quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Brancos para Caxias, Pretos para o Tarrafal

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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 1971. No Tribunal Plenário – 4º Criminal – de Lisboa, começa o julgamento de dez pessoas acusadas de apoio ao MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola. Preside ao Tribunal Fernando António Morgado Florindo, acolitado por  Bernardino Rodrigues de Sousa e João de Sá Alves Cortês. Costa Saraiva é o acusador público. Na defesa, ao lado de homens tão experimentados no Plenário como Manuel João da Palma Carlos, jovens advogados como Brochado Coelho, José Augusto Rocha ou Macaísta Malheiros.
A presença entre os arguidos do Presidente de Honra do MPLA, Padre Joaquim Pinto de Andrade – antigo chanceler da arquidiocese de Luanda e à data da prisão a frequentar a Faculdade de Direito de Lisboa – garante a curiosidade internacional: delegados da Amnistia Internacional, Associação Internacional dos Juristas Democratas, Liga Belga dos Direitos do Homem, Federação Internacional dos Direitos do Homem e Associação Internacional dos Cristãos Solidários batem-se pelo direito de assistir ao julgamento, na sala do Plenário em que, por norma, a polícia política preenche, desde logo, grande parte dos lugares.
A perseguição que o regime de Salazar movia a Joaquim Pinto de Andrade justificava o interesse dessas organizações: já em 1950, com patriotas angolanos (seu irmão Mário, Agostinho Neto) ou de outras colónias portuguesas (o guineense Amílcar Cabral e a santomense Alda do Espírito Santo), sonhava e planeava «o futuro das nossas pátrias africana» [1] Mas foi a partir de 1953, após regressar de Roma, onde se formara em Teologia, que as perseguições se sucederam, como a sua defesa recordou, aliás, no Tribunal Plenário: envolvimento no chamado «processo dos 50»,  prisão em 25.7.1960, exílio e prisão no Aljube de Lisboa em 4.7.1960; envio num navio de carga para o desterro na Ilha do Príncipe; regresso ao Aljube de Lisboa em 1961; residência fixa e clausura no Mosteiro de Singeverga; nova prisão na PIDE da cidade do Porto e posterior transferência para as celas do Aljube, em Lisboa, os tristemente famosos «curros». Em  5.1.1963, é libertado apenas para ser sujeito a nova prisão na cadeia de Caxias – «Completava eu 177 dias de prisão preventiva e sem culpa formada. Faltavam três dias para o máximo permitido por lei. Fui posto em liberdade, mas… preso imediatamente a seguir à porta da cadeia do Aljube e transferido para Caxias! No dia 8-1-63, conduzido à sede da P.I.D.E., fui ali informado de que fora posto em liberdade três dias antes e preso de novo à porta da cadeia… porque novas actividades subversivas haviam sido desenvolvidas dentro da cadeia ou à porta da cadeia.» [2] Após 389 dias de prisão ininterrupta sem culpa formada, é colocado em residência fixa no interior do Alentejo. Nova prisão em 24.1.1964, nova colocação em residência fixa num seminário de Vila Nova de Gaia. Preso de novo em Abril de 1970 é finalmente levado, nesse 11 de Fevereiro de 1971, a tribunal.
Com Pinto de Andrade, de 44 anos, sentam-se, no banco dos réus, sete outros homens e duas mulheres, todos jovens e com tons de pele variando entre o negro e o rosado: Álvaro José de Melo Sequeira Santos (Zefus), funcionário bancário, de 34 anos, Raul Jorge Lopes Feio, aluno da Faculdade de Medicina de Lisboa, de 24, José Ilídio Coelho da Cruz, gerente comercial, de 27, Maria José Pinto Coelho da Silva, aluna do ISCEF, de 26, Diana Marina Dias Andringa, redactora de publicidade, de 23, António Manuel Garcia Neto, aluno da Faculdade de Direito de Coimbra, de 26, Rui Filipe de Matos Figueira Martins Ramos, aluno da Faculdade de Direito de Lisboa, de 25, António José Ferreira Neto, médico dos Serviços de Saúde e Assistência de Angola, de 28 e Fernando Emílio de Campos Pereira Sabrosa, aluno da Faculdade de Medicina de Coimbra, de 29. À excepção de José Ilídio, nascido em Santa Isabel, Cabo Verde, e de Maria José, nascida em Lisboa, todos eram naturais de Angola.
A variedade dos tons de pele fora, aliás, salientada pelo MPLA, num Apelo ao Povo Português lido alguns meses antes aos microfones da Rádio Voz da Liberdade pelo seu representante em Argel, Castro Lopo: «O Governo de Marcelo Caetano deu-nos a extraordinária oportunidade de poder patentear aos olhos do próprio povo português a amplitude verdadeiramente nacional do MPLA. Ao julgar em Lisboa dez angolanos acusados de filiação ao nosso Movimento, é toda a matiz das camadas sociais angolanas mobilizadas em torno da nossa bandeira que se exibe, é um testemunho de extrema gravidade que indica bem que todas as camadas sociais do nosso povo são objectivamente por uma Angola livre e independente: um sacerdote, médicos e estudantes, trabalhadores, brancos, negros e mestiços, comparecem ante os tribunais sob a mesma acusação, a de lutarem pela independência de Angola».
Brancos, negros, mestiços, mas não só: pertencentes também a diferentes orientações políticas. Na extensa Nota de Culpa, se Pinto de Andrade, Ferreira Neto, Rui Ramos e Raul Feio são relacionados simplesmente com o MPLA, Garcia Neto e Fernando Sabrosa são acusados também de pertença ao Partido Comunista Português – enquanto que, no decurso dos interrogatórios, a polícia política tentara, sem êxito, conotar as duas rés com um movimento dissidente daquele, a Frente de Acção Popular.
As diferentes posições em relação aos partidos portugueses e ao subjacente diferendo sino-soviético não dividem os réus: ali, é de Angola e do colonialismo português que se trata e vários dos presos aproveitam para, nos seus depoimentos, explicar como foi a sua experiência de vida que os levou a defender o direito do povo angolano à independência e a justeza da sua luta. Negro, Garcia Neto recorda o professor que, no primeiro ano do liceu, lhe chamou «filho de terrorista»; branca, Diana Andringa recorda que, no seu Dundo natal, as escolas eram tão segregadas como na África do Sul. E lembram aos juízes que o direito dos povos sob dominação colonial à independência está longe de ser apenas uma reivindicação «comunista»: defendem-no, também, resoluções das Nações Unidas e, até, encíclicas papais.
Tendo, pela primeira vez nas suas múltiplas prisões, possibilidade de se defender em Tribunal, Joaquim Pinto de Andrade aproveita a ocasião para, através de um longo depoimento lido pelo seu advogado, Mário Brochado Coelho, bem como das declarações das suas 21 testemunhas, fazer o processo do colonialismo português em Angola.
Com parte da sala cheia por agentes da polícia política, apenas alguns familiares e amigos dos réus podem assistir ao desenrolar do julgamento. A extensa leitura é seguida em profundo silêncio e muitos são os que choram ao ouvir a belíssima defesa de Pinto de Andrade. Lágrimas que surgirão também quando uma das suas testemunhas narra as perseguições que, em Luanda, se seguiram ao ataque às prisões, a 4 de Fevereiro de 1961.
Mas enquanto no Plenário decorria o julgamento dos angolanos detidos em Portugal e dos dois brancos presos em Luanda – Ferreira Neto e Rui Ramos – e há um ano enviados para a Cadeia do Forte de Caxias, outros jovens – mestiços e negros – presos em Angola, embora ligados ao mesmo processo, tinham já sido enviados, sem julgamento e por simples medida administrativa, para campos de concentração em Angola e Cabo Verde.
Dessa diferença de tratamento se fizera eco a recém-criada Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Na sua segunda Circular, de 30 de Abril de 1970, referia que, em Outubro e Novembro do ano anterior, tinham sido presas cerca de 70 pessoas em Angola «todos africanos, com excepção de dois angolanos brancos que foram enviados para Lisboa». Não se conhecia, adiantava a Comissão, o destino dado aos restantes, receando-se «que venham a ser enviados para o Tarrafal».
Preocupada com a possibilidade de os presos serem deportados por simples medida administrativa, a Comissão reclamara junto do Ministro do Ultramar por telegrama: «Tendo chegado nosso conhecimento haver sido ordenada deportação e internamento presos angolanos detidos Luanda aguardando julgamento para campos prisionais Tarrafal e Moçâmedes lavramos vivo protesto contra arbitrariedade e descriminação que significa em relação outros presos detidos Lisboa com processo enviado Tribunal. Solicitamos imediata revogação decisão e concessão presos direitos normais de defesa.»
O protesto de nada valeu. A 29 de Abril de 1970, duas semanas depois de, em Lisboa, a DGS ter anunciado a entrega ao Tribunal Criminal dos 10 acusados presos em Caxias, vários dos jovens presos em Angola no âmbito do mesmo processo foram transferidos da Cadeia da PIDE/DGS em Luanda e embarcados, sob prisão, no cargueiro «Manuel Alfredo»”, que os levou a Bissau. Aí passaram 3 dias na cadeia da cidade, voltando depois para o navio, rumo a Cabo Verde. Em S. Vicente foram mudados para uma fragata da marinha de guerra e levados para a ilha de Santiago, onde ficaram internados no chamado Campo de Trabalho de Chão Bom – irónico nome do campo de concentração do Tarrafal onde, nas décadas de 30 e 40, perderam a vida diversos antifascistas portugueses e o regime encerrava agora os patriotas africanos. Só aí os jovens prisioneiros tomam conhecimento de que lhes haviam sido aplicadas administrativamente penas de prisão maior, de 6 a 10 anos.
Segundo a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos[3], foram então deportados os estudantes de Engenharia Eduardo Santana Valentim e Alcino Borges, os estudantes de Medicina Alberto Correia Neto e Justino Pinto de Andrade, o irmão deste, Vicente Pinto de Andrade, e Jaime Gaspar Cohen, ambos alunos do Instituto Comercial; Gilberto Saraiva de Carvalho, ex-aluno de Medicina e alferes miliciano; Justino da Conceição, também no serviço militar, Bernardo Lopes Teixeira, aluno do Instituto Industrial, Paiva Domingues da Silva (que acabara de cumprir 9 anos de internamento no campo de S. Nicolau), Francisco Caetano, Makiala, Aldomiro da Conceição, Tito dos Santos e António José Capita.
Ao mesmo tempo que os seus camaradas presos em Angola eram deportados, os presos em Portugal viam-se no centro de um debate jurídico entre o Delegado do Procurador da Republica e os juízes do Plenário: deveriam ser acusados de um crime de «traição à Pátria», «contra a segurança externa do país» (passível de 20 a 24 anos de prisão) ou do mais comum crime «contra a segurança interna do Estado português» (punido com 8 a 12 anos de prisão)?
Terminados os interrogatórios em Abril de 1970, os presos – quase todos na casa dos vinte anos – confrontavam-se com a hipótese de permanecer na prisão quase pelo mesmo tempo que levavam de vida. Hipótese que parecia tanto mais séria quanto Maria José Pinto Coelho, libertada sob fiança em 17 de Março pela DGS, voltara a ser presa, por ordem do Tribunal. Por outro lado, alguns dos presos percebiam, finalmente, a sanha com que a polícia política – que se intitulava DGS em papéis com o cabeçalho PIDE – os interrogara sobre eventuais amizades com elementos da Embaixada de Cuba, que tinham visitado algumas vezes. É que o crime de traição pressupunha a ligação com potências estrangeiras – e haveria, talvez, a hipótese de insinuar a participação de Cuba nas actividades dos detidos.
E de que eram estes, afinal, acusados? Alguns – Zefus, Rui Ramos, Ferreira Neto, Pinto de Andrade – de serem «militantes do MPLA». Outros – Raul Feio, José Ilídio, Diana – de serem «simpatizantes da linha política de acção violenta do MPLA». Garcia Neto e Sabrosa de serem militantes do PCP e simpatizantes do MPLA.
Quanto às acusações concretas: os 3 primeiros, de ter integrado em Luanda um grupo destinado à defesa da causa da independência – Kimangua – que virá a transformar-se no Comité Regional de Luanda e estaria em contacto com o MPLA no exterior e, sobretudo, com a 1ª Região Militar do Movimento; dedicavam-se à doutrinação política, distribuindo livros, brochuras, panfletos; teriam enviado roupa, medicamentos e munições para a 1ª Região; teriam auxiliado a fuga de desertores; teriam levado a cabo distribuições de panfletos em Luanda durante a visita a Angola de Marcelo Caetano e tentado provocar, através de pequenos engenhos explosivos, instabilidade durante a mesma visita (no que confessavam ter lamentavelmente falhado). Os restantes, de lhes ter prestado auxílios diversos, em dinheiro, papel, livros, medicamentos, fotografias, transporte de desertores. Num processo em que, visivelmente, a polícia política perde o pé – em pleno julgamento, a única testemunha de acusação, um agente da PIDE/DGS, acusa um dos presos de ter desviado um avião para Ponta Negra, embaraçando-se mal a defesa, curiosa, perguntou: «E depois voltou para ser preso?» – em desespero de causa, uma das rés é mesmo acusada de ter levado roupas para um angolano preso em Peniche, como se de um crime se tratasse… Maria José tem uma única acusação: ter levado para Paris, e ali posto no correio, uma carta destinada ao Comité Director do MPLA.
A 30 de Março de 1971, os três juízes do Tribunal Plenário de Lisboa ditam a sentença: 4 anos e meio de prisão maior e 2 anos de multa para Álvaro Sequeira Santos e Garcia Neto, 3,5 anos de prisão e 2 de multa para Rui Ramos, 3 anos de prisão e 2 de multa para Joaquim Pinto de Andrade, 2,5 anos de prisão e 2 anos de multa para Ferreira Neto, 20 meses de prisão e multa para Diana Andringa, 18 meses de prisão e multa para Raul Feio e Fernando Sabrosa, 16 meses de prisão e multa para José Ilídio Cruz. Os condenados a pena maior sofrem também privação de direitos políticos por 15 anos e os restante por 5 anos. Maria José é absolvida, após 13 meses na prisão.
Entretanto, continuam presos no Tarrafal os jovens detidos em 1969 em Luanda. Familiares e advogados empenham-se numa luta pela aplicação de habeas corpus. A 27 de Junho de 1973, a Secção Criminal do Supremo Tribunal de Justiça – composta por José Osório da Gama e Castro Saraiva de Albuquerque, Adriano Vera Jardim e Jacinto Fernandes Rodrigues Bastos – analisa os pedidos de Bernardo Lopes Teixeira, Jaime Cohen e Gilberto Saraiva de Carvalho e conclui que estão efectivamente presos no Campo de Chão Bom (Tarrafal) e que tal prisão é ilegal, visto que a medida administrativa que lhes fora aplicada «não consente a prisão, mas apenas a fixação de residência» e decide por isso ordenar que sejam imediatamente postos em liberdade, «sem prejuízo na medida de segurança de fixação de residência que lhes foi aplicada». A decisão é comunicada ao director do Campo do Tarrafal no dia seguinte, 28, mas os presos não são libertados. A 5 de Julho, o director chama-os para lhes dizer ter recebido um telegrama mandando-os apresentar na Direcção Geral de Segurança. Passam essa noite sob prisão na delegação da polícia política na Cidade da Praia. No dia seguinte, sempre sob prisão e em avião especialmente fretado, seguem para a Ilha do Sal e daí para Portugal, onde ficam na Cadeia do Forte de Caxias. Partem, a 10 de Julho, para Luanda, onde são conduzidos para o Pavilhão Prisional da DGS. Aí lhes é comunicado pela polícia que vão ser internados no Campo de Recuperação de S. Nicolau, em Moçâmedes, por 3 anos. O despacho que determina o seu internamento tem a data de 13 de Julho e é assinado pelo Secretário Geral de Angola, Soares Carneiro.
Como pode ler-se «Angolanos no Tarrafal: alguns casos de habeas corpus»[4], «foi, portanto, a S. Nicolau que os três beneficiários do habeas corpus foram dar. Imediatamente metidos na “prisão” do Campo, aí jazeram dois dias, dormindo no chão, sem quaisquer condições de higiene nem de alimentaç㻓.
Transferidos para S. Nicolau III, são depois sujeitos a trabalhos forçados nas salinas: «Das 6,45 às 12 e das 13,20 às 17 horas, transportam terra ou sal em gamelas de madeira, à cabeça ou aos ombros, sob a vigilância permanente de um encarregado», narra-se, no livro citado. Para terminar com uma pergunta: «Quantas gamelas de sal terão ainda que carregar, até que lhes nasça o dia da justiça?»
A libertação chega no ano seguinte, na sequência do 25 de Abril. O sonho que tiveram para Angola, esse, tarda a cumprir-se.

[1] Excerto de uma carta de JPA a Agostinho Neto
em 3.5.1976, citada por Mário Brochado Coelho, em texto de homenagem a Joaquim Pinto de Andrade, 2003.
[2] Disponível aqui.
[3] Circular nº 5, de 10 de Agosto de 1970.
[4] Abranches-Ferrão, Fernando, Francisco Salgado Zenha, Levy Baptista, Manuel João da Palma Carlos, “Angolanos no Tarrafal: alguns casos de habeas corpus Colecção bezerro d’ouro, Afrontamento, Porto 1974.

(Publicado no nº 27 da colecção Os anos de Salazar/ O que se contava e o que se ocultava durante o Estado Novo , coordenada por António Simões do Paço.)
 
 Posted by Diana Andringa under História

domingo, 2 de janeiro de 2011

Colecção História Geral da África em português


Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.


Download gratuito (somente na versão em português):
Informações Adicionais:
creditos imagem:
www.ceao.ufba.br

    quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

    Angola,criminales y Vadíos desterrados

    A busca por estabelecer uma associação entre o degredo e uma função social útil ao projeto colonizador parece estar constantemente presente nas preocupações da Coroa portuguesa para a administração de seu império, como podemos ver na seguinte ordem régia dirigida ao ouvidor de Pernambuco, em 1715:“Faço saber a vos (...) que passandosse ordem em 26 de dezembro de 1710 a vosso antecessor, para que aquelles criminozos que estivessem em pena de degredo, e por crimes tais que merecessem o desterro de Angola, os fizesse remeter para aquele Reyno, e ainda alguns vadios que conhecesse podião servir de grande perturbação nessa Republica, e de escandalo aos povos (...),me propos em carta (...) do anno passado, e duvida que se lhe oferecia sobre a execução da dita ordem se havia executar nos criminozos que estivessem na dita pena sem esperar a sentença da Rellação da Bahia para onde havia apellar (...), nem em outro cazo dos vadios em que não devia haver appellação nem aggravo por serem sumarios. E pareceo dizervos que a Refferida ordem que se passou a vosso antecessor para serem mandados os vadios para angolla foi somente por aquella ocasião e se não deve extender para o mais tempo e assim neste particular deveis guardar a ordenação e o vosso regimento não os a respeito dos vadios, mas tambem dos mais criminozos (...).”232
    Essa ordem faz parte de uma correspondência administrativa entre a Coroa e seus representantes no império que apresenta, em diferentes momentos, uma vontade política de
    retirar os vadios do convívio social, aqui especificamente Pernambuco.(PAG 131).
    http://www1.capes.gov.br/teses/pt/2003_dout_ufpe_kalina_vanderlei_paiva_da_silva.pdf
    Aclaraciones:(Sergio Vieira).
    ---------A palavra vadio acabou gerando vadiagem que por algum motivo se relacionou com vagabundo ou vagabundagem, que significa alguém que anda vagando sem fazer nada, sem trabalhar. Ocorre que os escravos (vadios) faziam suas algazarras em momentos de ócio. E a isto diziam que os vadios eram vagabundos.
    ---------Cuidado com a palavra "vadiação". Trata-se de um erro linguistico.Os portugueses da região do Porto, norte de Portugal, trocam o V pelo B - exemplo: vidro = bidro; bacalhau = vacalhau. Pois bem. Este portugues denominavam os negros habitantes das ilhas da África como "badios", mas pronunciavam "vadios". No Brasil passaram a apelidar todos os negros como badios, ou seja, como "vadios" e todas as suas práticas nas folgas, como badiagem, ou seja, "vadiagem". Agora... o significado de badios, eu não sei o motivo, mas creio que é uma palavra chave.

    Angola,criminales y Vadíos desterrados

    terça-feira, 28 de dezembro de 2010

    Indios brasileiros nas tropas holandesas em Angola em 1641
















    Origem

    Índios do Brasil

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    La fundación de Brasil: testimonios 1500-1700

     Escrito por Darcy Ribeiro,Carlos de Araújo Moreira Neto,Gisele Jacon de A. Moreira LIBRO:La Fundación de Brasil Escrito por Darcy Ribeiro, Carlos de Araújo Moreira Neto, Gisele Jacon de A.
    Origem









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    LIBRO:La Fundación de Brasil Escrito por Darcy Ribeiro, Carlos de Araújo Moreira Neto, Gisele Jacon de A.(pag LVII)
     
    Origem
     
    1641-Los holandeses ocupan Angola, los portugueses no tienen otro camino que recurrir a Mozambique como fuente de aprovisionamiento de esclavos para su colonia en el Brasil

    DE BENGUELLA Á CONTRA-COSTA. Reinos africanos antigos. Jornada a Ngola.--O Sova Chimbarandongo



































    Jornada a Ngola.--O Sova Chimbarandongo




    CAPITULO IV.
    POR TERRAS AVASSALLADAS.


    Jornada a Ngola.--O Sova Chimbarandongo.--Belleza do caminho.--Chegada a Caconda--José d'Anchieta.--Nada de correspondencia.--Chegada do Chefe.--Vamos aos carregadores.--Ivens vai ao Cunene e eu vou ao Cunene.--Volta de casa do Bandeira.--Falham os carregadores.--O meu juizo.


    No dia 1o de Janeiro de 1878, deixámos Quillengues, tendo ali feito provisão de vìveres, e comprado bastante gado para matar, bois e carneiros. O chefe, Tenente Roza, acompanhou-nos uns 7 kilòmetros, e voltou á sua residencia, seguindo nós sempre a S.E., até ás faldas da serra de Quillengues, onde acampámos junto á povoação do Secúlo Unguri. Tìnhamos um companheiro de viagem, que em Quillengues nos tinha pedido, o deixàssemos ir até ao Bihé em nossa companhia. Era elle Verìssimo Gonçalves, filho de um conhêcido sertanejo do Bihé, môrto havia pouco, que em Quillengues era empregado de um ex-criado de seu pai. Este rapaz, mulato e de mesquinha educação, como era de côrpo acanhado, cheio de vicios, dos proprios a tal gente, tinha alguma cousa de bom, e era intelligente. 

    Tem de figurar no correr d'esta narrativa, e por isso o menciono mais particularmente.Era acanhado e tìmido, mas não covarde, e debaixo de uma apparencia fraca, possuia uma forte organização e mùsculos de ferro. Sabía apenas ler e escrever, mas era um soffrivel atirador de segunda ordem, e manhoso caçador.Durante a demora em Quillengues, consegui domesticar dois dos jumentos, que n'esta nôva jornada já me servíram de cavalgaduras.


    No seguinte dia, logo á saída, começámos a ascensão da serra de Quillengues, que n'esse ponto se chama Serra Quissècua.  A subida foi difficìlima, e durante três horas lutámos com as agruras da montanha, elevando-nos a 1740 metros do nivel do mar, ou 836 acima do planalto que termina em Quillengues. 
     
    Em um desfiladeiro da serra passámos um pequeno ribeiro, que os indìgenas chamam Ob a b a - t e n d a, o que  quer dizer àgua fria, fomos acampar na margem de outro chamado Cuverai, affluente do Cúe. Estes
    dois ribeiros sam permanentes, e sam àguas que correm ao Cunene. O terreno continúa granìtico, mas a vegetação muda completamente de aspecto--de certo devido isto á altitude. O baobab desappareceu, e já se encontram fetos á sombra das innùmeras e variadas acacias que povôam as matas. A flôra apresenta riqueza maior em plantas herbàceas, e nas gramìneas sôbre tudo nota-se uma fôrça de vegetação vigorosissima.



    Notei que atravessámos regiões onde se não encontra uma só ave, e de repente entra-se em zonas onde
    milhares de passarinhos fazem uma chiada enorme. Caça vi ali pouca, mas os rastos anunciam havel-a.
    Na noite do seguinte dia aconteceu-nos uma aventura curiosa. Estàvamos acampados junto do ribeiro Quicúe, que corre a S.E., em leito granìtico, e vai, provavelmente, engrossar o Cúe; quando sentímos a cadella do Capello ladrando e arremettendo furiosa, contra alguma cousa que se aproximava da barraca.Ao mesmo tempo sentìamos um forte ruminar perto de nós; o que nos fez suppor, que os jumentos se tinham soltado e pastavam dentro do campo, que era cercado de abatises espinhosas. Falámos á cadella e adormecémos. Ao alvorescer ouvímos grande rumor no campo, e saindo logo, soubémos, que os prêtos, que ao principio tinham julgado, como nós, que os burros andavam á sôlta, percebêram depois que se enganavam, e que um animal estranho se tinha introduzido no campo. Fôra effectiva menta um bùfalo enorme que nos dera a honra da sua companhia durante a noite. O caso era notavel e de explicação difficil, a não serem os repetidos rugidos dos leões que se tinham ouvido;  fazendo com que o bùfalo viesse buscar guarida entre nós. No seguinte dia fomos acampar pròximo da povoação de Ngóla, e eu fiz logo annunciar a minha visita ao Sova. Depois do almôço, fui á libata procural-o. Fiz-me acompanhar dos meus muleques, levando uma cadeira para mim, e dois guardasóes.


    O Sova appareceu-me logo, armado de dois cacetes e uma azagaia.Trajava tanga comprida de panno da costa, e sôbre ella uma pelle de leopardo. Tinha o peito nú pendendo-lhedo pescôço um sem-nùmero de amuletos. Recebeu-me fôra da sua barraca, por um sol abrasador; e eu offereci-lhe um guardasol, que levava para isso, de panninho encarnado; favor a que elle se mostrou muito grato.

    Disse-lhe o que andava por ali a fazer, cousa que elle não percebeu muito bem; comprehendendo com-tudo perfeitamente, que lhe offerecia um pequeno barril de pòlvora, 50 pederneiras e uma duzia de guizos de latão, sem nada lhe pedir em troca--o que sôbre modo o espantou. Convidei-o a vir ao nosso campo ver os meus companheiros; e elle accedeu a isso acompanhando-me; coisa  muito de notar, que os chefes indìgenas sam desconfiados. Dizendo-lhe, que mandasse uma vasilha em que eu lhe podesse dar àgua-ardente, foi elle buscar uma botija de litro. Mostrei-me admirado de que um chefe quizesse tão pouco, e convidei-o a procurar vasilha maior. Mandou então buscar uma cabaça que levaria o duplo da botija, e eu pedi-lhe que juntasse outra igual. O Règulo não podia dissimular a sua admiração pêla minha generosidade. Partímos a pé, acompanhados por três das mulhéres, as filhas, e muito pôvo, tôdos sem armas, para me mostrarem a confiança que eu lhes havia inspirado. Chegámos ao campo quando Capello fazia observações meteorològicas, e o Sova ficou admirado diante dos thermòmetros e dos baròmetros. O Ivens veio logo para junto de nós, e depois de grandes comprimentos, mostrámos ao Règulo as armas de Snider e de Winchester, que lhe causáram verdadeiro assombro. Este Chimbarandongo, que tal é o nome do sova de Ngóla, é intelligente, e sabe viver com o seu pôvo.


    Offereceu-nos um boi, e tendo eu pedido licença para o matar, por haver necessidade de provisões, consentio n'isso, pedindo-me para lhe atirar eu. O boi estava estranho, e fugio para o mato, a uns oitenta metros de nós. Indiquei ao Sova o sitio em que o ia ferir, e disparei. O boi cahio. Chimbarandongo foi ver o animal, e attentando na ferida, da qual corria o sangue, aberta entre os olhos, no sitio que eu indicava, ficou tão maravilhado, que me deu repetidos abraços no meio do seu enthusiasmo.  Pêlas 4 horas, formou-se sôbre nós tempestade violenta, que se desfez em raios e copiosa chuva, durando atéás 6 horas.


    O Sova e as mulhéres recolhéram-se á nossa barraca, assim como alguns dos macotas. Chimbarandongo fez um discurso aos seus macotas, tendente a provar-lhes, que nós tìnhamos trazido a chuva, e com ella um grande beneficio ao paiz, ressequido pêlos calores do estío.


    Tentámos explicar-lhe, que não tìnhamos tão grandes poderes, e que só Deus governava nos grandes phenòmenos da natureza; levando o Ivens a questão a ponto de lhe explicar como e porque chovía. Ouvindo isto, fez o Sova sair os seus macotas e mais pôvo que escutava a lição meteorològica.


    Depois d'isso, tendo-se de novo reunido o pôvo, elle disse, que se deixasse de chover, indagaria qual dos seus sùbditos tirara a chuva, e o castigaria de morte. Nôvo discurso da nossa parte contra a pena capital; e nôva ordem de despejo da parte d'elle, que, a pesar do meio embriagado, tinha tino bastante para não comprehender que as nossas theorías não quadravam ao seu systema governativo.


    Ao anoitecer retirou-se do modo o mais còmico, indo acavallo em um dos seus conselheiros, que levava as mãos nos hombros de outro; e como estivessem tôdos embriagados, a cada passo perdiam o equilibrio, ameaçando com a queda partir a cabêça ao seu soberano.


    Este règulo é sensato e homem de bom juizo. Não acredita em feitiços; nem acreditava que nós lhe tivessemos trazido a chuva; mas convem-lhe apparentar que o crê, para não perder o prestigio entre os seus, que só assim querem ser governados.


    No seguinte dia, vindo elle despedir-se de nós, me disse, que a sua polìtica era ser amigo dos brancos; pois que das bôas relações com elles provinha a roupa com que se cobria, e as armas e a pòlvora com que continha em respeito os seus inimigos.


    "Sem os brancos," me disse elle, "nós somos mais pobres que os animaes; porque a elles temos de tirar as
    pelles para nos cobrirmos; e sam bem loucos os prêtos que não cultivam a amizade dos filhos do Puto."


    A libata ou povoação de Ngóla é fortemente defendida por uma dupla palissada feita com arte, que tem até uma das faces dentada para cruzamento de fogos. É tão vasta que pôde conter tôda a povoação do paiz, que ali se recolhe, em caso de guerra, com seus rebanhos. O ribeiro Cutóta corre dentro d'ella, fazendo que possa resistir a longo assedio sem receiar a sêde.


    Deixando Ngóla, caminhámos por duas horas a N.E., e encontrámos o Cúe, o maior dos rios, que corre entre Quillengues e Caconda. No sitio em que tentámos a passagem tinha elle 15 metros de largo por 3 a 4 de fundo, não dando por isso vao. A chuva torrencial da vèspera, augmentando-lhe o volume d'àgua, tinha tornado impetuosa a corrente.  Uma ponte de finos troncos de arbustos, offerecia uma perigosa difficil passagem aos homens carregados... Continua...


    in 
    COMO EU ATRAVESSEI ÀFRICA DO ATLANTICO AO MAR INDICO,  DE BENGUELLA Á CONTRA-COSTA, A-TRAVÈS REGIÕES DESCONHECIDAS . Por SERPA PINTO

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    LIVRO: História e cultura afro-brasileira

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    História e cultura afro-brasileira

     Escrito por Regiane Augusto de Mattos

    Cronologia Colonização portuguesa no século XIX. Pernambucanos en Angola





    A Colonização Portuguesa no Século XIX à Luz da Estratégia*
    Tenente‑Coronel Pil Av João José Brandão Ferreira**
    ** Sócio Efectivo da Revista Militar


    Anexo A

    Cronologia
    Colonização portuguesa no século XIX

    1801 – Fundação da Escola de Medicina e Cirurgia de Goa
    – Guerra das Laranjas com a Espanha (27 de Fevereiro). Anulação do Tratado de Badajoz.
    1804 – Napoleão reconhece a neutralidade de Portugal.
    1807 – Junot invade Portugal (I invasão francesa).
    1808 – Convenção de Sintra que sela a expulsão de Junot e do resto do seu exército.
    – Criação do Banco do Brasil.
    1809 – Soult invade Portugal (II invasão francesa).
    1810 – Massena invade Portugal (III invasão francesa).
    – Tratado Comercial entre Portugal e Inglaterra.
    1814 – O Papa restabelece a Companhia de Jesus, que havia sido suprimida em 21/7/1773, mas o governo português declara à Santa Sé que não consente a sua readmissão.
    1815 – Congresso de Viena.
    O Brasil é elevado a Reino.
    1816 – Exportam-se menos da sexta parte dos tecidos de lã que se expor­tavam em 1796.
    1817 – É estabelecida uma feitoria em Banguecoque, no Sião.
    O Conde de Rio Pardo funda a Academia Militar de Goa.1820 – Inicia-se a navegação a vapor e melhoram consideravelmente as ligações entre todas as parcelas do território nacional.
    1821 – Equiparação do território continental e do Brasil como área igual­mente válida para o exercício da soberania nacional, quer no aspecto político, quer no aspecto sócio-económico.
    – Extinção do Tribunal do Santo Ofício.
    1822 – Independência do Brasil.
    – O Brasil proclama a Independência a 7 de Setembro.
    1823 – Fundação da Fábrica de Vista Alegre.
    – O Conselho Ultramarino, que se havia deslocado para o Rio em 1807, regressa a Lisboa.
    1823 – Tratado de Paz entre Portugal e o Brasil.
    1825 – Reconhecimento da Independência do Brasil.
    1830 – Em Goa, o Governador é elevado a Vice-Rei, sendo o último Governador a usar esse título.
    1832 – D. Miguel dá existência legal a jesuítas franceses que haviam entrado em Portugal e entrega-lhes o colégio das Artes.
    – Legislação de Mouzinho da Silveira que em relação ao Ultramar provocou uma mudança na divisão administrativa que deu origem ao termo “Província” que, até 1835, passaram a ter à sue frente os “Perfeitos”.
    1833 – A Alfândega da Casa d Índia criada em 1630, é extinta e incorporada na “Alfândega Grande” de Lisboa (17 de Novembro).
    – É extinto o Conselho Ultramarino.
    – Portugal corta relações com a Santa Sé (5 de Agosto).
    – Publicação do Código Comercial, de Ferreira Borges.
    1834 – As dioceses de Calcutá e Madrasta são separadas do Padroado.
    – Extinção das Ordens Religiosas e nacionalização das suas casas e bens tanto na Metrópole como no Ultramar.
    – Fundação das Associações Comerciais de Lisboa e Porto.
    – Os negócios do Ultramar, até aqui tratados por Secretaria de Estado própria, são distribuídos pelas diversas Secretarias do Reino, Justiça, Fazenda, Guerra, Estrangeiro e Marinha, segundo a sua natureza.
    1835 – Os “Perfeitos” das províncias ultramarinas são substituídos por “Gover­na­dores” e é criada a Secretaria de Estado dos Negócios do Ultramar, anexada à Secretaria da Marinha.
    1836 – Sá da Bandeira num relatório às cortes (19-II) afirma a necessidade de:
    – Reformar inteiramente a legislação colonial; organizar o Ministério do Ultramar; sustar a saída de mão-de-obra para o Brasil; estabelecer europeus na Guiné, Angola e Moçambique que se dediquem à agricultura e à indústria;
    – Sá da Bandeira considera que o investimento dos nossos meios humanos, materiais e técnicos nos territórios africanos passa a ser um objectivo nacional a promover com urgência para evitar a cobiça e a concorrência dos grandes estados europeus;
    – O Decreto de 4 de Dezembro refere “domínios africanos” e “domínios asiáticos”;
    – Os Governadores Gerais têm competência administrativa de gover­nador civil e a competência militar dos generais de província, tendo todas as autoridades provinciais, subordinadas, excepto as judiciais e são coadjuvados por um Conselho de Governo;
    – Sá da Bandeira, relata a necessidade de um órgão colegial para se ocupar dos negócios ultramarinos;
    – Situação agitada em Goa.
    – É publicada, pelo ministro Vieira de Castro, a primeira Carta orgânica de Administração Ultramarina (7 de Dezembro) em que os territórios africanos são agrupados em três Governos Gerais e um Governo Particular – Cabo Verde (incluindo a Guiné); Angola e Moçambique; S. Tomé e Príncipe, dependente de S. João Baptista de Ajudá constitui um Governo Particular; e os territórios asiáticos constituem um Governo Geral com sede no Estado da Índia do qual dependem Macau e Timor. Os Governadores Gerais têm competência administrativa de governador civil e competência militar dos generais de província, tendo todas as autoridades provinciais subordinadas, excepto as judiciais, e são coadjuvadas por um Conselho de Governo.
    – Proibição de exportação e importação de escravos nas colónias portuguesas ao Sul do Equador.
    – Proibição de importação e exportação de escravos das colónias portuguesas a sul do Equador.
    1837 – Os franceses na Guiné, ocupam toda a margem esquerda do Casamansa.
    – Honório Barreto ratifica a posse da Ilha de Bolama (Dezembro);
    – Almeida Garrett, seguindo a orientação de Bernardo Sá Nogueira, na Câmara dos Deputados, nota a falta de um corpo consultivo que apoie a política ultramarina (31 de Março).
    – É restabelecida a ordem em Goa, Damão e Diu (Novembro).
    1838 – O Tenente britânico Kelly aprisiona, em Bolama, para cima de duzentos escravos e afixa um edital a declarar que Bolama é britânica.
    – Sá da Bandeira dá ordem para construir dois fortes na margem sul do Casamança (21 de Junho).
    – Criada uma companhia de navegação para ligar o Reino a Angola;
    – Criadas, na Secretaria de Estado da Marinha e dos Negócios do Ultramar, duas secções distintas: a da Marinha e do Ultramar (25 de Maio).
    1839 – Volta o Tenente Kelly a Bolama para saquear os bens portugueses da ilha e comunica ao Governador de Bissau, que Bolama e todo o arquipélago dos Bijagós pertencem à Inglaterra.
    – A Inglaterra acusa o Estado da Índia de acolher rebeldes fugidos de Bombaim e propõe a cedência de Goa, Damão e Diu à Companhia das Índias Orientais, o que Sá da Bandeira, em nome da Rainha, recusa energicamente (12 de Março).
    – A Inglaterra insiste oferecendo a quantia de 500 000 libras, o que volta a ser recusado.
    – São publicados em decreto, uma carta régia em que a Rainha autoriza a fundação da “Associação Marítima e Colonial com as secções de Marinha Militar, Colónias e Marinha Mercante (5 e 21 de Nov.)
    – Fundação da Associação Marítima e Colonial com as secções de Marinha Militar, Colónias e Marinha Mercante.
    1840 – Início da colonização de Moçâmedes.
    – Bernardo de Sá Nogueira apresenta na Câmara dos Senadores um projecto de lei restabelecendo o Conselho Ultramarino (10 de Junho), que não se chegou a votar.
    1841 – A Academia Militar de Goa é transformada na “Escola Matemática e Militar”.
    – São reatadas as relações com a Santa Sé.
    – É enviado para a Índia o “Batalhão Provisório” de tropas do reino para reforçar a guarnição do Estado.
    1842 – Novo código Administrativo aplicável ao Ultramar.
    – Tratado com a Inglaterra destinado á abolição da escravatura.
    – A tripulação do vaso de guerra inglês Pluto, saqueia a ilha das Galinhas e Bolama (Março).
    – O Tenente Lapidje vai a Bolama e dirige uma proclamação à população declarando que Bolama é britânica (Maio).
    – O Governador do Estado da Índia fracciona o Batalhão Provisório do Reino e manda um destacamento para Macau, para garantir a neutralidade do território perante a guerra entre a China e Inglaterra. As tropas revoltam-se e não cumprem a ordem, que acaba por ser revogada pelo Conselho de Governo, dado ter o Governador entre­gado o poder ao Conselho.
    1843 – O explorador Joaquim Rodrigues Graça é enviado ao interior da província de Angola a demandar as cabeceiras do Rio Sene e o Bié. Pangim, no Estado da Índia, é elevada à categoria de cidade com o nome de Nova Goa.
    1844 – Fundação da Companhia Nacional dos Tabacos e da Companhia das Obras Públicas. O Porto de Luanda é aberto à marinha de comércio estrangeiro.
    – Macau e os estabelecimentos de Solôr e Timor passam a constituir uma só província, independente do Estado da Índia.
    – Decreto de 20 de Novembro, determina que os territórios do Pacífico passam à categoria de província, ficando separados da tutela do Governo da Índia, que inclui a cidade de Macau e os estabelecimentos de Solôr e Timor.
    – Criação da Repartição de Saúde Pública e organização do Serviço de Saúde, em todas as províncias ultramarinas;
    – O porto de Luanda é aberto à Marinha de comércio estrangeiro.
    – É ratificada a criação da Escola Médico-Cirúrgica de Goa pelo Reino (11 de Janeiro).
    1846 – Rodrigues Graça penetra no Catanga.
    1847 – Os ingleses voltam a cortar o pau da bandeira portuguesa em Bolama.
    Colonos portugueses partem do Recife (Brasil) para Angola, onde fundam a Cidade de Moçâmedes (23 de Maio).
    – Procedentes de Pernambuco, no Brasil, chegam a Moçâmedes, An­gola, os primeiros colonos portugueses (4-VIII).
    1848 – Acordo com a Santa Sé para a reintrodução de ordens religiosas em Portugal.
    1849 – Chega a Moçâmedes o primeiro grupo de colonos.
    1850 – Na Madeira dá-se o colapso do vinho, passando a ter maior interesse pelo açúcar. Desponta o turismo, em especial para a cura da tuberculose.
    – O Governo de Solôr e Timor é separado de Macau.
    – Nova proposta nas Cortes para a criação do Conselho dos Negócios Ultramarinos (15 de Março).
    1851 – Fontes Pereira de Melo cria o novo Conselho Ultramarino.
    – Nova investida inglesa em Bolama.
    – O Governador de Timor, exorbitando das suas prerrogativas, conclui com a Holanda um tratado pelo qual concede a Ilha das Flores e o Arquipélago de Solôr. O governador embarca sob prisão para o Reino e acaba por morrer em Batávia.
    – As forças militares da Índia dispõem de quatro corpos de infantaria, um de artilharia, uma corporação de engenheiros, uma guarda municipal, fortalezas artilhadas e guarnecidas, dois arsenais, um do exército e outro da marinha, uma fábrica de pólvora e uma Escola Militar.
    1852 – Criação do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria.
    – É delimitada a fronteira de Goa.
    – Regimento do Conselho Ultramarino; a 6ª Secção trata da Guerra e Marinha (29 de Dez.).
    – Silva Porto explora o Bié e o alto Zambeze, onde acolhe Livingstone, passa a Cabinda, onde encontra Henry Stanley e depois ao Barotze.
    1853 – A Rainha tenta salvaguardar as missões, ficando a da China a cargo do Seminário do Bombarral; as de África, do Seminário de Luanda e as da Índia confiadas ao clero de Goa.
    – Tentativa mal sucedida, de reforma administrativa do Ultramar, da iniciativa de Almeida Garrett, pela qual cada colónia teria a sua lei orgânica especial, adaptada às condições locais.
    – Nova tentativa inglesa para se apoderar de Bolama.
    – Silva Porto atinge o Lui, no Barotze, e daí envia para leste o pombeiro João da Silva.
    – Houve que fazer frente a acções inglesas para dominar o Ambriz e Cabinda.
    1854 – É publicada uma lei que considera libertos os escravos pertencentes ao Estado, estabelecendo também a libertação de todos aqueles que foram importados por via terrestre para quaisquer domínios em Portugal.
    1855 – Na Índia, tropas portuguesas e inglesas colaboram na repressão de uma revolta, na zona fronteiriça.
    1856 – A Companhia União Mercantil estabelece as primeiras carreiras regulares, a vapor, da Metrópole para Angola.
    1856 – Concessão de liberdade a todos os escravos que desembarquem no conti­nente, ilhas adjacentes, Índia e Macau (5 de Junho).
    – Inauguração do primeiro troço dos Caminhos-de-Ferro Portugueses de Lisboa ao Carregado.
    1857 – Criação, em Huíla, de uma colónia militar agrícola.
    – É publicada a Concordata entre Portugal e a Santa Sé que mantém o Padroado da Coroa Portuguesa em relação à China a partir de Macau e na Índia em relação às Igrejas de Goa, Granganor, Cochim e Malaca (21 Janeiro).
    – Questão da barca Charles et Georges.
    1858 – É publicado o decreto que fixa o termo da escravidão para daí a 20 anos.
    – A Companhia União Mercantil estabelece as primeiras carreiras regulares a vapor, da metrópole para Angola.
    – Voltam os ingleses a Bolama.
    1859 – Reorganizada a administração superior dos negócios da marinha e do ultramar. É instalada pelos ingleses, a primeira linha telegráfica ligando Pangim a Bombaim.
    1860 – Reorganizada a Administração Superior dos Negócios da Marinha e do Ultramar e publicado o Plano de Reorganização da Secretaria de Estados dos Negócios da Guerra (6 e 22 de Novembro).
    – Voltam os ingleses a Bolama, nomeando um Governador que é rejeitado.
    1861 – Tratado de Tien-Tsin, entre Portugal e a China em que esta reconhece Macau como colónia portuguesa.
    – É renovada a tentativa de estabelecimento dos ingleses na baía de Lourenço Marques.
    – Os ingleses afirmam que não havia em Bolama um só português.
    – O governo inglês decidiu incorporar Bolama na Colónia da Serra Leoa.
    1862 – É fundada em Macau uma Escola de Pilotos.
    – Através do Tratado de Tien-Tsin, o governo da China reconhece Macau como território Português (13 de Agosto).
    1863 – É delimitada a fronteira de Nagar-Aveli.
    1864 – Monopólio do Tabaco.
    – A China afirma que Macau não pode deixar de ser território chinês.
    1865 – É abolida a escravatura em Macau.
    – Fundação da Companhia União Fabril.
    1866 – O Governador de Cabo-Verde decidiu libertar Bolama do domínio inglês.
    1867 – Abolida a pena de morte em Portugal.
    1868 – É extinto, novamente, o Conselho Ultramarino e criada em sua substituição a Junta Consultiva do Ultramar (9 de Novembro).
    – A 13 de Janeiro é assinado em Lisboa um protocolo que escolhe como árbitro para resolver o caso de Bolama, o Presidente dos EUA, Ulisses Grant.
    1869 – Aprovação da Nova Carta Orgânica da Administração Ultramarina, na qual predominava a orientação assimiladora. O Ultramar ficou divi­dido em 6 províncias: Cabo Verde, que compreendia a Guiné; S. Tomé e Príncipe com S. João Baptista de Ajudá; Angola; Moçambique; Estado da Índia, Macau e Timor. Cada uma delas era governada por um Governador com atribuições civis e militares e eram Governa­dores‑gerais as de Cabo Verde, Angola, Moçambique e Estado da Índia que tinham junto, um Conselho do Governo e uma Junta Geral da Província.
    – Rebelo da Silva abraça a pasta da Marinha e Ultramar e constitui uma comissão para estudar a reforma das instituições administrativas do Ultramar, da qual resultou a aprovação por decreto (1.12.69) da nova Carta Orgânica da Administração Ultramarina, na qual predominava a orientação assimiladora. O Ultramar ficou dividido em seis províncias: Cabo Verde ou Senegambia portugue­sa, que continuava a compreender a Guiné; S. Tomé e Príncipe, com S. João Batista de Ajudá; Angola; Moçambique; Estado da Índia, Macau e Timor. Cada uma delas era governada por um Governador com atribuições civis e militares e eram Governadores-gerais os de Cabo Verde, Angola, Moçambique e Estado da Índia, que tinham junto um Conselho do Governo e uma Junta Geral da Província.
    – É decretada a extinção definitiva da escravatura em todos os domínios portugueses (23 – II).
    – Em Goa são extintos o Arsenal do Exército e a Fábrica da Pólvora (25 de Novembro) e várias Companhias do Exército da Índia (2 de Dezembro).
    1870 – É assinada a 2 de Abril a Sentença Arbitral por Ulisses Grant, presidente dos EUA, que reconhece os direitos portugueses sobre Bolama (que os ingleses reivindicavam para si).
    – Revolta das forças militares da Índia.
    1871 – Fundação da Empresa Insulana de Navegação.
    – É enviado para a Índia um Batalhão comandado por D. Augusto, irmão do Rei.
    1872 – Campanha militar dos Dembos (Angola).
    – Chega a Goa o navio Índia com o Batalhão expedicionário (3 de Março); amnistia decretada em nome do rei e inicia-se a extinção e redução das forças do exército da Índia.
    1874 – Início do estudo da linha-férrea de Luanda-Malange (Decreto de 9 de Dezembro).
    1875 – Por arbitragem da França (Presidente Macmahon), ficam aprovados os direitos portugueses sobre as terras de Lourenço Marques.
    – Fundada a Sociedade de Geografia.
    1876 – É proposta, em sessão na Sociedade de Geografia de Lisboa, a viagem da travessia do continente africano por Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto.
    1877 – Serpa Pinto vai de Benguela ao Bié e estuda as nascentes do Cuanza.
    – Capelo e Ivens percorrem as regiões de Benguela e as terras de Iaca, determinando os cursos dos rios Cubango, Luando e Tohicapa (início da expe­dição);
    – Visita do Rei D. Luís I às possessões da África Ocidental portuguesa.
    1878 – Portugal e Inglaterra firmam um tratado, por 12 anos, para que o Comércio do Sal e Sura (álcool) no território português do Estado da Índia fosse controlado por Bombaim, para evitar o contrabando.
    1879 – A Guiné é separada administrativamente de Cabo Verde, estabele­cendo-se a sua capital em Bolama.
    1880 – É firmado um acordo monetário com o governo inglês para igualar a nossa moeda de Goa com a da índia inglesa (12 de Abril).
    – É organizada a Empresa Nacional de Navegação.
    1881 – Fundação de Humpata (Angola).
    – O ministro Júlio Vilhena, tenta substituir a Carta Orgânica de Rebelo da Silva pelo Código Administrativo, que nunca chegou a vigorar. Mantinha a orientação assimiladora, embora procurando atenuá‑la, preconizando o alarga­mento da competência dos Governadores‑gerais e a inclusão de dois vogais indígenas no Conselho do Governo.
    1882 – Apresentado o projecto do caminho-de-ferro de Luanda-Malange.
    1883 – Constituída em Lisboa a “Associação auxiliar da missão ultramarina”.
    1884 – Assinatura em Londres (26 de Fevereiro), de um tratado no qual se reconhece a soberania portuguesa nas regiões das duas margens do Zaire, até às fronteiras do novo Estado do Congo.
    – Fundação em Portugal da primeira fábrica de adubos químicos, na Póvoa de Santa Iria.
    – Início da Conferência de Berlim.
    – Primeiros colonos da Madeira para Angola.
    – Henrique de Carvalho explora a Lunda.
    – Portugal aceita o convite para participar na Conferência de Berlim, convocada pelo Chanceler Bismark, enviando uma delegação constituída por António de Serpa Pimentel, Luciano Cordeiro, Marquês de Penafiel, Carlos du Bocage e os Condes de São Mamede e de Penafiel.
    – Expedição ao Niassa (Moçambique).
    – Início da actividade em Lisboa das “Irmãzinhas dos Pobres”.
    – A região africana do Sudoeste Africano, actual Namíbia, é considerada protectorado da Alemanha.
    – A Grã-Bretanha reconhece a Associação Internacional do Congo (16 de Dezembro).
    1885 – Fim da Conferência de Berlim.
    – Autorizada a construção e exploração do caminho-de-ferro Luanda‑Malange (16 de Julho).
    – É estabelecido o Estado do Congo, sob posse pessoal do Rei Leopoldo II da Bélgica (5 de Fevereiro).
    – Portugal e a Associação Internacional Africana assinam a Acta de Berlim, que cria o Estado Livre do Congo (26 de Fevereiro).
    – A Grã-Bretanha proclama o protectorado sob a Bechuanalândia do Norte, pondo termo à República Stelland, na África do Sul (28 de Fevereiro).
    – A Alemanha anexa o Norte da Nova Guiné e o Arquipélago de Bismark (17 de Maio).
    1886 – Mapa Cor-de-Rosa.
    – Inicio da construção do caminho-de-ferro Luanda-Malange (31 de Outubro).
    – Assinada em 23 de Junho, nova concordata, principalmente voltada para o Padroado da Índia.
    – As fronteiras entre Angola e o Congo francês, são definidas por uma convenção luso-francesa (12 de Maio).
    1887 – Conclusão da linha do Douro.
    – É publicado o Projecto de lei de Fomento Rural, de Oliveira Martins.
    – Início de uma grave crise financeira em Portugal.
    – Inauguração da Ponte de D. Luiz no Porto.
    – Chegaram a Lisboa as primeiras Irmãs de Santa Doroteia.
    1888 – António Maria Cardoso chega ao Niassa, onde instala a sua missão de estudo.
    – Fundação da Companhia de Moçambique.
    – Oferta de El Rei D. Luís I, de um cálice de prata ao Papa Leão XIII por ocasião do Jubileu Sacerdotal.
    – Restauração da Ordem Beneditina em Portugal.
    – 16 de Abril, segunda peregrinação a Roma presidida por D. João Rebelo Cardoso de Meneses, Arcebispo de Larissa.
    – Primeira fábrica de tintas e vernizes.
    – Código Comercial.
    – A China acaba por ratificar o acordo de Tien-Tsin, de 13 – VIII – 1862, confirmando assim, o artigo que estipula a “perpétua ocupação de Macau por Portugal” (26 de Maio).
    1889 – Paiva Couceiro ocupa o Barotze.
    – Congresso católico no Porto.
    – A linha-férrea do Sul chega a Faro.
    1890 – Ultimato Inglês (11 de Janeiro).
    – Paiva Couceiro empreende a exploração do Bailundo ao Mussúlo (Cubango).
    – Mouzinho de Albuquerque inicia o governo do distrito de Lourenço Marques.
    – A Companhia Alemã da África Oriental cede os seus direitos territoriais à Alemanha (28 de Outubro).
    – Assinatura do acordo Anglo-Português sobre o Zambeze, garantindo aos ingleses o controle total da região e alguns Direitos Coloniais sobre o Congo (14 de Novembro).
    1891 – Em Portugal, António Enes é nomeado Comissário Régio para a província de Moçambique.
    – Criação de uma companhia majestática – Companhia do Niassa – para a ocupação e exploração da zona correspondente ao antigo distrito de Cabo Delgado, que inclui a região do Niassa (Moçambique).
    – Introduzida em Portugal a “Associação de Orações e Boas Obras pela Conversão dos Pretos”.
    – Tratado de 2 de Junho, entre Portugal e Inglaterra, em que se instituía a liberdade de culto e ensino religioso na África Oriental e Central.
    – Congresso Católico em Braga.
    – Conclusão da linha do Oeste.
    – Crise financeira e bancária.
    – Decreto sobre a regulamentação do trabalho dos menores e das mulheres nos estabelecimentos industriais.
    – É denunciado o Tratado Luso-Britânico de 1878.
    1892 – Mouzinho de Albuquerque deixa o governo do Distrito de Lourenço Marques.
    – Artur de Paiva explora o Cunene a partir de Humpata.
    – Decreto especial para a Guiné (25 de Maio) a modificar algumas normas da Carta Orgânica de 1 – XII – 1869.
    – Decreto especial para Cabo Verde (24 de Dezembro) a modificar algumas normas da Carta Orgânica de 1 – XII – 1869.
    – Criação da Companhia da Zambézia.
    – O Papa Leão XIII ofereceu à Rainha D. Amélia, a rosa de ouro, entregue em Lisboa a 4 de Julho.
    – Tratado e “modus vivendi” com o Gabinete de Londres (África Oriental).
    1893 – Conclusão dos acordos luso-espanhóis sobre assuntos económicos sobre pesca e acesso aos produtos coloniais, que dão largas vantagens à Espanha.
    1894 – Revolta de Macequeque, em Moçambique.
    – É concluído o caminho-de-ferro Lourenço Marques (Maputo)-Ressano Garcia (Transval) (89 Km).
    – Fundação da revista católica “Portugal em África”, órgão das missões do Espírito Santo;
    – Fundação do Centro Católico com o propósito de difundir as teses de Leão XIII.
    – Primeira fábrica de cimento – a Fábrica Tejo, em Alhandra.
    1895 – Combates de Marracuene, Magul e Chaimite (Moçambique).
    – Prisão de Gungunhana (Moçambique).
    – Revolta dos soldados maratas na Índia (13/14 de Novembro); organiza-se na Metrópole uma expedição para debelar a revolta, comandada pelo Infante D. Afonso que chega a Pangim, em 13 – XI.
    – 25 de Julho – Congresso Católico Internacional, realizado em Lisboa, por ocasião do 7º centenário de Stº António.
    – Fundação da Voz de Stº António.
    – Congresso Antoniano, para comemorar o 700º aniversário de Stº António.
    1896 – Batalha contra os Namarrais (Naguema, Ibrahimo, Mucuto-muno e Calapute), em Moçambique.
    1897 – Combates de Mapulanguene e de Macontene (Moçambique).
    – Acentua-se a crise financeira em Portugal.
    – Decreto especial para Timor (30 de Dezembro), que altera a Carta Orgânica de 1 de Dezembro.
    1898 – Estabelecimento da feitoria de Manica (Moçambique).
    – Ingleses e Alemães iniciam (3 de Julho) conversações a que Portugal era alheio, em que se falava em Cabo Verde e Timor.
    – Os ingleses aceitam as objecções por recearem o agravamento da situação no Transval e não desejarem hostilizar a Alemanha.
    – O governo inglês comunica ao Ministro português em Londres que “tinham sido respeitados os direitos de soberania de Portugal e suas Colónias...” e que a Alemanha tinha resolvido subscrever uma parte do empréstimo, se Portugal o pedisse, com a garantia das suas colónias.
    – O empréstimo alemão seria garantido: com o Norte de Moçambique a partir do Zambeze; com a parte Sul de Angola, não incluída na esfera inglesa; e com Timor.
    – Entrada em funcionamento do Caminho-de-ferro da Beira (Moçambique) (Novembro).
    – Tentativas de Portugal para obter um empréstimo em Londres.
    1899 – O desencadeamento do conflito Anglo-Boer dá a oportunidade ao Marquês de Soveral de retomar as conversações com Lord Salisbury e de neutralizar o efeito das conversações anglo-alemãs que não conhece em pormenor, mas que sabe serem preparatórias de uma partilha das possessões portuguesas em África e na Oceânia.
    – Este diplomata consegue obter uma declaração secreta, em 14 de Outubro de 1989, conhecida por Tratado de Windsor, em que se reforçam os tratados de aliança de 1642 e 1661 e pela qual nos obrigámos a não autorizar a importação e passagem de armas e munições de guerra destinadas à República da África Meridional (Transval), através do território de Moçambique, e a não proclamar a neutrali­dade, em caso de guerra, entre a Inglaterra e aquela República.
    – Concluído o Caminho-de-ferro Beira-Umtali (Rodésia do Sul).
    – Fundado em Roma, junto da Pontifícia Universidade Georgiana o “Colégio Português”.
    – Portugal tenta negociar um empréstimo com a França e surge a hipótese de hipotecar as alfândegas dos Açores. Os EUA revelam pela primeira vez interesse pelos Açores e os ingleses opõem-se a tal hipoteca (7 de Dezembro).
    1900 – I Congresso Colonial Nacional, no qual foi apresentado o Estudo Sobre Administração Civil das Nossas Possessões Africanas, de Eduardo Costa.
    – 12 de Maio – Terceira peregrinação a Roma presidida pelo Cardeal Patriarca.
    1901 – Decreto de 18 de Abril que tenta regular os institutos religiosos.
    – Fundação do Centro Académico da Democracia Cristã, na Universi­dade de Coimbra.
    1902 – Autorizada a construção e exploração do caminho-de-ferro de Benguela (28 de Novembro).
    – Submissão e prisão do régulo Cambuemba, da Zambézia, na campanha do Barué.
    – Surgem num jornal açoreano referências à passagem dos Açores para os EUA.
    – É feita a concessão do Caminho-de-ferro de Benguela a Robert Williams.
    – Expulsos os religiosos do Convento do Quelhas para aplacar os Centros Republicanos.
    – Fundação da revista “Brotéria” órgão dos jesuítas.
    – Fundação em Lisboa da Associação Promotora da Educação e Instrução Popular que, em 1907 passou a chamar-se Liga de Acção Social Cristã e donde emanou, em 1924, a Juventude Católica Feminina.
    – Linha-férrea de Beja a Pias e Moura.
    – As Companhias Reunidas de Gás e Electricidade começam a efectivar o plano de alargamento da luz eléctrica a toda a cidade de Lisboa.
    – É celebrado o contrato com o BNU para atribuição do privilégio da emissão de notas no Ultramar.
    1903 – A Empresa Nacional de Navegação, que para isso recebeu um subsídio do Estado, estende as suas carreiras até Moçambique.
    – Criação da Companhia de Cabinda.
    – Início da construção do Caminho-de-ferro de Benguela.
    – É regulada a situação da Baía de Quionga ficando na posse dos alemães, contra a vontade portuguesa, o chamado triângulo de Quionga.
    – É publicado um decreto proibindo a demolição de praças de Guerra do Ultramar que, pelo seu valor histórico e arqueológico, devam ser considerados como padrões de glória (10 de Julho).
    – Congresso Católico no Porto.
    – Conclusão do ramal de Portimão.
    1904 – Segundo Tratado de Windsor.
    – Criação dos Círculos Católicos de Operários.
    – Inauguração de uma Sinagoga em Lisboa, a 18 de Maio, construída com doações de Judeus.
    – Conclusão da linha-férrea da Beira Baixa e do ramal Setil-Vendas Novas.
    1905 – Autorizada a construção do Caminho-de-ferro de Moçâmedes (27 de Maio) e início dos trabalhos (28 de Setembro).
    – Conclusão da linha-férrea de Estremoz a Vila Viçosa.
    1906 – É criada uma Escola Colonial na Sociedade de Geografia de Lisboa (16 de Fevereiro).
    – Exposição de produtos coloniais.
    – Um decreto de 14 de Setembro afirma “ao contrário do que se diz – que as colónias são governadas do Terreiro do Paço – o Ministério da Marinha e do Ultramar não só não governa, nem sequer tem elementos para apreciar como se governa”.
    – Fundação da Escola Superior Colonial.
    – O Coronel Roçadas pune os Cuamatos e João de Almeida pacifica os Dembos.
    – Conclusão da linha-férrea até Vila Real de Santo António.
    1907 – Operações militares contra os Cuamatos (Angola).
    – Campanha dos Dembos (Angola).
    – É publicada “A Questão Religiosa”, de Sampaio Bruno.
    – Montagem pela CUF duma fábrica de adubos químicos no Barreiro.
    1908 – Revolta do chefe dembo Cazuangongo (Angola).
    – Construção do 1º troço do Caminho-de-ferro de Benguela – 197 Km.
    – Criação da Juventude Católica Portuguesa.
    – Conclusão da linha-férrea de Évora a Arraiolos e a Mora.
    1909 – O General João de Almeida ocupa o Evale e Cafine e todo o baixo Cubango.
    – Quarta peregrinação da iniciativa do Cardeal Patriarca de Lisboa António Mendes Belo.
    – Concluído o Caminho-de-ferro de Luanda-Malange (1 de Setembro).
    1910 – Construção do 2º troço do Caminho-de-ferro de Benguela (mais 123 Km) (7 Outubro).
    – Expulsão dos Jesuítas.
    – Extinção da Faculdade de Teologia e de Direito Canónico.
    – Corte de relações com a Santa Sé (20 de Outubro).
    – Construção do 3º troço do Caminho-de-ferro de Benguela (mais 40 Km) (31 de Julho).
    – As negociações sobre a partilha das colónias portuguesas, entre alemães e ingleses, embora em ambiente informal, continuam em bom ritmo. Todas as aberturas e promessas de facilidades da Inglaterra tinham como finalidade única desencorajar os alemães de prosse­guirem no seu programa naval, que estes destinavam à participação na partilha da Ásia.
    ORIGEM
    foto:Macau

    LIVRO Angola: mito y realidad de su colonización Escrito por Gerald J. Bender

    Ao conquistar a sua independencia os angolanos tambem conquistaram o direito de escrever a sua Historia.
    Eis aqui mais um livro, atraves do qual Gerard J. Bender oferece uma detalhada analise que consideramos vital para a compreensao do colonialismo portugues na complexidade das suas vertentes politicas, historicas e sociologicas.


    Clicar aqui: 
    Escrito por Gerald J. Bender

    domingo, 26 de dezembro de 2010

    Full text of "De Angola à contra-costa;" 1886

    Està é urna còpia digitai de um livro que foi preservado por geracoes em prateleiras de bibliotecas até ser cuidadosamente digitalizado pelo Google, corno parte de um projeto que vìsa dispoiiibilizar livros do inundo todo na Internet. livro sobreviveu tempo sufìciente para que os direitos autorais expirassem e eie se tornasse entào parte do dominio pùblico. Um livro de dominio pùblico é aquele que nunca esteve sujeito a direitos autorais ou cujos direitos autorais expiraram. A condicào de dominio pùblico de um livro pode variar de pais para pais. Os livros de dominio pùblico sào as nossas portas de acesso ao passado e representam urna grande riqueza histórica, cultural e de conhecimentos, normalmente dificeis de serem descobertos. As marcas, observacòes e outras notas nas margens do volume originai aparecerào neste arquìvo um reflexo da longa jornada pela qual o livro passou: do editor à biblioteca, e finalmente até voce.
    Dìretrizes de uso (cont...)

    Full text of "De Angola à contra-costa;"  1886

    Capello, Hermenegildo Carlos de Brito, 1841-1917. [from old catalog]; Ivens, Roberto, 1850-1898, [from old catalog] joint author

    Os sertões d'Africa (apontamentos de viagem). Alfredo deSarmento. 1880

    Esta é uma cópia digital de um livro que foi preservado por gerações em prateleiras de bibliotecas até ser cuidadosamente digitalizado pelo Google, como parte de um projeto que visa disponibilizar livros do mundo todo na Internet.

    O livro sobreviveu tempo suficiente para que os direitos autorais expirassem e ele se tornasse então parte do domínio público. Um livro de domínio público é aquele que nunca esteve sujeito a direitos autorais ou cujos direitos autorais expiraram. A condição de domínio público de um livro pode variar de país para país. Os livros de domínio público são as nossas portas de acesso ao passado e representam uma grande riqueza histórica, cultural e de conhecimentos, normalmente difíceis de serem descobertos.

    As marcas, observações e outras notas nas margens do volume original aparecerão neste arquivo um reflexo da longa jornada pela qual o livro passou: do editor à biblioteca, e finalmente até você.
    (...)

    Full text 

    Clicar aqui: "Os sertões d'Africa (apontamentos de viagem)"

    Campanhas de Africa contra os alemãs in Ilustração Portuguesa. 1914

    http://farm4.static.flickr.com/3113/2477371296_1d685f662a_o.jpgCarregar na imagem para ver em tamanho 1555 x 2305.

    A guerra em África contra os alemães. Nas imagens, um mapa do sul de Angola; ilhas de Quinua no rio Cunene; e um soba com a sua família.
    Ilustração Portugueza, No. 458, Novembro 30 1914 - 8
    originally uploaded by Gatochy

    Ilustração Portugueza, No. 458, November 30 1914 - 7, originally uploaded by Gatochy.
    Carregar na imagem para ver em tamanho 1545 x 2305.

    A guerra em África contra os alemães. Nas imagens: um mapa do sul de Angola; barcos de casca de árvore no rio Cuhene, no Guinesco; e barcos gentílicos (mahuatos) no rio Cubango.
    "Na luta ficaram mortos o primeiro sargento Angelo de Almeida e algumas praças e o tenente, sr. Joaquim Ferreira Durão, capitão-mór do Baixo Cubango, com séde em Cuangar, tendo desaparecido o tenente sr. Henrique de Sousa Machado."

    Escravos africanos e seus senhores: usos e costumes no Brasil

    Un 
Employé du Gouvern Sortant de Chez Lui avec Sa Famille (top). Une Dame 
Brésilienne dans Son Intérieur (bottom).

    Um governante saindo a rua com sua familia . O interior da casa de uma dama brasileira. Origem: NYPL Digital Gallery

    Escravas negras de diferentes nações. (1834-1839) Origem: NYPL Digital Gallery

    Esclaves
 nègres, de différentes nations.
    Escravas negras de diferentes nações. (1834-1839) 
    Origem: NYPL Digital Gallery

    Povos de Luanda, Angola 1912

    Interior
 de Loanda. Costumes gentilicos. (Gingas). -- Hinterland of Loanda. 
Natives. -- Hinterland von Loanda. Eingeborene.

    Interior de Loanda. Costumes gentilicos. (Gingas).  (1912) 
    Loanda. 
Um carregador. -- A carrier. -- Ein Träger.
     

    Loanda. Um carregador. 
    Loanda. 
Costume. -- Fashion. -- Tracht. 
    Loanda. Costume. 
     Fonte NYPL Digital Gallery

    Mapas antigos de Angola

    Regna 
Congo et Angola.

    Reino do Congo e Angola. (1670) 
    Congo. 
Angola. Cafres. Monoemugi. Monomotapa. Zanguebar & Madagascar.

    Congo. Angola. Cafres. Monoemugi. Monomotapa. Zanguebar & Madagascar. (1701) 
    Fonte: NYPL Digital Gallery

    Postais e fotos da expedicao de H. Capello e R. Ivens .1886

    A 
expedição no cabo da boa esperança. 

    A expedição no cabo da boa esperança.
    O 
mercado no acampamento. 
    O mercado no acampamento. (1886)

    As divas
 da expedição ao repatriar-se.
      As divas da expedição ao repatriar-se. (1886)

    A gente 
de Liteta. 
    A gente de Liteta. (1886)

    Musiri, o
 chefe da Garanganja. 
     Musiri, o chefe da Garanganja. (1886)

    Typo 
Ma-ussi (face). 
     Typo Ma-ussi (face). (1886) 
    Homem de
 Iramba. 
    Homem de Iramba. (1886) 

    Typos 
Zulus. 
    Typos Zulus. (1886)

    Imagens do livro "De Angola á Contra-Costa; descripção de uma viagem atravez do continente africano ... por H. Capello e R. Ivens