos dos alemães cria postos militares apetrechados com estações radiotelegráficas em toda a região, desde a Foz do Cunene até ao Tombwa.
Os alemães viram o seu sonho esfumar-se quando em Julho de 1915 foram obrigados a assinar a rendição ao general Botha. A I Grande Guerra começara um ano antes e as tropas da Alemanha na África Austral pouco aguentaram. Mandume ficou privado dos seus aliados e ainda viu apertar-se a vigilância na fronteira, o que dificultou as suas acções de guerrilha, que ele lançava desde o Sudoeste Africano, onde se refugiara quando o general Pereira de Eça (o Pêra de Aço) ocupou Ngiva (Ondjiva).
Só nesta altura foi definida a fronteira Sul de Angola, praticamente com o traçado que hoje tem. Portugueses e ingleses criaram uma zona neutra compreendida entre o Paralelo Ruacaná-Kubango, proposto pelos portugueses para fronteira e o Paralelo Cazambue-Kubango que havia sido proposto pelos alemães. A zona atravessava a região de Otchimporo, para onde os cuanhamas levavam o gado no tempo da estiagem, já que era abundante em água e pastos . Só no dia 1 de Julho de 1926 foi ultimado o acordo assinado na Conferência do Cabo entre delegados portugueses e sul-africanos sobre a fronteira que ficou fixada em linha artificial da catarata do Ruacaná ao encontro do rio Kubango.
Mandumbe ficou com os movimentos limitados e perdeu os fornecedores de armas e munições. Um ano antes da derrota do “Kaiser”, o último rei dos Cuanhamas pôs fim à vida. Mas ao contrário das lendas que ainda hoje circulam, ele nunca teve um grande combate com os portugueses. Essa glória cabe inteira ao rei do Cuamato Grande que infringiu às tropas portuguesas a sua maior derrota de sempre. Há quem atribua a Mandume a batalha de Pembe, mas é uma falsidade histórica. Quando aconteceu esse combate, Mandume era um menino e ainda nem sequer sonhava ser rei.
A batalha de Pembe
Os portugueses tentavam desesperadamente ocupar os vastos territórios a Sul do rio Cunene mas sucessivas colunas militares foram derrotadas e tiveram de recuar para o Humbe, a praça-forte das tropas de ocupação. O jovem conde de Almoster partiu para Angola à frente de uma unidade militar que depois de desembarcar em Luanda seguiu directamente para o teatro de operações. O rei do Cuamato Grande destroça a sua coluna e o jovem conde morre em combate. As autoridades coloniais ficam em estado de choque e em Lisboa chovem as críticas à administração colonial.
O governador da Huíla, capitão de engenharia João Aguiar, preparou nova coluna que ele próprio comandou. Mal passou o rio Cunene foi submetida a intenso fogo das forças do rei do Cuamato Grande. As forças da vanguarda, comandadas por Gomes da Costa, prepararam tudo para a tropa retirar “em boa ordem” para o Humbe mas as baixas foram muitas. Nada que se parecesse com o que aconteceu a seguir. Foi organizada nova coluna com a incumbência de submeter o Cuamato Grande e marchar para sul até Ondjiva. Esta coluna estava equipada com uma metralhadora pesada Hotchkiss que só atrapalhou. Também levava peças de artilharia 7 EBM (Bronze-Estriado-Montanha) que na hora do desastre matou muita gente com “fogo amigo”. O comandante era Pinto de Almeida, capitão de artilharia.
O vau do Pembe fica situado na margem esquerda do Cunene a dois quilómetros da confluência com o rio Caculovar. E dista do Humbe escassos oito quilómetros. Gomes da Costa e Artur de Moraes contam a batalha com grandes pormenores. Mais recentemente, Bento Duarte, que fez uma aturada investigação sobre as guerras do Sul de Angola, escreve que a batalha é “o quadro horrendo da formidável derrota dos portugueses, a maior e mais trágica que alguma vez lhe foi imposta na África Negra”.
A lista oficial das baixas é impressionante. Oficiais mortos: capitão médico Manuel João da Silveira, segundo tenente João Faria Roby Pereira (Armada); capitão Pinto de Almeida (comandante da coluna), alferes Joaquim Pinto Rodrigues (Artilharia); tenente Adolfo Ferreira, tenente Francisco Resende, tenente Freire Temudo, alferes Santos Nunes (Cavalaria); tenente Luz Rodrigues (Companhia Europeia); tenente José Maria Ferreira, alferes Manuel de Oliveira (Batalhão Disciplinar); alferes Albino Chalot, alferes Correia da Silva (VI Companhia Indígena); tenente Matias Nunes (XVI Companhia Indígena); tenente António Trindade (Administração Militar); alferes Pacheco de Leão, comandante dos “auxiliares indígenas”.
Na batalha do vau de Pembe morreram ainda 13 sargentos e 255 soldados. Ficaram todos insepultos e só dois anos mais tarde Artur de Paiva conseguiu resgatar as ossadas.
A guerra dos Bóeres
Lord Kitchner, em 1902, ao serviço da Grã-Bretanha, põe fim às repúblicas holandesas independentes do Transval e do Estado Livre de Orange, na África do Sul. Muitos bóeres refugiam-se em Angola e fixam-se no distrito da Huíla. Mas enquanto durou “A Grande Jornada” eles tiveram retumbantes vitórias sobre os ingleses e já sonhavam com um grande país que abrangia toda a Namíbia e o Sul de Angola até ao rio Cunene.
A vitória inglesa ajudou os portugueses a fazer a ocupação do sul de Angola. Foi neste quadro que o rei Iulo, do Cuanhama, assinou um tratado de amizade com os portugueses. Mas tudo muda quando Mandume sobe ao poder, sucedendo ao seu tio. Os portugueses classificaram-no como “um jovem irrequieto e sanguinário”.
O Cuanhama ficou dividido em relação ao novo soberano. Os poderoso lengas  Nekongo e Eválua abandonam o Cuanhama e fixam-se no Humbe, levando milhares de pessoas e os seus rebanhos de gado. Os lengas Kalola e Chiconhengue, fiéis a Mandume, fazem razias nas mucundas dos nobres cuanhamas “exilados”. O lenga Kalola é preso pelas tropas portuguesas quando atacava a mucunda de Kabongo, já depois de assinada a paz com o pequeno e grande Cuamato. Mais tarde foi preso Chiconhengue.
Nos primeiros meses do seu reinado, Mandume escreve uma carta ao major Artur de Moraes, comandante militar e administrador do Humbe, onde diz que quer viver em paz e harmonia com todos os vizinhos e reprovando as acções de Chiconhengue e Kalola no Cuamato e no Humbe. O major Moraes aceita a amizade oferecida por Mandumbe e através de um ofício oficial dá-lhe uma garantia: “pode estar descansado que o Chiconhengue e os outros cuanhamas presos no Cuamato não serão mortos, porque o Governo da República Portuguesa, não consentiria em tão grande barbaridade. Em Portugal não há pena de morte e fique certo que serão bem tratados”. Os republicanos querem marcar a diferença com os monárquicos, que passavam “o gentio a fio de espada”.
Mandume não respondeu ao ofício de Artur Moraes e as suas acções de guerrilha prosseguiram, agora com forte apoio dos alemães que lhe levam a Namacunde 19 carros bóeres carregados de armas e munições. Alves Roçadas fundou um forte na margem esquerda do Cunene e Pereira de Eça avança sobre N’giva. Milhares de cuanhamas fogem para o Evale e para Cuambi, já no Sudoeste Africano. Mandumbe faz o mesmo trajecto.
A sua guerrilha é letal mas as tropas inimigas aos poucos ocupam os seus domínios. Nem bóeres nem alemães, derrotados, lhe podem valer. O rei sabe que está perdido. Um ano antes do armistício que pôs fim à I Grande Guerra, assinado na floresta de Compiégne, em França, Mandumbe decide pôr fim à vida na cidadela real de Namacunde. 


Artur Queiroz | - 18 de Maio, 2010
 in Jornal e Angola

domingo, 5 de dezembro de 2010

Angola e António Aniceto Monteiro








Livros imprescindíveis para conhecer a História de África são os de René Pélissier!

Intervenção no "Colloquium António Aniceto Monteiro", 4 de Junho de 2007

Angola e António Aniceto Monteiro
Jorge Rezende (*)

O pai de António Aniceto Monteiro chamava-se António Ribeiro Monteiro e era alferes de infantaria quando, em 4 de Julho de 1905, foi requisitado para desempenhar uma comisão de serviço dependente do Ministério da Marinha e Ultramar na construção do caminho de ferro de Mossâmedes. Dois dias depois, na Paróquia dos Anjos, casou com Maria Joana Lino Figueiredo da Silva, “tendo sido dispensados dos proclamas por provisão de Exmo. Prelado” [AAM-CM] datada da véspera. No dia seguinte ao casamento, António Ribeiro Monteiro embarcou para Angola. Dez anos depois, dia por dia, a 7 de Julho de 1915, na sua casa de Mossâmedes, na rua dos Pescadores, morreu de doença, contraída durante operações militares resultantes da guerra no sul de Angola. Era então tenente de infantaria e deixou Maria Joana viúva e órfãos os dois filhos, Maria Petronila e António Aniceto, de nove e oito anos, respectivamente.
Para compreendermos as circunstâncias históricas que determinaram este início dramático da vida e do percurso angolano de António Aniceto Monteiro, temos que recuar até 1884.
Em 15 de Novembro de 1884, iniciou-se a Conferência de Berlim que se prolongaria até 26 de Fevereiro de 1885, em que participaram vários países europeus, incluindo o Império Otomano e ainda os Estados Unidos da América, tendo em vista a definição das regras para a partilha de África. Este continente tinha um solo e, sobretudo, um subsolo riquíssimos, que despertavam a cobiça das grandes potências de então. A grande burguesia industrial e financeira precisava dos recursos naturais africanos, nem que fosse em detrimento das populações de origem europeia que já estavam instaladas no litoral e, acima de tudo, das populações indígenas que, ao longo de gerações e gerações, ali sempre tinham vivido.
Claro que já havia conflitos em África resultantes das pretensões das potências europeias e, justamente, a Conferência de Berlim visava definir as regras daquilo que veio a chamar-se o “scramble for Africa”, a corrida desenfreada para a ocupação de África. Isso implicou o envio maciço de tropas e a consequente escalada dos conflitos principalmente com as tribos africanas. Aquele inverno de Berlim acabou por atear fogo a todo o continente.
Interessa especialmente o que se passou então na região de Mossâmedes, actualmente chamada Namibe. A província de Namibe fica no extremo sul e litoral de Angola e, vendo o mapa no sentido dos ponteiros do relógio, é banhada a oeste pelo Atlântico e faz fronteira, a norte, com Benguela, a leste, com Huíla (cuja capital é Lubango, antiga Sá da Bandeira) e Cunene (cuja capital é Ondjiva, antiga Pereira de Eça) e, a sul, com a Namíbia.
Ao longo de 1900 km, paralelamente à linha costeira, a província de Namibe e a Namíbia são atravessadas por um deserto que se estende para o interior cerca de 80 a 150 km. É considerado o mais antigo deserto do mundo, com mais de 80 milhões de anos, e a sua aridez é causada pelo ar frio e seco provocado pelas águas geladas da corrente de Benguela que corre de sul para nor-noroeste e das profundezas do oceano para a superfície, sobretudo devido à rotação da Terra.
Portugal enviou tropas para todas as regiões de África que reivindicava na altura. Em toda a parte havia conflitos, nomeadamente em Angola e Moçambique, mas a situação era particularmente grave no sul de Angola. Segundo René Pélissier “de 1885 a 1915, o sul de Angola foi a guerra”(1).
As populações do sul de Angola eram um mosaico de pequenos núcleos de origem europeia, que coexistiam com a esmagadora maioria de populações negras de diferentes etnias. Entre os primeiros, estavam os boers, instalados durante um período de tempo num território próprio na Huíla(2) e havia, ainda, colonos idos da ilha da Madeira, do Brasil, etc(3). As mais diversas correntes religiosas procuravam exercer a sua influência: católicos, protestantes, espiritanos franceses, luteranos, e outras(4).
Havia o tráfico de armas, como as Martini-Henry e as Westley Richards(5), algumas provindas da guerra civil americana, outras da África do Sul. As tribos africanas não só estavam organizadas – possuindo meios rudimentares de comunicação militar, por exemplo – como estavam armadas com armas de fogo das mais diversas origens(6).
A vida dos soldados portugueses não era, portanto, nada fácil. Além das dificuldades do terreno desértico ou semi-desértico, tinham que contar com uma resistência armada forte e quando, a partir de Outubro de 1914(7), tiveram que combater os alemães, por estes terem invadido o sul de Angola, continuavam a ser os negros os piores adversários. Os soldados que morriam, quando não morriam nos combates, morriam de sede e de doenças provenientes, muitas vezes, de beberem água inquinada. As marchas eram forçadas e os itinerários eram escolhidos de acordo com a necessidade de serem mais velozes do que a transmissão das mensagens através dos tantãs africanos. Os animais eram muito utilizados e, para o transporte de militares, os cavalos eram o meio preferido e, até, imprescindível.
Dos momentos mais altos da guerra, antes da chegada do alferes Monteiro, destacam-se as revoltas do Humbe: a primeira, de 1885-1886, a segunda, de 1891, e a terceira de 1897-1898(8). Um momento de viragem registou-se em 25 de Setembro de 1904(9), com a vitória dos Cuamatos (uma tribo Ovambo), sobre os portugueses, na batalha do Vau de Pembe. As baixas portuguesas foram centenas, entre mortos e desaparecidos. Diz René Pélissier: “É preciso que se meça bem a amplidão desta derrota, que equivalia a eliminar num único dia perto de um décimo das forças totais existentes em Angola”(10). Em Lisboa soou o alarme e fizeram-se planos pormenorizados de envio de homens e material para uma campanha de seis meses cuja despesa prevista era de 1 884 contos, “isto é, aproximadamente o mesmo que em 1892 tinha custado à França a conquista do Daomé”(11). Para dirigir todas as operações, foi chamado o capitão do Estado-Maior Alves Roçadas(12) que, segundo René Pélissier, “estava longe de ser um génio como se provaria com os acontecimentos de 1914”(13). Foi, provavelmente, dentro deste plano geral de ofensiva no sul de Angola que o alferes Monteiro foi requisitado para partir para África num tão curto espaço de tempo.
O alferes Monteiro, pai de António Aniceto Monteiro, tinha nascido em 1880 e assentado praça como voluntário em 1898, com dezoito anos incompletos. Finalizou o curso de infantaria da Escola do Exército em 1902 e foi promovido a alferes em 15 de Novembro de 1903.
Mal chegou a Luanda, em 1905, já casado com Maria Joana, foi enviado para o sul para participar na construção do caminho de ferro de Mossâmedes, que foi iniciada nesse ano, embora a autorização do Governo remontasse a carta de lei de 1890. Em 1907, estavam prontos os primeiros 67 quilómetros. O engenheiro encarregado das obras era Artur Torres, futuro sogro de António Aniceto Monteiro. O projecto previa que a linha fosse até Lubango, antiga Sá da Bandeira, mas as obras pararam em 1910, provavelmente devido à guerra, quando estavam prontos 186 quilómetros. As obras só retomariam em 1917 e ficaram concluídas em 1923.
O casal António e Maria Joana teve dois filhos: Maria Petronila, que nasceu em 5 de Abril de 1906, e António Aniceto, que nasceu em 31 de Maio de 1907, ambos na freguesia de Santo Adrião de Mossâmedes.
Em 8 de Fevereiro de 1908, António Ribeiro Monteiro foi nomeado para provisoriamente exercer o cargo de chefe de dia e obras do caminho de ferro de Mossâmedes e, em 9 de Julho de 1909, foi nomeado condutor de 1ª classe.
No fim desse ano, dá-se uma viragem na vida de António Ribeiro Monteiro e nunca mais regressou à construção dos caminhos de ferro. Em 27 de Dezembro de 1909, por opinião da junta de saúde, veio para Portugal. Desconheço se a família o acompanhou.
Em 5 de Outubro de 1909, chegou ainda a ser nomeado para condutor de 1ª classe do caminho de ferro de Luanda, lugar que nunca ocupou. Em 17 de Abril de 1911 foi colocado na direcção fiscal do caminho de ferro de Benguela mas, não é certo que aí tivesse efectivamente trabalhado.
Nos três primeiros meses de 1910 António Ribeiro Monteiro esteve doente em Lisboa.
No dia 1 de Abril de 1910, foi colocado no Regimento de Infantaria nº 11, em Setúbal e, no dia 1 de Dezembro desse ano, é promovido a tenente. É através de um relatório manuscrito [ARM1], datado de 5 de Novembro, extremamente elogioso, acerca dos serviços prestados por António Ribeiro Monteiro nesse regimento (e que pode ter servido para a sua promoção), que ficamos a conhecer um pouco da sua personalidade singular.
Esse relatório, assinado por José Narciso d’Andrade(14), Coronel Comandante do D.R.R. 5, ao referir-se ao alferes Monteiro, diz “não ser fácil encarecer à altura do seu valor as qualidades de tão illustrado oficial, honestíssimo caracter e homem de sciencia”. Fala ainda nas suas qualidades como “constructor e engenheiro”, nos seus “conhecimentos especiaes ou scientificos”, na sua capacidade de ministrar a instrução aos soldados “subordinado a um plano pratico e compreensivel” e nas “referencias altamente elogiosas” que lhe foram feitas pelo comandante da brigada “motivadas pela execução rapida, perfeito acabamento e rigorosa disciplina em todos os trabalhos feitos”.
Mais adiante o relatório acrescenta:
“Querendo tornar extensivos aos officiaes do meu regimento a pratica dos levantamentos topographicos à vista, convidei o Snr. Alferes Monteiro a expor à corporação o que de mais util houvesse sobre esta especie de trabalhos.
Com tal profundeza de conhecimentos, clareza e feição desenvolveu o thema escolhido que não pude furtar-me a intimá-lo a apresentar por escripto a conferencia oral desenvolvida, com o fim de ser remettida para o Ministério da Guerra e ser devidamente apreciada”.
Entretanto, tinha ocorrido a revolução republicana de 5 de Outubro e, a esse propósito, o relatório do coronel Narciso d’Andrade refere:
“Por ocasião da Revolução que proclamou a Republica em Portugal, Setúbal foi, como se sabe, theatro de desorientação popular que se traduziu por incendios a repartições publicas, egrejas, etc.
Necessario se tornava mandar para a rua a força publica com o fim de evitar, sendo possivel a continuação de similhantes desvairamentos. Um capitão e um subalterno, levando sob o seu comando as praças disponiveis, saíram a coadjuvar a autoridade. Porem a população desrespeitou a força e feriu gravemente o seu comandante, bastante conhecido pelas suas ideias liberaes. Teve a força de retirar, à vista de similhante attitude.
Foi então que chamei o Alferes Monteiro e com uma diminuta força o encarreguei de se dirigir ao povo e obstar à continuação dos vandalismos até então praticados e em ameaça de continuarem.
De tal forma se houve e tal diplomacia desenvolveu que toda a gente acolheu com palmas as palavras do Alferes Monteiro e debandou sem que houvesse a mais leve resistencia ou continuassem na pratica dos actos pelos mesmos praticados. Attenta a attitude do povo, expôs-se n’esta difficil missão, aquelle illustre official, não só a ser desrespeitado como a ser esmagado pelo povo.
A pacificação e tranquillidade dos animos foi obtida pelo habil official da seguinte forma: Mandou fazer alto à sua força a uma distancia consideravel dos ajuntamentos, mas de forma que por todos fosse presenciado. Embainha depois a sua espada e dirigindo-se ao povo, falla-lhe tão patrioticamente que começando a ser ouvido com apupos terminou por ser obedecido com vivas e palmas.
Dias depois a população de Setubal, reconhecedora, combinava-se para lhe preparar uma manifestação de simphatia. Ignoro se se chegou a realizar; mas realizasse ou não, certo é que o Senhor Alferes Monteiro, é hoje, em Setubal, a pessoa de mais consideração que a sua cidade encerra”.
Mais adiante o relatório conta que tendo ele sido nomeado “defensor officioso” de um desertor, foi “por todos considerado um orador eximio, mais parecendo um distincto profissional na advocacia do que um homem que fez a sua estreia como amador”.
O relatório diz ainda que “como chefe de família e caracter está superior a todo o elogio”, o que parece significar que, nesse ano, a família vivia com ele em Setúbal.
É de assinalar que esta estadia do alferes Monteiro em 1910 em Setúbal explica a razão pela qual António Aniceto está registado no “livro de registos de nascimento da Administração deste concelho do ano de – 1910-1911”.
O relatório finaliza com o parágrafo seguinte:
“Tamanha é a gratidão dos habitantes de Mossamedes e tão profundas simpathias alli deixou que a pedido d’aquella cidade vae o alferes Monteiro, muito brevemente, desempenhar alli uma nova comissão de serviço publico”.
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
Em Dezembro de 1910, o recém promovido tenente Monteiro regressou a Angola, tendo embarcado no dia 2 e chegado a Luanda no dia 16.
Não se percebe muito bem onde esteve e o que fez, exactamente, o tenente Monteiro, em 1911. Até ao fim da vida viveu sempre, muito provavelmente, em Mossâmedes e, em 1911, pode ter estado parcialmente ao serviço do caminho de ferro, embora não na sua construção, que estava parada(15).
Entretanto, no ano de 1912, deu-se outro momento de viragem na vida do tenente Monteiro. Em Mossâmedes, no dia 9 de Abril, dirige o seguinte requerimento ao Presidente da República:
“António Ribeiro Monteiro, tenente de infantaria do exército da Metrópole, nomeado em Novembro de 1910, em comissão extraordinária, condutor de 1ª classe do Caminho de Ferro de Mossâmedes – onde já serviu desde Agosto de 1905 até Dezembro de 1909 – encontrando-se actualmente, por exoneração daquele cargo, apresentado na Secretaria Militar do Governo deste Distrito, necessita por motivos de força maior e para tratar de assuntos imperiosos de carácter particular, passar à situação de licença ilimitada; e assim, na sujeição de todas as disposições legais que lhe possam ser aplicáveis,
Pede a V. Ex.ª haja por bem conceder-lhe a referida licença”. [ARM1]
O que este documento significa exactamente, não sei. Apenas podemos imaginar o que sentiria um militar com família, que incluia dois filhos menores, em idade escolar, numa zona de guerra intensa que só tinha tendência a agravar-se. A licença foi concedida, a partir de 1 de Agosto, e o que ele fez depois, com essa licença, ignoro(16).
Sabe-se que, desde 1 de Setembro de 1913, “continuou na situação de adido mas em comissão extraordinária de serviço no Ministério das Colónias” [ARM1], e que foi colocado na “Secretaria Militar de Mossâmedes, por haver desistido da Licença ilimitada, no referido dia 1 de Setembro” [ARM1], tendo sido “nomeado chefe da Secção Militar da Fazenda de Mossâmedes na mesma data” [ARM1]. Foi exonerado deste cargo em 30 de Novembro de 1914.
Sabe-se, também, que até ao fim de 1913 não teve nenhum posto de comando, isto é, nunca participou, directamente, na guerra. A partir do início de 1913, o tempo de serviço em Angola deixou de ser acrescido de 50%, como até aí. Em 20 de Abril desse ano, um documento, assinado pelo tenente Monteiro em Mossâmedes, confirma que a situação tinha mudado radicalmente. Trata-se de um compromisso formal, obrigatório(17), que contém o seguinte texto premonitório:
“Eu, António Ribeiro Monteiro, tenente d’infantaria, juro pela minha honra, como cidadão, como oficial, que, enquanto pertencer à oficialidade do exército portuguez, defenderei a Patria e as leis da Republica, e servirei com zêlo e valor, cumprindo as ordens legais dos meus superiores, fazendo-me obedecer e respeitar dos meus subordinados, segundo a mais severa disciplina, observando e fazendo observar os direitos e deveres de cada um, e procurando por todos os meios ao meu alcance acrescentar a glória da Pátria e do exercito portuguez, para o que, se tanto fôr necessario, sacrificarei a propria vida. E, para firmeza de tudo, assim o declaro”. [ARM1]
Desde o desastre de Vau de Pembe, de 1904, que a guerra não teve um momento de pausa, mas seria despropositado contar aqui tudo o que sucedeu. Seriam necessárias muitas dezenas de páginas. Como já se disse, no final de 1914, os alemães invadiram o sul de Angola. A 18 de Dezembro de 1914, em virtude de opções tácticas erradas, Alves Roçadas é derrotado em Naulila pelas tropas alemãs(18). Mais uma vez, o número de baixas portuguesas é impressionante. No seguimento, Alves Roçadas acaba por vir embora de Angola, sem honra nem glória, embarcando no início de Maio de 1915 [ARM3].
Porém, não partiu para Lisboa sem antes ter colocado o tenente Monteiro na 27ª Companhia Indígena de Infantaria, em 6 de Março de 1915, não se sabendo se este, que tinha mais um perfil de intelectual e nunca tinha ocupado um posto dessa natureza, chegou a combater.
Entretanto, em 21 de Março o general Pereira de Eça(19,20) é nomeado comandante em chefe das tropas e governador geral de Angola. O seu principal objectivo era resolver o problema do sul, e para aí se dirigiu imediatamente para, pessoalmente, dirigir as operações contra os alemães e, sobretudo, contra a população negra.
Mostrando ser mais inteligente que Roçadas, Pereira de Eça nomeou o tenente Monteiro chefe da Secretaria Militar do Distrito de Mossâmedes, no dia 24 de Maio.
O principal documento que relata os últimos dias de vida do tenente Monteiro é de um tenente coronel de infantaria, João Ortigão Peres(21), ex-chefe do estado maior do corpo expedicionário no sul de Angola, e diz o seguinte:
(...)“o tenente de infantaria António Ribeiro Monteiro, encontrando-se em comissão extraordinária no sul de Angola (...). (...) havendo necessidade de proceder a um reconhecimento na região dos Cubáes (serra da Chella) este oficial, apezar de estar ainda bastante atacado pelas febres, pediu insistentemente que lhe fosse confiado esse serviço, que conseguiu levar a bom termo, regressando porem a Mossâmedes num tal estado que faleceu dias depois da sua chegada”.(...) [AAM-CM, AAM-RUL]
A ser verdade que, quando partiu, o tenente Monteiro já se encontrava doente e sendo conhecidas as dificuldades que uma tal missão, de vários dias, comportava, só é de admirar que ainda tivesse regressado com vida.
Anos mais tarde, António Aniceto Monteiro contava, assim, este episódio, provavelmente por lhe ter sido relatado pela mãe: “Tratava-se de averiguar se os alemães tinham invadido o sul de Angola. O meu pai voltou com uma perniciosa. Ao chegar a Mossâmedes, foi saudar a minha mãe e ao sair para o Estado Maior para informar do resultado da expedição caíu desmaiado mas mesmo assim foi ao Estado Maior. Nessa noite jantou em casa o General Roçadas. Meu pai teve que assistir ao jantar deitado numa cadeira de viagem. Faleceu nessa mesma noite”.
Apesar de algumas imprecisões devidas ao esfumar da memória que a passagem do tempo induz, como a referência a Alves Roçadas que, como sabemos, nessa altura, já não estava em Angola, este relato tem o mérito de informar que, na noite da morte do tenente Monteiro, uma alta patente, provavelmente o próprio Pereira de Eça, esteve em sua casa. O episódio mostra até que ponto o estado maior, sediado em Mossâmedes, estava ávido de informações sensíveis da parte de um homem que, por ter trabalhado precisamente nessa zona como topógrafo militar durante vários anos na construção do caminho de ferro, conhecia o terreno como ninguém.
Para que fique completo o relato da guerra com os alemães em Angola, basta dizer que, dois dias depois, tudo tinha acabado com eles, por se terem rendido aos sul-africanos do general Botha, no Sudoeste Africano, hoje Namíbia.
Esta primeira guerra colonial em Angola que começou com o “scramble” que se seguiu à Conferência de Berlim, durou cerca de quarenta anos, desde 1885 até 1925(22,23), serviu para destruir quase completamente a estrutura social que existia, definir as fronteiras daquele que é hoje um país independente e desenvolver a estrutura colonial que durou até 1974-1975. E a guerra acabou, porque as tropas europeias foram substituindo as mulas, os cavalos e os bois, por veículos motorizados(24), e, sobretudo, foram substituindo as carabinas e as espingardas por uma arma temível que, essa, os negros não possuiam – a metralhadora(25). Duvido que haja uma contablização absolutamente credível mas, ao todo, foram, muito provavelmente, centenas de milhares de mortos, a esmagadora maioria deles entre a população negra(26).
Ontem como hoje, todas as guerras têm consequências dramáticas. Em primeiro lugar, para as populações que nelas são forçadamente envolvidas ou delas têm que se defender. Em segundo lugar, para os soldados que para elas são conduzidos, a maior parte das vezes, enganados por uma propaganda ilusória. Em terceiro lugar, sofrem com as guerras as famílias destes soldados. Tal foi, seguramente, o caso da família do tenente Monteiro, que em Angola ficou sepultado, e, em particular, para a sua filha que tão cedo perdeu o pai.
Como afirmou um militar relativamente a outro camarada [JSP], talvez António Ribeiro Monteiro tenha “sido enterrado na cerca de arame farpado junto à muralha”, e lá tenha ficado “esquecido, e hoje ignorado, como tantos outros que por aqueles sertões morreram, faltando saber se com melhor sorte que aqueles que viveram”. De facto, muitos desses soldados sobreviventes continuaram a combater os negros em África ou vieram combater para a Europa, na guerra mundial de 14-18.
Seria necessário esperar cerca de 30 anos, após o fim da primeira guerra colonial em Angola, para se assistir ao início da derrocada do império e das ilusões coloniais. A União Indiana, que tinha conquistado a independência em 1947 (o que só por si devia ter feito meditar Salazar), começou nos anos 50 a reivindicar os territórios que Portugal ocupava – os enclaves de Goa, Damão Diu, Dadrá e Nagar-Avely.
Em fins de Julho de 1954, forças da União Indiana assaltaram e ocuparam definitivamente os dois pequenos enclaves de Dadrá e Nagar-Avely. A crise política desencadeada então entre os dois países durou cerca de um ano, mas os portugueses foram expulsos definitivamente de Goa, Damão e Diu em 19 de Dezembro de 1961, nas circunstâncias bem conhecidas. A tensão entre Portugal e a União Indiana só terminou em 31 de Dezembro de 1974.
Nesse ano de 1954, a 11 de Agosto, em Portugal, o Movimento Nacional Democrático, cujo presidente era o matemático Ruy Luís Gomes, enviou aos jornais uma “nota oficiosa”(27), um extenso documento, que vale a pena ler, sobre a situação política em Portugal e sobre o que se estava a passar na Índia, condenando a política colonial do governo. Foi o suficiente para que Ruy Luís Gomes, Virgínia Moura, Lobão Vital, José Morgado e Albertino Macedo fossem presos e acusados de traição à pátria(28), ameaçados com cinquenta anos de prisão mais medidas de segurança, e passassem por vários julgamentos até serem finalmente libertados em 1957.
O próprio Ruy Luís Gomes, no seu Curriculum Vitae político [RLG], refere que foi “preso pela PIDE em 19 de Agosto de 1954 por ter, juntamente com os restantes elementos da Comissão Central do MND, elaborado um documento condenando a política colonial do Estado Novo e defendendo a autodeterminação dos Povos, por ocasião de incidentes ocorridos em Goa, Damão e Diu. Foi então acusado de traição à Pátria e julgado em Junho de 1955 no Tribunal plenário do Porto. Foi condenado em 18 meses de prisão. Recorreram da sentença, aguardando em liberdade o resultado do recurso. Anulado o julgamento, recolheu de novo à cadeia em meados de 1956. Novamente julgado em meados de 1957 foi condenado em dois anos de prisão. Mais de metade deste tempo foi passado na Colónia Penal de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, prisão especialmente destinada a presos comuns de difícil correcção; muitos destes presos eram dementes”.
Na sequência destes acontecimentos, Ruy Luís Gomes, expulso da Universidade desde 1947 e com a vida muito dificultada em Portugal, vai, em Setembro de 1958, exilado, para Bahía Blanca, na Argentina, a convite do seu amigo António Aniceto Monteiro que já lá se encontrava.
A influência mútua destes dois homens é conhecida, tanto no plano político, como no plano científico. António Aniceto Monteiro foi o principal dínamo das iniciativas do Movimento Matemático no que respeita à investigação e contagiou Ruy Luís Gomes. Por sua vez, Ruy Luís Gomes, vindo de uma família com tradições, era aquele que, dos dois, estava mais informado e era mais activo politicamente. Em ambos, o traço comum de um vida inteira de coerência cívica e científica, indestrinçáveis uma da outra.
Em 4 de Fevereiro de 1961, um grupo de angolanos ataca prisões de Luanda, tentando libertar presos políticos dando início, assim, à segunda guerra colonial em Angola – a guerra que conduziu à independência. Um dos muitos objectivos dessa acção, que envolveu cerca de 200 pessoas armadas de catanas e outras armas artesanais, era a libertação da maioria dos presos políticos do processo dos 50 que estavam na Casa de Reclusão Militar e que se suspeitava que iriam ser transferidos em breve para o Campo de Concentração do Tarrafal.
No Brasil, vivia um grande grupo de exilados portugueses, a maioria dos que estavam na América Latina. Entre eles, interessa-me destacar, nesta intervenção, Manuel Sertório e Henrique Galvão. Este último tinha liderado o desvio do navio Santa Maria em 22 de Janeiro de 1961, que muita gente pensava ir aportar a Luanda, mas que acabou por ir para o Recife, no Brasil. Muitos jornalistas de vários países acorreram então à capital de Angola, na expectativa de relatarem a chegada do Santa Maria, tendo sido a possiblidade de uma grande cobertura internacional mais um factor que incentivou o 4 de Fevereiro de 1961. Os resistentes angolanos desejavam chamar a atenção para a grave situação que se vivia naquela colónia, com destaque para o massacre dos camponeses da Baixa de Cassange que estavam a ser bombardeados e mortos, aos milhares, com napalm.
Nenhuma das acções do 4 de Fevereiro teve êxito, mas, pelo menos, conseguiram chamar a atenção do mundo inteiro para o que se passava em Angola. As autoridades coloniais designavam os resistentes africanos de “terroristas” ou, ainda mais depreciativamente, de “turras”. Para os mais racistas, todos os negros eram “terroristas”. No seguimento do 4 de Fevereiro, foi desencadeada a caça generalizada ao “turra” e mais massacres foram perpetrados.
O grupo de exilados no Brasil era politicamente muito heterogéneo. O capitão Henrique Galvão tinha sido um adepto entusiasta de Salazar, mas começou a divergir deste, sem nunca romper com a ideologia que sempre tinha apoiado, nomeadamente na sua componente colonialista.
Na organização da oposição na América Latina, Manuel Sertório, que vivia em São Paulo, era o elemento que fazia a ligação com os dois portugueses de Bahía Blanca, Ruy Luís Gomes e António Aniceto Monteiro.
Assumindo sempre as suas raízes angolanas, como “tendo nascido em Angola”, António Aniceto Monteiro troca com Manuel Sertório, em 1961, algumas cartas [AAM-MS] que visavam a elaboração de uma declaração conjunta de oposicionistas sobre a situação que se vivia na colónia portuguesa.
As quatro cartas que António Monteiro escreveu então a Manuel Sertório, estão marcadas com um sotaque argentino e, aqui e ali, com alguma fina ironia.
Na carta de 23 de Março de 1961, afirma o seguinte
“Creio que não é suficiente condenar o envio de forças armadas para os territórios coloniais e que se deveria também reclamar que se retirem todas as tropas de repressão enviadas nos últimos tempos. Ao mesmo tempo convém aclarar que a responsabilidade de todos os sucessos que ocorram nas colónias recai inteiramente sobre o governo de Portugal e serão uma simples consequência da sua política de repressão, que se pode contrapor à atitude dos diversos movimentos para a independência das colónias que reclamam insistentemente negociações pacíficas”. Termina citando a frase “nenhum povo pode ser livre se oprime outro povo”.
A carta seguinte, de 24 de Abril de 1961, exprime o desapontamento por alterações entretanto introduzidas ao documento, no Brasil, por Henrique Galvão e outros:
“(...) tenho aqui à mão uma declaração sobre o problema colonial, que a Comissão de Inter-Ligação enviou ao Prof. Ruy Gomes em 30 de Março. Trata-se de um documento com uma orientação essencialmente distinta da declaração impressa à qual enviei a minha adesão na carta que lhe escrevi em 23 de Março.
Devo dizer-lhe que não assinarei a declaração de 30 de Março anteriormente indicada, porque o problema da autodeterminação dos povos coloniais está posto em termos ambíguos.
Em primeiro lugar se reconhece o direito à irrestrita autodeterminação, mas logo a seguir se agrega «sob as necessárias garantias de exercício desse direito em condições humanamente progressivas, etc.» o que pode significar, por exemplo, que os povos coloniais terão de esperar mais alguns séculos para que se lhes reconheça esse direito”.
E, mais adiante, António Aniceto Monteiro diz que “o artigo 6º (...) usa o tom dum patrão a falar para um escravo”, para, depois, concluir do seguinte modo:
“sobre o problema da autodeterminação dos povos coloniais não pode haver nenhuma espécie de reticências. Depois de uma política de opressão, escravidão e extermínio que durou séculos o governo iniciou actualmente uma guerra de extermínio em Angola e outras colónias, que é necessário condenar nos termos mais enérgicos apoiando os povos coloniais na sua luta pela independência nacional.”
A terceira carta, de 29 de Maio de 1961, mostra que a redacção final da referida declaração acaba por ser de acordo com a opinião de António Aniceto Monteiro, porque diz a Manuel Sertório: “pode pôr o meu nome entre o das pessoas que assinam a declaração em questão que consta de três pontos”. A parte final da carta revela que ele, em Bahía Blanca, a milhares de quilómetros dos centros de decisão, via mais longe do que Salazar e os seus acólitos:
“A situação em Angola agrava-se cada vez mais. Os jornais já falam de 25 000 mortos (negros); mobilizaram em Portugal, segundo me informa Ruy, a classe de 58. Estamos frente a uma guerra colonial que só terminará com a derrocada do fascismo e a instauração dum governo provisório revolucionário; a menos que se consiga interromper a guerra pela intervenção da ONU”.
A quarta e última carta, de 6 de Junho de 1961, é, como as outras, muito interessante sob o ponto de vista histórico. Destaco a seguinte passagem:
“Há 11 anos que estou completamente isolado das coisas portuguêsas e só agora, desde que está aqui o Ruy, é que tenho mais algumas notícias, além das que leio em Portugal Democrático. De um modo geral penso que no exterior o que é fundamental é apoiar as directivas da frente interna de resistência.
O Galvão acabou por revelar-se completamente como um autêntico colonialista nos 3 artigos que escreveu num diário de São Paulo. Para mim as reticências que ele punha à primeira redacção da declaração tinham um significado perfeitamente claro e por isso mesmo não quiz assinar a segunda redacção”.
Como se vê, estas quatro cartas de António Aniceto Monteiro não podiam ser mais claras.
E, para terminar, direi que o objectivo principal desta minha intervenção foi o de revelar situações e factos históricos pouco conhecidos relacionados com a vida de António Aniceto Monteiro, prestando homenagem a um homem que, apesar de todas as dificuldades, realizou um trabalho científico notável em vários países, sempre ambicionando viver pacificamente, mas nunca virando a cara à luta.
Vêm-me à memória as palavras que António Aniceto Monteiro escreveu a Guido Beck, do Rio de Janeiro, numa carta enviada em 1948: “Também conheço mal a situação na Argentina. Mas seria possível viver em paz, sem ser perseguido pelas minhas opiniões? Deve responder com precisão a esta pergunta, dizendo o que pensa” [AF-AV]. Soube-se, depois, qual foi a resposta que a realidade lhe deu.
Tal como o fez António Aniceto Monteiro há que lutar contra todos os fatalismos e conformismos. Temos que confiar que a luta pelo direito a viver e a trabalhar em paz tem que ser bem sucedida, porque a conquista desse direito é absolutamente necessária.
Por ocasião do seu centenário aqui fica, pois, nesta intervenção, a minha homenagem ao homem bom que, como poeta, assinava com o pseudónimo de “Adrião de Mossâmedes”.

Agradecimentos: António Brotas, Arquivo Histórico Militar, Colégio Militar, Manuela Cruzeiro (Centro de Documentação 25 de Abril), Universidade de Lisboa.

(*) Departamento de Matemática da FCUL e Grupo de Física-Matemática da Universidade de Lisboa (GFMUL), Complexo Interdisciplinar da Universidade de Lisboa, Av. Prof. Gama Pinto, 2, 1649-003 Lisboa, Portugal. O GFMUL é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
(1) [RP1], pág. 141.
(2) [RP1], págs. 145 e 146.
(3) [RP1], pág. 153.
(4) [RP1], págs. 143, 144, 148, 149,151,153,161,197.
(5) [RP1], pág. 151.
(6) “É um sueco quem tem a fama de ter levado as primeiras espingardas aos Cuanhamas. Karl Johan Andersson, Notes os Travels in South Africa, Londres, 1875” [RP1], pág. 143. Ver também a pág. 151.
(7) [RP1], pág. 233.
(8) [RP1], págs. 155, 162, 172.
(9) [RP1], pág. 190.
(10) [RP1], pág. 192.
(11) [RP1], pág. 197. De facto, a campanha, que era previsto durar seis meses, durou dez anos. Só no ano em que acabou, houve “819 mortes” entre as tropas portuguesas e “teve algo como 18 500 contos de despesas (...), ou seja, dez vezes mais que o orçamento previsto por Eduardo da Costa em 1904 para a ocupação do Cuanhama!” (pág. 251).
(12) José Augusto Alves Roçadas, nasceu em Vila Real, em 6 de Abril de 1865 e morreu em 28 de Junho de 1926.
(13) [RP1], pág. 197.
(14) José Narciso Antunes d’Andrade Júnior, nasceu em 27 de Dezembro de 1854 no Crato, distrito de Portalegre. Foi promovido a “Coronel para o Estado Maior de Infantaria em 12 de Agosto de 1909, colocado no Regimento de Infantaria nº 11, em Setúbal, em 4 de Setembro do mesmo ano, e no D.R.R. nº 5, em Lisboa, como comandante, em 26 de Outubro de 1910. Faleceu em 4 de Novembro de 1926. [ARM2]
(15) É possível ter uma ideia bastante precisa das datas em que o militar esteve em Angola, em serviço, até 9 de Abril de 1912, porque sempre que isso acontecia o seu tempo de serviço de oficial era aumentado de 50%. A ser assim, esteve em Angola: desde 31 de Julho de 1905 a 27 de Dezembro de 1909; de 16 de Dezembro de 1910 até 31 de Julho de 1911; de 28 de Janeiro até 9 de Abril de 1912. Consequentemente, não esteve, em serviço, em Angola: de 28 de Dezembro de 1909 a 15 de Dezembro de 1910 e de 1 de Agosto de 1911 a 27 de Janeiro de 1912. Não se percebe bem qual era a situação do tenente Monteiro no período que vai de 10 de Abril a 31 de Julho de 1912. Até ao final de 1912, o seu tempo de licença registada foi de 270 dias e o seu tempo de licença por motivo de moléstia e de tratamento nos hospitais foi de 458 dias.
(16) Em 1904 António Ribeiro Monteiro pediu autorização para se candidatar a um concurso para “professores do magistério secundário”. Tinha habilitação para ser “instrutor de ginástica” e é possível que, em 1912 pudesse ensinar, também, outras matérias. Assim, não é de excluir que tivesse sido professor, em Mossâmedes, no ano escolar de 1912-1913.
(17) No caso do tenente Monteiro está todo escrito pelo seu punho, mas havia um formulário impresso que, noutros casos, os militares só tinham que assinar. Foi o caso do coronel José Narciso d’Andrade em 1912 [ARM2].
(18) [RP1], págs. 234-237.
(19) António Júlio da Costa Pereira de Eça, nasceu em 1852 e faleceu em 1917. Em 1914 foi Ministro do Exército.
(20) [RP1], pág. 240.
(21) João Ortigão Peres nasceu em 13 de Março de 1872 em Alcantarilha, Algarve. Foi promovido a Major em 30 de Março de 1912. Em 5 de Março de 1815 partiu para Luanda como Chefe do Estado Maior do General Pereira de Eça. Foi promovido a Tenente-Coronel em 24 de Julho de 1915. Em 9 de Janeiro de 1917, foi nomeado adido militar junto da Legação Militar de Portugal em França, e foi nessa qualidade que escreveu o atestado sobre a morte do tenente Monteiro. Faleceu em 15 de Março de 1918. [ML]
(22) [RP1], págs. 256-259.
(23) “Quanto aos nómadas Cuvales (do grupo dos Hereros), movendo-se entre o Sul e o Centro de Angola, embora em rigor se não possa falar de resistência por parte de povos errantes como eles, teriam em 1940-1941, quinze anos depois dos últimos tiros da pacificação na Lunda, o privilégio de servir de caça numa batida mais que duvidosa” [RP1], pág. 143.
(24) [RP1], pág. 241.
(25) [RP2], contracapa e [RP1], pág. 241.
(26) [RP1], pág. 264.
(27) Ver [PM] ou [MND].
(28) A acusação de “traição à pátria” nunca foi provada em tribunal e não foram condenados por esse motivo. Ver [PM].




Referências
[AAM-CM] Processo individual de António Aniceto Monteiro, Colégio Militar, Lisboa.
[AAM-RUL] Processo individual de António Aniceto Monteiro, Reitoria da Universidade de Lisboa.
[AAM-MS] Cartas entre António Aniceto Monteiro e Manuel Sertório. Espólio de Manuel Sertório, Centro de Documentação 25 de Abril, Coimbra.
[AF-AV] Augusto J. S. Fitas e António A. P. Videira: Cartas entre Guido Beck e cientistas portugueses. Lisboa, Instituto Piaget (2004).
[ARM1] Processo individual de António Ribeiro Monteiro, Arquivo Histórico Militar, Lisboa.
[ARM2] Processo individual de José Narciso Antunes d’Andrade Júnior, Arquivo Histórico Militar, Lisboa.
[ARM3] Processo individual de José Augusto Alves Roçadas, Arquivo Histórico Militar, Lisboa.
[JSP] João Sarmento Pimentel, Memórias do Capitão. Editorial Inova, Porto, 1974.
[ML] Miguel Lomelino, Biografia do meu Bisavô Paterno, Coronel João Ortigão Peres.
http://miguel.lomelino.googlepages.com/biografiajop.pdf
[MND] Nota oficiosa do MND, “Jornal de Notícias” de 1 de Agosto de 1974.
[PM] Paulo Morgado, “A Poesia está na Rua” com o Professor Ruy Luís Gomes e os seus Companheiros. Campo das Letras, Porto, 2007 (em edição).
[RLG] Ruy Luís Gomes, Curriculum Vitae político. Espólio arquivado na FCUP.
[RP1] René Pélissier, História das Campanhas de Angola – Resistência e Revoltas 1845-1941, 2º vol. Editorial Estampa, Lisboa, 1997.
[RP2] René Pélissier, As Campanhas Coloniais de Portugal – 1844-1941. Editorial Estampa, Lisboa, 2006.