segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Os grupos étnicos de Angola


Por Gabriel Vinte e Cinco

A identidade de um povo ou de uma nação manifesta-se pela língua que fala pelos seus nomes, pelos seus usos e costumes. A língua é o suporte da cultura de um povo; é um dos troços seguros da personalidade e da identidade cultural.

O espaço geográfico que vai de Cabinda ao Cunene e do mar ao Leste é constituído por vários grupos etno-linguisticos que re-presentam a sua identidade cultural que precisa de ser conservada e preservada.

Entretanto, lamentavelmente alguns grupos, talvez, por aculturação tentam negligenciar as suas línguas e os seus nomes. Agindo assim, esses grupos negam a sua identidade, o que deve constituir uma preocupação de todos os angolanos de todos os falantes de cada província.

O país habitado por angolanos que são maioritariamente de origem bantu e portanto as suas línguas também são de origem bantu.

De acordo com a consulta por nós feita de documentos como: Atlas Missionário Português da junta de investigação do Ultramar e Centro de Estudos Históricos, Lisboa-1964, por António da Silva Rego e Eduardo dos Santos; Arqueologia Angolana, Edição Ministério da Educação, 1978, por Carlos Ervedosa; Angola, Natureza, População e Economia - Edições Progresso, Moscovo, de L.L.Fituni; A Igreja em Angola, Editorial Além-Mar, Edição Mardo 1990- de Lawrence W.Henderson; Teologia e Cultura Africana no Contexto Sócio-Politico de Angola, por Reverendo José Kipungo e de José Redinha, o país é composto palas seguintes línguas e variantes:

Bacongo: Esse grupo abrange as províncias de Cabinda, Zaire e Uíje com as seguintes variantes (ou dialectos): Cabinda, Cacongo, Chicongo, Conje, Laca, Congo, Guenze, Lombe, Paca, Pombo, sorongo, Sossos, Suco, Sundi, Uoio, Vili e Zombo, totalizando 17.

Ambundo: Bambeiro, Bangala, Bondo, Cari, Dembo, Holo, Hungo, Luanda, Luango, Minungo, Ngola ou Jinga, Ntemo, Puna, Songo, Kissama, Lubolo, Haco, Sende e Kibala, num total de 20.

Ovimbundo: Baillundo, Bieno(Vie), Caconda, Chicuma, Dombe, Ganda, Hanha, Lumbo, Quissange, Sambo, Huambo ou Wambo, Phinha ou Mussumbe, Mussele e Omomboim, Perfazendo 14.

Cokwe: Cafuia, Congo ou Dinga, Lunda, Luena, Lunda-Chinde, Lunda-Dumba, Mataba, Quete e o próprio Cokwe, 9.

Ganguela : Ambuela, Ambuela-Bumba, Bumda, Cangala, Cuamaxia, Engonjeiro, Ganguela, Gengista ou Luio, Iahuma, Lovale, Luimbe, Lutchase, Mbande, Ncoias, Ndundo, Ngonielo, Nhemba, Nhengo e Viço, 19.

Nhaneca-Humbe: Cuancua, Dongena, Gambo, Handa da Mupa, Handa do Quipungo, Hinga, Humbe, Mumuila, Quilengue-Humbe, Quilengue-Muso e Quipungo,11.

Ambó: Cafima, Cuamato, Cuanhama, Dombondola e Vale, 5.

Herero: Chavicua, Cuanhoca, Chimba, Cuvale, Dimba e Gundelengo, 6.

Cuangar: Cusso e Cuangar, 2.

Grupos não bantu

Hotentote-Bochimane (Khoisan): Bochimane, Cassequele, (Camussequele), Cazama, Hotentote e Quede, 5.

Cátua: Cuando, Cuepe e Cuissi, 3.

Perfazendo um total de 102 variantes ou dialectos no país.

Posto isso, gostaria particularizar o Kwanza-Sul que a princípio conta com apenas 9 variantes, mas com o último levantamento feito pelo Instituto Nacional de Línguas aquando do seu encontro que teve lugar na cidade do Sumbe, de 10 a 12 de Março de 2008, o quadro sofreu algumas alterações que abaixo porém referencia.

A província do Kwanza-Sul é constituída por dois grupos etno-logicos que são: Ambundo e Ovimbundo.

a) Ambundo: Kissama, Lubolo, Haco, Sende e Kibala.
b) Ovimbundo: Phinda ou Mussumbe, Omomboim, Mussele e Balundo.

Entretanto o encontro de Março introduziu as seguintes alterações:
-Descobriu mais uma variante falada por um pequeno grupo de pessoas que se encontra no centro da cidade de Porto-Amboim com o nome de Ndongo, outrossim os representantes dos municípios do Amboim, Porto-Amboim e Sumbe, defenderam-se como sendo os pertencentes ao grupo Ambundo e não Ovimbundo assim como os participantes corrigiram os termos: Omomboim, para Mbuim e Mussele para Hele.

Por isso, o grupo Ambundo foi acrescido de mais três (3) variantes tendo ficado assim:
Ambundo no K.Sul- Kissama, Lubolo, Haco, Sende, Kibala Mbuim, Phinda ou Mussende e Ndongo(8) e Ovimbundo com apenas duas variantes no Kwanza Sul, que são: Hele e Balundo.

Finalmente, o professor Doutor Watumene Kukanda director geral do instituto nacional de línguas dizia a dado momento, e eu cito: “ A variante com maior número de falante, é a variante da região”, fim da citação.

Posto isso, não encontramos em nenhum documento a suposta língua Ngoya. O termo Ngoya é altamente pejorativo: (Bárbaro, Sujo, Ignorante e Guloso).

A variante com maior número de falantes chama-se Kibala. Ela abrange os municípios de Waku-Kungo, Ebo (Hebo), e atinge uma parte da Kilenda e a parte sul do Libolo. Factos e contra factos não há argumentos.

in
Vida Cultural/JA

2 comentários:

MESU MA JIKUKA disse...

Ainda bem que o Rev. Vinte e Cinco traz a lume mais um subsídio.
Tenho me atirado vezes sem conta contra os que nos "impingem" a língua Ngoya.
www.olhoensaios.blogspot.com

José Sousa e Silva disse...

Mais um excelente post do Rev. Vinte e Cinco.
Aproveito para perguntar se o dialecto "sorongo" que refere é o que falam os "Mussorongos".
Caso afirmativo, não será correcto chamar-lhe (também) "kissolongo" ?