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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Hunters and herders of southern Africa:a comparative ethnography of the Khoisan peoples


Livro: "Caçadores e pstrores do sul de África: uma etnografia comparativa dos povos Khoisan"
Os Khoisan são um aglomerado de povos sul Africano, incluindo os bosquímanos San famosos ou "caçadores", o Khoekhoe "pastores" (no passado chamado "hotentotes"), e os Damara, também um povo de pastoreio. A maioria dos Khoisan vivem no deserto Kalihari e áreas vizinhas do Botswana e Namíbia. Apesar das diferenças em seus modos de vida, os vários grupos têm muito em comum, e este livro explora essas semelhanças ea influência do ambiente sobre a sua cultura e organização social. Este é o primeiro livro sobre o Khoisan como um todo a ser publicado desde 1930.
Para traduzir  para português, clicar AQUI

sábado, 24 de julho de 2010

Kung Sun, o povo primitivo da África Austral






Os !Kung San habitam a África Austral há mais de 20 000 anos.

A sua ancestralidade pode ser atestada pelas inúmeras pinturas rupestres que foram deixando pelos caminhos do tempo. São caçadores-recolectores, autênticas relíquias vivas do nosso passado humano. Usam uma linguagem de estalidos (representada graficamente por !) e o nome que se dão a si próprios pode ser traduzido por “Pessoas”. São geralmente conhecidos pela designação inglesa, “Bushmen” que adaptamos para “Bosquímanos”.


Os !Kung vivem no deserto do Kalahari que não é um deserto de dunas, antes, uma espécie de savana que ocupa uma extensa área partilhada pelos actuais territórios da África do Sul, Namíbia e, sobretudo, Botswana. A Norte, algumas franjas entram por terras angolanas. O Kalahari é atravessado por alguns rios que determinam os caminhos dos !Kung e tem época de chuvas que permite que a vida vegetal e animal sejam abundantes. O modo de vida deste povo do deserto que, inesperadamente, passou a contar com uma garrafa de coca-cola, ficou ternamente registado no filme de Jamie Uys, Os Deuses Devem Estar Loucos.


Há cerca de 25 anos, o Professor Viegas Guerreiro, decano da antropologia em Portugal, apresentou-me aos !Kung, exibindo um filme que ele próprio realizara durante os dois anos em que vivera com este povo. Aprendi, assim, que os San não têm chefes e que as decisões que interessam ao grupo são tomadas em grupo. Esses grupos podem ser extensos – até 100 pessoas – se os alimentos disponíveis forem bastantes, mas normalmente são menores, podendo não ultrapassar os 10 indivíduos.

Os San abrigam-se em cabanas que constroem recorrendo à vegetação alta que fazem assentar sobre uma estrutura de ramos. Os homens dedicam-se à caça e não importa os dias que demore até capturarem uma presa, porque a maior vergonha é regressar ao acampamento sem o suprimento de carne necessário. Caçam usando lanças feitas com as próprias mãos, com pontas de sílex (?) habilmente trabalhadas e que embebem em veneno eficaz. Sobre as mulheres recai a obrigação de serem elas a garantir o sustento diário, recolhendo frutos e raízes. Com que mestria o fazem! Onde nós não vislumbramos nada a não ser areia, elas abrem um buraco fundo com as mãos e encontram raízes enormes que o saber ancestral lhes ensinou a descascar bem com as suas lâminas de pedra e a pisar cuidadosamente para lhes extrair o suco venenoso. Depois resta uma farinha que assam sobre as brasas da fogueira pequena. Quando escasseiam as bagas e os frutos vão-se embora, seguindo os trilhos do rio. Pelo caminho vão deixando registos nas pedras com as suas magníficas pinturas rupestres ao ar livre.

Quando morre alguém metem-no na sua cabana. Os vivos, mesmo que haja alimentos, levantam o acampamento e partem, levando consigo o nada que possuem e quase nada deixando que permita o estudo do seu modo de vida a quem se queira guiar pelos restos materiais. O abandono dos mortos, segundo o professor Viegas Guerreiro, é das poucas manifestações religiosas dos San. A outra é a dança ritual dos curandeiros, para curar os doentes ou para pedir ao tempo que mande a chuva da sobrevivência.

Nem historiadores nem antropólogos são capazes de explicar por que razão alguns povos evoluíram no seu modo de vida enquanto outros se deixaram permanecer imutáveis. Quando, há cerca de 8000 anos o Neolítico chegou a África, os povos que se sedentarizaram e começaram a praticar a agricultura viram a sua população crescer e passaram a exercer grande pressão sobre os territórios percorridos pelos povos nómadas. Assim aconteceu com os Bantos e os !Kung San. Estes foram empurrados para o deserto que nunca foi terra que apetecesse a ninguém. Mas o golpe maior chegaria com os Boers, os puritanos holandeses que, em guerras sucessivas, iriam reduzir este povo a números insignificantes.

Em data que não sei precisar, o governo do Botswana delimitou uma área, a que chamou reserva, e encafuou lá os bosquímanos. Área sem acesso a água e pouco extensa para permitir o modo de vida tradicional, condenando-os à morte lenta. Em 1997, o supremo tribunal desse país, alegando prejuízos para o meio ambiente, decidiu expulsá-los da reserva. O mesmo organismo, há poucos dias, permitiu o seu regresso, mas desobrigando o governo do abastecimento de água e de alimentos.




Falta dizer que, na reserva, tinham sido encontradas importantes jazidas de diamantes. Pobres !Kung San!

domingo, 16 de maio de 2010

Os Khoisan (2.ª Parte) - Campeões da Sobrevivência no Sul da África


















" (…) Os Bosquímanos, um dos ramos do grupo khoisan, fizeram frente a um destino mais tormentoso do que o dos seus irmãos hotentotes. Isto porque o avanço dos trekboers para leste se realizou muitas vezes através dos seus campos de colheita e caça, tornando o choque inevitável.
Assemelhando-se a mongóis de cabelo enca­rapinhado, eles palmilhavam, livres e infati­gáveis, no seu caminhar gracioso e saltitante, as extensões poeirentas do karroo. Deslocavam-se em grupos cujo efec­tivo rondava, em média, a dezena e meia de pessoas. Campeões da sobrevivência, predadores superdotados, extraíam proveito de tudo o que obtinham daquele meio agressivo e avaro - desde os tubér­culos aos cágados, passando pelos pássaros e o mel, as bagas e os ovos, as larvas e os gafa­nhotos, as toupeiras e as térmitas. Com o auxílio de caniços sorviam de solos queimados, aparentemente enxutos e estéreis, a água preciosa e vivificante, que re­colhiam em cabaças, bexigas de animais ou cascas de ovos de avestruz. Nas caça­das untavam as pontas das flechas com vene­nos violentos, tirados de ve­ge­tais, de cabeças de víboras ou de uma providencial larva de lagarta. Utilizavam cães para desentocar as rapidíssimas lebres saltadoras e capturavam os animais de maior porte em grandes fossas de fundo armadilhado com estacas aguçadas. À noite recolhiam-se a choças temporárias e saudavam, sempre que ocorria, o apa­recimento da lua cheia, onde pairavam os espíritos dos seus mortos.
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Na altura em que as caravanas bóeres principiaram a devassar-lhes o território, os Bosquímanos ripostaram tal como haviam feito os seus antepassados diante das invasões dos negros bantos. Não tardou que se decidissem por audaciosas incur­sões, durante as quais, recorrendo a estratagemas de caça, se acercavam à sorrelfa dos rebanhos dos invasores para lhes subtraírem algumas cabeças. Por ve­zes leva­vam mais longe as suas iniciativas, não hesitando em atacar os brancos que sur­pre­endiam isolados no mato. Mas os belicosos calvinistas, nada dispostos a re­nuncia­r ao que entendiam ser os caminhos da sua predestinação, constituíam de facto uma nova e temível espécie de inimigo para o povo san. Organizados em co­mandos de voluntários, eles devolviam com impiedosa crueza todos os golpes e ameaças. Certa ocasião, no derradeiro quartel do século XVIII, um comando de duzentos e cinquenta bóeres levou a cabo uma devastadora acção de represálias. Por trágica ironia, faziam-se acompanhar de muitos auxiliares hotentotes, incorporados nas su­as carava­nas como fiéis servidores. No termo da operação, tinham sido aniquilados mais de cinco mil bosquímanos. Sem possibili­dade de reac­ção eficaz diante daque­las vagas de intrusos que os acossavam por todo o lado, cuspindo um fogo mortí­fero do cimo dos cavalos, os minúsculos caçadores do mato viram-se banidos dos seus territórios. Varridos para leste e para norte, só lhes restou acolherem-se, como proscritos, às estremas adversas dos grandes deser­tos.
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À semelhança do que sucedera na época das lutas contra os Bantos, os Khoisan deixaram registo, nos rochedos do Cabo, do seu fatídico encontro com os brancos. Trata-se de desenhos toscos, de uma comovente expressividade, de cujo traço in­génuo parece soltar-se uma silenciosa mas pungente inquie­tação. Ou, então, o pul­sar de uma ameaça mortal. Num deles sobressai um vistoso galeão, porventura ob­ser­vado numa das baías de aguada. Exibe a proa er­guida, o esporão arrogante, os pavilhões orgulhosamente desfraldados no topo de quatro mastros nus. Noutras re­presentações divisam-se europeus de cabeças som­breadas por chapéus de aba larga, empoleirados em cavalos altivos, e as avantaja­das mulheres holandesas de grossas ancas realçadas por saias em balão. Aparece ainda, como que dotado de movimento, um dos característicos carros de bois das deambulações migratórias: transporta um animado grupo de homens, mu­lheres e crianças gesticulantes. São fi­gurações de intenso e incomodativo drama­tismo. Se forem olhadas longamente e com vontade de sentir, deixam adivinhar murmúrios, risos e clamores desprendidos do fundo dos tempos.(...)
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(José Bento Duarte - Senhores do Sol e do Vento - Histórias Verídicas de Portugueses, Angolanos e Outros Africanos - Editorial Estampa - Lisboa - 1999)

FONTE

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Povos de Angola

===== B") --- "ANGOLA -DATAS E FACTOS - 2º Volume (1652/1837) ===

== 1655 - "Os holandeses, já instalados no CABO DA BOA ESPERANÇA, prosseguem o seu avanço pelo interior, além do rio QUEI e,para o norte,em busca do REINO DE MONOMOTAPA.
Contactam com outros povos, em especial os BOCHIMANES (BUSHMEN, BOSJEMANS ou ainda BOSHEMEN),designação que significa "Homem dos Bosques", conhecidos ainda pelos portugueses por "BOSQUÍMANOS", com certas analogias aos, já detectados anteriormente, mais ao sul e leste, HOTENTOTES, que os perseguiram.
Efectivamente já haviam sido contactados muito antes pelo portugueses, talvez,ainda quando BARTOLOMEU DIAS chegara à ANGRA DOS VAQUEIROS, no extremo sul do continente africano, ou mesmo antes, por DIOGO CÃO, quando alcançou o sul de ANGOLA !
Havia(ou ainda há)dúvidas quanto às suas origens,bem como as dos Curocas, de que são ascendentes, sendo várias as opiniões surgidas :
"...enquanto uma os quer afins dos Bergdamas do sudoeste Africano, a outra considera-os resultado do mestiçamento de Bosquímanes e Hotentotes com Mucuissis -- uma relativa população negra semi-nómada situada a ocidente da Serra da Chela..." -- (em : "ALGUNS VELHOS E NOVOS CONCEITOS SOBRE OS POVOS NÃO BANTOS DE ANGOLA", de ANTÓNIO DE ALMEIDA,pg.179)incluída na obra : "ANGOLA - Curso de Extensão Universitária - Ano Lectivo 1963/4, da Universidade Técnica de LISBOA.

== 1655 - OS Bosquímanos eram os sobreviventes dos povos da Idade da Pedra, já no seu último período, sendo aparentados com os Hotentotes, com base em aspectos linguísticos,mas sendo de estatura inferior à destes, contactados mais tarde, talvez seus descendentes com pré-bantos (Hamitas ?).
-- ... "Ainda não foi determinado com exactidão o verdadeiro parentesco entre Bosquímanos e Hotentotes; têm muitos pontos comuns, quer linguísticos, quer físicos, sendo a principal diferença entre eles o tipo de economia"...- (em : ÁFRICA AUSTRAL", de BRIAN FAGAN, pg. 32 - 1972).

== 1655 - Vejamos,em resumo, como se apresentava a situação desses antigos povos e onde existiam duas diferenças rácicas principais : -

A) - Povos pré-históricos - Paleolíticos, Mesolíticos e Neolíticos.

-- 1) - RAÇA KHOISANE - palavra que resulta dos termos "KHOIN-KHOIN", respeitante aos Hotentotes e "SAN", referente aos grupos Bochimanes, (o que significa "homem"). Assim : "KHOISANE" quer dizer - raça Hotentote-Bochimane. Nestes incluem-se ainda os pequenos múcleos de "KEDES" (MUQUEDES) da zona do CUANHAMA(KUANYAMA), da OMUPANDA e na MUPA.
Os seus antepassados são também designados "BOSKOPOIDES" (localizados em FLORISBAD por BOSKOP). Ocupavam todo o território, antes da chegada da raça negra no século XIII, desde o extremo sul da ÁFRICA até ao sudoeste, tendo características próprias, bem diferenciadas dos Negros.

-- 2) - RAÇA NEGRA : - Há que distinguir os dois grupos : PRÉ-BANTOS (NÃO BANTOS) e os BANTOS, com origens no ALTO NILO, zona dos GRANDES LAGOS, bem no interior da ÁFRICA, donde se dirigiram em avanços para o sul em sucessivas vagas, algumas ainda recentes.
Já mencionámos no 1º volume desta obra (pg.9 e 10), a sua origem e a do termo "BANTO" (BANTU), ou seja, : BA-NTU, em que o radical "NTU" significa "ser humano"("homem", "pessoa"). MUTU (MUNTU)tem o plural "BANTU". Os SANTOS constituíam a grande maioria dos povos do REINO DO CONGO e de outros Reinos. Eram os "BANTOS OCIDENTAIS" e teriam quase eliminado os outros povos,NÃO BANTOS,seus antecessores, quando da sua invasão : - teriam avançado pelo MEDITERRÂNEO e daí passaram ao norte de ÁFRICA, talvez +ela zona de GIBRALTAR, ou vindos da ÁSIA (Caucasóides), pelo SUEZ para a ETIÓPIA ou EGIPTO.

Apenas restaram algumas manchas de CUISSIS, que eram negros pré-bantos, refugiando-se na zona desértica do NAMIBE(NAMIB). Foram designados de "VATWA" (Vátuas), termo depreciativo, significando "errantes" ou MUCUISSOS, bem assim como ainda aos seus descendentes CUROCAS(COROCAS), ou OVA-ZOLOTWA, que significa "errantes negros", ou no BAIXO CUROCA, de "MUCUEPES" -- "KWEPES" -- ('KWAI/TSI ou VAKUEPE), residentes no deserto do NAMIBE, na zona de ONGUAIA e MACALA.

-- Os BOCHIMANES(BOSQUÍMANOS) são ..."os mais extraordinários e notáveis(caçadores) entre todos os povos indígenas de ANGOLA" ...(em "OUTRAS TERRAS,OUTRAS GENTES", de HENRIQUE GALVÃO, pg. 425).

Reside em ANGOLA, entre as vertentes da SERRA DA CHELA às margens do rio CUBANGO, o mais importante ramo da família BOCHIMANE : "... são os IKUNG. Foram derrotados e perseguidos pelos Hotentotes, Bantos e pelos europeus, para o deserto do KALAHÁRI.
Os autênticos BOCHIMANES (amarelos)são os BACANCALS (- MUCANCALA - é o plural de VA-CANCALA, ou ainda OVA-KWANKALA),residentes na região compreendida entre o paralelo 15º e a fronteira, e ainda entre o rio CUBANGO, margens da "MULOLA DO TCHIMPORO" e o ocidente do planalto da OYLLA. São também os BASSEQUELES (MUCUASSEQUELES) e ainda, no SE de ANGOLA, os ditos "pretos" a que pertencem os CAZAMAS. Designados ainda aqueles por CASSEQUELES, BACASSEQUELES ou CAMUSSEQUELES, situados a leste do rio CUBANGO. Instalavam-se nas zonas com cursos de água durante os períodos em que não havia chuvas e em simples abrigos.

MUCUANCALA, deriva de mukua (gente) e Nkala (caranguejo) ou ONKALA, usados como depreciativos.
MUCUASSEQUELES deriva de ; mukua + sequele (porco espinho), também como depreciativo, e ambos designados ainda por "KHUN", na sua própria língua.

-- Os BANTOS generalizaram essa designação a todos os KHOISAN : HOTENTOTES e seus descendentes.
-- Os CAZAMAS(MUCUAZAMAS) e CACUENGOS (MUCUENGOS), residentes no Sudoeste de ANGOLA, ditos "KHWE" (HUKWE ou KWERI)eram talvez descendentes dos Pré-Bantos. A diferença entre os BOCHIMANES e os CUISSIS é que estes,ditos também MUCUISSIS, são provavelmente descendentes da RAÇA NEGRA,e,por sua vez, os ascendentes dos MUCUEPES (CUROCAS), como vimos.
-- MUCUISSO deriva de MOCOISSE (mestiço com alguma raça primitiva e quase desaparewcida). Também lhes chamam "MUKUA-MATARI", o que significa ..."a gente das pedras"...,seu refúgio habitual ! Os BANTOS chama aos MUCUISSOS do deserto do NAMIBE, ao sul do rio BERO ("rio dos Mortos"), de `´ATUAS, ou seja o plural de "MUTUA", significando "expulsos" e em que : "VA-TWA", o VA ou OVA é o prefixo plural e TWA traduz..."levar diante de si"...,ou seja, "expulsar". Constituem os grupos COROCAS (OVA KHEPE, ou VAKUEPE) e os CUISSES (OVA KWISI ou VAKUISI).

-- Os NEGROS designam os BOCHIMANES de "VÁTUAS - VERMELHOS) e os CUISSIS de "VÁTUAS NEGROS" !
-- Os BOCHIMANES existemm tambem fora de ANGOLA. Foram assim baptizados pelos "BOERS" (palavra holandesa que significa "camponeses"), quando do seu avanço a partir do CABO DA BOA ESPERANÇA para o norte e sudoeste, onde tiveram de os enfrentar por diversas vezes. São conhecidos, como vimos, por CUANCALAS (OVA-KWANCALA), sendo pois anteriores aos povos Bantos. Mas, antes deles ainda existiam outros povos no sul de ÁFRICA, os pré-Bantos, desconhecendo-se o seu destino.

-- Os BOCHIMANES (BOSQUÍMANOS, BUSHMEN ou OVA-CONGOLO), podem mesmo ter descendido dos "homens de Grimmald", negróides, efectuando um percurso,(há 5 mil anos) a partir da ÁSIA CENTRAL, MONGÓLIA, civilizações já mencionadas no "RIG VEDA", o mais antigo livro do mundo, atravessando a RÚSSIA, SOMALIA, ou pelo EGIPTO (os Zindjis), ou ainda pelo MEDITERRÂNEO até ESPANHA, GIBLALTAR e norte de ÁFRICA, refugiando-se depois para o sul ("Bush"), talvez à cerca de 2.000 anos, empurrados pelos invasores BANTOS para o sul do lago TANGANICA e bacias do ZAMBEZE (LIAMBEJE), do CONGO (ZAIRE), para o deserto do CALAARI e do sudoeste angolano mais tarde ainda pelos europeus.
- É provável que os BOCHIMANES - ..."se tivessem deslocado para sul provindos do Norte do Tanganica, passando pela ponta norte do lago Niassa e pelo extremo sul do lago Tanganica e,daí,para sul, através do deserto de Calaari e ao longo da bacia Zambeze-Congo, para o Sudoeste de Angola"... -- em "ÁFRICA AUSTRAL", de BRIAN FAGAN, pgs. 47/48).
-- Tinham pele acobreada e carapinha, baixa estatura, contrariada com a corpulência dos "homens de Grimald". Foram expulsos para o deserto.
-- "BUSH" é a zona arborizada, que vai desde o sul de BENGUELA-A-VELHA, ao sul das TERRAS ALTAS DA HYLA, englobando uma parte do deserto do NAMIBE, mais na zona litoral (ANGRA DAS ALDEIAS e MANGA DAS AREIAS), região do CABO NEGRO, com deserto absoluto na zona mais ao sul até às margens do rio CUNENE e ainda mais além do mesmo rio até ao CABO DA BOA ESPERANÇS, deslocando para o leste, costa oriental africana, subindo depois a norte e oeste, zona do sudoeste.

-- Os HOTENTOTES "misturaram-se" com os negros ou podem ter sido ainda "originados" pela mestiçagem dos BOSQUÍMANOS com antigos Hamitas (CAMITAS), pigmeus ou outros, ou seriam já o resultado de cruzamentos com os BOCHIMANES (os "OVA-KEDE"). Foram absorvidos ou repelidos para o sul, refugiando-se na zona desértica, no BAIXO CUNENE.
Os residentes do litoral alimentavam-se então de peixes, moluscos e de produtos silvestres, ou mesmo das suas raízes.Os residentes no interior eram pastores nómadas, mas com grandes manadas de bois de enormes chifres e de rebanhos de carneiros, alimentando-se dos seus produtos, da caça, de raízes e frutos selvagens.
Assim, os agrupamentos, muito posteriores, existentes no NAMIBE, eram divididos em 4 agregados : -- CUVALES (ou DOMBES) , os mais numerosos, nas zonas dos rios BERO, GIRAÚL e VINTIAVA; -- os CUANHOCAS, no rio COROCA (CUROCA); -- os CUEPES e os CUISSOS (estes Pré-BANTOS), tanbém conhecidos por CUISSIS ou MUCUISSOS.

O deserto do NAMIBE fica situado desde o norte do rio CUNENE, entre a SERRA DA CHELA e a costa litoral,até ao DOMBE GRANDE (rio COPOROLO), prolongando-se pela zona da costa litoral para o sul até à zona do deserto do KALAÁRI(KALAHARI), mas estreitando-se de sul para o norte, em vez do sentido oposto.
Era habitado desde a pré-história(período Paleolítico), conforme justificam as pinturas e gravuras rupestres do CHITUNDULO (CITUNDU-HULU, ou TCHITUNDU-HULO), no Sudoeste de ANGOLA, em BRÚTUEL e na mulola do TCHIPOPILO (CAMUCUIO),no deserto do NAMIBE, na margens do rio CUNENE, no curso superior do rio ZAMBEZE e ainda na QUIBALA(PEDRA QUISSANGE). Foram atribuídas a povos ainda anteriores aos BOCHIMANES, bem como os instrumentos de pedra da época Pré-Chelense, ou talvez aos próprios BOSQUÍMANOS, assim como algumas outras ainda na ÁFRICA MEDIDIONAL.

Os desertos do KALAÁRI e o do NAMIBE(NAMIB) são distintos, mas estão situados numa zona própria e por isso com condições climatéricas interdependentes. A causa da existência do deserto do NAMIBE é a "corrente fria de BENGUELA".
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-- No Sudoeste de ANGOLA os Bantos distribuem-se em três grupos étnicos :

--- A) -- OVA-AMBO(AMBÓ) -- com as trbos de : - Balântu -- Cafimas -- Coluctsi -- Cualuthi -- Cuamátui -- Cuâmbi -- Cuanhama -- Dombondola -- Donga -- Eunda -- Gandjela -- Vales.

--- B) -- MBANGALA/HUMBIS -- compreendendo : OVA-MBANGALA(HUMBI) e afins : Nkumbi -- Donguena -- Hinga -- Cuâncuas -- Handas -- Quipungos(Typungu) -- Tylengue-humbi) -- e ainda os NHANECA(UANYANECA), com as tribos de Mwilla e Ngambwe.

--- C) -- HERERO (OVA-HELELO) - com as tribos de : Chimbuas -- Chavicuas -- Kuvales -- Dimbas -- Guedelengos -- Ndimbes -- Cuanhocas -- Tylengue-musós -- Cuandos -- Cuissis(?) e Hacavonas.

Esses BANTOS OCIDENTAIS terão chegado ao sul de ÁFRICA já no século XI, ou mesmo até ao século XVII ! Em ANGOLA encontram-se divididos em 10 grupos linguísticos, num total de 60 tribos. Os cinco principais grupos são : -- 1) - KIKONGO, ao norte e ao sul do rio ZAIRE(CONGO) e até ao rio CUANDO. -- 2) - KIMBUNDU, ao norte e sul(litoral) do rio CUANZA, até ao CONGO e MALANGE. -- 3) - UMBUNDO - no Planalto Central, do lioral até ao VIÉ(BIÉ). -- 4) -- LUNDA-KIOCO, uma faixa interior, da LUNDA norte, prolongando-se em cunha pelo CUBANGO. -- 5) - GANGUELA, do lioral sul aos planaltos da OYLLA, VIÉ e MOXICO.

== "...O subgrupo étnico-linguístico KIKONGO(QUICONGO) engloba os povos : Mucusso -- Pombo -- Muxicongo -- Mucongo -- Mussosso - Muzombo -- Maiaka e Mussorongo.." - (em "ANGOLA - Curso de extensão universitária - l963/4", do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, 1964 - pgs. 197/8 )

-- Dos restantes grupos,principais,ainda os : LUNJANECA -- LUNKUMBI --XIKUANJAMA e XINDONGA, todos do planalto da OYLLA e os TJIHERERO no BAIXO CUBANGO. Mas, o principal de todos grupos é o dos UMBUNDO, com cerca de um terço da população.

-- A origem dos BANTOS será talvez o resultado do cruzamento entre PRETOS do norte do EQUADOR e outros com os PIGMEUS e BOSQUÍMANOS.

-- "...Os povos de raça negra não têm história e a que como tal se intitula é baseada em meras hipóteses, à falta de fontes de informação"...
..."Parece não haver dúvidas que todos estes povos pertencem ao tipo "bantú",que, juntamente com o tipo "chilouk", foram os primeiros invasores "aditas" da raça negra que,segundo os monogeístas, do planalto da Pérsia -- do alto maciço asiático -- desceram,muitos séculos antes da nossa era, à Arábia,donde uns,contornando o Mediterrâneo, atingiram o Nilo pelo istmo de Suez,descendo por ele até à região elevada onde nasce o Branco, o Nilo Azul e outros,seguindo o vale do Eufrates e a costa do golfo Pérsico, alcançaram primeiro esta mesma região, atravessando o Mar Vermelho no estreito de Bab-el-Mandeb..." - ..."Os que penetraram por sueste na região montanhosa do leste de África, sofrem aqui a selecção, e, repelindo para o sul os contigentes inferiores, originam o tipo "bantu",cuja área de colonização abrange toda a região ocidental além do Zaire..." - "...Este movimento migratório é mais rápido, provocando lutas, pois que uns terceiros invasores, mestiços de raça branca e negra -- os segundos "aditas" -- provenientes da Arábia, mais fortes e melhor organizados que os seus antecessores "bantus", alcançam com facilidade os planaltos etiópicos..." - "...Aqueles invasores de raça negrítica, expulsaram do seu "habitat", segundo algumas opiniões,os autoctones,representados hoje por "bushmem" ou "boschjemans" e "hotentotes", havendo quem supunha estes últimos de raça amarela, rechassando-os para os desertos de Kalahári e representados,também, pelos : "ba-cassaqueres", "ba-cancalas","ba-cuisses" e, talvez, pelos "ackas" do equador a que se refere Schweinfuth, todos de pequena estatura,vivendo fragmentados e nómadas, dedicados à caça de que se alimentam juntamente com raízes e frutos de árvores silvestres"... (in "Relatório da coluna de operações aos bondos e sul da Jinga", no B.O. da Província - pg. 88 -, de ALBERTO DE ALMEIDA TEIXEIRA, transcrito na sua obra "ANGOLA INTANGÍVEL" - 1934 - pgs. 619 a 621) --

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++++++ (Foto - Pg. 50/51 - 2º Vol. - Mulheres - ( Batuque de Muhumbis)

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== 1655 - No seu avanço para o interior os "Bóers" vão vencendo os HOTENTOTES,mas,embora racistas,não resistem aos "encantos" das mulheres nativas; assim surgem os "bastardos" ou "coloured" que depois os acompanhavam. Por sua vez os "Boers" eram descendentes de emigrantes holandeses (calvibistas) e dos protestantes franceses já ali residentes, designados "africaner" (sul-africano), ou ainda "africander".

== 1655 - DEZEMBRO - 13 - A rainha GINGA acusa os anteriores governadores de terem recebido escravos sem que tivessem libertado sua irmã,D,BÁRBARA DA SILVA.-
- Embaixada do jaga CASSANGE para recuperar escravos portugueses detidos.

== 1656 - OUTUBRO - 12 - Foi então assinada a paz com a rainha GINGA, agradecida pela libertação de sua irmã,D.BÁRBARA...Foi assinado na MATAMBA,com a intervenção dos Capuchinhos, muito embora o desagrado do rei do CONGO, D.GARCIA II...

== 1656 - NOVEMBRO - 27 - O CONSELHO ULTRAMARINO manda suspender a libertação de D.BÁRBARA, irmã da rainha JINGA, a pedido do Senado da Câmara de S.PAULO DA ASSUNÇÃO (já efectuada em Outubro de 1654, a troco de 100 escravos).

== 1657 - FEVEREIRO - 4 - Casamento da rainha GINGA com D.SALVADOR, celebrado por Fr.FRANCISCO ANTÓNIO(?)ROMANO, na capela de SANTA ANA,na MATAMBA e de sua irmã D.BÁRBARA com JINGA AMONA, então baptizado ANTÓNIO CARRASCO, que era o seu capitão-geral.
== 1659 - Surgem novos conflitos com o rei do CONGO e, de acordo com as decisões tomadas em Março, o governador ordenou ao capitão-mor o ataque aos sobas DAMBI ANGONGA (NDAMBI NGONGA) e QUITATI CANDAMBI, dos DEMBOS, não só pelas investidas feitas anteriormente como ainda por não se sujeitarem à fé católica. -
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-- 1683 - SETEMBRO - ...Terminavam assim, nesta altura, as lutas na MATAMBA e chegara ao fim o REINO DE NDONGO / MATAMBA, surgindo novas perspectivas na bacia do rio CUANGO, para o REINO DE CASSANGE...
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-- 1709 - FEVEREIRO - 15 - No CONGO, D.PEDRO IV, derrota D.PEDRO CONSTANTINO que acabou por ser degolado; os seus "parceiros" dessas contendas desapareceram do mapa.
-- 1709 - OUTUBRO - 3 -Chega a LUANDA o novo Governador de ANGOLA,ANTÓNIO SALDANHA DE ALBUQUERQUE CASTRO E RIBAFRIA, já nomeado em 9 de Janeiro.
-- 1714 - Terminaria o reinado de D.PEDRO IV, tendo vivido esses últimos anos e constantes sobresaltos e receios dosd seus antagonistas, em especial do Conde de SONHO.
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do site AngolaBrasil