Mostrar mensagens com a etiqueta Norton de Matos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Norton de Matos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de maio de 2012

Norton de Matos, governador-geral de Angola






Postal de propaganda da Junta Revolucionária que levou a peito a Revolução de 14 de Maio de 1915 contra o governo do general Joaquim Pereira Pimenta de Castro, a fim de «restituir a República aos republicanos, completando nesta hora de triunfo a alta missão patriótica dos revolucionários de 5 de Outubro».


    Em consequência dos ferocíssimos combates, violentas pelejas e intensos duelos de artilharia, a carnificina atingiu o exorbitante número de mais de duzentos mortos, quatrocentos feridos e inúmeras deportações dos vencidos, uma torrente de sangue, a mais sangrenta revolta ou Golpe de Estado nos anais da História de Portugal.  


    A Junta Revolucionária, afecta ao Partido Democrático, era composta pelo capitão-de-fragata Jaime Daniel Leote do Rego, capitão-tenente José de Freitas Ribeiro, major Alfredo Ernesto de Sá Cardoso, major José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, capitão dr. Álvaro Xavier de Castro e engenheiro António Maria da Silva. 




 
Acto solene da tomada de posse do general José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos como Alto-Comissário da República na Colónia de Angola, em Outubro de 1920, perante o dr. Ricardo Pais Gomes, ministro da Marinha e Ultramar do XXIX Governo, para cujo cargo tinha sido nomeado por decreto de 30 Outubro de 1920 e Ordem do Exército n.º 19, 2.ª série, de 30 Outubro de 1920.



  Major José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, ministro da Guerra do Governo da União Sagrada, assiste à partida para África da expedição de Infantaria, Engenharia e Artilharia, na companhia de sua mulher, D. Ester, de sua filha, D. Rita, do subsecretário de Estado da Guerra, capitão António Correia Mimoso Guerra, e de outras individualidades militares e civis, em Junho de 1916.
 




Major José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, governador-geral de Angola, com a sua esposa D. Ester Newton Pereira de Matos, a filha D. Rita Newton Norton de Matos, a esposa do administrador do Huambo e a professora particular de sua filha, vendo-se na parte de trás, de pé, o tenente Coelho, ajudante-de-campo do governador-geral, Goes Pinto, governador do distrito de Benguela, Castro Soromenho, administrador do Huambo, e Tomás Fernandes, chefe do gabinete do governador-geral, numa fotografia tirada no Huambo em Novembro de 1913.


Major  Norton de Matos, governador-geral de Angola, inaugura os primeiros 200
quilómetros da estrada de Malange, em 1912, na presença do tenente Utra
Machado, governador do distrito da Lunda, e do Visconde de Pedralva,
director dos Serviços de Agricultura de Angola.




D. Joaquina Mariana Dantas Machado Carvalho, contra-almirante Jaime Daniel Leote do Rego, D. Ester Newton Norton de Matos, prof. dr. Bernardino Luís Machado Guimarães, general José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, D. Rita Newton Norton de Matos e Domingos Luís Machado Guimarães.



José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos 

Publicou:



Relatório de Repartição de Agrimensura Relativo à Época de 1899–1900, Nova Goa, 1901.



Topografia e Geologia do Concelho das Ilhas de Goa, in A Terra: Revista Portuguesa de Geofísica, n.º 14.



Manual do Agrimensor, Nova Goa, Imprensa Nacional, 1904.



Carta Agrícola do Concelho das Ilhas de Goa, 1908.



Os Serviços de Agrimensura e Cadastro na Índia Portuguesa, 1911.



A Geologia da Índia Portuguesa, 1912.



A Questão de Ambaca, 1912.



Projectos de Lei Orgânica e de Organização de Alguns Serviços Provinciais, 1912.



A Situação Financeira e Económica da Província de Angola, Lisboa, 1914.



Discurso a Propósito da Redução de Direitos de Exportação e Documentos Elucidativos, Luanda, Imprensa Nacional, 1922.



A Mentalidade Colonizadora dos Portugueses, Lisboa, 1924.



A Missão Colonizadora de Portugal em África, 1924.



A Província de Angola, Porto, Edição Marânus, 1926.



Província
 de Angola: Providências Tomadas pelo General J. M. R. Norton de Matos
como Alto-Comissário da República e Governador-Geral
, Lisboa, 1927.



Discurso Proferido pelo General Norton de Matos na Sessão Solene do 1.º Congresso de Medicina Tropical da África Ocidental, Luanda, Imprensa Nacional, 1928.



La Formation de la Nation Portugaise Envisagée au Pointe de Vue Colonial, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1930.



Memórias da Minha Vida Colonial, in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 4, 1933.



A Minha Concepção do Império Português, in Boletim da Sociedade Luso-Africana do Rio de Janeiro, n.º 5, 1933.



A Acção Civilizadora do Exército Português no Ultramar: Conferência, Porto, 1934.



Verificação dos Levantamentos Fotogramétricos, Lisboa, Anuário Comercial, 1935.



Fotogrametria, Coimbra, A Terra, 1937.



A Grande Guerra nas Colónias Portuguesas, 1937.



Regimento Que El-Rei D. Manuel Deu a Simão da Silva, Quando o Mandou a Manicongo, in I Congresso da História da Expansão Portuguesa no Mundo, vol. 5, Lisboa, 1938.



Tarefa Ingente, in Revista Militar n.º 6, Lisboa, 1939.



A Fotogrametria Perante a Urgência de Trabalhos Topográficos e Cadastrais em Portugal, Lisboa, 1939.



Síntese das Medidas Aconselháveis Para Impulsionar o Povoamento Indígena de Angola, 1940.



Imperativos Internacionais de Transformação dos Regimes Coloniais, 1943.



Memórias e Trabalhos da Minha Vida: Factos, Acontecimentos e Episódios, 4 volumes, Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1944 – 1946.



Educação e Instrução dos Indígenas, 1946.



Duas Cartas Célebres, sobre o «Mapa Cor-de-Rosa», Porto, 1947.



Angola: História e Comentários, Lisboa, Edição Gama, 1948.



Os Dois Primeiros Meses da Minha Candidatura à Presidência da República, Lisboa, 1948.



Mais Quatro Meses da Minha Candidatura à Presidência da República, Lisboa, 1949.



Às Mulheres de Portugal: Colectânea de Alguns Discursos Pronunciados para Propaganda da Candidatura, Lisboa, edição dos Serviços Centrais da Candidatura do General Norton de Matos, 1949.



Para Onde Nos Leva a Política Económica do Governo?, 1949.



Angola: Ensaio Sobre a Vida e Acção de Paiva Couceiro em Angola Que se Publica ao Reeditar-se o Seu Relatório de Governo, Lisboa, Edição Gama, 1951.



Circular do Governador-Geral de Angola, Ponte de Lima, 1952.



Conferência, Aveiro, 1953.



A Nação Una: Organização Política e Administrativa dos Territórios do Ultramar Português, Lisboa, 1953.



África Nossa: O Que Queremos e o Que Não Queremos Nas Nossas Terras de África, Porto, Edição Marânus, 1953.



Meio Século de Ocupação, in Boletim Cultural do Huambo, volumes 4/8, 1955, em co-autoria com Vicente Ferreira.



Nova Lisboa, in Boletim Geral do Ultramar, vol. 37, n.º 436-438, 1961.




Retirado DAQUI 


domingo, 15 de fevereiro de 2009

José Mendes Ribeiro Norton de Matos

José Mendes Ribeiro Norton de Matos, nascido em Ponte de Lima em 1867 e falecido também em Ponte de Lima em 1955, foi por duas vezes governador de Angola, a primeira entre 1912 e 1915 e a segunda entre 1921 e 1923.

Norton de Matos, promovido a General por distinção, (depois de exonerado acintosamente de oficial do exército, acusado de deserção por Sidónio Pais, simpatizante germanófilo), foi então eleito pelo Senado como Alto-Comissário para Angola. Dotado de poderes legislativos e administrativos, mas lutando sempre, contra as forças mais retrógradas instaladas no Terreiro do Paço e territórios vizinhos, tomou posse para o segundo mandato, em Luanda, na residência oficial, em 16 de Abril de 1921, para dar início a um dos períodos de maior desenvolvimento e progresso da Província, dando continuidade ao programa que traçara durante o seu primeiro governo e introduzindo reformas que se perpetuaram pelos anos fora e permaneceram até à independência do território.

Todos os governadores de Angola do fim do século IXX e princípios do século XX que pretendessem fazer algo de positivo para o desenvolvimento do território tiveram uma permanência curta no poder, pois segundo as regras e estratégia da época, não era para isso que os mandavam para as colónias. Infelizmente isto aconteceu nomeadamente com os governadores: general Norton de Matos; António Vicente Ferreira; capitão Henrique Mitchel de Paiva Couceiro; major Manuel Maria Coelho; e outros.

O Governador-Geral Norton de Matos passou como um vendaval por Angola, nos anos que precederam a primeira grande guerra mundial, pondo fim à ocupação militar e iniciando a administração civil, demolindo e implantando novas estruturas, produzindo alguns fortes abanões na administração do território – os primeiros que se davam em Angola – os quais visavam a resolução dos constrangimentos ou a anulação dos interesses que as autoridades, industriais e comerciantes todos combinados e comodamente instalados na Praça do Comércio ou/e na “Baixa Lisboeta”, defendiam com quantas unhas e dentes possuíam. A larga visão desse Homem de Estado não pactuava com essas mentalidades mesquinhas e entendia que as Províncias Ultramarinas só poderiam desenvolver-se se os responsáveis pela sua administração pudessem dar resolução atempada aos problemas que afligiam os seus habitantes e impediam o normal desenvolvimento desses territórios. Norton de Matos ao desembarcar em Luanda, pela primeira vez, anunciou logo ao que vinha. O seu discurso de posse desenvolveu-se sob o tema: «Ordem e Progresso – tudo se contém nisto; respeito pela lei, justiça em tudo e todos, uma grande disciplina em todos os serviços, o mais inflexível rigor na repressão de todos os abusos, corrupções ou desonestidades, a mais severa fiscalização na administração dos dinheiros públicos, o mais franco auxílio a todas as iniciativas fecundas, uma decidida e eficaz protecção a todos os que dela careçam». Foi no seu primeiro governo que se olhou para os problemas da agricultura e da pecuária coloniais de uma forma diferente, como factores eminentemente responsáveis pelo bem-estar físico e material dos seus habitantes (Mendes, 2000b).

Os Altos Comissários tinham poderes legislativos e administrativos que podiam usar, desde que não fossem contrários às ordens emanadas do Governo Central. Obrigado, por força das circunstâncias a combater em várias frentes, Norton de Matos acabou por ser vencido pelas mesmas forças políticas que em Portugal se digladiavam, mas seu nome ficou na história enquanto que os dos outros, dos que se lhe opunham, há muito foram esquecidos… Fonte: Texto retirado em partes do documento “História dos Serviços Veterinários de Angola – Os primeiros anos”, da autoria de António Martins Mendes. > Vicente Ferreira, alto comissário de Angola entre 1926 e 1928, entre outras coisas, deu impulso à construção um grande Laboratório de Patologia Veterinária, consolidando a existência de duas Estações Zootécnicas, doze Delegações de Sanidade Pecuária e contando já com 15 médicos-veterinários, com menos de 40 anos de idade e mais de 5 anos de permanência na Colónia. O Alto Comissário, António Vicente Ferreira é mais conhecido por, fascinado pelas características do meio geográfico onde se localizava a cidade do Huambo, que Norton de Matos fundara em plena savana africana, mas que se mostrava poucos anos depois já pujante de vida e em pleno desenvolvimento, transferir para ela a capital de Angola especificando porém que «…até que se realize a mudança, a sede do Governo-Geral con­tinua na cidade de Luanda…» (Ferreira, 1926). Essa transferência porém nunca se concretizou e mesmo a sua elevação a sede de distrito demorou algumas dezenas de anos, embora fosse de toda a justiça pois o Huambo constitui «…uma unidade geográfica perfeita, quaisquer que sejam os aspectos por que seja encarada: geológico, orográfico, climático, agrícola ou populacional» (Pinto, 1955). 15 RPCV (2003) 98 (545) 11-18 Mendes, A. M.

Enquanto que uns afirmam que estas figuras contribuíram positivamente para a história portuguesa no Mundo, outros dirão que contribuíram para a aculturação dos povos nativos. A única certeza é a de que se não tivessem sido os portugueses a ocupar esses território seriam outros, certamente menos tolerantes para os naturais do que nós portugueses fomos, que em vez de falarem português mais de 20 milhões de pessoas em África, falariam hoje inglês ou francês. Coincidência, tributo ou propaganda, o certo é que os heróis portugueses em África tiveram quase todos direito a nomes de novas cidades, avenidas e praças nas antigas colónias, principalmente em Angola e Moçambique, mas muito poucos no território Europeu. A mim parece-me que já não há heróis, ou não se cultivam heróis, poucos mereceriam ser heróis, e líderes que lideram, há muito pouco. O Mundo mudou. Actualmente cultiva-se mais a inveja e a intriga a qualquer preço.

ver tambem
http://www.fmv.utl.pt/spcv/PDF/pdf3_2003/545_11_18.pdf.