domingo, 17 de outubro de 2010

Livro: A Raça Negra: Sob o Ponto De Vista Da Civilização Da Africa Por Antonio Francisco Nogueira

 
António Francisco Nogueira

António Francisco Nogueira, o autor  deste livro, foi componente da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Mossãmedes em 1850, no início da colonização daquele distrito, autor do livro «A raça negra».

 

Naqueles tempos em que se exaltavam os povos europeus e rebaixavam os povos de raça negra, estes civilizados, diligentes e progressivos, aqueles em estado primitivo, bárbaro, sem motivação que os fizesse  sair do seu atraso ancestral  por falta de contacto com gente civilizada, ou até mesmo  considerados menos inteligentes, preguiçosos,  e incapazes e progressão,  Antonio Francisco Nogueira, um dos componentes da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Mossãmedes (Angola) em 1850, no início da colonização daquele distrito, indivíduo negro,  culto e civilizado, escreveu e publicou este livro na defesa da sua «raça». 

No século XIX as diferenças entre os grupos humanos tendiam a ser explicadas pelas teorias raciais que se apresentavam com um discurso científico (positivista), ainda que por muito tempo ligado a dogmas religiosos. Serviam para legitimar o Imperialismo europeu, a possibilidade de hierarquização do homem de forma a que os europeus ocupassem o topo da evolução da espécie, símbolo maior do progresso e da civilização. Estas doutrinas raciais que ganharam força no século XIX e que já no século XX levaram a Alemanha de Hitler ao holocausto dos judeus, tiveram por detrás autores como Darwin (1809/1882), Spencer (1820/1903), Gabineau (1818-1822) e tantos outros que buscavam explicações para os problemas nacionais e suas soluções através do factor raça. O racismo científico introduzido através dos discursos de uma elite intelectual, ajudou a forjar representações sociais diante dos negros, mestiços, índios, imigrantes, etc., e influenciou fortemente os debates a respeito da mão de obra, sobretudo a partir do último quartel do século XIX, visando a resolução da carência dessa mesma mão de obra, através do trabalho escravo.  A partir da Conferência de Berlim (1884/1885) passaram a justificar tal posição através da noção da excelência dos imigrantes europeus sobre os demais tipos de trabalhadores à disposição. Os emigrantes europeus, seriam, portanto os portadores do progresso e da civilização, incutindo no negro o gosto pelo trabalho e a motivação de que a África e  ele próprio  beneficiariam.

Antonio Francisco Nogueira defende brilhantemente a sua tese, procurando explicar o atraso sem que fosse necessário considerar o assunto do ponto de vista radical como estava acontecendo por influência de tais teorias: 

«O negro passa presentemente por um estado pelo qual também passou o branco. Como este pode progredir, aperfeiçoar-se. Esta é a opinião que seguimos , esta a verdade que aqui procuramos demonstrar, baseando-nos tanto nas indicações da ciência, como na atenta observação dos factos. A objecção mais séria que se apresenta contra o possível aperfeiçoamento do negro, consiste no seu pretendido estacionamento de que se julga provar pelo seu estado de atraso, afirmando-se ao mesmo tempo que é o representante de uma raça anterior à do branco. São estes, pois os pontos de que principalmente nos ocuparemos na discussão que vamos encetar.»

 

 Para ler/consultar este livro, clicar AQUI

 MariaNJardim


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