Este blog visa apenas dar visibilidade a textos de autores considerados de interesse para a compreensão da História Colonial de Angola. Por abarcar os mais diversas abordagens, é um blog dedicado aos de espirito aberto, que gostam de avaliar assuntos, levantar questões e tirar por si próprios suas conclusões. É natural que alguns assuntos venham a causar desagrado, e até reacções da parte daqueles cujas perspectivas estejam firmemente cristalizadas.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Benguela colonial . Seculo XIX
À COMISSÃO
INSTALADORA da
ASSOCIAÇÃO AMIGOS
DE BENGUELA
Com especial
atenção
ao
Senhor José Augusto Bastos Júnior
AMIGOS
A
“A.I.A.A.” – Associação Internacional Amigos de Angola regista o interesse da
vossa Comissão para a constituição da Associação dos Amigos de Benguela
(Angola) e põe à vossa disposição as condições necessárias de apoio jurídico e
outras, que, por ventura, forem julgadas necessárias para o efeito.
Em
conformidade com o livro “UMA EXPLORAÇÃO AFRICANA a NOVA LISBOA” de Albino
Estevão de Victória-Pereira (então Tenente de Infantaria), publicado em 1820 na
Marinha Grande pela Empresa Typográphica, transcrevemos o seguinte, sem
comentários:
...”
A Nação (fica) um pouco envergonhada, dos seus representantes votaram
apenas na sessão das camaras de 1877, a proposta do Sr. Corvo, d’um subsídio de
trinta contos de reis para uma viagem d’exploração Africana, para o que foram
escolhidos os ilustres Srs. Capello-Ivens e Serpa Pinto, colocando aquelles
beneméritos cavalheiros em sérias dificuldades, porque mais a mais a expedição
foi dividida em duas; ...”
“Nessa
data a impressão de Benguela era das mais agradáveis ao nível africano para
quem só esperasse ver cubatas, Kilombos, armazéns e palhotas.”
Conta
então o Tenente Albino Estevão de
Victória-Pereira no seu livro “Uma Exploração Africana a Nova Lisboa” mais o
seguinte:
...”Bastantes
casas construídas à eurpoea em ruas largas, formavam o bairro dos negociantes,
e se este não tinha o cunho da elegância dos da moderna Paris, era contudo
espaçoso e asseado; verdade seja que as melhores casas eram edifícios públicos,
como o hospital, a alfandega, obra do governador Mendes Leite, a escola, a
cadeia, a casa da Camara Municipal e a egreja matriz.”
“Como
obra d’arte, tinha uma excelente ponte de ferro.”
“O
bairro dos indígenas era, como são sempre os bairros dos não privilegiados da
sociedade, como o célebre Pateo dos Milagres, a nossa antiga Alfama, a
Mouraria, e outros de egual jaez; Vielleas immundas e infectas povoadas de
palhoças miseráveis, sujas, sem conforto, davam guarida às inúmeras caravanas
de bandombes, bailundos biénos, gauguellas e outros povos, que do interior ali
veem fazer permutação de marfim, cera, borracha, dentes de cavallo marinho,
pontas de abbada, liconte, cana d’assucar, anil, arroz, café, couqueiros,
cajueiros, azeite de palma, ginguba, gomma copal, tamarinheiros, rícino, mel,
pelles de pamthera, de tigre, de leão, de empalanca, de hyena, de leopardo, de
lobo, de lontra, d’onça, de rapoza e de muitos outros animais, pennas d’águia,
de manga, de veludo, de pavão, etc. e passarinhos de lindo matiz de cores e de
melodioso canto muito estimados em toda a parte, tais como a bengulhinha, o
bico de prata, o bico de lacre, o cardeal, o monsenhor, o palanque, a viuva,
que trocam por fazendas, missangas, contas, polvora, armas de fogo, latão,
bebidas alcoolicas e outras cousas de pequeno valor ...”
De mais
adiante transcrevemos:
...”À
noite ao chá, o governador contou aos seus hóspedes a história de BENGUELLA, e
entre muitas cousas disse que Benguella fora fundada em 1617 por Manuel
Cerveira Pereira, que até ali constituiu um REINO; que no reinado dos Filippes
passou parte ao domínio dos hollandeses, que foi reconquistada em 1648, e forma
hoje um distrito pertencente a Angola, com seis concelhos, Benguella,
Camabatella, Dombe Grande, Quillengues, Caconda e Egito; que a população está
calculada apesar de grandes variantes em 87.980 almas em todo o distrito, e na
sua capital, S. Filippe em 2.400.”
“O
governador teve a amabilidade de lhes mostrar a copia d’um documento muito
raro, e de que existe o original no códice da real bibliotheca d’Ajuda, lançado
a fl. 33 a fl. 39 v., intitulado «Relaçam da Conquista de Benguella» documento
d’um grande valor para a nossa literatura histórica, digna da maior fé,
escripto por um indivíduo que tomou parte n’aquella conquista, ...”
E
continua mais adiante:
...”Que
a antiga cidade fora em parte arrasada por filibusteiros francezes e
reconstruída em 1700.”
“Que
d’então para cá muitos melhoramentos se tinham feito e esperava se fizessem
...”
Depois
...
Na
década de 1940, João da Chela, ilustre escritor, diz sobre BENGUELA:
...”Cerveira
Pereira esteve para fundar Benguela em mais de um lugar. Com efeito, a planura
do vale do Cavaco verde e sombreado atraía, e os montes, ao largo, de grande
penúria de flora e cor, ficavam como guarda-costas de ventos, evitando pestes e
correntes malignas. Foi, porém, enganosa a miragem da água. Farta de chuvas a
terra da época que entrava em agonia, os pegos e pauis dos baixios, profundos
por depósitos de enxurradas, cegaram de alegria e sedenta expedição. E não
foram necessárias trabalhosas pesquisas da sonda. Mercê da quadra do cacimbo a
avizinhar-se, a planura que se perdia à vista era fresca, airosa, sem calores
que levassem da vida a gente com febres e pestes.”
“E
ali se ergueu, alargou e progrediu a cidade de S. Filipe de Benguela, a que
também chamaram Baía de Santo António, registando a história e sua fundação em
1617.”
E
prossegue:
...”Endiabradas,
a berrar progresso e triunfo dos heróis de novas batalhas, sobem e descem as “GARRATS”
puxando longos vagons, em linha de ferro de 1350 quilómetros ...” do mar no
Lobito até ao Congo Belga e daí até Moçambique (na Beira) e África do Sul.
...
São, com efeito, de hoje estas realidades tocadas pela seiva e pelo impulso do
sangue de ontem ...”, que fazem de Benguela a segunda principal cidade de
Angola, depois de Luanda.
AMIGOS BENGUELENSES:
A
“A.I.A.A.” regista este acontecimento da Constituição duma Associação a ser
formalizada juridicamente com a designação de ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DE
BENGUELA, organização da responsabilidade de brancos, negros e mestiços, gente
de bem !, na DIÁSPORA, como um facto que dignifica e honra todos os
BENGUELENSES de ontem, de hoje e de sempre !
Lisboa,
23 de Agosto de 2002
De V.
Exa.
Atenciosamente
Carlos Caldeira de
Victória-Pereira
- Presidente -
Manuel Maria Caldeira de Potes Cordovil
- Vice Presidente –
BENGUELA
És terra de acácias frondosas e floridas com cânticos estridentes da passarada e das cigarras loucas, mais enlouquecidas, pelo braseiro da canícula pesada.
Terra morena de estátuas vivas e vividas por seres de ébano, que passeiam na parada das ruas largas e longas, de acácias vestidas, indo, vindo e ouvindo ali o orfeão da passarada.
Terra feita numa planície, que é como é !, porta aberta de quem vai e volta do sertão, para lá de Quilengues e Caconda e Bié.
Nas tuas calemas, próprias de mares revoltos, há profundos gemidos de amor e paixão, quando os ventos uivantes são livres e soltos ...
Tapada das Mercês, 23 de Agosto de 2002
Carlos Caldeira de Victória-Pereira
Mulheres de Benguela se tornaram intermediárias entre portugueses e a elite africana
-
Mariana P. Candido2/2/2011Há uma pequena cidade portuária na costa da África Ocidental com uma rica história, muito ligada ao Brasil. Benguela, fundada em 1617 entre os rios Katumbela e Kaporolo, ganhou importância na economia mundial devido ao comércio de escravos. No modesto porto local, comerciantes brasileiros, portugueses e africanos de outras regiões se instalaram e foram responsáveis pelo envio de quase meio milhão de escravos para as Américas durante o período do tráfico transatlântico de cativos. Os laços dessas comunidades uniam Benguela, Rio de Janeiro, Luanda e Lisboa, e nessa fusão de culturas, as mulheres locais tiveram um papel fundamental.
O número reduzido de europeias e brasileiras em Benguela facilitava o contato entre os estrangeiros e as nativas. O concubinato era prática comum, o que desagradava à Coroa portuguesa. Os administradores condenavam o comportamento dos europeus, alegando que a moral sexual era “deplorável”. O marquês de Pombal, secretário de Estado português entre 1750 e 1777, chegou a criticar a ação dos portugueses que não resistiam aos meses de solidão. D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho (1728-1780), governador de Angola, afirmava que os estrangeiros “esqueciam estar numa capital cristã”. Embora alguns conseguissem manter relações duradouras com mulheres cativas ou livres, poucos se casavam na Igreja Católica. Este foi o caso do comerciante baiano Manoel Pereira Gonçalves, que se uniu à filha da terra Marcelina Francisca dos Santos no dia 19 de abril de 1809, na Igreja Nossa Senhora do Pópulo, em Benguela.
O desenvolvimento do porto contribuiu para essa união intercultural. Sua localização, na costa central de Angola, facilitou a movimentação na região, que se transformou em parada obrigatória para comerciantes que levavam escravos, cera e marfim e se dirigiam a Luanda, mais ao norte. A partir do século XVII, quando os portugueses começaram a traficar na região, Benguela se tornou um refúgio para tripulações sedentas e famintas, que vinham reparar seus navios avariados. Mas a presença portuguesa se limitava à costa. Estados fortes e centralizados no interior dificultavam a penetração de comerciantes estrangeiros, ao mesmo tempo em que o clima tropical facilitava a transmissão de doenças, como a febre amarela e a malária, restringindo a população estrangeira às cidades portuárias.
Com a constante chegada de estrangeiros e africanos do interior, Benguela se transformou, no século XVIII, em uma cidade multilinguística, onde habitantes de diferentes origens falavam suas línguas e usavam o umbundu – idioma da maioria da população – e o português para se comunicar. Todos eles buscavam oportunidades econômicas, e isso acelerou as transformações culturais na região.
O fato era que a população masculina e cosmopolita dos centros urbanos aumentou a participação no comércio escravista relacionando-se com mulheres locais, mesmo que não estabelecesse casamentos formais. A maioria mantinha relações estáveis, o que criou uma geração de mulatos. Antônio José de Barros, por exemplo, sargento português que servia no exército de Benguela em 1797, apesar de solteiro, reconheceu a paternidade de duas meninas em seu testamento – nascidas de um relacionamento que mantivera com sua escrava Vitória –, registrado por um padre local no final do século XVIII. Barros, no seu leito de morte, libertou a mãe de suas filhas, como acontecia no Brasil escravista.
Quando as mulheres se aliavam aos estrangeiros em Benguela, acabavam fazendo o papel de intermediárias culturais entre os comerciantes e as elites africanas do interior, exercendo funções econômicas diferenciadas. Esposas e concubinas tornaram-se fundamentais no sucesso comercial de seus companheiros, trabalhando como agentes, tradutoras e negociantes. Elas atuavam como quitandeiras, vendendo alimentos nas ruas, e também como donas das grandes casas comerciais, já que eram sócias de seus companheiros, organizando o tráfico de escravos. Além disso, davam origem a uma aristocracia afro-portuguesa: fluente no português e no umbundu, culturalmente sincrética, frequentando a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo e vestindo-se à europeia, e ocupando a administração pública. Sua posição como intermediários culturais lhes abria portas comerciais, mas ameaçava sua segurança.
Dona Aguida Gonçalves era uma dessas mulheres. Ela vivia em Benguela em 1797, foi identificada como mulata, viúva e proprietária de um sobrado e de um bar. Em sua residência moravam doze escravos, incluindo o alfaiate Manoel. Além dos escravos, em sua maioria mulheres, também viviam em sua casa parentes e oito aprendizes de costureiras. Sua habilidade em treinar costureiras e adquirir mão de obra prendada, como o alfaiate Manoel, garantia vantagens adicionais numa cidade de apenas três mil habitantes. Ao explorar a força de trabalho de seus dependentes, Dona Aguida provavelmente dominava o comércio de roupas local.
Os que residiam nos núcleos urbanos controlados pelos portugueses tiravam proveito do comércio de escravos, lucrando com as oportunidades de negócio. Por outro lado, corriam riscos simplesmente por serem negros ou mulatos. Isto acontecia porque o domínio da língua portuguesa, o pagamento de impostos e a conversão ao catolicismo não eram atributos suficientes para protegê-los da escravidão quando se deslocavam para o interior, além da área sob controle português. Para garantir a liberdade, era fundamental ter bom trânsito entre os oficiais da Coroa portuguesa e as autoridades eclesiásticas.
O caso de Maria José de Barros retrata bem o panorama. Certa vez, ela deixou Caconda, uma fortaleza portuguesa localizada no interior, e mudou-se para Benguela, onde se casou com José Joaquim Domingues, capitão das forças regulares. Lá, ela não só manteve os laços com sua comunidade, como também assumiu o papel de protetora de conhecidos que vinham do interior. Na terceira década do século XIX, ofereceu abrigo a Quitéria, uma jovem originária de Caconda. A mãe da moça enviara a filha aos cuidados de Maria José para que pudesse aprender o ofício de costureira. Em 1837, depois de uma briga conjugal, o capitão Domingues agrediu a esposa e, ao sair de casa, levou Quitéria à revelia. Ele se dirigiu rapidamente ao porto e vendeu a jovem para um comerciante carioca que se encontrava no local.
Logo após o negócio, o feliz comprador marcou sua nova escrava a ferro e a embarcou. Recuperada da agressão física, Maria José chegou ao porto, depois de perguntar pelo destino de sua protegida. O negociante carioca não se comoveu com a história e avisou que partiria em seguida. Assustada com a possibilidade de não conseguir apoio oficial em tempo hábil, Maria José ofereceu um molecote, um jovem escravo, em troca da liberdade de Quitéria. O comerciante aceitou a proposta e livrou a jovem das algemas. Este caso confirma a instabilidade e a violência às quais os negros livres estavam sujeitos. O mundo português abria portas e oferecia diversas oportunidades para esses indivíduos, mas quando eles se colocavam como intermediários, acabavam enfrentando uma série de desvantagens que os tornava presas fáceis. O curioso é que, mesmo em situações adversas, alguns foram capazes de usar o sistema legal português para seu próprio beneficio.
Maria José foi apenas uma entre muitos africanos que conseguiram obter a liberdade de alguém que lhe era próximo. Casos como esses são exceções. Os mais de quinhentos mil africanos embarcados em Benguela não tiveram a mesma sorte: acabaram parando na outra margem do Atlântico.
Mariana P. Candidoé professora da Princeton University (EUA) e autora de Fronteras de Esclavización: Esclavitud, Comercio e Identidad en Benguela, 1780-1850 (El Colegio de Mexico, 2011).
Saiba Mais - Bibliografia
ALEXANDRE, Valentim; DIAS, Jill (eds.). O Império Africano, 1825-1890 (Nova História da Expansão Portuguesa, ed. Joel Serrão e A.H. de Oliveira Marques, vol. X). Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
CURTO, José. “Resistência à escravidão na África: o caso dos escravos fugitivos recapturados em Angola, 1846-1876”, Afro-Ásia, nº 33. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2005.
FERREIRA, Roquinaldo. “Ilhas Crioulas: O Significado Plural da Mestiçagem Cultural na África Atlântica,” Revista de História, nº 155. São Paulo, 2006.
PANTOJA, Selma; SARAIVA, José Flávio Sombra (eds.), Angola e Brasil nas Rotas do Atlântico Sul. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Arte Rupestre de Angola: Um contributo para o seu estudo numa abordagem à arqueologia do território
por
Cristina Augusta Pombares da Silva Martins
QUATERNÁRIO E PRÉ-HISTÓRIA
Entrada do abrigo Tchitundo-hulo Opeleva
As gravuras
e pinturas do Tchitundo-hulo
O
Tchitundo-hulo constitui uma das mais importantes estações arqueológicas do Sudoeste de
Angola, tendo sido objecto de estudos diversos (C. França, H. Breuil e A. Almeida,
Santos Júnior e Carlos Ervedosa) último dos quais por Manuel Gutierrez, em 1991.
Trata-se de um complexo formado pelo Tchitundo-hulo Mulume (Fig.53),Tchitundo-hulo
Mucai (ou Opeleva, segundo Gutierrez, 1996: 119), pela Pedra da Lagoa e
Pedra das Zebras (Fig. 54). Os povos desta região são os twa: os Kuissis, os
Koroka e os
Kuvale do grupo Herero.
Fig. 53 –
Tchitundo-hulo Mulume. Foto: Emmanuel Esteves
Fig. 54 -
Complexo do Tchitundo-hulo, segundo Ervedosa (1980)
O
Tchitundo-hulo Mulume
Aqui
encontram-se tanto gravuras (ao ar livre) como pinturas (em gruta). Manuel
Gutierrez (1996: 106) distingue três conjuntos de gravuras no seu estudo.
No primeiro
conjunto (Fig.56), conta trinta e duas figuras, numa superfície de 6 metros x 7,5
metros, sendo que quase todas possuem formas circulares (Fig.55) e de dimensões diversas
(de 20 cm a 83 cm); só uma de grandes dimensões (4,5 m x 0,5m) apresenta
outra forma, no entanto, já pouco visível.
As gravuras
de forma similar apresentam porém diferenças, pois umas são radiadas e
mesmo assim apresentam diferenças entre si (por exemplo, umas apresentam-se raiadas
no exterior, outras no interior); também o número de círculos que compõem cada figura
é variável (de um a doze).
No que
respeita ao estado das gravuras, também este é variável de gravura para gravura.
Gutierrez classificou treze como muito degradada (gravuras nos 1, 2,3, 4, 5, 7, 8, 9, 10,
11, 12, 28 e 29) e oito apresentando uma deterioração intermédia (gravuras nos 6, 11 (a
outra parte da figura), 14, 17, 18, 19, 22 e 23). As restantes classifica-as
como apresentando
“aparência fresca”.
De notar, no
primeiro conjunto, o predomínio das formas circulares, com diversos
círculos cada uma, isoladas ou compostas e/ou ligadas por traços. De acordo
com o levantamento e descrição de Gutierrez, e começando pela parte inferior
direita, encontra a figura por ele determinada como nº 1, relativamente
isolada. Um pouco
acima e à esquerda desta figura surgem as numeradas como 2, 3, 4 e 5 que se
mostram pouco perceptíveis pela degradação que sofreram.
A figura nº
10 surge acima e à direita destas últimas figuras, apresentando-se do mesmo modo
no que respeita à deterioração. Seguindo
para a esquerda, encontra-se um subconjunto composto pelas gravuras
nos 6, 7, 8, 9, 11, 12 e 13. A gravura nº 6, também um
pouco apagada, mas com alguns traços na
sua parte superior, orientados no sentido das gravuras nos 8 e 11.A figura nº
7 está também pouco visível, acima da qual se encontra a nº 9, e seguindo
para a direita desta, a no 8 que apresenta, na sua parte
superior, vestígios de alguns
traços orientados para a figura nº 11 e na parte inferior, outros virados para
a nº 6.
A figura
onze é composta por duas figurações ligadas entre si por traços, surge junto à nº 8
e dela parte um grande traço até esta figura e até à nº 9. A figura 13,
à esquerda da anterior apresenta pelo menos dois tacos que se separam da
sua parte inferior direita em direcção à nº 11. Na
extremidade superior direita deste subconjunto encontra-se a figura nº 12.
Ligeiramente
acima e à direita da figura nº 9, surge a nº 14 que, sendo circular, apresenta
diversos traços rectilíneos tanto no interior como no exterior, sendo que alguns
parecem tomar a direcção da figura nº 9 e outros da figura nº 17. Um outro
subconjunto desenha-se acima do descrito, composto pelas figuras
nos15, 6, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26 e 27.
A figura nº
15, embora parcialmente debelada, surge à esquerda e está ligada pela parte
superior à nº 16, por sua vez ligada, por um longo traço, à nº 21. À direita da
nº 16, surge a nº 17 também ela ligada por um traço à nº 21 e apresenta
inúmeros traços para o exterior.
Fig. 55-
Gravuras do Tchitundo-hulo. Foto Emmanuel Esteves
Fig. 56 -
Conjunto I segundo Gutierrez (1996)
As figuras nos18 e 19 estão também elas ligadas por diversos traços,
existindo vários
pequenos traços soltos por baixo destas gravuras. À direita destas, surge a nº
20 que
apresenta alguns traços na sua parte esquerda orientados para a figura nº23 e,
à sua direita um
traço longo que a liga à nº 21, sendo que esta última ocupa uma posição central
neste conjunto I. Por cima da nº 20, ligeiramente à esquerda, está a nº 23 da
qual parecem
partir algumas linhas na direcção da nº 20, bem como uma série de traços que
se soltam da
sua parte inferior esquerda À direita da
figura nº 21, surge a nº 22, com vários traços raiados
Acima do
traço que a liga as figuras nos 20 e 21,
vê-se a figura 24 que apresenta uma
dilatação da sua primeira circunferência que lhe atribuiu uma forma ovalada, na parte
superior. À direita desta, surgem as figuras nos 25 e 26, sendo que da primeira parte um
curto traço virado para baixo e para a esquerda. Mais acima
deste subconjunto encontram-se as figuras nos 28 e 29, sendo que a primeira
está em avançado estado de degradação; a segunda, embora também em mau estado,
permite ainda a visualização de alguns traços no interior, bem como no exterior da sua parte
inferior.
Na parte
superior do levantamento encontram-se as gravuras nos 30, 31 e 32. A primeira, em
bom estado de conservação, apresenta um traço linear na parte inferior esquerda; a
segunda, à direita daquela, apresenta apenas uma circunferência e um traço exterior
bipartido, virado para as outras duas figuras (nos 30 e 32); a última é uma figura circular com
raios externos., em excelente estado de conservação.
O segundo
conjunto proposto por Gutierrez envolve 16 figuras gravadas numa superfície
de 5 metros por 2 metros (Fig.58). Também aqui
as formas circulares são relevantes, correspondendo a mais de metade das
figurações, no entanto, encontramos outras formas, como por exemplo “serpentiformes”
de grandes dimensões (Fig.57) ou “grelhas”. As dimensões
das gravuras são variadas, desde 10 cm x 10 cm a 117 cm x 30cm. No
entanto, mas a maioria mede menos de 50 cm. Cerca de
metade das gravuras apresenta um “estado médio” de degradação, três a um estado
avançado (nos 8, 9 e 11) e cinco apresentam a tal
“aparência fresca” ( nos3,4, 5, 7, e
16
Fig. 57-
Gravuras doTchitundo-hulo. Foto Emmanuel Esteves
Fig. 58 -
Conjunto II, segundo Gutierrez
Na parte
inferior esquerda do levantamento, encontra-se a figura nº 1, uma forma oval, à
direita da qual se encontra a nº 2, uma outra gravura circular, parcialmente visível.
Continuando para a direita, uma extensa gravura linear (“serpentiforme”) que termina com
quatro braços na sua parte superior é a figura nº 3. Mais à direita, uma outra figura
gravada com forma linear, a nº 4, que apresenta na parte inferior uma curvatura,
subindo, a partir daí, para a direita, terminando numa espécie de forquilha muito
aberta; na parte superior, possui um círculo, saindo da parte inferior direita
deste um apêndice
linear também para a direita. Depois deste círculo a linha da gravura prolonga-se
um pouco mais, terminando numa forma sub-rectangular que sobre ela assenta. Mais acima,
e próxima da extremidade da figura nº 3, existe uma gravura de forma
circular, com um apêndice virado para a esquerda. Um pouco mais acima e à direita, a
figura nº 6 representa uma forma circular aberta na parte superior, preenchida com duas
linhas paralelas e uma vertical. Acima da
última figura referida, encontra-se a figura nº7, uma forma circular, atravessada
por um traço horizontal, enquanto outro traço vertical e mais curto passa a parte
superior da circunferência, o que faz com que o interior da gravura apresente a forma de
cruz. À direita, surge a figura nº 8, mas encontra-se fracturada, pelo que só é visível o
lado esquerdo da gravura – quatro sulcos paralelos convexos com um apêndice semi-circular
a meio do sulco externo da gravura.
Continuando
a subir, surge uma outra figura circular, também ela fracturada, com cinco
sulcos, em frente da qual, à esquerda surge a figura nº 9, de forma alongada, composta por
duas linhas semi-paralelas, tendo na parte superior um círculo cortado por uma traço
horizontal e, na parte inferior aberta com uma ligeira curvatura antes dessa abertura,
também separada do corpo principal da figura por um traço.
Ligeiramente
mais acima e à esquerda, relativamente àquela figura, existe uma linha
vertical curva e uma outra gravura linear com a extremidade superior a terminar em
forquilha, abaixo da qual e à direita existe um pequeno círculo ligado à
figura. Ambas
compõem a figura nº 10.
Continuando
para cima, encontram as gravuras nos 12 e 13, sendo a primeira uma
representação circular e a outra uma figuração oval. Por cima da nº 12, está
uma outra
gravura circular com um traço inclinado que não toca o círculo no interior, a
nº14. Ligeiramente
acima e à direita, está a gravura nº 15, de forma rectangular e aberta na
parte inferior. Na parte de
cima do levantamento, vê-se um círculo concêntrico composto por quatro
sulcos.
O terceiro
conjunto (Fig.59) situa-se numa superfície mais elevada que as anteriores,
próxima da gruta com pinturas que faz parte deste Complexo do Tchitundo-hulo. Este
conjunto comporta cinco gravuras que se estendem numa superfície de 2m x 3m. As
figuras representadas são muito diferentes, umas de difícil interpretação, outras de
forma circular e ainda uma representação antropomórfica.
Também as
dimensões das figuras são variadas, mas todas inferiores a 50cm, à excepção de
uma que, mesmo assim, não passa de 1m de comprimento. Quanto ao
estado em que se apresentam estas gravuras, Gutierrez, classificou-as de
“aparência fresca”. Na parte de
baixo do levantamento publicado por aquele autor, a figura nº 1 apresenta
uma forma circular da qual parte superior da qual sai um traço ligeiramente
inclinado
para a direita e que sobe até uma outra forma, circular no interior, mas que
por fora se
assemelha a uma estrela.
Um pouco
mais acima e à esquerda, a figura nº 2 é composta por um círculo concêntrico,
com três traços raiados (dois saem da parte de baixo e o outro da parte superior
esquerda). A figura nº
3 é composta por uma série de traços que de um ponto comum (o centro)
partem em direcções diversas; o que está orientado na direcção da figura nº 2, apresenta
uma extremidade pontiaguda e, junto dela, dois apêndices laterais de forma semelhante.
Continuando
para cima, mas agora mais à direita, surge a figura nº 4, um pequeno
antropomorfo, mais acima da qual se encontra a figura nº 5, sendo a maior gravura
deste conjunto e fazendo parte das gravuras não decifradas.
Fig. 59 -
Conjunto III, segundo Gutierrez
As pinturas
Existem dois
abrigos pintados em Tchitundo-hulo. Um, o Tchitundo-hulo Opeleva é um
abrigo que se encontra à superfície (Fig.60); o segundo abrigo, Tchitundo-hulo
Mulume, encontra-se num inselberg onde se localizam as gravuras rupestres.
O
Tchitundo-hulo Opeleva trata-se de um abrigo, num pequeno morro de granito,
distando cerca de 1 Km para leste do Tchitundo-hulo Mulume. Aqui
encontram-se pinturas no tecto e pelas paredes laterais (Fig.61), quase todas do
tipo geométrico, embora haja algumas representações estilizadas de zoomorfos
(aves,
felinos, cobras, lagartos e cágados, segundo Ervedosa, 1980:326), uma figura antropomórfica
e “dois símbolos solares”, de acordo com aquele autor. Estas
pinturas surgem a branco, vermelho e negro são semelhantes às figuras pintadas no
abrigo do Tchitundo-hulo Mulume.
Fig. 60-
Entrada do abrigo Tchitundo-hulo Opeleva. Fotos: Emmanuel Esteves
Fig. 61 -
Abrigo Tchitundo-hulo Opeleva.
O
Tchitundo-hulo Opeleva compreende cinquenta e nove figuras pintadas, segundo
Gutierrez (1996: 120), sendo que aproximadamente metade corresponde a representações
geométricas, seguidas de várias figuras não decifradas. Encontram-se ainda alguns
zoomorfos e apenas uma figura esquematizada de um provável antropomorfo.
Quanto às
cores, encontram-se quatro: o branco, o vermelho, o vermelho claro e o negro.
Mais de
metade das figuras são monocromáticas e entre estas, as cores branca e vermelha
estão equilibradamente representadas. Um terço é bicromático e poucas possuem três
cores. Apenas uma figura apresenta quatro cores (Gutierrez, 1996:120).
Infelizmente
a água da chuva infiltra-se no tecto da gruta, pelo que a conservação
das pinturas de Opeleva é urgente. Quanto à
distribuição, as pinturas concentram-se sobretudo na parede sul e no
tecto do
abrigo (Fig. 62).
Fig. 62 -
Pinturas rupestres de Tchitundo-hulo Opeleva (reconstituição), segundo Gutierrez
(1996)
À esquerda
do levantamento de Gutierrez, as figuras nos 1 e 2, representam formas
lineares e apresentam-se verticalmente, sendo que já estão desgastadas pela acção da
água. Aparece de
seguida a figura nº 3, mais pequena e de forma sub-rectangular, pintada em
vermelho, um pouco abaixo da qual se vê a figura nº 4, composta por formas circulares e
lineares, pintada a branco e vermelho. À direita desta, a figura nº 5 compreende
uma série de linhas ora vermelhas, ora brancas, com uma espécie de braço,
a branco, no
cimo.
Mais acima,
uma pequena mancha vermelha constitui a figura nº 6. Acima, um
grande zoomorfo (um pássaro, segundo Gutierrez) pintado em dois tons de
vermelho e em branco constitui a figura nº 7, à direita da qual se encontra a figura nº 8
pintada a branco, representando uma outra figura linear, com uma forma subrectangular,
um traço vertical no centro e com vários pontos de cada lado do traço. Por baixo da
figura nº 7, existe uma outra pintada em vermelho e de difícil interpretação,
sendo que apresenta uma forma alongada com apontamentos algumas vezes
arredondados, outras vezes pontudos, ligeiramente oblíqua, com diversos pontos no seu
interior, terminando numa forma circular, trata-se da figura nº 9 (Fig.63A).
Abaixo desta
ligeiramente à direita, a figura nº 10, um outro zoomorfo (um felino, segundo
Gutierrez), sendo que a suas patas traseiras estão associadas a traços e a
semicírculos,
tudo a branco.
Abaixo vemos
a figura nº 11, um outro zoomorfo coma boca aberta (outro felino, na
opinião daquele autor) pintado a branco, rodeado de um emaranhado de linhas vermelhas,
brancas e negras (Fig.63B); de notar que a sua cauda se estende até à figura nº 13. Uma
pequena mancha branca, aparece a baixo e constitui a figura nº 12.
A seguir à figura nº 11, aparecem alinhadas as nos 13, 14 e 15. A primeira destas, pintada a branco parece estar associada à nº11; a segunda é tricolor, mas pouco visível e a terceira, assemelha-se à primeira, sendo também em branco.
A B Fig. 63 - Pinturas de Opeleva. Fotos Emmanuel Esteves. A figura nº 16, acima da nº 15 e ligeiramente à direita, trata-se de uma forma de X deitado, pintado a vermelho e pouco visível.
Ao lado da figura nº 15, a nº 18 apresenta duas séries de pequenos traços paralelos horizontais, a branco, por cima dos quais surge uma mancha vermelha. À direita desta, a figura nº 19, em vermelho e a nº 20, em branco. Abaixo daquelas figuras, a nº 21,em cor branca, apresenta um enorme apêndice ovalado, do lado direito, mas não decifrada.
A figura nº 22, por baixo da anteriormente descrita, apresenta uma forma oval, pintada a vermelho, ao lado da qual se encontra uma outra também oval e em vermelho, mas incompleta, a figura nº 24. Por cima desta, vê-se a figura nº23, de forma oval, em branco (representando uma tartaruga segundo informações recolhidas por Gutierrez (1996: 126).
Ao lado da figura nº 15, a nº 18 apresenta duas séries de pequenos traços paralelos horizontais, a branco, por cima dos quais surge uma mancha vermelha. À direita desta, a figura nº 19, em vermelho e a nº 20, em branco. Abaixo daquelas figuras, a nº 21,em cor branca, apresenta um enorme apêndice ovalado, do lado direito, mas não decifrada.
A figura nº 22, por baixo da anteriormente descrita, apresenta uma forma oval, pintada a vermelho, ao lado da qual se encontra uma outra também oval e em vermelho, mas incompleta, a figura nº 24. Por cima desta, vê-se a figura nº23, de forma oval, em branco (representando uma tartaruga segundo informações recolhidas por Gutierrez (1996: 126).
Mais a acima
e à direita, surge a figura nº 26,uma forma circular, pintada em vermelho e
branco. Mais acima ainda, uma linha dupla pintada em vermelho e negro, corresponde
à figura nº 25, sendo que à sua direita aparece um zoomorfo (um bovídeo, segundo
Gutierrez) coam várias linhas brancas e vermelhas próximas e por cima da cabeça, a
figura nº 27. Este zoomorfo está por baixo de uma longa figura linear, a figura nº 30,
pintada em vermelho, branco e negro.
A figura nº
30 estende-se até a sua parte de baixo tocar a figura nº28, uma figura oval em
vermelho, enquanto a sua extremidade superior surge a figura nº 29, uma forma oval
alongada, em vermelho e branco, com quatro pontas no exterior da sua parte superior e
um traço no seu interior que a divide em duas partes, sendo que a parte inferior é
de menores dimensões.
Abaixo da figura nº 30, saem traços negros ao nível da figura nº27, abaixo da qual saem outras figuras, as nos 31, 32, 33. Junto à parte inferior da figura nº 30, uma figura longa em vermelho, branco e negro, de difícil interpretação é a figura nº 34, por baixo da qual se vê um traço em forma de Y deitado, figura nº 35. Debaixo desta, surge a figura nº 36, em negro e branco, tratando-se de uma associação de formas circulares e ovais.
Mais abaixo, a figura nº 37, parcialmente apagada, apresenta uma forma oval pintada a branco. Por baixo da figura nº 34, o círculo pintado em branco e vermelho constitui a figura nº 38.
À esquerda e
ligeiramente abaixo, a figura nº 39, também parcialmente visível, apresenta uma
forma circular, a vermelho e branco, junto à qual existe uma outra forma oval, mas
incompleta, pintada em vermelho e branco, é a figura nº 40, sendo que na direita da
sua parte inferior pode ver-se a figura nº 41, que não é mais que um traço horizontal;
na parte superior, a figura nº 42, composta por círculos e traços, em vermelho e
branco, também classificada por de difícil interpretação.
Abaixo
desta, surge um traço semi-circular pintado a vermelho, a figura nº 43. Mais à
direita, surge a nº 44, já parcialmente delidas. A figura nº
45, entre a nº 38 e a 46, apresenta um alinhamento de traços brancos.
Por baixo desta figura, a nº 46 é composta por uma série de linhas vermelhas e brancas, algumas das quais uma pouco apagadas. Ao lado desta, as figuras nos 47 e 48, já só em parte são visíveis, embora ainda se note as suas cores branca e vermelha. Por baixo da figura nº 43, a nº 49, é traço oblíquo. Na parte superior do levantamento, uma grande círculo concêntrico muito esbatido, com traços raiados no interior e dois apêndices no exterior, constitui a figura
nº 50.
Mais abaixo, uma forma oval preenchida, pintada em vermelho, mas também muito apagada, é a figura nº 51. À direita, uma série de traços vermelhos formam a figura nº 52 de um lado e a figura 54 do outro lado de uma figura oval com um círculo no centro, sendo esta a figura 53.
Na parte inferior, surgem cinco figuras um pouco delidas, às quais correspondem dois zoomorfos, uma forma circular e uma figura não decifrada.
O primeiro desses zoomorfos é a figura nº 55 (um sáurio, segundo Gutierrez), em branco; à esquerda, uma figura circular em vermelho, pouco visível, é a nº 56. O segundo zoomorfo (um felino, segundo o mesmo autor), pintado em branco parece ter as patas ligadas a traços vermelhos e brancos.
Mais abaixo,
surgem três manchas brancas e vermelhas, a que corresponde a figura nº
58, na proximidade da qual uma figura não-decifrada em vermelho assume o nº 59. Os seus
pigmentos foram datados por AMS, indicando uma idade próxima dos 2000 anos. No outro
abrigo com pinturas, o Tchitundo–hulo Mulume, percebe-se que a grande
maioria das pinturas encontra-se no tecto da gruta, ao longo de uma superfície com cerca de
20 m.
O inventário levado a cabo por Gutierrez mostra que o sítio contém pelo menos 211 figuras pintadas, contra as 180 adiantadas por Ervedosa sendo que a maioria é representações geométricas.
Aqui foram
recolhidas amostras dos pigmentos das pinturas destinados à análise micro-química
das mesmas.
Quanto às cores usadas, encontra-se o branco, por vezes aparecendo mais carregado, e ainda a utilização de três tonalidades de vermelho, negro, laranja e uma em cinzento. A grande maioria das figuras pintadas são-no numa só cor, e destas mais de metade são em branco.
Começando pela descrição, a cerca de 5 m a entrada da gruta (Fig. 64), encontra-se a figura nº 1, uma figura de forma oval com quadriculado, pintada a vermelho. Um metro mais à frente, a figura nº 2, provavelmente um zoomorfo, pintada em branco, coma alguns traços em vermelho. Mais à direita, as figuras nos 3 e 4, em branco escuro; a primeira, é composta por duas formas lineares, semelhantes a bastões, a segunda, corresponde a uma oval com um apêndice na parte superior.
Fig. 53 – Tchitundo-hulo Mulume ....................................................................................... 139
Fig. 54 - Complexo do Tchitundo-hulo ................................................................................ 139
Fig. 55- Gravuras do Tchitundo-hulo .. ............................................................................... 142
Fig. 56 - Tchitundo-hulo: Conjunto I .................................................................................... 142
Fig. 57- Gravuras do Tchitundo-hulo .................................................................................... 144
Fig. 58 - Tchitundo-hulo: Conjunto II ................................................................................... 144
Fig. 59 - Tchitundo-hulo: Conjunto III .................................................................................. 147
Fig. 60- Entrada do abrigo Tchitundo-hulo Opeleva ............................................................. 148
Fig. 61- Abrigo Tchitundo-hulo Opeleva .............................................................................. 148
Fig. 62 – Pinturas de Tchitundo-hulo Opeleva (reconstituição) ........................................... 149
Fig. 63 - Pinturas de Opeleva ............................................................................................... 151
Fig. 64 - Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume I .................................................................... 155
Fig. 65 - Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume II .................................................................. 156
Fig. 66 - Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume III ................................................................. 161
Fig. 67 - Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume IV ................................................................. 164
Fig. 68 – Pinturas do Tchitundo-hulo Mulume V ................................................................. 165
Texto integral : http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:YFaIrDjcTDgJ:repositorio.utad.pt/bitstream/10348/155/1/msc_capsmartins.pdf+&cd=11&hl=en&ct=clnk&gl=pt&client=firefox-a
Junto algumas imagens:
Tchitundu-Hulu 1
Tchitundu-Hulu 2
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Etiquetas:
Arte Rupestre de Angola. arqueologia
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