sábado, 28 de outubro de 2017

Angola e integração dos africanos nos ultimos tempos do tempo colonial: fotos dizem mais que palavras





Primeira comunhão na Lunda
Primeira comunhão na Lunda


Primeira comunhão na Lunda
 iva de África

Departamento de análise e certificação de diamantes, inteiramente composta por técnicos africanos.
Diamang.
Coro de um dos bairros do Dundo
Diamang
Hospital pediátrico da Lunda. Enfermeiros e socorristas.
Escola primária do Dundo, sem barreiras de sexo, raça e etnia.
 Maternidade do Dundo.
 Equipa de basquetebol do liceu do Dundo.
 Dundo. Coro de um dos bairros
Dundo Africano vencedor a intensamente aplaudido
Dundo Escola Preparatória

Diamang
Sessão de cinema infantil.


Lunda, década de 1960. Posto móvel para o rastreio da tuberculose. Um dos mais avançados sistemas de saúde preventiva de África




Festa de Carnaval na piscina do Dundo



O problema em Angola era o sistema, não as pessoas brancas de côr, na maioria simples imigrantes, ou já filhos da terra, que vivendo dedicados inteiramente ao trabalho, no mais completo afastamento com relação à politica e aos politicos, no quadro de um sistema ditatorial não só tinham voz na matéria como eram perseguidos aqueles que tomavam posição oposta.  O sistema começou a abrandar e a situação foi-se modificando , com  a cidadania  abrangendo maior número de africanos, os ditos assimilados com iguais direitos que os brancos. Apesar de todos os erros cometidos na matéria pelo salarazismo , acabou por ser com Salazar que Angola conheceu uma explosão de desenvolvimento, foi pena o tempo que se perdeu para trás e não apenas nada se fez como aquilo que se fez foi muito mau. 
 
Refiro-me ao facto de terem transformado Angola  durante séculos num entreposto para trafico de escravos para o Brasil e Américas, situação que só acabou oficialmente com a independência daquela colónia americana, em 1822, e  com a publicação em 1836 do Decreto da abolição, continuando por muitas décadas ainda a fazer-se na clandestinidade, e seguindo o trabalho negro compelido, o indiginato e o  contrato, etc etc. Esse o grande erro que não deixaria prever nada de bom para o futuro.
 
Mas seria necessário também avaliar a situação do povo português metropolitano na mesma época que representava 90% da população, constituído especialmente por camponeses, que produziam alimentos, roupas, etc, com alguns burgueses, artesãos e operários. A maioria trabalhava muitas horas, de sol a sol, e de forma muito dura. Do que produzia, uma grande parte era entregue ao senhor, como renda e devia ainda prestar outros serviços, como a reparação das muralhas do castelo, e outros impostos, como os que devia pela utilização do moinho, do forno ou do lagar. Vivia em aldeias próximo do castelo do senhor. Morava em casas pequenas, de madeira ou pedra, com chão de terra batida e telhados de colmo, e com apenas uma divisão. A base da alimentação do povo era o pão e o vinho, legumes, ovos, toucinho, queijo, peixe e carne muito raramente, geralmente em dias de festa. O seu vestuário era simples. E andavam descalços. A verdade é que no início do século XIX, o regime vigente em Portugal era o Absolutismo, a sociedade das 3 ordens fundada nas ideias do Antigo Regime. Portugal apesar de Império (1) era no início do século XIX um pais pobre, rural e analfabeto (95% de analfabetismo). A  Revolução Francesa de 1789, a qual tinha sido antecedida pela Revolução Americana de 1776, veiculava ideias que preocuparam o governo português e a Corte de então. Também uma outra revolução , a Revolução Industrial avançava na Europa tendo a comandá-la a Inglaterra e que em breve iria ter as suas implicações. Inda assim  Portugal mantinha presença em cinco continentes, onde não deveria ultrapassar os cinco milhões de habitantes. Toda esta conjuntura foi fortemente abalada pelas invasões francesas que foram de extrema gravidade para Portugal estimando-se que no fim das mesmas , em 1810, cerca de 200.000 pessoas tenha perecido; a pequena  indústria, as vias de comunicação e infra-estruturas diversas, destruídas; a agricultura e o comércio, destruído ou desarticulado. Em 1820 com o rei e a corte no Brasil (1908-11), fugidos das invasões francesas, e após alguns anos de governação inglesa, com a  propagação das ideias liberais pelas lojas maçónicas precipitou-se a Revolução Liberal, que obrigou a corte a regressar à Metrópole, precipitou a independência brasileira (1822) e esteve na origem da guerra civil entre liberais e Miguelistas que durou entre 1828 e 1834. E toda a 1ª metade do século XIX foi perpassada por lutas primeiro entre liberais e absolutistas, depois no seio do próprio liberalismo. A debilidade política, as divisões existentes, o modo atrabiliário em que tudo se foi processando e a contínua debilidade económico-financeira, fez Portugal mergulhar em crises político-sociais sucessivas que vieram a desembocar em nova guerra civil, em 1847, a Patuleia, que só viria a findar com uma intervenção militar estrangeira, anglo-espanhola, em 1851, com o pais completamente arrasado.
 
 Mas falta ainda lembrar que as populações ao longo de quase 300 anos carregou com uma das instituições mais temidas em Portugal. Para garantir uma fé católica com elevado grau de pureza, milhares de pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas na fogueira. Nenhuma heresia escapava ao Santo Ofício. Todas as denúncias eram aceites, uma carta anónima ou um boato constituíam   factos suficientes para iniciar um processo inquisitorial que permanecia secreto para a maioria. Os inquisidores tinham centenas de pessoas ao seu serviço e dispunham de uma rede de informadores a quem atribuíam recompensas e privilégios, como a isenção de pagar impostos, por exemplo. Trabalhar para a Inquisição, como ficou conhecido o tribunal do Santo Ofício, era também uma promoção social. 

Os poderes conferidos aos inquisidores eram quase ilimitados. Podiam prender, julgar, castigar e torturar sem que os acusados pudessem escolher a sua defesa. O crime tinha de ser confessado e, não menos importante, tinha de haver lugar para o arrependimento, as almas que a Igreja conseguia salvar do inferno. Para isso, os inquisidores dispunham de métodos de interrogatório tão eficazes que o suspeito ou sucumbia nos instrumentos de suplício ou, como acontecia quase sempre, dizia-se culpado. As sentenças eram proclamadas e executadas em sessões públicas, mais tarde chamadas autos-de-fé. As cerimónias mais famosas eram publicitadas e encenadas como se se tratassem de espetáculos de entretenimento, para atrair, excitar e comover a população; muitos contavam com a presença do rei e da família real. As penitências aplicadas incluíam açoites, prisão temporária ou perpétua, condenação às galés, desterro, confisco de bens e execução pelo fogo. Porém, o direito canónico não permitia que os juízes do Santo Ofício condenassem ninguém à morte, essa parte cabia às autoridades civis, o que é mais uma prova da ligação entre a Igreja e Estado . A Inquisição entrou em Portugal em 1536, quando as viagens dos Descobrimentos afirmavam a nação lusa no mundo. Os reis queriam sobretudo “uma nova arma de centralização régia”, sem protestantes, e as  perseguições aos hereges duraram 285 anos. O golpe final chega em 1861, um ano depois da revolução liberal. Entre 1543 e 1684, a Inquisição condenou em Portugal 19 247 pessoas, das quais 1 379 foram queimadas, e centenas morreram na prisão enquanto esperavam julgamento.
 
 A revolução liberal foi pois libertadora, mas o Portugal necessitaria ainda de meio século para se reabilitar e partir para um novo paradigma colonial, passando a olhar com outros olhos para as colonias portuguesas de Africa, sobretudo para Angola a nova joia da corôa, plena de riquezas para explorar, que deveria substituir o Brasil independente em 1822.
 
 
(1)Na Europa, com o Continente e os Arquipélagos dos Açores e Madeira; Na América com o Estado do Brasil, que ocupava só por si, metade da América do Sul; em África, Cabo Verde; a costa da Guiné que incluía Casamança; a Fortaleza de S. João Baptista de Ajudá; Cabinda, o Ambriz e os reinos de Luanda e Benguela, além de S. Tomé e Príncipe; na África Oriental toda a costa que ia de Lourenço Marques até à ilha de Moçambique; na Ásia, Goa, Damão e Diu e Macau; e na Oceânia as ilhas de Timor, Solôr e Flores. Mas a maioria da população portuguesa era pobre e analfabeta.
 

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