sexta-feira, 13 de abril de 2012

O ENSINO PRIMÁRIO EM ANGOLA NO SÉCULO XIX



A 10 de Outubro de 1864, uma portaria assinada pelo ministro da Marinha e Ultramar, José da Silva Mendes Leal, referia o seguinte: “Sendo as escolas primárias o alicerce e a base da instrução pública e um agente de civilização que, pelo seu influxo nos progressos humanos, deve merecer a mais esmerada solicitude e aturados desvelos a todas as autoridades, manda Sua Majestade El-Rei, pela Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, que o governador-geral da província de Angola, tomando na maior consideração quanto respeita a este assunto, frequentemente, inspeccione e faça inspeccionar as escolas da província, para que nelas se cumpra o que determinam as leis, que de instruções convenientes, formule os regulamentos respectivos, faça as recomendações oportunas e adopte todos os meios eficazes para que nas ditas escolas se estabeleça um regime carinhoso e atractivo, que trate ao mesmo tempo de instituir pequenos prémios para os alunos que se distinguirem e, finalmente, que acerca de tudo isto informe assiduamente, bem como no que se refere ao mérito, capacidade e diligência dos professores”.
No dia 25 de Janeiro de 1865, o governador-geral acusava recepção da portaria, comprometia-se a envidar todos os esforços e a utilizar todos os meios que estivesse ao seu alcance, para executar as ordens que havia recebido. De certo modo, a partir de meados do século XIX, a política portuguesa começou a modificar-se. Isto porque partiu do princípio que, educando os autóctones na base de uma mentalidade europeia, melhor preservava as colónias. Por outro lado, verificou que a perseguição às missões, levantava outro tipo de problemas, que não deixavam de se reflectir no conjunto dos problemas nacionais. Nesta conformidade, em 1871 chegaram a Angola os primeiros cinco sacerdotes goeses, dos 23 sacerdotes indianos que, naquela altura, exerceram actividade missionária em Angola.
A 3 de Junho de 1876, o Dr. Alfredo Troni, ilustre advogado de Luanda, recebeu a incumbência de inspeccionar as escolas da cidade, por parte do governador-geral Caetano Alexandre de Almeida e Albuquerque. Devia informá-lo sobre o conhecimento e competência dos mestres, métodos de ensino adoptados, grau de aproveitamento dos alunos, estado físico das escolas, condições oferecidas pelos edifícios, utilização prática dos meios de que cada escola dispunha… Alfredo Troni, autor da novela “Nga Mutúri” faleceu na cidade de Luanda em 1904, tendo deixado o nome ligado ao desenvolvimento cultural angolano. Em 1913, os seus herdeiros fizeram a entrega de 3.273 volumes da biblioteca particular de seu pai para serem incorporados ao recheio da Biblioteca Municipal da cidade de Luanda.
Poder dizer-se que a escola secundária existia, teoricamente, em Angola, desde 14 de Agosto de 1845, através da Escola Principal de Luanda. Na prática, era uma escola de ensino primário complementar, com vocação profissional, pois estava dirigida à preparação de futuros professores. O seu programa previa o ensino da Gramática Portuguesa, Geometria, Desenho e Escrituração Comercial. Desde 1772, funcionava também neste estabelecimento de ensino, com bastante irregularidade, a aula de latim, também conhecida por aula de gramática latina, especificamente frequentada por aqueles que desejavam seguir a vida eclesiástica. Esta escola veio mais tarde a alargar o leque de disciplinas, passando também a ministrar, francês ou inglês, História Universal, geografia mundial, matemática, física e economia política. Mas foi nesta fase que mais decaiu, chegando, a dada altura, a fechar portas, apesar de haver professores em exercício.
Em 1867, foi nomeada uma comissão encarregada de elaborar o regulamento para a Escola Principal de Luanda, chegando mesmo a pensar-se em estabelecer um internato, que permitisse ministrar a instrução e fornecer alimentação e meios de ensino a todos os alunos em situação de carência. “Apontava o interesse que tinha para o país a difusão da língua portuguesa, prejudicada pelo uso corrente dos idiomas nativos, sobretudo a língua bunda, que exercia profunda influência social.” Por outro lado, havia muitas crianças com dificuldade na aquisição de material escolar, algumas delas órfãs.
Se considerarmos colono, o indivíduo que sai da Europa com a intenção de viver permanentemente na colónia – não sendo portanto, soldado, degredado ou membro do serviço colonial – podemos então entender que a colonização portuguesa em Angola não começou antes de meados do século XIX (1849-1851), altura em que cerca de 500 “brasileiros” chegaram ao porto de Moçâmedes (Namibe). No entanto, isso aconteceu por se ter dado, entre 1847-1848, uma insurreição armada na cidade brasileira de Pernambuco. Angola, segundo Gerald Bender, não era, naquela altura, suficientemente atractiva para os portugueses vindos da Europa ou do Brasil. Logo, para que este primeiro processo de colonização pudesse resultar com alguma eficácia, teve o governo de usar métodos de intervenção directa, fornecendo passagens grátis para Angola. Uma vez chegados, era-lhes dado terra, habitação, animais, sementes e subsídios. A este processo chamou-se “colonização dirigida”. De entre as causas impeditivas do desenvolvimento do ensino em Angola, ainda em meados do século XIX, está certamente a escravatura, a dominação espanhola, a carência de um plano, a falta de acção dos governantes e a expulsão dos religiosos. Também para o laxismo colectivo em Portugal, na primeira metade do século XIX, haviam antes concorrido as invasões francesas, a divulgação das ideias liberais, a independência do Brasil, as guerras civis e as sucessivas revoluções que se registaram. Mas, sobretudo, deve realçar-se que a grande maioria dos emigrantes que partiram de Portugal para Angola eram em regra gente de baixo nível moral, com muitos degredados à mistura – massa rude, inculta, analfabeta, boçal, ambiciosa e cruel. Um exemplo deste facto aparece numa citação do governador e comandante-geral de Angola de 1764 a 1772, Sousa Coutinho: “ [Devemos] proibir, de uma vez para sempre, as penas que sobrecarregam
Um outro exemplo aparece na descrição de Joachin Monteiro, sobre Luanda, entre 1860-1870:
“Os mais selectos espécimens de facínoras e assassinos de grande quilate são enviados para Luanda para serem tratados com a maior consideração pelas autoridades. Ao chegarem à costa, alguns são alistados como soldados, mas aos assassinos mais importantes geralmente dá-se-lhes dinheiro e cartas de recomendação, para lhes garantir a sua liberdade instantânea, e eles começam por abrir tabernas, etc, onde roubam e vigarizam, tornando-se em poucos anos ricos e independentes e mesmo personagens influentes”.
Segundo Orlando Ribeiro, “Angola foi o principal lugar de degredo: no final do século XIX os degredados representavam 12 por cento da população branca, vivendo em Luanda numa liberdade surpreendente; muitos eram proprietários de casas de comidas. Nunca foi por diante o projecto de criar na Huíla uma colónia penal agrária. Só em 1932 cessou a remessa de condenados, umas vezes trabalhadores úteis, outras vezes, ociosos e turbulentos. Um relatório do governador-geral Sebastião Lopes de Calheiros e Meneses, datado de 31 de Janeiro de 1862, apresenta-nos, de certa forma, uma proposta de estratégia de desenvolvimento para Angola, de acordo com o pensamento da época. Atendendo ao facto deste relatório se nos apresentar um pouco longo, achámos por bem, retermo-nos apenas na sua parte final: “ (…) se é conveniente aceitar e aproveitar a instituição e autoridade dos sobas, é preciso também educá-los e aos seus macotas; é indispensável aportuguesá-los e, como meio poderoso de o conseguir, devemos ensinar-lhes a ler, escrever e contar, em português. Saibam português, quanto possível o grande de um sobado, que os pequenos o irão aprendendo. Se Portugal não pode, quase com certeza, criar aqui uma nação da sua raça, como criou do outro lado do Atlântico, ao menos eduque um povo que fale a sua língua e tenha mais ou menos a sua Religião e os seus costumes, a fim de lançar mais este cimento da causa da civilização do mundo e de tirar depois mais partido das suas relações e esforços humanitários. Dêmos, pois, aos pretos boas autoridades na pessoa dos chefes, bons mestres e directores nas pessoas dos padres, não imponhamos aos sobas senão a obrigação de dar soldados para a força militar e de ensinar a ler, escrever e contar a seus filhos e aos seus parentes e macotas, e deixemos que o tempo, a Religião e a instrução façam o seu dever.”
Em 1863, chegou a haver em Angola, 24 escolas primárias públicas, mas em 1869, o número baixaria para 16. De entre as principais razões, que contribuíram para o fracasso do ensino primário em Angola, podemos apontar as seguintes: “O perfil de saída dos alunos que frequentavam as escolas primárias era efectivamente fraco; os estudantes que se encontravam motivados para dar continuidade aos seus estudos acabavam por esmorecer e desistir; os conhecimentos adquiridos estavam desajustados das necessidades do meio, daí a escola não se tornar atractiva; as autoridades minoravam os problemas existentes, chegando a nomear professores sem que houvesse alunos.”
Em 1864, foi editada pelo angolano Manuel Alves de Castro Francina e por Saturnino de Sousa Oliveira, que tinha desempenhado a missão de cônsul-geral de Brasil, em Angola, a obra intitulada “Elementos Gramaticais da Língua N’Bundu”, que se dizia, na altura, ser o único compêndio gramatical de que se dispunha, para fazer o estudo do idioma qimbundo, vulgarmente designado naquele tempo por “idioma angolense”. Saturnino de Sousa e Oliveira organizou também um vocabulário da língua qimbundo, que foi editado pela Imprensa Nacional.
A 16 de Novembro de 1868, uma portaria ministerial aprovava a decisão do governador-geral, quanto à educação dos dois filhos do barão de Cabinda, Manuel José Puna, serem educados por conta do Estado. Ainda de acordo com Martins dos Santos, “este mostrou-se ser sempre muito dedicado a Portugal; deve-se-lhe em boa parte a integração das terras do enclave e distrito de Cabinda no conjunto do património territorial português, quando se desenrolou a famosa questão do Zaire. Abre-se aqui um parêntesis para, de acordo com Orlando Ribeiro, referir que “a República Democrática do Congo, nasceu de um conceito teórico de Geografia Política: um Estado tende a ocupar uma bacia hidrográfica e a buscar saída para o mar. Com 2.331.000 quilómetros quadrados é o mais vasto país da África negra, embora a bacia do Congo se estenda por 3.700.000 quilómetros. Para buscar um corredor de acesso ao Atlântico separou-se Cabinda do resto de Angola e o ex-Zaire, afinal, foi belga na margem direita e apenas na esquerda permaneceu português. Manuel José Puna havia sido educado no Rio de Janeiro a expensas do Governo de Portugal, já depois da independência do Brasil, o que aconteceu com outros naturais de Angola. Deslocou-se a Lisboa, em visita aos filhos, talvez em 1871, tendo sido gentilmente hospedado pelo monarca. Recebeu o baptismo na capital portuguesa, apadrinhando o acto o rei D. Luís e a rainha D. Maria Pia.”
Uma outra portaria ministerial de 3 de Dezembro do mesmo ano, comunicava que os dois educandos já haviam chegado a Lisboa e sido “confiados a um dos melhores estabelecimentos do ensino particular da capital portuguesa, a Escola Académica. Mais tarde regressaram às suas terras e exerceram as funções de professores do ensino primário. Um deles, Vicente Puna, mostrou possuir qualidades aceitáveis, ao contrário do irmão, João Puna, cujo comportamento mereceu críticas e até castigos.” Este último acabou por ser exonerado compulsivamente por ter sido acusado “de não cumprir as suas obrigações, abandonando a escola e dando mau exemplo de decoro e dignidade, não apresentava qualquer resultado do seu trabalho, pois lhe faltavam elementos indispensáveis para exercer o cargo, tendo qualidades más que dizia não ser capaz de coibir”.
Ainda por volta de 1868, Moçâmedes (Namibe), segundo dados oficiais da época, tinha 1.211 habitantes, sendo 837 escravos, 99 libertos e 275 indivíduos livres. Destes últimos, havia 210 pessoas de cor branca, os restantes eram negros ou mestiços. Já Luanda, segundo dados referentes a 18 de Janeiro de 1856, só em escravos tinha 14.124 que, segundo Martins dos Santos, “o comentador da situação reconhecia que era altamente desproporcional à população livre da cidade.”
Filipe Zau |*
* Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais

 O ensino em Angola em Outubro de 1881

Na esteira de Martins dos Santos, chegam a Lisboa, em Outubro de 1881, algumas religiosas de S. José de Cluny para, de acordo com o governo, darem início a uma fundação que fornecesse pessoal para as missões. As portuguesas deram início, em Janeiro de 1883, à sua actividade religiosa em Lândana, que não era ainda uma missão portuguesa. No dia 3 de Março, desse ano, a pedido do bispo diocesiano D. José Neto, desembarcaram em Luanda as primeiras irmãs hospitaleiras, religiosas terceiras franciscanas, para prestarem serviço no novo Hospital Maria Pia, inaugurado no dia 1 de Julho de 1883. Foram estas as primeiras religiosas a estabelecerem-se na diocese de Angola e Congo. No dia 8 de Julho de 1885, as mesmas chegaram a Moçâmedes (Namibe), onde abriram um colégio e uma escola. Entre 1892 e 1897 estabelecem-se na Huíla, Caconda, Malange, Luanda, Luáli e Cabinda.
A cartilha de João de Deus
Em 21 de Maio de 1883, determinou-se que fosse adoptado, em todas as escolas oficiais da província de Angola, o Método de João de Deus. Ordenou-se que nenhum professor fosse provido no seu cargo, se não demonstrasse, por documento ou perante um júri competente, que sabia empregar este método no ensino das primeiras letras. A fim de se divulgar mais facilmente este método de ensino, as autoridades em Angola mandaram vir do reino mil exemplares da Cartilha Maternal. Para o desempenho de diversos cargos públicos, incluindo o do magistério, declarava-se, no mesmo diploma, que seria dada preferência, em igualdade de circunstâncias, aos indivíduos que tivessem obtido o seu diploma em Angola.

No dia 7 de Outubro desse mesmo ano, foi nomeado o júri, que devia examinar os candidatos a professores, com o propósito de averiguar, se os mesmos tinham ou não capacidade e aptidão para aplicarem o referido método pedagógico. O júri era constituído pelo Dr. Francisco António Pinto, que seria o presidente; pelo P. António Castanheira Nunes e por Alfredo de Sousa Neto, professores em Luanda.
No dia 22 de Fevereiro de 1885, o bispo da diocese de Angola e Congo, D. António Tomás da Silva Leitão e Castro, na altura em que o seminário-liceu funcionava na missão católica da Huíla, criou, em Luanda, uma aula de línguas africanas. Na mesma era usado o antigo livro do missionário capuchinho Frei Jacinto de Vetralha, que havia sido reeditado, sendo professor dessa aula, o angolense João Inácio de Pinho. A aula era frequentada por missionários e catequistas que tivessem que trabalhar no interior, podendo-se, no entanto, admitir outros alunos, uma vez que era pública. O mestre tinha por tarefa escrever as lendas, as tradições religiosas, as narrativas de costumes, as canções nas línguas africanas, com o intuito de, posteriormente, as fazer publicar. No entanto, não há notícia de que tal tenha ocorrido.

  
Organização e Gestão
Em 15 de Setembro de 1885, solicitou-se às autoridades de Angola, o envio de uma lista com a indicação das escolas primárias e secundárias, que tinham funcionado no ano de 1884, para além da frequência de alunos em cada uma delas. Pretendia-se assim, organizar a estatística da instrução pública nas colónias. Num informe confidencial do governador-geral Guilherme Capelo, a respeito do funcionamento das escolas em Angola, era comunicado ao ministro o seguinte: “Nesta Província a instrução é deficientíssima, não só pela ignorância dos professores, como pela incúria dos chefes de família, que deixam em desgraçado abandono a educação das crianças. O geral da população vive menos que modestamente, e raros são os pais que mandam educar os filhos para a Europa. Não há aqui o menor interesse pela educação da mocidade, que é julgada completa e terminada com umas leves noções de leitura, escrita e algumas operações de aritmética. A própria Escola Principal apenas é frequentada por meia dúzia de alunos sem habilitações para poderem compreender o que ali se ensina, e se a frequentam é a pedido dos professores, que desejam conservar os lugares em que estão inteiramente providos e que não têm tirado o menor resultado do ensino das matérias que leccionam.”
A 27 de Junho de 1888, foram os administradores e chefes dos concelhos orientados, no sentido de procederem a visitas de inspecção às escolas oficiais, durante o mês de Agosto, último do ano escolar, informando depois, o Governo-Geral, acerca da capacidade e comportamento dos professores, sua pontualidade e assiduidade às aulas, número de alunos leccionados, respectivo aproveitamento escolar, para além de outras informações dignas de menção.
A 30 de Setembro de 1888, no bairro das Ingombotas, em Luanda, próximo da Igreja do Carmo, começou a funcionar uma escola primária sustentada pela Câmara Municipal, destinada, sobretudo, aos filhos das famílias mais carenciadas de recursos, pois os alunos podiam frequentá-la usando apenas uma tanga, caso não tivessem outra roupa.
Em 1891, era introduzido em Portugal um organismo que havia nascido em França e tinha sido recomendado pelos Papas Pio IX e Leão XIII  A Associação de Orações e Boas Obras pela Conversão dos Pretos þu que, no caso português, começou por publicar um boletim, em que se inseriam notícias relativas à actividade missionária, sobretudo em Angola.
Mário Pinto de Andrade afirma-nos, em “Origens do Nacionalismo Africano” que “as elites letradas nas sociedades africanas emergiam entre as camadas sociais privilegiadas, pelo jogo da mobilidade vertical induzida pela necessidade de quadros subalternos para o exercício da vida administrativa, no âmbito do sistema político e económico vigente. Além dos agentes da função pública, contavam-se proprietários agrícolas, professores do ensino privado e advogados provisionários. Produtos dos aparelhos ideológicos dominantes (igreja, escola, exército) são particularmente os clérigos, antigos discípulos dos seminários que, graças à anterioridade e preeminência do ensino religioso, formam o primeiro núcleo de letrados”. Acrescenta ainda que “encarados no seu conjunto, trata-se de ‘autodidactas’ que desempenham o papel de reprodutores de um saber essencialmente humanista. A eles estiveram cometidos, nas últimas décadas do século XIX, o culto e a difusão da instrução. As obras de criação literária, respondendo a um rigoroso critério estético, ocupam um lugar relativamente modesto mas abundam os escritos esparsos no jornalismo de opinião nas ilhas crioulas, em Angola e na província da Zambézia.”

Livros escolares
Em 14 de Maio de 1892, foi publicada a lista de livros e compêndios, que poderiam ser escolhidos pelos professores, para uso nas escolas de Angola: “Cartilha Maternal”, de João de Deus; “O Discípulo de Leitura Portuguesa”, do P. António Castanheira Nunes; “Leituras Correntes”, de F. Adolfo Coelho; “Livro de História” (1ª e 2ª partes), de E. Vidigal Salgado; “Quadros da História Portuguesa”, de Silveira da Mota; “Leituras Correntes”, de João de Deus; “Portugueses Ilustres”, de Pinheiro Chagas; “Selecta Portuguesa”, de Luís F. Leite e Moreira de Sá; “Gramática Portuguesa”, de Manuel Francisco de Medeiros Botelho; “Aritmética e Sistema Métrico”, de Júlio Alberto Vidal; e Dicionários portáteis, sem indicação de autor.
Em 8 de Dezembro de 1905, foi publicada uma nova lista de livros escolares, cuja adopção seria feita em Angola: “Deveres dos filhos”, de João de Deus; “Livro de leitura” (2ª, 3ª e 4ª classes), de D João da Câmara, Maximiliano de Azevedo e Raul Brandão; “Pautas e Exemplares Caligráficos”, de Carlos Silva; “Conjugação dos Verbos e Sinopses Gramaticais”, organizado pela Direcção-Geral de Instrução Primária; “Compêndio de Moral e Doutrina Cristã”, de M. Anaquim; “Aritmética e Geometria”, de Almeida Lima; “Corografia de Portugal”, de Almeida de Eça; “História de Portugal”, de H. Lopes de Mendonça; “Rudimentos de Agricultura”, de A.X. Pereira Coutinho.
Podia-se utilizar ainda a Cartilha Maternal, de João de Deus, na aprendizagem da leitura, não se excluindo a possibilidade do professor adoptar outro método, no ensino das primeiras letras. Mas a carência de livros didácticos constituiu sempre um grave problema escolar em Angola, deste que o ensino oficial foi instituído. Um mal que se arrastou por longos anos e atingiu o período imediatamente anterior à Independência.
Em 28 de Outubro de 1897, o inspector da Fazenda, em Luanda, solicitava ao Ministério da Marinha e Ultramar a remessa urgente dos compêndios escolares previstos nos diplomas legais e que, anualmente, deveriam ser enviados para Angola, como subsídio material para as suas escolas. Informava ainda que os mesmos estavam a ser muito necessários, visto que não havia nenhum em depósito, deixando, por isso, de ser atendidas, as requisições dirigidas aos serviços da Fazenda Pública.

Calendário escolar e nomeações de professores
Através da portaria de 7 de Agosto de 1890, o governador-geral António Duarte Ramada Curto, por proposta do secretário-geral de Angola, Dr. Joaquim de Almeida da Cunha, determinava que, nas escolas de Angola, o mês de Setembro fosse tempo lectivo, e as férias fossem dadas em Março. Era a primeira tentativa de mudança do ano escolar do tipo português para o tipo nitidamente angolano, uma vez que não se justificava que as férias grandes fossem em Setembro, como em Portugal, pois em Angola, esse não era o tempo de praia, nem o tempo de colheitas, como na Europa. De salientar ainda que as férias escolares de maior duração, não ultrapassavam um mês.
O relatório do Pe. José Maria Antunes, de 1 de Dezembro de 1894, foi levado ao exame da Junta Geral das Missões e propunha que as missões deveriam distanciar entre si, em média 1 grau no sentido ocidente-oriente e 2 graus no sentido norte-sul.
Um outro documento, datado de 26 de Novembro de 1895, dá-nos informações sobre missões católicas em funcionamento, sem contudo indicar o número de paróquias e a sua respectiva localização. As escolas seriam providas por nomeação vitalícia, precedida de concurso documental, sob despacho do governador-geral, sujeito a confirmação régia.
Eram exigidos para concurso: diploma de habilitações legais; atestado de bom comportamento; atestado médico comprovativo de não sofrer de moléstia contagiosa; comprovante do cumprimento das leis militares, para os candidatos do sexo masculino; Documentos comprovativos de habilitações literárias e serviço público (em carácter facultativo).
Para se estabelecer a classificação dos candidatos, ter-se-ia em conta a categoria dos diplomas e a qualidade ou antiguidade do serviço de magistério oficial, a valorização dos documentos e as classificações comprovadas. Se não houvesse concorrentes, o lugar poderia ser provido por transferência, se houvesse professores a requerê-la. Se o concurso ficasse deserto, seria provido um indivíduo sem as habilitações legais, mas que oferecesse idoneidade para desempenhar o cargo.
As nomeações interinas eram da competência do governador-geral e a sua validade, a não ser em casos extraordinários, não deveria exceder três meses.
Os professores podiam ser transferidos dentro de cada território, por conveniência de serviço e para tal, seria ouvido o agente considerado e solicitada a concordância do Conselho Inspector de Instrução Pública. Não havia limitação de tempo, mas no final o professor voltaria a ocupar o seu posto anterior. Nos lugares onde não pudesse ser ministrado o ensino em língua portuguesa, por se falarem apenas línguas africanas, deveriam fazer-se exercícios de aprendizagem de português. O Conselho Inspector de Instrução Pública teria em conta as determinações referidas, ao elaborar os programas do ensino.

Filipe Zau*/Jornal de Angola
Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poesia angolana. Viriato da Cruz: MAMA NEGRA


VIRIATO DA CRUZ


MAMÁ NEGRA
(Canto de esperança)
        (À memória do poeta haitiano Jacques Roumain)
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça,
Drama de carne e sangue
Que a Vida escreveu com a pena dos séculos!
 
Pela tua voz
Vozes vindas dos canaviais dos arrozais dos cafezais
    [dos seringais dos algodoais!...
Vozes das plantações de Virgínia
dos campos das Carolinas
Alabama
    Cuba
        Brasil...
Vozes dos engenhos dos bangüês das tongas dos eitos
    [das pampas das minas! 
Vozes de Harlem Hill District South
    vozes das sanzalas!
Vozes gemendo blues, subindo do Mississipi, ecoando
    [dos vagões!
Vozes chorando na voz de Corrothers:
    Lord God, what will have we done
- Vozes de toda América! Vozes de toda África!
Voz de todas as vozes, na voz altiva de Langston
Na bela voz de Guillén...
Pelo teu dorso
Rebrilhantes dorsos aso sóis mais fortes do mundo!
    Rebrilhantes dorsos, fecundando com sangue, com suor
        [amaciando as mais ricas terras do mundo!
Rebrilhantes dorsos (ai, a cor desses dorsos...)
Rebrilhantes dorsos torcidos no "tronco", pendentes da
    [forca, caídos por Lynch!
Rebrilhantes dorsos (Ah, como brilham esses dorsos!)
ressuscitados em Zumbi, em Toussaint alevantados!
Rebrilhantes dorsos...
     brilhem, brilhem, batedores de jazz
     rebentem, rebentem, grilhetas da Alma
     evade-te, ó Alma, nas asas da Música!
 ...do brilho do Sol, do Sol fecundo
 imortal
 e belo...

Pelo teu regaço, minha Mãe,
Outras gentes embaladas
à voz da ternura ninadas
do teu leite alimentadas
de bondade e poesia
de música ritmo e graça...
santos poetas e sábios...
Outras gentes... não teus filhos,
que estes nascendo alimárias
semoventes, coisas várias,
mais são filhos da desgraça:
a enxada é o seu brinquedo
trabalho escravo - folguedo...
Pelos teus olhos, minha Mãe
Vejo oceanos de dor
Claridades de sol-posto, paisagens
Roxas paisagens
Dramas de Cam e Jafé...
Mas vejo (Oh! se vejo!...)
mas vejo também que a luz roubada aos teus
    [olhos, ora esplende
demoniacamente tentadora - como a Certeza...
cintilantemente firme - como a Esperança...
em nós outros, teus filhos,
gerando, formando, anunciando -
o dia da humanidade
O DIA DA HUMANIDADE!...
 
Obra Poética:
Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império.

Poesia angolana. Fernando Ferreira de Loanda (1924-2002): Ode para Bartolomeu Dias



FERNANDO FERREIRA DE LOANDA




ODE PARA BARTOLOMEU DIAS*



Ah, Bartolomeu Dias,
marinheiro sem mulheres,
sem cais,
tanto suaste para divisar o Índico
além da tempestade e da fábula,
tanto quiseste ver-te senhor do Oriente,
plantar as quinas e a cruz muito além do teu sonho,
tantas estrelas seguiste,
louco e lúcido,
e outros tantos alfarrábios e adivinhos consultaste,
fundindo o real ao fantástico -
- e os poetas não falaram de ti, o proficiente,
nem dos teus sonhos,
nem dos fantasmas que evocaste,
embora sulcasses a cortina que envolvia
as palavras e o abismo.
.
Pensavas servir a pátria
e serviste a muitas,
Bartolomeu Dias da minha infância,
símbolo da minha raça,
fremes e estuas no meu peito,
e te apegas às minhas veias
para alevantar ao vento as velas
e me arrastar ao Índico.
.
Ah, Bartolomeu Dias,
meu Ulisses lusíada,
eu te sagrarei na pedra,
com a palavra e ante Deus!
Do outrora te lançarei ao porvir,
e não há tempestade
que te abata mais uma vez.


*Bartolomeu Dias, célebre navegador português, que dobrou, numa viagem ocorrida em 1487-1488, o extremo sul da África (Cabo das Tormentas ou da Boa Esperança), na busca lusitana da passagem para a Índia. Nasceu em data incerta e faleceu em 1500, em consequência do naufrágio da nau que capitaneava e que seguia integrada na armada de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.

Poesia angolana. Ernesto Lara Filho: Poesia da manhã e Quando eu morrer...


 
ERNESTO LARA FILHO

Poema da manhã

Os nossos filhos
Negra
hão-de trazer as ambições estampadas
nos olhos claros.

Os nossos filhos
Negra
hão-de trazer a vida à flor da pele escura.

Os nossos filhos
Negra
hão-de gargalhar o seu desprezo pelas Universidades da Europa
e hão-de rir-se dos que ficarem atrás nas classificações.

Os nossos filhos
Negra
hão-de ser belos
hão-de trazer nas veias o sangue mais puro e mais vermelho
das raças de Angola
e os seus peitos
hão-de chegar primeiro nas competições desportivas
da América, da Europa e do Mundo.

Os nossos filhos
Negra
serão os construtores, os engenheiros, os médicos, os
            [cientistas do Mundo que vem

Eles pisarão quem se lhes atravessar na frente
Eles hão-de fazer soar os "Boogie-woogies" de
                                      [Armstrong e Peters
nas "boites" de Paris, Londres, Moscovo e Nova Iorque
e não mais terão lugares secundários nas bichas de autocarros de Joburgo.

E principalmente
Negra
os nossos filhos

chegarão sempre primeiro
nas competições espirituais e desportivas
da Europa
da América
e do Mundo.

E principalmente
Negra
eles serão
OS NOSSOS FILHOS



Quando eu morrer 

(para o Aniceto Vieira Dias e "Liceu" de "N'Gola Ritmos")

Quando eu morrer
eu quero que o N'Gola Ritmos
vá tocar no meu enterro.

Como Sidney Bechet
como Armstrong
eu gostarei de saber

que vocês
tocaram no meu enterro.

Lá no céu também há "angelitos negros"
e eu gostarei de saber
que vocês
me tocaram no enterro.

Se não puder ser
deixem lá
tocarão noutro lado qualquer
com lágrimas nos olhos
como naquela noite
em casa do Araújo
lembrarão o companheiro
das noites de Luanda
das noites de boémia
das tardes de moamba.

Ah! Quando eu morrer
já sabem
quero que o meu caixão
vá no maxibombo da linha do Cemitério
quero que toquem
a Cidralha
ou convidem a marcha dos Invejados.

É assim que eu quero ir
acompanhado da vossa alegria
bebedeiras seguindo o enterro
as velhas carpideiras de panos escuros
quero um kombaritókué dos antigos
que vai ser muito falado.

Não convidem mulatas
que sempre estragam tudo
Se vierem
não lhes vou rejeitar.
Cantem apenas
alguns dos meus poemas
até enrouquecer.

Ah! quando eu morrer
eu quero o N´Gola Ritmos
tocando no meu enterro.


Picada de marimbondo

          (Para o Pila – companheiro de infância)

Junto da mandioqueira
perto do muro de adobe
vi surgir um marimbondo

Vinha zunindo
cazuza!
Vinha zunindo
cazuza!

Era uma tarde em Janeiro
tinha flores nas acácias
tinha abelhas nos jardins
e vento nas casuarinas,
quando vi o marimbondo
vinha voando e zunindo
vinha zunindo e voando!

Cazuza!
Marimbondo
mordeu tua filha no olho!

Cazuza!
Marimbondo
foi branco que inventou...

Poesia angolana : Cantiga da Mulata


Cantiga da Mulata

Lencinho à cabeça
Lá vai a mulata
Luxenta e com pressa
Ao negro maltrata

Faceira e amorosa
Ao branco se abraça
E sempre vaidosa
Ao negro escorraça


Esperando o casório
Ao negro escarnece
E com riso ilusório

A mãe ela esquece

Mas ...

O branco enriquece
E deixa a mulata
Que sofre e padece
Perdida e sem prata


Depois d' enganada
Procura a mãe que padece
Com olhar resignada

O neto que cresce

A mulata chorosa
Lamenta a desgraça
Mas sempre vaidosa
Sorri a quem passa

Lá vai a mulata ...
Agora,

Modesta e sem pressa

Subindo o musseque
Ao negro se abraça
Olhando em desdém
O branco que passa
 
 BETO VAN-DÚNEM

Pomas de ANA PAULA TAVARES


ANA PAULA TAVARES
ANA PAULA TAVARES

Poetisa e historiadora nascida em Lubango, na província de Huila, em 1952. Obteve o grau de Mestre em Literaturas Africanas pela Universidade de Lisboa.
Obra poética: Ritos de Passagem, Luanda, União dos Escritores Angolanos; 1985; O Lago da Lua,  Lisboa, Editorial Caminho, 1999; Dizes-me coisas amargas como os frutos, Lisboa, Editorial Caminho, 2001.

RAPARIGA

Cresce comigo o boi com que me vão trocar
Amarraram-me às costas, a tábua Eylekessa

Filha de Tembo
organizo o milho

Trago nas pernas as pulseira pesadas
Dos dias que passaram...

Sou do clã do boi —

Dos meus ancestrais ficou-me a paciência
O sono profundo do deserto,

a falta de limite...

Da mistura do boi e da árvore
a efervescência
o desejo
a intranqüilidade
a proximidade
do mar

Filha de Huco
Com a sua primeira esposa
Uma vaca sagrada,
concedeu-me
o favor das suas tetas úberes
        

A MÃE E A IRMÃ

A mãe não trouxe a irmã pela mão
viajou toda a noite sobre os seus próprios passos
toda a noite, esta noite, muitas noites
A mãe vinha sozinha sem o cesto e o peixe fumado
a garrafa de óleo de palma e o vinho fresco das espigas
                                               [vermelhas
A mãe viajou toda a noite esta noite muitas noites
                                               [todas as noites
com os seus pés nus subiu a montanha pelo leste
e só trazia a lua em fase pequena por companhia
e as vozes altas dos mabecos.
A mãe viajou sem as pulseiras e os óleos de proteção
no pano mal amarrado
nas mãos abertas de dor
estava escrito:
meu filho, meu filho único
não toma banho no rio
meu filho único foi sem bois
para as pastagens do céu
que são vastas
mas onde não cresce o capim.
A mãe sentou-se
fez um fogo novo com os paus antigos
preparou uma nova boneca de casamento.
Nem era trabalho dela
mas a mãe não descurou o fogo
enrolou também um fumo comprido para o cachimbo.
As tias do lado do leão choraram duas vezes
e os homens do lado do boi
afiaram as lanças.
A mãe preparou as palavras devagarinho
mas o que saiu da sua boca
não tinha sentido.
A mãe olhou as entranhas com tristeza
espremeu os seios murchos
ficou calada
no meio do dia.

               (Dizes-me coisas amargas como os frutos)


O CERCADO

De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó

Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado

De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias

Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado


    (Dizes-me coisas amargas como os frutos)


BOI  À VELA

Os bens nascidos na huíla
são altos, magros
navegáveis
de cedo lhes nascem
cornos
leite
cobertura

os cornos são volantes
indicam o sul
as patas lavram o solo
deixando espaço para
a semente
a palavra
a solidão>


A ABÓBORA MENINA

Tão gentil de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos

estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela deságüem todos os rapazes.


NOVEMBER WITHOUT WATER


Olha-me p´ra estas crianças de vidro
cheias de água até às lágrimas
enchendo a cidade de estilhaços
procurando a vida
nos caixotes de lixo.

Olha-me estas crianças
transporte
animais de cargas sobre os dias
percorrendo a cidade até os bordos
carregam a morte sobre os ombros
despejam-se sobre o espaço
enchendo a cidade de estilhaços.

*
Chegas
eu digo sede as mãos
fico
bebendo do ar que respiras
a brevidade

assim as águas
a espera
o cansaço.


Inexplicavelmente, escolheram o nome Paula Tavares para a edição brasileira de sua obra reunida, quando a poeta é mais conhecida por Ana Paula Tavares, e vamos usar ambos nomes na identificação para facilitar a vida dos internautas. Ana Paula ou Paula, sua poesia é sempre excelente. Em boa hora é publicada no Brasil!

EX-VOTO

O tempo pode medir-se
No corpo

As palavras de volta tecem cadeias de sombra
Tombando sobre os ombros

A cera derrete
No altar do corpo

Depois de perdida, podem tirar-se
Os relevos

ADORNO

Toda a noite chorei na casa velha
Provei, da terra, as veias finas,
Um nome um nome a causa das coisas
Eu terra eu árvore eu sinto
todas as veias da terra
em mim e
o doce silêncio da noite.

CIRCUM-NAVEGAÇÃO

Em volta da flor fez
          a abelha
a primeira viagem
circum-navegando
          a esfera

Achado o perímetro
suicidou-se, LÚCIDA
no rio de pólen
          descoberto.




Página publicada em novembro de 2008; ampliada em setembro de 2009. ampliada e republicada em dezembro de 2011.
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/angola/ana_paula_tavares.html

É da África do Sul... mas podia ser de outro ponto de África...



Foi dito pelo actor Kiefer Sutherland...

"Não entendo como é que a África do Sul tem aqueles palácios e a um quilómetro não há água nem electricidade"

Kiefer Sutherland, actor, in Correio da Manhã, 29-4-2009




terça-feira, 10 de abril de 2012

Exposição em Luanda em 1938: Imagens fugazes - a viagem presidencial às colónias 1938/39

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Exposição-Feira de Angola, 1938 / Álbum comemorativo da exposição-feira de Angola. Luanda XCMXXXVIII ,  Imagens fugazes - a viagem presidencial às colónias 1938/39

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola (1914)

Abraço de Despedida: partida de um Fuzileiro Naval do Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola  (1914). Foto Benoliel,Ilustração Portuguesa n.º 456, de 16 de Novembro de 1914.
Capa da Ilustração Portuguesa n.º 456, de 16 de Novembro de 1914

O Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola (1914)


A Partida de Lisboa

A preparação  de um batalhão de marinheiros iniciou-se em Outubro de 1914, tendo para tal sido efectuado um aviso a oficiais e praças, para obtenção de voluntários. Como é apanágio da marinha houve voluntários para mais de um batalhão, o que levou à necessidade de efectuar uma selecção. Refira-se que 2º Tenente Carvalho Araújo, foi dado como incapaz na junta médica de selecção de voluntários, mas que dentro do seu espírito intervencionista fez de tudo para ser integrado, conseguindo o comando da 1ª secção de metralhadoras.  
 
A 31 de Outubro de 1914 foram efectuadas as nomeações dos oficiais do Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola, cabendo ao antigo governador de Mossâmedes, Capitão-tenente Alberto Coriolando da Costa, o comando da missão.
 
Os voluntários vindos de todo o país reuniram-se no Quartel de Alcântara em 5 dias, perfazendo um total de 18 oficiais, 2 sargentos e 509 praças. (2)
 
A partida do Batalhão de Marinha aconteceu dentro de um espírito patriótico e de elevado moral, com um sentimento geral que a missão se destinava a proteger o território nacional em África. Encontravam-se aquartelados em Alcântara quando, ao meio-dia de 5 de Novembro de 1914, começaram a desfilar pela Av. 24 de Julho e passaram pelo Terreiro do Paço para chegar ao cais de embarque no Arsenal da Armada, onde embarcaram no vapor "Beira", rumo a Angola.  (1)


O Capitão-de-mar-e-guerra Nunes da Silva, comandante do Corpo de Marinheiros e o Capitão-tenente Alberto Coriolano Ferreira da Costa, comandante do Batalhão Expedicionário de Marinha a Angola, passando revista às tropas, 18 de Novembro de 1914, em Alcântara.Ilustração Portuguesa, n.º 456
O Capitão-de-mar-e-guerra Nunes da Silva, comandante do Corpo de Marinheiros e o Capitão-tenente Alberto Coriolano Ferreira da Costa, comandante do Batalhão Expedicionário de Marinha a Angola, passando revista às tropas, 18 de Novembro de 1914, em Alcântara. (Foto de Benoliel)


Desfile do Batalhão de Marinha na parada Sul do Quartel de Alcântara, quando da partida para Angola. (Foto de Benoliel)

Guarda de honra à Bandeira Nacional que acompanhou o Batalhão de Marinha durante toda a sua Expedição em Angola. (Foto de Benoliel)
 
O desfile do Batalhão deu-se entre o delírio do manifestações de orgulho e lágrimas de saudade, num adeus de quem parte para combater pela defesa da terra natal. (3)

Batalhão de Marinha. Desfile no Terreiro do Paço 1914. Foto Benoliel, Ilustração Portuguesa, n.º 456.
O Batalhão a desfilar no lado ocidental do Terreiro do Paço por entre a multidão e precedido de uma banda musical, em continência ao Presidente da República, que assistiu ao desfile de uma das janelas do Ministério das Finanças. (Foto de Benoliel)

Durante a viagem os marinheiros receberam instrução sobre o manuseamento da espingarda "Kropatcheck" e normas sobre como se defenderem do principal inimigo, a sede e a doença. A motivação e o moral dos marinheiros era alto, o que levou a que entrasse mais um marinheiro voluntário para o Batalhão quando pararam no Porto Grande, em São Vicente de Cabo Verde. 
O vapor "Beira" acostou em Luanda, onde o Comandante Alberto Coriolando da Costa apresentou cumprimentos ao Governador Geral Norton de Matos, e depois seguiu para Mossâmedes, onde chegou a 30 de Novembro.

O Batalhão de Marinha em Mossâmedes

O primeiro acto oficial do Batalhão de Marinha, após a chegada à cidade de Mossâmedes, em 30 de Novembro de 1914, foi um desfile pelas ruas da cidade, ao som de música, no qual mostrou o seu aprumo de corpo de elite. (4)


Tiveram de preparar, e em parte improvisar, as instalações para o seu depósito de material, munições e viveres, uma vez que nada estava preparado para os receber.  Foi durante este período que os marinheiros tiveram de aprender a tratar dos solípedes e aprender a arte de cavalgar.

A 1 de Dezembro o Batalhão voltou a desfilar integrado nas comemorações do "Dia da Independência", com a particularidade de os oficiais já desfilarem montados a cavalo.

A 11 de Dezembro o Batalhão de Marinha partiu de Mossâmedes em direcção ao Cuamato, onde se  encontrava o Tenente-coronel Alves Roçadas. A primeira etapa foi feita pela via férrea, que ligava Mossâmedes a Bela Vista. Foram precisos cinco comboios para transportar o Batalhão. 

Após reunidos em Bela Vista seguiram a pé até Lubango, onde chegaram no dia seguinte.


O Batalhão de Marinha no Lubango

A 12 de Dezembro de 1914 o Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola encontrava-se em Lubango.

Lubango. Fotos retirada da Ilustração Portuguesa n. 468, de 15 de Fevereiro de 1915
O Batalhão de Marinha esteve estacionado no Lubango antes de partir para o Cuamato. (Foto de Teles Grilo)

Lubango. Ilustração portuguesa n. 488, de 28 de Junho de 1915
Grupo de marinheiros, no Lubango, pertencentes à Lancha "NRP Rio Minho" que foram desembarcados para integrar o Batalhão de Marinha,   (Foto de Teles Grilo)

As notícias da frente de combate eram alarmantes e os itinerários marcados para atingir o rio Cunene, em Forte Humbe, pelos Gambos tinha dois difíceis obstáculos, carência de água e de capim para o gado.

A 21 de Dezembro recebem notícia que uma unidade alemã de cerca de 200 homens, teria bivacado nas redondezas de Lubango, o que fez com que tomassem posições defensivas à volta da localidade. Não chegou a haver qualquer confronto com a força alemã.
Pormenor do acampamento, onde se localizava o posto de TSF. (Foto de Teles Grilo)

1ª e 2ª Secções de Metralhadoras  do Batalhão de Marinha no Lubango. (Foto de Teles Grilo)

Nesta mesma data o Tenente-coronel Alves Roçadas informa os marinheiros do sucedido em Naulila e ordena que estes avencem sobre Chibia.  O Batalhão levou apenas 10 horas para se aprontar e partiram em direcção de Humbe, onde se encontravam as tropas do Tenente-coronel Alves Roçadas em retirada.

Carregamento dos carros Boers com o material de guerra. (Foto de Teles Grilo)

Em Lubango, a descarga dos camelos que transportaram o material militar e viveres para as forças que avançam sobre o Sul de Angola.  (Foto de Alberto de Castro)

A velocidade a que se deslocavam os carros boer, puxados a bois, não conseguiam acompanhar o passo da marcha do Batalhão de Marinha, o que fez com que no final da primeira etapa, em Pituaco, não houvesse barracas e mantas para a pernoita. No dia seguinte 24 de Dezembro de 1914 alcançaram Chibia. Durante as etapas o maior problema foi a falta de água, por escassez de "cacimbas" (pequenas chuvas) e de quase inexistência de "mololas" (poços). (8)

Começaram no Natal a aparecer as primeiros febres entre os oficiais e praças, mas continuam a caminhar em direcção ao Quartel General do Tenente-coronel Alves Roçadas, que se encontrava à data em Gambos.  Chegam a Gambos a 3 de Janeiro de 1915.

O Batalhão de Marinha em Forte Gambos (Forno da Cal)

Chegados a 3 de Janeiro de 1915 a Gambos, o Tenente-coronel Alves Roçadas coloca o Batalhão de Marinha num posto avançado, lugar do Forno da Cal, que viria a ser a base de operações do Batalhão durante algum tempo.

O estrado de saúde do Batalhão foi piorando, muito também por causa das condições do local  onde estavam estacionados. No entanto, construíram a base com as melhores condições possíveis, tendo em consideração o principal inimigo, a febre tifóide e o paludismo. (9)

O clima encontrado neste lugar variava entre 4ºC à noite e 39ºC de dia, com chuvas. Ao clima acrescia os problemas de escassez de alimentação por causa da falta de transportes. 
  
Durante o tempo em que estiveram nesta posto, aproximadamente 3 meses, sofreram duas mortes por doença e tiveram de repatriar 21 praças para a Metrópole por doença.

Em 21 de Março chegou a Luanda o novo comandante militar de Angola, o General Pereira de Eça, e com ele iria recomeçar a ofensiva sobre os alemães. Em Abril o General visitou o posto de Forno de Cal, tendo comentado com o Capitão-tenente Alberto Coriolano Ferreira da Costa ter apreciado as boas condições em que o posto se encontrava.(10)

No dia 5 de Maio de 1915 o Batalhão, integrado nas manobras sobre o Sul de Angola, fez avançar sobre Cahama, lugar  também conhecido como "cemitério dos brancos", uma coluna comandada pelo 1º Tenente Afonso Júlio Cerqueira, composta pela 1ª Companhia do Batalhão de Marinha e a 15º Indígena Expedicionária de Moçambique.

O avanço deu-se entre a hostilidade do população local, mas chegou-se a Cahama e ainda se avanõu mais um pouco até Tchicusse, onde se construiu um posto militar e se efectuaram vários trabalhos defensivos. A coluna de Cahama mantinha-se na posição até que em 26 de Maio recebeu um pedido de auxílio do Padre Bellet (francês), superior da missão do Espírito Santo, com sede no Tchipelongo, que estava a ser ameaçada pelos locais.

O 1º Tenente Afonso Júlio Cerqueira, após solicitar autorização ao comandante do Batalhão de Marinha, organizou um grupo de socorro à missão de Espírito Santo, composto por 51 marinheiros e uns outros tantos Landins, chefiados pelo 1º Tenente Cerqueira, o 2º Tenente Botelheiro, o Tenente de Infantaria Humberto de Ataíde e o Alferes de Infantaria Loza, ambos pertencentes à 15ª Companhia Indígena Expedicionária de Moçambique.

Assim que chegaram à missão do Espírito Santo, dia 28 de Maio,  começaram a ser atacados pelos locais, que se encontravam bem organizados e equipados com Mausers. O combate durou algumas horas até que os rebeldes  desmoralizaram e fugiram deixando para trás no terreno mortos e feridos. Foi o baptismo de fogo do Batalhão de Marinha e o seu primeiro sucesso militar.

O grupo de socorro regressou ao posto de Tchicusse com vários feridos, entre os quais o Tenente de Infantaria Ataíde e o 1º Tenente Cerqueira.

Entretanto, as restantes forças do Batalhão de Marinha foram-se juntar à coluna em Tchicusse, onde permaneceram até Junho, data em que o Batalhão recebeu ordem para avançar para Humbe.

O estado de saúde do Batalhão de Marinha foi piorando, o que levou inclusive a que o comandante Coriolano da Costa e o Tenente Carvalho Araújo, colhidos pela enfermidade tivessem de ser repatriados. Isto levou a que o 1º Tenente Afonso de Cerqueira fosse promovido a Capitão-tenente e assumisse o comando do Batalhão de Marinha. No relatório do do 2º Tenente-médico Júlio Gonçalves, de 2 de Junho, há a indicação que 25% dos praças estão doentes e incapacitados para o serviço.  

A 4 de Junho de 1915, deu-se início à marcha em direcção ao Forte Humbe. Junto com o Batalhão de Marinha seguiam o Batalhão de Infantaria n.º 17, comandado pelo Major Pires Viegas, a 15ª Companhia Indígena Expedicionária de Moçambique, um grupo de auxiliares damaras, duas baterias de artilharia divididas em quatro secções,  quatro baterias de metralhadoras, uma pertencente ao Batalhão de Marinha, e dois Esquadrões de Cavalaria, um do Regimento de Cavalaria n.º 4 e outro do Regimento de Cavalaria n.º 11, ambos comandados pelo Major de Cavalaria Vieira da Rocha.(12)
 

O Batalhão de Marinha em Forte Humbe  

O Batalhão de Marinha chegou a Humbe a 7 de Junho de 1915. O local estava reduzida a destroços. Tiveram de montar o bivaque em quadrado e improvisar defesas. Nesta data o Batalhão estava reduzido a 12 oficiais e 303 praças. Entretanto foram chegando as restantes forças militares da coluna.
 
Entretanto, receberam ordens para ocupar Ngiva, centro administrativo dos rebeldes do Cuamhama e sede do soba. A partida para o Cuanhama deu-se 10 de Agosto. Com o Batalhão de Marinha na frente da coluna, seguiu-se a 15ª Companhia Indígena e o Batalhão de Infantaria n.º 17.

Humbe. Ilustração Portuguesa n. 498, 6 de Setembro de 1915
Metralhadoras do Batalhão de Marinha, numa dos flancos do quadrado do bivaque

O Batalhão de Marinha no Cuanhama (O Quadrado de Mongua)

A chegada à região Cuanhama, a 15 de Agosto de 1915, foi comemorada com uma salva de artilharia, que serviu para também indicar propositadamente aos rebeldes a nossa presença e a intenção de restabelecer a administração portuguesa da região. (12)

As forças continuaram a avançar dentro do território hostil e foi em Mongua, a 18 de Agosto de 1915, que os rebeldes iniciam os ataques às forças portuguesas, os quais duram durante 3 dias.
 
A coluna formou o seu dispositivo defensivo em quadrado e coube ao Batalhão de Marinha a ocupação da face da frente (Leste) do quadrado, sob o comando do Capitão-tenente Afonso de Cerqueira. A face da direita (Sul) do quadrado foi ocupada por duas companhias do Batalhão de Infantaria n.º 17, sob o comando do Major Pires Viegas. A face esquerda (Norte) do quadrado foi ocupada por uma companhia do regimento de Infantaria n.º 17, a 15ª Companhia Indígena Expedicionária de Moçambique e o grupo de auxiliares damaras, sob o comando do Capitão de metralhadoras Henrique Cameira. A face da retaguarda (Oeste) era ocupada pela última companhia do Batalhão de Infantaria n.º 17, sob o comando do Capitão de metralhadoras Teles de Azevedo. (13)
 
No dia 18 e 19 de Agosto o fogo inimigo foi esporádico e por vezes intenso, mas as patrulhas que saíam do quadrado não encontravam muita resistência. Entretanto, no dia 19 ficaram completos os trabalhos de entrincheiramento, que se tornaram necessários devido à capacidade de fogo do inimigo.(15)
 
No dia 20 de Agosto, os rebeldes comandados pelo soba Mandume, do Cuanhama, que concentraram entre 50.000 a 60.000 homens (cuanhamas. cuamatos. evales, alguns cuambis e muitos foragidos do Humbe) e com cinco carros boers de munições, todos armados com "Martini Henry" e algumas centenas de "Mauser" iniciaram o ataque contra os 3.000 homens portugueses. (14)
 
O fogo dos rebeldes era intenso e certeiro o que levou a que se desse ordem para os praças se deitassem e se protegessem com sacos de terra. O quadrado estava muito denso uma vez que englobava dentro de si perto de duas centenas de carros de transporte e atrelados e ainda dos dois esquadrões de cavalaria.
 
As secções de artilharia, colocadas nos cantos do quadrado, fizeram mais de 2.000 disparos durante o combate, se bem que não por igual, já que a maior intensidade do ataque inimigo se deu na face frontal (Batalhão de Marinha) e face esquerda (Infantaria n.º 17, landins e damaras). Nas outras faces do quadrado os feridos derivavam do fogo cruzado com a face frontal e esquerda, que os atingia de costas.
 
Os combates duraram desde as 7 horas da manhã até às 17 horas da tarde. O General Pereira Eça às 17 horas ordenou uma carga por forças do Batalhão de Infantaria 17, 15ª Companhia de Indígenas e do Batalhão de Marinha, e os Esquadrões de Cavalaria, para aliviar a pressão sobre o quadrado.
 
Ao lado direito do quadrado formou o Esquadrão de Cavalaria n.º4, comandado pelo Capitão Luiseno Godinho e do lado esquerdo do quadrado formou o Esquadrão de Cavalaria n.º 11, comandado pelo Capitão Cunha e Costa. A atitude impassível da cavalaria sob o fogo inimigo, arrancou dos praças um sonoro "viva a cavalaria portuguesa", que foi respondido com um "viva a nossa infantaria". Sem cuidar do fogo inimigo todos pararam de disparar e começaram a cantar a "Portuguesa", e os landins como não o sabiam o nosso hino começaram a cantar a sua canção guerreira "Baiete Incoce".

A carga da cavalaria, apesar das pesadas baixas e de praticamente ficaram sem montadas, consguiram por em fuga soba Mandume e com ele fugiram todas as suas tropas. Mais tarde, a 6 de Fevereiro de 1917, já em território da Namíbia o soba Mandume foi encontrado morto, terminando com ele o último reino Ovambo independente.

O Batalhão de Marinha no final do dia tinha sofrido inúmeros feridos e dois praças mortos.
 
Em resultado dos três dias de combate as tropas portuguesas tiveram: 4 oficias e 32 praças (2 da marinha) mortos e 11 oficiais (4 da Marinha) e 44 praças (parte marinheiros).

Cuanhama. Ilustração Portuguesa n. 507, de 8 de Novembro de 1915
Acampamento do combate de 20 de Agosto de 1915, Posto de Socorro na face direita do quadrado (posição da Infantaria 17).


Posto de Socorro na face da frente do quadrado (posição do Batalhão de Marinha)


  
Capitão-de-fragata médico Vasconcelos e Sá, Chefe dos serviços de saúde do Batalhão de Marinha, e a Barraca da ambulância central da coluna militar.

Os reforços de munições e mantimentos só chegaram a 24 de Agosto, após uma longa marcha forçada da coluna que partiu do Cuamato.

A 2 de Setembro a coluna, comandada pelo Coronel António Veríssimo de Sousa, partiu com destino a Ngiva, composta pelo Batalhão de Infantaria n.º 17, o Batalhão de Marinha, duas Baterias de Artilharia, duas Baterias de metralhadoras e dois Esquadrões de Cavalaria. Depois de um árduo percurso chegaram e tomaram Ngiva.

O Batalhão de Marinha Expedicionário a Angola regressou à Metrópole a 30 de Setembro de 1915,embarcados em Mossâmedes no vapor "Zaire". Neste navio regressaram 13 oficiais e 346 praças, tendo ficado eternamente em Angola 15 marinheiros, 2 mortos em combate, 12 por doença e um assassinado por indígenas em Lubango. Chegaram a Lisboa a 15 de Outubro de 1915.  

O Batalhão de Marinha Expedicionário a Moçambique (1918)


A Partida de Lisboa