quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poesia angolana : Cantiga da Mulata


Cantiga da Mulata

Lencinho à cabeça
Lá vai a mulata
Luxenta e com pressa
Ao negro maltrata

Faceira e amorosa
Ao branco se abraça
E sempre vaidosa
Ao negro escorraça


Esperando o casório
Ao negro escarnece
E com riso ilusório

A mãe ela esquece

Mas ...

O branco enriquece
E deixa a mulata
Que sofre e padece
Perdida e sem prata


Depois d' enganada
Procura a mãe que padece
Com olhar resignada

O neto que cresce

A mulata chorosa
Lamenta a desgraça
Mas sempre vaidosa
Sorri a quem passa

Lá vai a mulata ...
Agora,

Modesta e sem pressa

Subindo o musseque
Ao negro se abraça
Olhando em desdém
O branco que passa
 
 BETO VAN-DÚNEM

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