O que distingue a pele branca da pele negra é, em termos quantitativos, uma maior ou menor produção
do pigmento melanina. Visualização rápida.O atraso secular que se abateu sobre a África negra e que teve muito a ver com o isolacionismo dos povos em tribus que se guerreavam entre si (um povo atrasado só avança no contacto com outros mais avançados), contribuiu para um imaginário depreciativo do europeu que favoreceu a ideologia escravagista do Antigo Regime (Absolutismo). Foi a influência do pensamento liberal europeu e dos postulados do iluminismo no século XIX que levou a uma mudança em relação à imagem dos africanos que passaram a ser vistos como muito bem referiu Valentim Alexandre (1) “seres decerto atrasados, devido a circunstâncias históricas acidentais, mas capazes de progredir e de se integrarem como cidadãos no corpo nacional” . (1) Valentim Alexandre, 1995, pp. 234

O albinismo é uma condição genética caracterizada pela ausência ou pequena quantidade da melanina. Pelo facto os albinos são marginalizados e até assassinados em África pelos próprios africanos, sobretudo na região dos Grandes Lagos, mais precisamente na Tanzânia e no Quênia devido à cor da sua pele conotada com feitiçaria.
"Racismo, Xenofobia e Discriminação"
A questão do racismo, xenofobia e discriminação atribuídas aos portugueses continua a ser um tema recorrente na sociedade Moçambicana. Esta questão parece preocupar mais os moçambicanos, passados 27 anos sobre a sua Independência, que a pobreza da população. O problema é que não se percebe, muitas vezes, a que portugueses é atribuído tão pouco dignificante estatuto: a) aos que viviam em Moçambique antes de 1974 (cerca de 250 mil); b) aos que agora aí vivem (cerca de 13 mil); c) aos que residiam em Portugal antes de 1974; d) aos que residem actualmentel; f) a todos os portugueses, incluindo os de origem africana; g) apenas os brancos; etc.
O Racismo dos Portugueses
A frequência com que o tema do alegado racismo dos portugueses surge na Internet em Moçambique, tem um evidente conteúdo político que importa perceber. A perspectiva dos colonizados, não é naturalmente coincidente com a do colonizado.
A frequência com que o tema do alegado racismo dos portugueses surge na Internet em Moçambique, tem um evidente conteúdo político que importa perceber. A perspectiva dos colonizados, não é naturalmente coincidente com a do colonizado.
Perspectiva dos Colonizados.
1. É sabido que as relações entre os países colonizados e os colonizadores nunca são pacifícas. Pelo meio existe toda uma história em comum, que tanto estimula sentimentos de simpatia como de ódio.
2.Os antigos colonizados tendem a encarar os colonizadores, como a fonte de todos os seus problemas passados, presentes e futuros. Em geral produzem um discurso que repete sem cessar os mesmos temas: Eles viviam nas suas terras pacificamente até que um dia foram assaltados, desapossados das suas terras e recursos naturais, escravizados. Os colonizadores não se preocuparam em desenvolver o país, mas apenas em roubar e humilharam as populações, etc.
3.Aos olhos dos colonizados, os colonizadores, tem uma "divida eterna" para com eles. Quando um emigrante de um país colonizado volta a uma antiga colónia, frequentemente sucedem-se as queixas de roubos, saques com a conivência das autoridades locais. Ao nível do discurso popular, este tipo de roubos é assumido como uma modesta reparação. Tudo o que lhes conseguiram extrair é sempre pouco, dado que os seus antepassados colonos fizeram muito pior.
4. As relações entre países colonizados e colonizadores, raramente são colocadas em termos de reciprocidade. Uns tem mais obrigações que outros.Uns sentem-se no direito de receber, outros estão moralmente obrigados a pagar.
5.Os casos de alegada discriminação dos seus emigrantes nas antigas potências colonizadoras, são percepcionados como a confirmação de uma ideia feita.É a prova que os antigos colonizadores continuam a ser tão racistas como antes.
Há muito de Verdade nestas afirmações, mas raramente exprimem toda a Verdade.
6.O certo é que à força de tanto ser repetido este discurso, os antigos colonizadores acabam por se tornarem numa espécie de personificação do Mal, transformando-se num "bode espiatório" para todas as frustrações e insuficiências sentidas no quotidiano. Não há mal nenhum que não lhes possa ser atribuído.
7.Os mais pobres entre os colonos, quase sempre os únicos que aceitavam os trabalhos mais humildes junto das populações locais são erigidos à condição de protótipo do antigo Colono. Tornam-se objecto de anedotas onde encarnam a figuras de pacóvios, estúpidos, burros, ignorantes, etc. Desta forma procura-se ridicularizar o pertenço domínio ou superioridade do colonizador. Quase dois séculos depois da Independência do Brasil, a figura do "português", como sinónimo de ignorante e espertalhão está ainda bem presente nas anedotas no Brasil.
Perspectiva dos Colonizadores
8. Os antigos colonizadores, por seu lado, tendem a encarar os ex-colonizados como uns ingratos, dado que eles não reconhecem o esforço de gerações de colonos a desbravarem terras, criarem plantações, abrirem estradas, portos, etc etc.
9. Aos seus olhos os habitantes das antigas colónia apenas vêem os aspectos negativos da colonização, estão amarrados ao lado negro de um passado comum.Na sua perspectiva, existem outros problemas mais importantes para serem discutidos. O passado passou, e tudo deve ser visto em função do respectivo contexto histórico, em suma, relativizado.
10. O diálogo entre "colonizadores" e "colonizados" acaba frequentemente num monólogo cada um esgrimindo as suas ideias feitas sobre o Outro.
8. Os antigos colonizadores, por seu lado, tendem a encarar os ex-colonizados como uns ingratos, dado que eles não reconhecem o esforço de gerações de colonos a desbravarem terras, criarem plantações, abrirem estradas, portos, etc etc.
9. Aos seus olhos os habitantes das antigas colónia apenas vêem os aspectos negativos da colonização, estão amarrados ao lado negro de um passado comum.Na sua perspectiva, existem outros problemas mais importantes para serem discutidos. O passado passou, e tudo deve ser visto em função do respectivo contexto histórico, em suma, relativizado.
10. O diálogo entre "colonizadores" e "colonizados" acaba frequentemente num monólogo cada um esgrimindo as suas ideias feitas sobre o Outro.
Diálogo Portugal - Moçambique
O caso das relações entre Moçambique e Portugal, apresenta alguns aspectos curiosos. Lendo as acusações sobre o racismo dos portugueses descobre-se a ideia que estaria no horizonte uma alegada invasão de Moçambique pelos portugueses. O que analisando a sociedade portuguesa e os seus fluxos emigratórios, tal situação está longe de ser perspectivar. Há outros destinos mais lucrativos para quem quer emigra. A baixa taxa de natalidade em Portugal transformou-o também o pais, deixou de ser um tipíco exportar de mão-de-obra, para ser um destino para imigrantes. É também pouco provável que a comunidade portuguesa na África do Sul (cerca de 500 mil pessoas) se desloque para Moçambique. Tudo leva a crer que a unica comunidade que tende a aumentar é a dos moçambicanos em Portugal, à semelhança do que acontece com as restantes ex-colónias, nomeadamente com o Brasil.
O que justifica então esta continua referencia ao racismo do portugueses? Apenas a necessidade de encontrar um "bode expiatório" para as frustração quotidianas? Uma desculpa para a incompetência dos governantes?.
A insistência no alegado racismo dos portugueses, remete-nos para duas hipóteses explicativas que continuam a ter eco na sociedade moçambicana:
a) O alegado racismo e xenofobia dos brancos (portugueses), ao permitir uma clara distinção racial, possibilita igualmente a criação de uma clima que favorece a coesão nacional entre negros, induzindo-os a uma consciência de unidade cultural por oposição ao branco;
b)A denuncia do alegado racismo dos brancos (portugueses), deixa transparecer a intenção de criar uma tensão entre dois tipos de culturas: a Ocidental (racista, xenofoba, etc) e a Islâmica (dominante no norte de Moçambique).
Em qualquer dos casos, trata-se de cortar ou enfraquecer as ligações de Moçambique com as suas raízes europeias (portuguesas), abrindo caminho ao reforço de outras influências.
O caso das relações entre Moçambique e Portugal, apresenta alguns aspectos curiosos. Lendo as acusações sobre o racismo dos portugueses descobre-se a ideia que estaria no horizonte uma alegada invasão de Moçambique pelos portugueses. O que analisando a sociedade portuguesa e os seus fluxos emigratórios, tal situação está longe de ser perspectivar. Há outros destinos mais lucrativos para quem quer emigra. A baixa taxa de natalidade em Portugal transformou-o também o pais, deixou de ser um tipíco exportar de mão-de-obra, para ser um destino para imigrantes. É também pouco provável que a comunidade portuguesa na África do Sul (cerca de 500 mil pessoas) se desloque para Moçambique. Tudo leva a crer que a unica comunidade que tende a aumentar é a dos moçambicanos em Portugal, à semelhança do que acontece com as restantes ex-colónias, nomeadamente com o Brasil.
O que justifica então esta continua referencia ao racismo do portugueses? Apenas a necessidade de encontrar um "bode expiatório" para as frustração quotidianas? Uma desculpa para a incompetência dos governantes?.
A insistência no alegado racismo dos portugueses, remete-nos para duas hipóteses explicativas que continuam a ter eco na sociedade moçambicana:
a) O alegado racismo e xenofobia dos brancos (portugueses), ao permitir uma clara distinção racial, possibilita igualmente a criação de uma clima que favorece a coesão nacional entre negros, induzindo-os a uma consciência de unidade cultural por oposição ao branco;
b)A denuncia do alegado racismo dos brancos (portugueses), deixa transparecer a intenção de criar uma tensão entre dois tipos de culturas: a Ocidental (racista, xenofoba, etc) e a Islâmica (dominante no norte de Moçambique).
Em qualquer dos casos, trata-se de cortar ou enfraquecer as ligações de Moçambique com as suas raízes europeias (portuguesas), abrindo caminho ao reforço de outras influências.
Carlos Fontes
Conceitos
Xenofobia: Aversão aos
estrangeiros, ao Outro (o Diferente).
Nenhum povo é intrinsecamente xenofobo, no entanto, muitos assumem com maior frequência estas posições que outros. Em certas épocas esta aversão é mais notória também que noutras. A xenofobia não parece ter haver com o nível de desenvolvimento do país. Presentemente assistimos uma vaga de xenofobia nos países economicamente mais desenvolvidos. A razão deste fenómeno que atinge toda a Europa, EUA, Austrália, etc, é simples: o estrangeiro (imigrante,etc) é apontado como a causa do aumento da criminalidade, mas também como uma ameaça às regalias duramente conquistadas pelos trabalhadores locais. Na verdade, o estrangeiro (o imigrante) está, em geral, disposto a trabalhar com salários inferiores aos praticados no país e em condições mais precárias. Esta situação acaba por provocar certa animosidade contra os mesmos por parte dos trabalhadores desses países. Em França, entre os apoiantes da extrema-direita (xenofoba) contava-se centenas de milhares de operários. Um dos maiores problemas da xenofobia é quando esta se manifesta sob a forma de um nacionalismo exacerbado, chauvinismo, etc. É nesta alturas que ocorrem perseguições colectivas às minorias, às quais são atribuídos todos os males.
Nenhum povo é intrinsecamente xenofobo, no entanto, muitos assumem com maior frequência estas posições que outros. Em certas épocas esta aversão é mais notória também que noutras. A xenofobia não parece ter haver com o nível de desenvolvimento do país. Presentemente assistimos uma vaga de xenofobia nos países economicamente mais desenvolvidos. A razão deste fenómeno que atinge toda a Europa, EUA, Austrália, etc, é simples: o estrangeiro (imigrante,etc) é apontado como a causa do aumento da criminalidade, mas também como uma ameaça às regalias duramente conquistadas pelos trabalhadores locais. Na verdade, o estrangeiro (o imigrante) está, em geral, disposto a trabalhar com salários inferiores aos praticados no país e em condições mais precárias. Esta situação acaba por provocar certa animosidade contra os mesmos por parte dos trabalhadores desses países. Em França, entre os apoiantes da extrema-direita (xenofoba) contava-se centenas de milhares de operários. Um dos maiores problemas da xenofobia é quando esta se manifesta sob a forma de um nacionalismo exacerbado, chauvinismo, etc. É nesta alturas que ocorrem perseguições colectivas às minorias, às quais são atribuídos todos os males.
Racismo: Conceito ideológico segundo o qual todos os homens distinguem-se em função da sua raça, sendo que umas são melhores que outras devido certas características inatas ( melhor inteligência, mais valentia, etc.).O discurso racista, fundado numa alegada superioridade biológica foi durante muito tempo o discurso dos que detinham o poder, ou dos que se acham que tinham NATURALMENTE direito ao mesmo. O Branco achava-se superior ao Negro, o Nobre superior ao Plebeu,o Inglês superior ao Irlandes Católico, etc. Desta forma legitimavam a exploração que faziam de outros seres humanos.
Discriminação: Exclusão de
seres humanos no acesso a determinadas ocupações, baseada em factores
arbitrários como o sexo, raça, nacionalidade, etnia, etc.
ORIGEM DESTE TEXTO
ORIGEM DESTE TEXTO


Talvez
não seja o caso do patriarca dos Chingunji, Eduardo Jonatão Chingunji.
No entanto, não resta dúvida alguma de que o legado por ele deixado –
meter-se na vida política – tenha, sob o efeito de bola de neve, levado
todos os seus descendentes para o caminho dramático que se conhece.
Abril, com a entrada da Unita nas cidades, falava-se, de viva voz, desses dois
irmãos,
elevados à categoria de heróis míticos pela Unita: Samuel Piedoso
Chingunji (Kafundanga) foi o primeiro chefe de Estado - Maior da Unita e
viria a falecer, em 1973, de malária. David Jonantão Chingunji
(Samuimbila) perdera a vida três anos atrás num ataque a um ATM do
exército colonial. Mas também já se falava de uma possível participação
de Jonas Savimbi na morte dos dois por rivalidades. Mas, como em todas
as sagas, o mistério prevalece até hoje (recordemo-nos do mistério que
envolveu a morte do presidente Kennedy).
Cruzei-me
com Estevão Chingunji na cidade do Luena, em meados de 1975, muito
antes de ser nomeado governador da província de Benguela e de se ter
casado com Anita Chimbili. Era um homem de carácter afável, elegante.
Nunca me esqueci do orgulho com que ostentava o seu certificado, postado
na parede, que atestava a sua participação num concurso de piano em
Nova York onde vivia e saíra vencedor. No entanto, isso era apenas o
prelúdio. O pior ainda estava para chegar.
Em
1978, numa das minhas viagens à cidade do Lubango, uma colega, no tempo
colonial, de Paulo Chingunji - outro filho do patriarca - do curso de
História, na Faculdade de Letras, da Universidade de Angola, falava da
sua morte num acidente de viação que ocorreu algures na província da
Huíla.
Em
1979, foi assassinado o patriarca dos Chingunji, Estevão Jonatão
Chingunji, sua esposa Violeta Jamba, e seus dois filhos Dino Chingunji
(também foi morta Aida Henda- sua esposa, a irmã desta, Vande, e o seu
filho mais novo Eduardinho) e Alice Chingunji (Lulu). Esta teve, por
sorte, da relação com Isaías Chitombi, uma filha. Uma das poucas
sobreviventes.
Realizou-se,
em 1975, na Chissamba um casamento muito falado onde estive presente. O
mesmo ficou famoso por duas razões: primeiro, pelos cônjuges, pois
tratava-se do enlace matrimonial de Wilson Santos com Helena Jamba
Chingunji dos Santos (irmã gémea de Tito Chinguji); segundo, por ter
sido realizado conforme os ditames da cultura Ovimbundu. Era algo
impensável para cristãos devotos e assimilados à cultura ocidental. A
maldição viria, no entanto, a manifestar-se nesta família desasseis anos
mais tarde. Em 1991, o mundo ficou boquiaberto quando soube da boca de
Nzau Puna e Tony da Costa Fernandes, o inimaginável: Haviam sido mortos
Tito Chingunji, sua esposa Raquel (Romy) e os três filhos, dois dos
quais eram gémeos. A par disso, Wilson Santos, Helena Chingunji e os
seus filhos (Koly, Rady e Paizinho) tiveram a mesma sorte.
sempre
ao lado de Jonas Savimbi. Diplomata hábil, passou por Londres e, mais
tarde, por Washington, como representante da Unita. Tito viria a
sucumbir depois de ter vivido como um animal num zoo, na Jamba, acusado
de ter tido um affair com Ana Savimbi (antiga namorada), e de ter sido
acusado de liderar uma intentona contra Jonas Savimbi. O que se passou
efectivamente foi que os americanos olhavam para ele como a melhor
alternativa para a Unita. No fundo, Tito apercebera-se da influência que
ganhara a nível dos americanos e consciencializara-se de que havia
incidente de mais na sua família. Pelo que se sabe, procurou fugir da
base onde se encontrava, tendo sido apanhado mais tarde e assassinado às
catanadas. Irrelevante que é saber quem perpetrou o assassinato, não é
difícil excluir a ideia de que o mandante tenha sido Jonas Malheiro
Savimbi e os executores Miguel Nzau Puna, General Epalanga e o temível e
terrível sobrinho de Jonas Savimbi, Kami.
Não
existem sagas sem sobreviventes. Este é o caso de Eduardo Jonatão
Chingunji (Dinho) filho de Samuel Chingunji (Kafundanga). Sobreviveu por
estar no exterior, a estudar, e juntar-se a um grupo de intelectuais
dissidentes da Unita (Jorge Chicoty, Sousa Jamba, Dias Kanombo, Lindo
Kanjunju e Yamba Yamba), que cedo se distanciaram da liderança de Jonas
Savimbi. Foi ministro do Turismo e, na véspera das últimas eleições,
bateu com a porta.

















O Ultimato Inglês de 1890












