quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Angola: Imagens de Ontem...e de hoje

1º Edifício dos Correios em local não determinado.
A evolução dos Correios no Huambo. Em 1912 com a expansão do Caminho de Ferro de Benguela, o empreiteiro inglês Pauling estabeleceu no Huambo um acampamento e toda a correspondência vinda do exterior passou a ser endereçada a "Pauling Town". Norton de Matos, recém empossado Governador Geral de Angola, não apreciou a situação e deu ordens para devolver toda a correspondência destinada a Pauling Town e daí a necessidade da construção do primeiro edifício dos Correios do Huambo.


Os CTT na antiga Praça Salazar


                                                   Os CTT na antiga Praça Salazar recuperado


O moderno edifício dos Correios
DAQUI 

Outras imagens de Angola do outro lado do tempo...

Um passeio por essa terra maravilhosa nos anos 60/70

sábado, 19 de novembro de 2011

Noticia do estado em que se acha o povo de Angola, desituido de mestres, parochos e egrejas, e considerações a'cerca da necessidade e facilidade de remediar tão grandes males (e-Livro Google)

Capa
 
Tres seculos têem decorrido, depois que a Religião Catholica, sob a protecção sincera e efficaz de D. João II e D. Manoel foi, pela primeira vez, abraçada nas vastas regiões do Congo, e mais tarde em Angola.
Os primeiros Missionarios pertenciam á Ordem de S. Domingos; seguiram-se depois os Padres da Companhia de Jesus, os da Terceira Ordem da Penitencia, Capuchinhos, e Carmelitas Descalços.
O zelo dos Missionarios, a protecção real, a boa disposição dos povos, fizeram com que a Religião Catholica prosperasse. Apenas tinham decorrido seis annos depois do descobrimento do Congo (1491), e já estavam lançados os fundamentos da Cathedral em S. Salvador, que em pouco tempo foi acabada, tendo-se antes convertido o rei, a rainha, as pessoas mais principaes, e por conseguinte o povo.
No anno de 157i, D. Sebastião cuidou em seguir as piladas de seus augustos predecessores, enviando muitos Missionarios para as terras de Angola. Os fructos das missões corresponderam á boa vontade que lhes dava impulso, e em breve tempo foram fundadas muitas Egrejas, ou Parochias por aquella vasta região. Eis-aqui uma relação d'aquellas, de que podemos alcançar noticia.
Cidade de Loanda, — duas Parochias, a Sé, e a de Nossa Senhora dos Remedios. Ilha de Cazeange — a de S. João Baptista. Calumbo — a de S. José. Presidio de Muxima — a de Nossa Senhora da Conceição. Villa de Massangano — a de Nossa Senhora da Victoria: no districto desta villa foram fundadas mais as seguintes Egrejas — a de S. Benedicto, Santo António de Lainha — Nossa Senhora da Conceição de Gonga-andalla — Santa Anna de Loabo — Santo Antonio de Quibanzo — S. Bartholomeu de Tamba — Nossa Senhora do Desterro de Quexoto —^ João de Cacuzo. Cambambe — Nossa Senhora do Rosario. Pedras de Pungo-an-dongo — Nossa Senhora do Rosario. Bengo — a de Santo Antonio. Bango-aquitamba — S. Hilarião. Ambaca — Nossa Senhora da Assumpção. Encoge — S. José. Dande — Santa Anna. Libongo — S. José. Icolo, districto do Golungo — S. José. Talamatumbo — S. João. Combe — Nossa Senhora do Desterro. Chocolo — Nossa Senhora do Livramento. Quilombo— S. João Evangelista. Nos Quikngues — as Parochias de Santa Anna e de Nossa Senhora dos Remedios. Contornos de Ambaca-Lucamba — S. Joaquim. Benguella, 5. Filippe — a de Nossa Senhora do Populo. Caconda — Nossa Senhora da Conceição. Continua...
 
 
Para lâr clicar AQUI
  

Um video de quando em quando: 1/4 - Ep.4 - Vozes Contra a Globalização - Um Mundo Desigual


Pacto colonial e industrialização de Angola (anos 60-70) Adelino Torres Instituto Superior de Economia




INTRODUÇÃO

De 1961 aos anos 70 verificou-se uma viragem na política colonial portuguesa, especialmente no que se refere a Angola. O pacto colonial tradicionalmente aplicado pelo colonialismo português foi substituído por uma política «desenvolvimentista» de que resultaram, para o aparelho produtivo e para o próprio conjunto societal angolano, profundas transformações. Depois de observar alguns aspectos dessa nova orientação nos sectores das indústrias extractivas e transformadoras e no sector bancário, o objectivo deste trabalho é tentar demonstrar, ainda que parcialmente, que o processo de «industrialização/desenvolvimento» da colónia traduzia finalmente a passagem do antigo pacto colonial (Angola fornecedora de matérias-primas, economia de exploração e mercado das indústrias transformadoras e do vinho metropolitano) a um novo pacto colonial de que a industrialização de Angola era, paradoxalmente (pelo menos na aparência), a condição básica. Essa reestruturação global, ao mesmo tempo da metrópole e da colónia, passava pela deslocalização das indústrias no interior do «espaço económico português» e respondia aos imperativos da integração progressiva de Portugal na CEE, que começava a preparar-se. Para poder suportar, com uma certa «margem de manobra» económica, mas também política, a concorrência da chamada ordem económica internacional, Portugal propunha-se alterar previamente certas coordenadas do seu espaço metropolitano-colonial. No termo de etapas forçosamente gradativas, a economia portuguesa pretendia alcançar um estádio «europeu» onde a sua classe dirigente detivesse o controlo dos principais mecanismos do poder económico moderno: a tecnologia, as finanças, o domínio de um mercado interno (interterritorial) alargado, a participação crescente nos Page 2 recursos não renováveis e a disponibilidade, de uma mão-de-obra barata na área neocolonizada africana. O crescimento registado em Angola de 1961 a 1974 inseria-se portanto, antes de mais, na estratégia global de um projecto de reconversão da própria economia e da sociedade portuguesa, confrontada, por seu turno, com a mundialização progressiva da economia internacional. Até aos anos 60, Angola foi, como dissemos, essencialmente um reservatório de matérias-primas e de produtos primários e um mercado dos produtos semitransformados da economia metropolitana. As estruturas industriais eram praticamente inexistentes na colónia, os investimentos desencorajados e a penetração dos capitais estrangeiros severamente regulamentada. A era das independências africanas veio, contudo, exercer uma pressão externa considerável, completada, em 1961, pela revolta do movimento nacionalista angolano. 1961 marca, por consequência, o início de um novo período e a década caracterizar-se-á por modificações importantes na acção colonialista. O território foi aberto aos investimentos nacionais e estrangeiros. Progressivamente, as exportações de ferro e de petróleo ocuparam lugares cimeiros ao lado de produtos «tradicionais», como o café e os diamantes, e as importações para equipamento tornaram-se realmente significativas. Os II e III Planos de Fomento, respectivamente de 1959-64 e de 1968-73, consagraram grande parte dos investimentos previstos às infra-estruturas económicas - transportes, comunicações, indústrias extractivas e indústrias transformadoras. Nos princípios da década de 70, a taxa de crescimento da economia angolana atingia níveis elevados e o período iniciado em 1961 apresentava um balanço onde eram evidentes as modificações estruturais decorridas. A produção diversificara-se, o sistema bancário expandira-se e o capital apresentava fortes indícios de concentração em vários ramos de actividade. Apesar disso, a colónia não perdeu a raiz extrovertida do seu aparelho produtivo e continuou a caracterizar-se por uma profunda dependência em relação ao exterior, evidenciada, em particular, na acumulação dos saldos negativos da sua balança de pagamentos. Em Novembro de 1971, com a publicação do Decreto-Lei n.° 478/71, assistiu- se a uma nova viragem da política portuguesa em Angola. Pretende-se «solver o Page 3 défice» da balança de pagamentos, «proteger» as indústrias transformadoras locais e impulsionar «um arranque económico equilibrado» no quadro da «interdependência» dos territórios no «espaço económico português». Na verdade, projectada a progressiva integração na Comunidade Económica Europeia, consagrada pelos acordos de Bruxelas de 1972, a classe dirigente metropolitana preparava uma profunda reestruturação da economia, através da descolonização de indústrias e capitais no interior do espaço metrópole/colónias, numa dinâmica que lhe permitisse conciliar as forças centrífugas expressas na aproximação à Europa e nas alterações inevitáveis do estatuto colonial. Essa dinâmica passava justamente pela industrialização (relativa) de Angola e pela deslocalização para aquela colónia das indústrias portuguesas «subalternas». O mercado único português não era mais do que uma nova redistribuição de funções nas esferas da circulação e da produção dentro de um bloco politicamente dominado.


INDUSTRIALIZAÇÃO E CONCENTRAÇÃO DO CAPITAL
Entre 1960 e 1972, a progressão da produção das indústrias extractivas foi particularmente sensível nos três principais ramos: diamante, ferro e petróleo, como se pode verificar no quadro n.° 1. Entre 1962 e 1968, a taxa de crescimento das indústrias extractivas foi de mais de 170% (cerca de 28% por ano)1, com preponderância para o ferro (702%) e  diamantes (153%). Entre 1968 e 1969, as vendas de ferro duplicaram e as vendas de petróleo quadruplicaram...

CONTINUA....

O SABER NÂO OCUPA LUGAR: A Ordem Criminosa do Mundo - Eduardo Galeano e Jean Ziegler na TVE



A Ordem Criminosa do Mundo - Eduardo Galeano e Jean Ziegler na TVE
Excelente!

Se ontem quem ditava as leis, para o bem e para o mal, eram os políticos que nos governavam, hoje as leis são-nos impostas a partir de fora pelos homens do dinheiro. Hoje como ontem o povo barafusta, não entende, guerreia-se, acusa-se. Eles, os que mandam (colonialistas, imperialistas, globalistas financeiros, etc.)saiam-se sempre bem! Eles vivem, o povo vai vivendo ou...vegetando, quando não guerreando-se, instigados de fora...

Documentário exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler.


Pode se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha.

A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo. O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses. Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo. (Docverdade)

Conselho: vejam até ao fim.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Angola minha terra (Albano Neves e Sousa)

Obito
O meu caso de amor por Angola é quase tão velho como eu, pois bem jovem me levaram para lá.
Quando me comecei a entender por gente foi Angola que vi à minha volta. Não aquela Angola de que falavam os livros,mas uma Angola fria e triste de árvores negras e manhãs de nevoeiro, a Angola dos planaltos. A minha vida tem sido sempre uma espécie de jardim de cactos, tão depressa está cheia de flores, como de repente, só de espinhos.
Esta alternância principiou quando comecei a encontrar-me. Brinquei com os meninos da terra, falei umbundo e cacei passarinhos. Nunca precisei roubar fruta no quintal dos vizinhos, pois ia ao mato apanhar os "Lohengos", os "Maboques" e as "Nochas", que comia com os meus amigos às escondidas da minha avó, que não considerava essas coisas como frutas…embondeiros
Entretanto, começou a doença da pintura, com tintas que a minha mãe tinha, e quando elas acabavam eu fabricava as minhas com terras e frutas bravas e os pincéis eram feitos com pêlo de bicho do mato, velhos cartuchos de metal que eu serrava e um caniço… O pêlo amarrado era seguro com pez e funcionava…
Aos 15 anos fiz no Andulo, terra que eu não sei se ainda existe, a minha primeira exposição, promovida por um amigo do meu pai e que constava de aguarelas, desenhos e caricaturas.
Até aqui tudo eram flores, porém, começaram a aparecer os espinhos quando me mandaram para Luanda, fazer, já tarde e a más horas, o Liceu. A viagem, na época, já era uma autêntica aventura. Quando cheguei ao Dondo, descobri a tal outra Angola, onde tudo era calor, desconforto, mosca do sono, mosquitos…
Em Luanda encontrei um ambiente de cidade a que eu, menino do mato, não estava habituado. O povo falava kimbundo, que eu não entendia. Mesmo o português que eu falava era diferente daquela fala coloquial que a gente usava em casa. A toda a hora ouvia palavras novas. Quando me sobreveio o Camões, no Liceu, eu excomunguei o vate bastantes vezes…
Comecei então a pintar com tintas boas e ao mesmo tempo a descobrir a praia, gente da minha idade, pessoas e coisas que não conhecia.
De tudo isto resultaram insucessos nos estudos e atritos com o meu pai, do que resultou a libertação da tutela familiar. Comecei a viver só, com 17 anos. Fiz a primeira exposição em Luanda. wel
Aí apareceram uma data de espinhos na minha vida, pois passei a estudar à minha custa.
Entrei para o quadro administrativo fazendo parte da Missão Etnográfica, que recolhia material para o Museu de Angola. A Missão era chefiada por Álvaro Canelas e composta por mim e por um colega que sabia música - António Campino. Naquele tempo ainda não havia gravadores de som.
Corremos meia Angola: Quissama, Moxico, Dembos e outros lugares, desenhando e pintando. Entretanto, eu fazia também desenhos para mim. Embebia-me de paisagem. A terra, tão diferente do planalto, me encantava. As noites eram pontuadas de gritos de hienas, que vinham ali à nossa porta na Quissama.
As paisagens com imbondeiros enormes marcaram essa época e, apesar do aparente desconforto, tudo eram flores. Era Angola a tomar a pouco e pouco conta de mim.
Quando comecei a readquirir equilíbrio e tinha já mostrado Angola em Portugal, Espanha e outros lugares, sobreveio repentinamente 1961.
Por ocasião dos primeiros acontecimentos eu estava expondo no Museu de Angola. A exposição fechou antes de tempo. Eu não compreendia a situação de ver os meus amigos se entrematando. Acho que entrei em depressão e aproveitando um convite do Comandante Sarmento Rodrigues fui para Moçambique, onde passei 11 meses, desenhando pelo interior.
De regresso a Luanda expus no ABC a minha pintura abstracta. Lancei o livro Batuque de poesia. Logo a seguir visitei São Tomé.
Fui fazer uma exposição em Lisboa e, a convite do Itamaraty, fui visitar o Brasil. Ia para ficar três meses e acabei ficando seis, a maior parte do tempo em Salvador.
Publiquei o livro de poesia Muênho . Depois de ver o Brasil fiquei com vontade de conhecer a Guiné e Cabo Verde, para onde parti.pl
Encantei-me com Cabo Verde. Conheci o Jorge Barbosa, trocámos poemas, conversámos noites a fio, aquelas noites "sabe e silenciosa" do Mindelo. Subi ao vulcão do Fogo. A paisagem árida e titânica das ilhas empolgou-me e apesar da aspereza da terra quando de lá saí o meu jardim de cactos estava completamente em flor.
Daí fui para a Guiné - em plena guerra. O general Spínola através do seu monóculo deve ter pensado que pintor é mesmo raça de maluco e que não era hora de pintar coisas na Guiné… Pintei e não me arrependi A paisagem da Babel Negra é deslumbrante, e não posso esquecer a maravilha dos céus da Guiné, antes dos tornados.
Desta expedição resultou a maior exposição que até hoje levei a cabo. Ocupei duas salas do SNI. Uma, só com coisas de Angola e a outra com os aspectos da então África Portuguesa, que consegui reunir através dos anos. Acabei fazendo dois livros de desenhos Angola a Branco e Preto e …Da Minha África e do Brasil que eu vi… , o primeiro com prefácio do meu amigo Jorge Amado e o segundo com prefácio do saudoso Professor Câmara Cascudo, ilustre folclorista do Rio Grande do Norte (Brasil).
Convidado por Jorge Galveias, fiz, também, na altura a exposição "Mulheres de Angola", a primeira que realizei no Casino Estoril e que resultou num livro com gravuras a cores dos quadros expostos.
O meu jardim continuava óptimo, florido e viçoso. Regressado a Angola descobri o deserto.O Namibe em flor é um espectáculo que jamais esquecerei. Um amigo nosso, que era guia no deserto enviou-me um telegrama que dizia só: Venham - Choveu no deserto!
daFomos eu e a minha mulher e ficamos loucos ao ver um mar de delicadas florinhas azuis, rosa e brancas, que se desfaziam ao menor toque. Gramíneas ondeavam ao vento como uma seara de prata, onde antílopes, esguios como estátuas, passeavam - quais figuras de um frizo egipcio… Tenho saudades do deserto. Fui expor à África do Sul e logo a seguir voltaria a Lourenço Marques.
Entretanto, aconteceu o 25 de Abril. Dizem que foi muita coragem o abrir a exposição em plena agitação social…
O meu jardim nessa altura mostrava os espinhos por todos os lados.
Regressei a Angola para preparar a exposição programada para o Rio de Janeiro e, embora com uma aparente calma, já havia agitação. O meu livro Macuta e Meia de Nada , impresso em Sá da Bandeira, vinha para Luanda num camião que foi incendiado. Guardo um único exemplar, onde estão os meus poemas de Cabo Verde.
Entretanto, segui para o Rio, onde expus conforme o programa e lá fui contactado pela TAAG para fazer a decoração dos Boeing de Angola. Segui para Seatle onde estive fazendo o trabalho e logo depois regressei ao Rio, e daqui a Lisboa.
O regresso a Angola ficou problemático e voltámos para o Brasil, onde fui recomeçar vida em Salvador aos cinquenta e muitos anos.
O meu jardim de cactos estava pior que nunca. Metade das raízes estavam arrancadas e tive muito trabalho para as aconchegar na minha nova terra.
Entretanto, o calor humano dos amigos nos ajudou a recomeçar. Durante os primeiros meses fiquei agarrado aos queixos olhando para o vazio, mas a pouco e pouco fui ganhando coragem e comecei a pintar outra vez. Para exorcizar os meus fantasmas fiz mais um livro, Olohuma , que saiu pela mão amiga do Rodrigo Leal Rodrigues, de São Paulo. A vida tornou a entrar no caminho direito. O meu jardim na nova terra ganhou forças e deu novas flores que esconderam os espinhos.
…como não consegui viver em Angola vivia ela em mim, como coisa íntima e secreta e eu a mostro com o carinho de sempre a quem quer ou pode apreciá-la… por isso lhe chamo "Angola Minha Terra".

Albano Neves e Sousa







 Extratos do Livro
 . Angola Minha Terra (Neves e Sousa)
 . Angolano (poema)
 . O pintor de Angola (Jorge Amado)
 . Para além dos quadros e quadras (Anacoreta Correia)
 VER AQUI

sábado, 12 de novembro de 2011

Genética: um senso comum científico e uma abordagem religiosos para Resolver a Origem Humana. Gary Fortson

 
Pode traduzir de inglês para português,  copiando partes do texto e colocando aqui Google Translater

 Trata-se de um síte concebido para lhe mostrar, passo a passo, como preto, brancos e asiáticos se ramificaram como seres humanos. Fala do conceitos de "Raça", da 
falsa teoria da Evolução de Genética,
desacredira  o cientista alemão Johann Friedrich Blumenbach, que em 1795 dividiu a espécie humana em em cinco grupos e chamadas raças, aborda o criacionismo, e teorias darwinianas de evolução das espécies, o problema do albinismo, etc.etc

 


 

  

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Poetas Angolanos: poema de Antero Abreu "A tua voz Angola"



                                                                A TUA VOZ ANGOLA

Nos tribos
E assobios
Dos pássaros bravios
Ouço a tua voz Angola.
Dos fios
Esguios
Em arrepios
De mulembas sólidas
Escorre a tua voz Angola.
Nas ondas calemas
Barcos e velas
Dongos traineiras
Âncoras e cordas
Freme a tua voz Angola.
Em rios torrentes
Regatos marulhentos
Lagoas dormentes
Onde morrem poentes
Brilha a tua voz Angola.
No andar da palanca
No chifre do olongo
No mosqueado da onça
No enrolar da serpente
Inscreve-se a tua voz Angola.
No acordar dos quimbos
Nos cúmulos e nimbos
Nos vapores tímidos
Em manhãs de cacimbo
Flutua a tua voz Angola.
Na pedra da encosta
No cristal de rocha
Na montanha inóspita
No miolo e na crosta
Talha-se a tua voz Angola.
Do chiar dos guindastes
Do estalar dos braços
Do esforço e do cansaço
Emerge a tua voz Angola.
No ronco da barragem
No camião da estrada
No comboio malandro
Nos gados transumantes
Ecoa a tua voz Angola.
Dos bongos e cuicas
Concertinas apitos
Que animam rebitas
Farras das antigas
Salta a tua voz Angola.
A flor da buganvilia
A rosa e o lírio
Cachos de gladíolos
O gengibre e a cola
Perfumam a tua voz Angola.
Ouve-se e sente-se e brilha
A tua voz Angola
Inscreve-se nos seres talha-se nas rochas
A tua voz Angola
Vai com o vento goteja com o suor
A tua voz Angola
Por toda a parte por toda a parte
A tua voz Angola
Que voz é essa tão forte e omnipresente
Angola?
Que voz é essa omnipresente e permanente
Angola?
É a voz dos vivos e dos mortos
De Angola
É a voz das esperanças e malogros
De Angola
é a voz das derrotas e vitórias
De Angola
É a voz do passado do presente e do porvir
De Angola
É a voz do resistir
De Angola
É a voz dum guerrilheiro
De Angola
É a voz dum pioneiro
De Angola.


Antero Abreu
in "A Tua Voz Angola"

terça-feira, 8 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

Beatrix Heintze: Angola nos séculos XVI e XVII. Estudos sobre Fontes, Métodos e História



Beatrix Heintze: o seu longo caminho para Angola

A etnóloga alemã Beatrix Heintze, que trabalha há 40 anos em assuntos ligados à Angola dos sec. XVI e XVII, é pouco conhecida em Portugal e relativamente pouco citada. No entanto, este ano foi escolhida para correspondente da classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa. A partir da independência de Angola e após o fim da guerra civil, tem-se relacionado com gente de Luanda, onde agora foi editado este livro, republicando com acrescentos uma série de artigos que tinha publicado ao longo dos últimos decénios.
Sendo embora poliglota, a autora só deveria estar à vontade a redigir em alemão, o que dificultava algo a difusão da sua obra. Por isso, foi conhecida em Portugal, sobretudo através  de traduções para português, inglês e francês, nem sempre completas e, por vezes, indevidamente truncadas. Daí a utilidade deste livro que inclusive traduz para português alguns textos que apenas existiam em alemão. Só é pena que um mínimo de cooperação cultural luso-angolana não tenha permitido uma co-edição que tornasse o livro mais barato e não obrigasse uma obra, impressa em Viseu, a ser levada para Angola. Aliás, o livro não aparece à venda em Lisboa.
Valerá a pena folhear uma pouco a vida da autora, de que ela não faz segredo, pois publicou em 2007, na revista de que foi editora, a Paideuma, um extenso artigo autobiográfico com o título sugestivo de “O meu longo caminho para “Angola”.
Nasceu ela no início da guerra em Korneuburg, na Áustria, em 13 de Janeiro de 1939, filha de pais alemães. O seu pai Hans-Georg Heintze foi mobilizado para a guerra; feito prisioneiro dos russos em Estalinegrado, esteve vários anos dado como desaparecido e foi depois libertado apenas em 1955. A mãe, com dois filhos para criar, foi evacuada em 1944 para Leipzig, para junto dos pais dela.  O seu avô materno, Walter Cramer, foi preso dois dias após o atentado contra Hitler de 20 de Julho de 1944, condenado à morte e executado em 14 de Novembro de 1944; todos os seus bens foram confiscados. É hoje considerado um herói da luta contra o nazismo. B. Heintze escreveu vários textos sobre ele, depois da reunificação (Wiedervereinigung) da Alemanha, quando teve acesso à documentação existente em Leipzig. A sua memória é lembrada num monumento no Johanna-Park, em Leipzig, inaugurado em 1996.
Passando por dificuldades económicas, sua mãe enviou-a para junto dos avós paternos, em Hannover, já que era na altura ainda permitido passar a fronteira de leste para oeste aos menores de 14 anos. Ali acabou o Liceu (Abitur) na Primavera de 1959. A sua mãe gostaria de a ver seguir Direito. Mas a leitura de “Winnetou” de Karl May (1842-1912), seguida de outros livros sobre os indianos da América, deixou-a apaixonada pela Etnologia. Conseguiu autorização dos pais para se dedicar a este ramo, desde que estudasse ao mesmo tempo Filologia Românica, História e Filosofia.
Iniciou em Munique os estudos universitários no ano lectivo 1959/1960. Em Etnologia, trabalhou com Hermann Baumann que desviou a sua atenção para África central. Foram também seus professores Johannes W. Raum e László Vajda. Note-se que H. Baumann tinha feito investigação em Angola em 1930 e 1954 e publicado um livro sobre a Lunda.
No semestre do Verão de 1968, terminou B. Heintze o seu doutoramento com a tese “Besessenheitsphänomene im Mittleren Bantu-Gebiet”.
Não sendo fácil arranjar emprego como etnóloga, conseguiu ela um lugar no célebre Frobenius-Institut da Johann Wolfgang Goethe-Universität, em Frankfurt, dirigido por Eike Haberland; diz ela que o obteve primeiro por recomendação de H. Baumann, mas também porque agradara a Haberland um artigo que publicara no ano anterior ao doutoramento na revista Antropos, “Der südrhodesische dziva-Komplex”.
Ainda em 1968/1969, veio a Lisboa com uma bolsa da Fundação C. Gulbenkian e uma ajuda material do DFG (Deutsche Forschungsgemeinschaft), com o tema “Realeza em Angola”, sugerido por Haberland. Na altura, a guerra de libertação impedia a investigação no terreno em Angola; e o mesmo aconteceu depois de 1974, com a guerra civil. B. Heintze descobriu então em Lisboa a enorme massa de documentos existentes em relação aos primeiros séculos da ocupação de Angola. Diz ela que na altura era ainda uma “página em branco” para os portugueses, o que lhe permitia consultar à vontade toda a documentação existente. Constatou que tudo o que aqui se publicava sobre Angola tinha implícita ou explicitamente na base o ponto de vista do poder colonial. O comércio de escravos era e permaneceu por muitos anos um completo tabu. O trabalho de etnóloga que até ali se propusera levar a cabo, seria impossível. Teria de estudar as fontes existentes para construir uma base histórica. Nisso teve o apoio de Haberland.
Em 1 de Maio de 1969, mudou-se para Frankfurt e começou o seu trabalho como investigadora no Frobenius-Institut, onde permaneceria até 2004. O seu principal trabalho era a supervisão das publicações do Instituto. Neste âmbito, foi redactora, depois editora (após a morte de Haberland, em 1992), a seguir co-editora (com o novo director do Instituto, Karl Heinz-Kohl) da revista do Instituto Paideuma, Mitteilungen zur Kulturkunde  (números de 1971 a 1997) bem como da série de monografias Studien zur Kulturkunde (volumes 28 a 120 e 122). Em 1995, iniciou no Instituto uma nova série denominada “Afrika-Archiv”, dedicada à edição de fontes, difíceis de consultar ou na posse de privados.
De passagem, B. Heintze refere a maravilha que foi, no início dos anos 90, a chegada ao trabalho do PC, da Internet e do e-mail.
Como é evidente, B. Heintze vinha regularmente a Portugal recolher documentos e informação. Na Biblioteca da Ajuda, descobriu a volumosa colecção de manuscritos de Fernão de Sousa, inédita na sua quase totalidade, ainda que o P.e António Brásio tivesse transcrito um ou outro documento. Embora se refiram a um curto período da história de Angola, em que Fernão de Sousa foi Governador (1624 – 1630), contêm dados muito importantes para a história da colonização portuguesa do território, pois os dados da ocupação e da actividade económica (essencialmente, exportação de escravos) mantêm-se uniformes até ao início do sec. XIX. B. Heintze tomou a iniciativa de os transcrever para dois grossos volumes publicados na Alemanha em 1985 e 1988. Para isso, teve a colaboração da Dr.ª Maria Adélia Soares de Carvalho Mendes, anteriormente Leitora de Português na Universidade de Frankfurt. Encontrando-se já esgotados, os livros estão muito longe de ter esgotado a sua utilidade, até porque são muito pouco citados em Portugal. Aliás, a Biblioteca Nacional apenas tem o 1.º volume.
Finda a guerra civil em Angola, a autora tem desenvolvido os contactos com Luanda, e realça no seu artigo a amizade estabelecida, por exemplo, com Maria da Conceição Neto e com Rosa da Cruz e Silva, esta agora ministra da Cultura de Angola.
Em 2004, foi convidada a proferir palestras na Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Ofereceram-lhe então um lugar de Professora Convidada, que ela declinou por “motivos pessoais”.
Sobre o livro agora publicado
O livro é muito útil porque põe à disposição do público que fala português a tradução de vários artigos publicados noutras línguas, incluindo alguns que apenas foram publicados em alemão. Um dos mais importantes é o do Capítulo 8.º, que trata das guerras do reino do Andongo (como o chamavam os portugueses) e da sua decadência. O original de 76 páginas, publicado na Paideuma n.º 27, de 1981, foi parcialmente traduzido para português num artigo de 50 páginas, da Revista internacional de estudos africanos, no 1.º semestre de 1984, que não satisfaz de modo nenhum.  Infelizmente na tradução agora apresentada do mesmo artigo, também não foram adicionadas nas notas de roda-pé as referências, nos volumes das Fontes publicados em 1985 e 1988, das citações dos manuscritos de Fernão de Sousa na Biblioteca da Ajuda. Apenas foi adicionada tal referência nalgumas notas (por ex. as n.ºs 176, 177, 178, 216, 217, 219, 309, 353, etc.). Eu esperaria que essas referências fossem adicionadas em todas…
Também se sente a falta de índices onomásticos e de locais, a final, que seriam muitos úteis.
A tradução de Marina Santos é razoável, embora nem sempre facilite a vida ao leitor. Assim, como meros exemplos:
übersee = ultramar não diz de que se trata. Refere-se à América portuguesa (em especial, ao Brasil), do outro lado do Atlântico. Seria preferível dizer além-mar.
- Uma deslocação da questão do "se" para a questão do "quem": Não se percebe de que se trata: "a deslocação da questão "se" para a questão "quem", (tal como na tradução francesa) é mais correcto.
Conteúdo do livro
Os títulos indicados em maiúsculas são repetidos na lista de publicações de Beatrix Heintze que possuo, indicadas a seguir, onde a referência está completa.
Angola nos séculos XVI e XVII. Estudos sobre Fontes, Métodos e História, de Beatrix Heintze. Luanda: Kilombelombe 2007, 633 pp., 12 mapas, 39 figuras, 5 fotografias a preto e branco e 14 estampa a cores.

          Prefácio.

O livro é basicamente a tradução dos STUDIEN ZUR GESCHICHTE ANGOLAS IM 16. UND 17. JAHRHUNDERT -  EIN LESEBUCH, mas reproduzindo os estudos originais no livro contidos, bem como as notas de referência.   Foi excluído o texto do último capítulo, L'ARRIVÉE DES PORTUGUAIS A-T-ELLE SONNÉ LE GLAS DU ROYAUME DE NDONGO? LA MARGE DE MANOEUVRE DU NGOLA 1575 – 1671 e acrescentada a tradução dos textos do Cap. 13 - NGONGA A MWIZA: UM SOBADO ANGOLANO SOB DOMÍNIO PORTUGUÊS NO SÉCULO XVII e no Cap. 2, WRITTEN SOURCES AND AFRICAN HISTORY: A PLEA FOR THE PRIMARY SOURCE. THE ANGOLAN MANUSCRIPT COLLECTION OF FERNÃO DE SOUSA. Os textos foram revistos para esta edição portuguesa.
          Parte I: Fontes e crítica de fontes.
              1.    As fontes da História pré-colonial de Angola ou A maravilhosa viagem dos Jaga através dos séculos;

“As fontes da história” provêm da primeira parte de WRITTEN SOURCES AND AFRICAN HISTORY: A PLEA FOR THE PRIMARY SOURCE. THE ANGOLAN MANUSCRIPT COLLECTION OF FERNÃO DE SOUSA; “A maravilhosa viagem dos Jaga” de um manuscrito publicado com o título THE EXTRAORDINARY JOURNEY OF THE JAGA THROUGH THE CENTURIES: CRITICAL APPROACHES TO PRECOLONIAL ANGOLAN HISTORICAL SOURCES.

              2.    As fontes escritas e a História de África: uma defesa das fontes primárias. A Colectânea Documental de Fernão de Sousa sobre Angola;

Este capítulo provém também de WRITTEN SOURCES AND AFRICAN HISTORY: A PLEA FOR THE PRIMARY SOURCE. THE ANGOLAN MANUSCRIPT COLLECTION OF FERNÃO DE SOUSA.

              3.    Problemas de interpretação de fontes escritas. Os regimentos portugueses para a política de Angola no século XVII;

O texto provém de „Probleme bei der Interpretation von Schriftquellen. Die portugiesischen Richtlinien zur Angola-Politik im 17. Jahrhundert als Beispiel”, in Rainer Voßen e Ulrike Claudi (eds.), Sprache, Geschichte und Kultur in Afrika, Hamburg. Buske, 1983, pags. 131.161.
              4.    As traduções como fontes históricas;

Texto algo redigido a partir de TRANSLATIONS AS SOURCES FOR AFRICAN HISTORY.

              5.    A obra de António de Oliveira de Cadornega: uma fonte extraordinária para a História e Etnografia de Angola no século XVII.

Versão revista do artigo “António de Oliveira de Cadornegas Geschichtswerk über Angola : Eine aussergewöhnliche Quelle des 17. Jahrhunders”, Paideuma, No. 42, 1996, pages 85-104. Stuttgart e baseada parcialmente também em ANTÓNIO DE OLIVEIRA DE CADORNEGA E A SUA “HISTÓRIA GERAL DAS GUERRAS ANGOLANAS”, UM HISTORIADOR E ÉTNOGRAFO DO SEC. XVII, NATURAL DE VILA VIÇOSA.

         Parte II: Para a História do Século XVI;
              6.    O Estado do Ndongo no século XVII;

É uma versão reduzida e revista do artigo "Unbekanntes Angola: Der Staat Ndongo im 16. Jahrhundert", in: Anthropos 72, 1977, Pags. 749-805.

              7.    A política económica e de colonização portuguesa em Angola de 1570 a 1607;

Versão redigida do artigo DIE PORTUGIESISCHE BESIEDLUNGS- UND WIRTSCHAFTSPOLITIK IN ANGOLA 1570-1607, publicado em edição inglesa com o titulo ANGOLA UNDER PORTUGUESE RULE : HOW IT ALL BEGAN. SETTLEMENT AND ECONOMIC POLICY 1570 – 1607

         Parte III: Aspectos da História do século XVII;
              8.    O fim do Ndongo como Estado independente (1617-1630);

Texto publicado na origem com o título DAS ENDE DES UNABHÄNGIGEN STAATES NDONGO (ANGOLA). NEUE CHRONOLOGIE UND REINTERPRETATION (1616 - 1630). Foi publicada uma infeliz versão truncada em português com o título ANGOLA NAS GARRAS DO TRÁFEGO DE ESCRAVOS: AS GUERRAS DO NDONGO.

              9.    O contrato de vassalagem afro-português em Angola no século XVII;

O original foi "Der portugiesische-afrikanische Vasallenvertrag in Angola im 17. Jahrhundert", in: Paideuma 25, 1979, S. 195-223. Há uma tradução inglesa com o título THE ANGOLAN VASSAL TRIBUTES OF THE 17 TH CENTURY.

           10. Os tributos angolanos no século XVII;

O original intitula-se THE ANGOLAN VASSAL TRIBUTES OF THE 17 TH CENTURY.

              11. O comércio de “peças” em Angola. Sobre a escravatura nos primeiros cem anos da ocupação portuguesa;

Versão trabalhada de TRAITE DE 'PIECES' EN ANGOLA: CE QUI N'EST PAS DIT DANS NOS SOURCES. DE L'ESCLAVAGE DURANT LE PREMIER SIECLE DE L'OCCUPATION PORTUGAISE

              12. Asilo ameaçado: Oportunidades e consequências da fuga de escravos em Angola no século XVII;

O texto original foi “Gefährdetes Asyl: Chancen und Konsequenzen der Flucht angolanischer Sklaven im 17. Jahrhundert", in: Paideuma 39, 1993, S. 321-341.  Publicado em tradução portuguesa em Luanda com o título ASILO AMEAÇADO: OPORTUNIDADES E CONSEQUÊNCIAS DA FUGA DE ESCRAVOS EM ANGOLA NO SÉCULO XVII. A redacção final publicada no livro é de Marina Santos. Foi publicada uma versão francesa: "Asiles toujours menacés: fuites d'esclaves en Angola au XVIIe siècle", in: Katia de Queirós Mattoso (Hrsg.): Esclavages. Histoire d'une diversité de l'océan Indien à l'Atlantique sud. Paris und Montreal: L'Harmattan, 1997, S. 101-122. 
              13. Ngonga a Mwiza: Um sobado angolano sob domínio português no século XVII;

Originalmente publicado como NGONGA A MWIZA: UM SOBADO ANGOLANO SOB DOMÍNIO PORTUGUÊS NO SÉCULO XVII . No livro com pequenas alterações.
          Parte IV: Um pouco de História da Cultura
          14.A cultura material dos Mbundu segundo as fontes dos séculos XVI e XVI.

Versão revista do artigo A CULTURA  DOS AMBUNDOS DE ANGOLA SEGUNDO AS FONTES DOS SÉCULOS XVI E XVII

Textos que possuo de Beatrix Heintze
ARTIGOS

1 - Beatrix Heintze
The Angolan vassal tributes of the 17 th century   In: Revista de História Económica e Social. - nº 6 (1980), p. 57-78
 
2 - Beatrix Heintze
Angola nas garras do tráfego de escravos : as guerras do Ndongo In: Revista internacional de estudos africanos. - N.º 1 (Janeiro-Junho 1984), pp. 11 – 61
 
3 - Beatrix Heintze
Asilo ameaçado: oportunidades e consequências da fuga de escravos em Angola no século XVII  tradução e redacção de Maria da Conceição Neto. - Luanda : Ministério da Cultura, Museu Nacional da Escravatura, 1995. - p. 21
 
4 - Beatrix Heintze
Ethnographic appropriations : German exploration and fieldwork in West-Central África. - Contém bibliografia.
In: History in África : a Journal of Method. - Vol. 26 (1999), p. 69-128 – Separata n.º 247 do IICT, LIsboa, 2002 972-672-899-1
 
5 - Beatrix Heintze
Historical notes on the Kisama of Angola In: The Journal of Áfrican History / Cambridge University Press. - T. 13, fasc. nº 3 (1972), p. 407-418
 
6 - Beatrix Heintze
Luso-african feudalism in Angola ? - Coimbra : S.N., 1980. - 20p. . - Revista portuguesa de História, tomo 18 , 1980,- p. 111-131
 
7 - Beatrix Heintze
Ngonga a Mwiza : um sobado angolano sob domínio português no século XVII  Tradução da introdução por Maria da Conceição Pires, controlo da transcrição do texto por Maria Adélia de Carvalho Mendes. In: Revista Internacional de Estudos Áfricanos / dir. Jill R. Dias. - Lisboa : Instituto de Investigação Científica Tropical. - Nº 8-9 (1988), p. 221-233
 
8 - Beatrix Heintze
Traite de "Pieces" em Angola : Ce qui n'est pas dit dans nos Sources / Beatrix Heintze. - Nantes : S.N., 1985. - p. 147-172. - Actas du Colloque International su la Traite des Noires, tome I
 
9 - Beatrix Heintze
Translations as sources for african history, in History in Africa, 11 (1984), 131-161
 
10 - Beatrix Heintze
“L’arrivée des Portugais a-t-elle sonné le glas du Royaume de Ndongo ? La marge de manœuvre du Ngola 1575 – 1671 », in Studia, 67/57, 2000 117-146
 
11 - Beatrix Heintze
« Angola under portuguese rule : How it all began. Settlement and economic policy 1570 – 1607”, in Ana Paula Tavares und Catarina Madeira Santos (Org.): Africae Monumenta – A apropriação da escrita pelos africanos, Lisboa , IICT 2002, pags. 535-561
 
12 - Beatrix Heintze
Written Sources and African History: A Plea for the Primary Source. The Angola Manuscript Collection of Fernao de Sousa, in History in Africa, Vol. 9, 1982 (1982), pp. 77-103
 
13 - Beatrix Heintze, 1939 –
Contra as teorias simplificadoras: o canibalismo na antropologia e história de Angola,  in
Portugal não é um País pequeno: contar o império na pós-colonialidade, organização de Manuela Ribeiro Sanches, Lisboa, 2006, pags. 215-228.
 
14 - Beatrix Heintze, 1939 –
Vestígios de um passado remoto: Fernão de Sousa em Vila Viçosa, in CALLIPOLE, n.º 1, 1993, pags. 35-47
 
15 - Beatrix Heintze, 1939 –
Wer war der “König von Banguela“? In memoriam António Jorge Dias, Lisboa, Instituto de Alta Cultura, 1974, 3 vols. - No 1.º vol., pags. 185-202
 
16 - Beatrix Heintze, 1939 –
Oral Tradition: Primary Source Only for The Collector? in History in Africa, Vol. 3, 1976, pp. 47-56
 
17 - Beatrix Heintze, 1939 –
References in the Humanities: Strategies of Being Open. Being Obscure and Being Misleading
in History in Africa, Vol. 27, 2000, pp. 437-442
 
18 - Beatrix Heintze, 1939 –
Mein langer Weg nach “Angola” in Paideuma, vol. 53 (2007) pp. 7-26
 
19 - Beatrix Heintze, 1939 –
The extraordinary journey of the Jaga through the centuries: critical approaches to precolonial Angolan historical sources*
in History in Africa, Vol. 34, 2007, pp. 67-101
  
20 - Beatrix Heintze, 1939 –
A lusofonia no Interior da África Central na Era pré-colonial. Um contributo para a sua História e Compreensão na Actualidade,
in Cadernos de Estudos Africanos, 7/8 Julho de 2004/Julho de 2005: 179-207
 
21 - Beatrix Heintze, 1939 –
Die portugiesische Besiedlungs- und Wirtschaftspolitik in Angola  1570-1607. In Aufsätze zur portugiesischen Kulturgeschichte 17 (1981-1982): 200-219
 
22 - Beatrix Heintze, 1939 –
"Das Ende des unabhängigen Staates Ndongo (Angola): Neue Chronologie und Interpretation (1617-1630)“, jn Paideuma. 27, 1981, pages 197-273. Stuttgart
 
23 - Beatrix Heintze, 1939 –
António de Oliveira de Cadornega e a sua “História Geral das Guerras Angolanas”, Um Historiador e Étnografo do Sec. XVII, natural de Vila Viçosa, in Callipole, n.º 3/4, 1995/1996, pags. 75-86, tradução e adaptação do Prof. Doutor Olívio Caeiro.
 
24 - Beatrix Heintze, 1939 –
Colonial ambitions as blind passengers : the case of german explorers in West-Central África : 1873-1886
In: A África e a instalação do sistema colonial - c.1885- c.1930 : III reunião international de história de África : actas. - dir. Maria Emilia Madeira Santos. - Lisboa : Centro de estudos de História e cartografia antiga, 2001. - p. 19- 30
 
25 - Beatrix Heintze, 1939 –
Representações visuais como fontes historicas e etnograficas sobre Angola
in: Construindo o passado angolano : as fontes e a sua interpretação - actas do II seminário internacional sobre a história de Angola / pref. Jill R. Dias, Rosa Cruz e Silva. - [S.l.] : Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2000. - p. 187-236
 
26 - Beatrix Heintze, 1939 –
In pursuit of a chameleon : early ethnographic photography from Angola in context in: History in Africa 17 (1990), pags. 131-156
 
27 - Beatrix Heintze, 1939 –
A cultura  dos Ambundos de Angola segundo as fontes dos séculos XVI e XVII
in:  Revista internacional de estudos africanos. - ISSN 0871-2344, nº 10/11 (1989), p. 15-63, il.
 
28 - Beatrix Heintze, 1939 –
Written Sources, Oral Traditions and Oral Traditions as written Sources - The Steep and Thorny Way to Early Angolan History in Paideuma, vol. 33 (1987) pp. 263 - 287
  
29 - Beatrix Heintze
Deutsche Forschungsreisende im westlichen Zentralafrika des 19. Jahrhunderts
  
LIVROS
 
Beatrix Heintze, Studien zur Geschichte Angolas im 16. Und 17. Jahrhundert, Ein Lesebuch, Köln, Rüdiger Köppe, 1996.
 
Beatrix Heintze, Pioneiros Africanos. Caravanas de carregadores na África Centro-Ocidental (1850-1890), Editorial Caminho, Lisboa, 1.ª edição, 2005, Colecção Estudos Africanos, Tradução de Marina Santos, ISBN 972-21-1670-3
 
Fontes para a história de Angola do século XVII, I / Beatrix Heintze (Ed.), colab. Maria Adélia de Carvalho Mendes. –
Stuttgart : Franz Steiner Verlag Wiesbaden, 1985. - 419 p. : mapas, quadros. - Studien zur Kulturkunde. 75). - Memórias, relações e outros manuscritos da colectânea documental de Fernão de Sousa
 
Fontes para a história de Angola do século XVII, II / Beatrix Heintze (Ed.), colab. Maria Adélia de Carvalho Mendes. –
Stuttgart : Franz Steiner Verlag Wiesbaden, 1988. - 430 p. : fotos, quadros. - Studien zur Kulturkunde. 88). - Cartas e documentos oficiais da colectânea documental de Fernão de Sousa
 
Beatrix Heintze, Angola nos séculos XVI e XVII. Estudos sobre Fontes, Métodos e História, Luanda: Kilombelombe 2007, 633 pp.
Beatrix Heintze, EXPLORADORES  ALEMÃES  EM  ANGOLA (1611-1954),  Apropriações etnográficas entre comércio de escravos, colonialismo e ciência, Tradução de Rita Coelho-Brandes e Marina Santos, 479 p., 14 fotografias, 2 mapas; publicação provisória online 2010 esperando a publicação do livro em Angola
Lista completa das publicações de Beatrix Heintze, aqui                                      
obras online:  clicar aqui


.