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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Angola nos séculos XVII e XVIII foi "uma província portuguesa do Brasil". (Jaime Cortesão)


"....Durante os séculos XVII e XVIII, a política portuguesa em Angola era dirigida do Brasil e as relações poticas e económicas entre os dois países eram tão estreitas, com tantas personagens e factos históricos comuns  que o historiador Jaime Cortesão não hesitou em  considerá-la "uma província portuguesa do Brasil". Mais ou menos como Benin, Togo e Nigéria, Angola também recebeu africanos e descendentes retornados do Brasil. Fixados notadamente em Moçâmedes, actual Namibe, eram sobretudo Ambundos e chegaram portanto, uma cultura própria, cristianizada, eivada de hábitos brasileiros. Tanto, que na língua dos cuanhamas o termo que os define  e bali (também lwimbali ou vimbali), que significa, literalmente, "aqueles que andam com os brancos". Inicialmente os retornados eram escravos acompanhando os seus patrões portugueses, que haviam saido de Pernambuco, em face das hostilidades nativistas, em Maio de 1849, a bordo do brigue Douro e da barca Tentativa Feliz , chegando à recém-fundada Moçãmedes em 4 de Agosto. Em Novembro do ano seguinte, mais uma leva chegava a Angola, a bordo do mesmo Douro e da barca Bracarense. Depois desses, outros chegaram vindos do Rio de Janeiro e da Bahia.

Mesmo antes da abolição da escravatura no Brasil, começaram a emigrar voluntariamente, para o sul de Angola, africanos e descendentes que, orgulhosamente, procuravam se conservar "brasileiros" não se deixando integrar de todo no ambiente cultural africano. Assim como os portugueses já abrasileirados, os retornados tornaram-se vetores de um significativo abrasileiramento de populações, paisagens e culturas.  Deste modo, a construção de casas-grandes e de senzalas, o cultivo de algodão e de cana-de-acucar, pinturas de baus, ex-votos, tabuletas comerciais, bandeiras de santos, estardantes de clubes de carnaval, e, principalmente os cemitérios afro-cristãos, constituem marcas definidoras dessa presença. Nos cemitérios, e nítida a diferença entre os túmulos dos brasileiros brancos e dos afro-brasileiros. Os primeiros são graves, solenes, neoclássicos, e os segundos ostentam esculturas rústicas, coloridas, como as encontradas no Nordeste,   em outros pontos do Brasil, tocados pelo influxo africano; contam ainda com ex-votos e vasos com oferendas, símbolos alusivos aos ofícios e profissões dos ali sepultados".
Fonte:  RIO DE JANEIRO, Imigrantes Angolanos.

domingo, 11 de dezembro de 2011

FUA - FRENTE DE UNIDADE ANGOLANA: OPORTUNIDADE PERDIDA POR PORTUGAL





Carlos Mário Alexandrino da Silva Carlos Mário Alexandrino da Silva     


6. NO LUBANGO: O PRIMEIRO MANIFESTO


Mas, qual era o conteúdo desses panfletos? O que diziam eles?

Nesses impressos anunciava-se a Frente de Unidade Angolana - F.U.A - que fazia as seguintes reivindicações:
a) o direito da população de Angola dispor do seu próprio destino;
b) a abertura imediata de negociações com os representantes da Oposição ao governo, para solução pacífica do problema angolano;
c) necessidade de todos os habitantes de Angola se unirem para a construção de um grande país multirracial;
d) libertação de todos os presos políticos;
e) eleições gerais, com inteira liberdade de propaganda eleitoral e ampla representação de todas as tendências politicas;
f) formação de um governo autônomo de Angola;
g) liberdade de consciência , de religião, de imprensa, de reunião e associação;
h) elevação e representação das massas africanas "hoje sem liberdade, sem garantias e sem direitos";
i) livre acesso aos cargos públicos: a trabalho igual, salário igual;
j) liberdade de comércio com todos os povos e estabelecimento de relações diplomáticas com todos os países;
k) política de franca amizade e sólida cooperação com os povos de expressão portuguesa.

Portanto, prégava-se já a lusofonia que, pese a aparente contradição no plano ideológico, Salazar... também defendia.

Na alínea b) - as alíneas são de nossa inspiração - evidencia-se a preocupação de se estabelecer "diálogo" para encontrar uma "solução pacífica", numa altura - 17 de Abril de 1961 - em que se completavam dois meses sobre uma situação tensa: o "4 de Fevereiro" , em Luanda, caraterizara-se por uma ação relâmpago, ineficaz e mal organizada, mas com impacto na mídia internacional, do incipiente MPLA, e o"15 de Março" (e os três dias subseqüentes) pela macabra e sanguinolenta chacina, no Norte de Angola, de milhares de Negros bailundos (Ovimbundus, da etnia do Dr. Jonas Savimbi...), de brancos e mestiços (litorâneos pois eram raríssimos, devido ao xenofobismo imperante nos bacongos, os"mulatos" nortistas...) praticada pelas endemoninhadas e drogadas hordas a mando do "francofonizado" Holden Roberto.

Por conseguinte, à partida a FUA era pacifista. Foi essa, a nosso ver, a oportunidade, talvez a maior para aquela época histórica, perdida pelo governo central...

Nesse manifesto afirmava-se ainda que "a FUA é um movimento ordeiro e proclama a necessidade de soluções legais e ordeiras"; logo, sua índole nessa fase era legalista e não terrorista. Sublinhava no entanto:"nada poderá impedir que Angola aceda à autonomia a que todos os povos têm direito."


7.- AVERIGUAÇÕES DA PIDE ....
 
 
CONTINUA....

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Relatório do governador geral da Provincia de Angola: Sebastião Lopes de Calheiros e Menezes referido ao anno de 1861 (Google eBook)

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Relatorio do governador geral da Provincia de Angola: Sebastiao Lopes de Calheiros e Menezes referido ao anno de 1861 (Google eBook).