Mesmo antes da abolição da escravatura no Brasil, começaram a emigrar voluntariamente, para o sul de Angola, africanos e descendentes que, orgulhosamente, procuravam se conservar "brasileiros" não se deixando integrar de todo no ambiente cultural africano. Assim como os portugueses já abrasileirados, os retornados tornaram-se vetores de um significativo abrasileiramento de populações, paisagens e culturas. Deste modo, a construção de casas-grandes e de senzalas, o cultivo de algodão e de cana-de-acucar, pinturas de baus, ex-votos, tabuletas comerciais, bandeiras de santos, estardantes de clubes de carnaval, e, principalmente os cemitérios afro-cristãos, constituem marcas definidoras dessa presença. Nos cemitérios, e nítida a diferença entre os túmulos dos brasileiros brancos e dos afro-brasileiros. Os primeiros são graves, solenes, neoclássicos, e os segundos ostentam esculturas rústicas, coloridas, como as encontradas no Nordeste, em outros pontos do Brasil, tocados pelo influxo africano; contam ainda com ex-votos e vasos com oferendas, símbolos alusivos aos ofícios e profissões dos ali sepultados".
Este blog visa apenas dar visibilidade a textos de autores considerados de interesse para a compreensão da História Colonial de Angola. Por abarcar os mais diversas abordagens, é um blog dedicado aos de espirito aberto, que gostam de avaliar assuntos, levantar questões e tirar por si próprios suas conclusões. É natural que alguns assuntos venham a causar desagrado, e até reacções da parte daqueles cujas perspectivas estejam firmemente cristalizadas.
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Angola nos séculos XVII e XVIII foi "uma província portuguesa do Brasil". (Jaime Cortesão)
Mesmo antes da abolição da escravatura no Brasil, começaram a emigrar voluntariamente, para o sul de Angola, africanos e descendentes que, orgulhosamente, procuravam se conservar "brasileiros" não se deixando integrar de todo no ambiente cultural africano. Assim como os portugueses já abrasileirados, os retornados tornaram-se vetores de um significativo abrasileiramento de populações, paisagens e culturas. Deste modo, a construção de casas-grandes e de senzalas, o cultivo de algodão e de cana-de-acucar, pinturas de baus, ex-votos, tabuletas comerciais, bandeiras de santos, estardantes de clubes de carnaval, e, principalmente os cemitérios afro-cristãos, constituem marcas definidoras dessa presença. Nos cemitérios, e nítida a diferença entre os túmulos dos brasileiros brancos e dos afro-brasileiros. Os primeiros são graves, solenes, neoclássicos, e os segundos ostentam esculturas rústicas, coloridas, como as encontradas no Nordeste, em outros pontos do Brasil, tocados pelo influxo africano; contam ainda com ex-votos e vasos com oferendas, símbolos alusivos aos ofícios e profissões dos ali sepultados".
domingo, 11 de dezembro de 2011
FUA - FRENTE DE UNIDADE ANGOLANA: OPORTUNIDADE PERDIDA POR PORTUGAL
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Mas, qual era o conteúdo desses panfletos? O que diziam eles?
Nesses impressos anunciava-se a Frente de Unidade Angolana - F.U.A - que fazia as seguintes reivindicações:
a) o direito da população de Angola dispor do seu próprio destino;
b) a abertura imediata de negociações com os representantes da Oposição ao governo, para solução pacífica do problema angolano;
c) necessidade de todos os habitantes de Angola se unirem para a construção de um grande país multirracial;
d) libertação de todos os presos políticos;
e) eleições gerais, com inteira liberdade de propaganda eleitoral e ampla representação de todas as tendências politicas;
f) formação de um governo autônomo de Angola;
g) liberdade de consciência , de religião, de imprensa, de reunião e associação;
h) elevação e representação das massas africanas "hoje sem liberdade, sem garantias e sem direitos";
i) livre acesso aos cargos públicos: a trabalho igual, salário igual;
j) liberdade de comércio com todos os povos e estabelecimento de relações diplomáticas com todos os países;
k) política de franca amizade e sólida cooperação com os povos de expressão portuguesa.
Portanto, prégava-se já a lusofonia que, pese a aparente contradição no plano ideológico, Salazar... também defendia.
Na alínea b) - as alíneas são de nossa inspiração - evidencia-se a preocupação de se estabelecer "diálogo" para encontrar uma "solução pacífica", numa altura - 17 de Abril de 1961 - em que se completavam dois meses sobre uma situação tensa: o "4 de Fevereiro" , em Luanda, caraterizara-se por uma ação relâmpago, ineficaz e mal organizada, mas com impacto na mídia internacional, do incipiente MPLA, e o"15 de Março" (e os três dias subseqüentes) pela macabra e sanguinolenta chacina, no Norte de Angola, de milhares de Negros bailundos (Ovimbundus, da etnia do Dr. Jonas Savimbi...), de brancos e mestiços (litorâneos pois eram raríssimos, devido ao xenofobismo imperante nos bacongos, os"mulatos" nortistas...) praticada pelas endemoninhadas e drogadas hordas a mando do "francofonizado" Holden Roberto.
Por conseguinte, à partida a FUA era pacifista. Foi essa, a nosso ver, a oportunidade, talvez a maior para aquela época histórica, perdida pelo governo central...
Nesse manifesto afirmava-se ainda que "a FUA é um movimento ordeiro e proclama a necessidade de soluções legais e ordeiras"; logo, sua índole nessa fase era legalista e não terrorista. Sublinhava no entanto:"nada poderá impedir que Angola aceda à autonomia a que todos os povos têm direito."
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Relatório do governador geral da Provincia de Angola: Sebastião Lopes de Calheiros e Menezes referido ao anno de 1861 (Google eBook)
Relatorio do governador geral da Provincia de Angola: Sebastiao Lopes de Calheiros e Menezes referido ao anno de 1861 (Google eBook).
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