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domingo, 13 de fevereiro de 2011

AGOSTINHO NETO FOI ASSASSINADO PELOS RUSSOS

Luanda - Uma declaração pública sobrelevou-se a todas as outras durante as celebrações deste ano do Dia do Herói Nacional, instituído com a data do nascimento de Agostinho Neto:

a filha do velho presidente, a médica Irene Neto (que ocupa um dos vice-ministérios das Relações Exteriores), admitiu, ao falar a uma estação de rádio de Luanda, a possibilidade do líder angolano ter falecido em resultado de envenenamento.

Irene Neto falou em «abundantes indícios» sugerindo que o pai, Agostinho Neto, não morreu de causas naturais. Estratagemas artificiais teriam encurtado o seu ciclo de vida. Pela primeira vez, desde o desaparecimento de Agostinho Neto, há 28 anos, uma declaração pública evoca a possibilidade do líder revolucionário angolano ter sucumbido a uma conspiração destinada a eliminá-lo da cena política angolana, numa afirmação, além do mais, valorizada por ter partido de uma fonte simultaneamente ligada ao círculo familiar do velho presidente e aos meios institucionais angolanos.

A admissão dessa funesta possibilidade no Café da Manhã da Luanda Antena Comercial (Lac) de terça-feira não teve, entretanto, o cunho de uma declaração oficial, embora seja isso o que hoje se afigura mais necessário para a compreensão da política angolana dos últimos 30 anos: declarações oficiais do actual Governo e do partido que naquele Setembro fatídico de 1979 personificava o Estado, o Mpla, que façam luz sobre o que se passou, como uma vez perguntou Severino Carlos neste jornal, «naquela mesa de operações em Moscovo».

Agostinho Neto morreu ao submeter-se a um operação exigida por alegadas complicações no fígado detectadas em Moscovo por médicos inscritos da Academia de Ciências da antiga Urss. Efectivamente, as autoridades instituídas com o apoio do partido de que Neto era o presidente não só evitaram o rigor nas suas «démarches» para esclarecer a morte do seu «líder incontestável», como não foram a reboque das suspeitas públicas que se levantaram e, também, não aproveitaram o alento dado ao assunto pelos escritos publicados por um velho general da espionagem soviética, Kgb. Com o seu incompreensível silêncio e sua inaceitável apatia, as autoridades angolanas transformaram a questão em mais um dos muitos tabus do Governo e das instituições estatais angolanas. Estamos, então, num processo, porque contínuo, de escamoteamento da verdade. E não de uma verdade qualquer, mas da verdade histórica, porque é ela que nos haverá de permitir ligar os pontos históricos que possibilitarão aos angolanos a obtenção das explicações para a sua existência.

Há indicações de que Agostinho Neto tentou, dez anos antes de José Eduardo dos Santos, uma aproximação com a Unita. São Vicente, prestigiado economista e escritor de temas económicos e sociais angolanos, di-lo num dos seus vários livros, dando, ainda, o subsídio necessário de que para essa negociação haver sido indigitado um dos mais carismáticos dirigentes do Mpla da época, o agora deputado Mendes de Carvalho. E Sao Vicente não deve estar longe da verdade: Gerald Bender, professor universitário nos Estados Unidos há muitos anos dedicado aos assuntos angolanos, fez num dos jornais ligado à equipa que agora edita o Semanário Angolense (teria sido no Angolense?), uma revelação diferente, mas que conduz à mesma percepção de que Agostinho Neto pretendia uma aproximação com a Unita destinada a parar com a guerrilha ainda embrionária do antigo movimento rebelde. Escrevendo pelo próprio punho, Gerald Bender declarou ter sido abordado por Lúcio Lara, que tinha recebido incumbências directas de Neto, para estabelecer uma aproximação entre o Governo angolano e a administração norte-americana logo após à suposta intentona golpista de 1977.

Ao que se diz, a tentativa de golpe de Estado de 1977 teria sido engendrada por sectores radicais de esquerda no seio do Mpla, sendo apoiada, pelo menos, pelo embaixador soviético naquela altura acreditado em Luanda.

Seja lá o que for, a verdade é que os esforços da liderança de Agostinho Neto para abandonar a sombrinha de Moscovo e direccionar o processo político angolano para o seu próprio caminho foram tantos, que podem ser narrados sob factos diferentes e sob uma relativa abundância de dados. Tanto é assim, que isso deu nas vistas em Moscovo, a capital do chamado Bloco Socialista que na «guerra fria» dividia o Mundo do Bloco Capitalista, onde se procurava manter países e regiões inteiras sob a «esfera de influência» de um socialismo beligerante e insaciável na sua procura por recursos económicos e financeiros.

E em Moscovo havia, para casos de defecção ou revisionismo ideológico, uma bitola que a literatura ocidental da «guerra fria» chamava a «mão de Moscovo», que consistia tanto no financiamento de guerras no estrangeiro para alargar a «esfera de influência» da defunta União Soviética, quanto na eliminação de lideres dissidentes em face dos dogmas ideológicos do leste.

A relação da morte de Agostinho Neto com a «mão de Moscovo» pode ter acabado infelizmente abonada, mais tarde, com o assassinato de Samora Machel, de Moçambique, tempos depois de ter declarado publicamente que «o socialismo não se constrói apenas com a ajuda do bloco socialista», aludindo à necessidade de uma aproximação com o ocidente. Quer dizer que as suspeitas dos angolanos mais lúcidos levam a apontar os dirigentes do velho regime soviético como responsáveis pela eliminação física de Agostinho Neto, quando ele tentou mudar o rumo dos acontecimentos que estabeleceram a guerra civil que perdurou por mais de duas décadas no nosso país. E tudo isso significa, também, que as coisas, toda a história de tragédia do povo angolano, teriam sido diferentes, se Neto não tivesse sido tão prematura e inesperadamente roubado da liderança do Estado e do processo político angolano.

O que se seguiu à efémera liderança de Agostinho Neto à frente dos destinos do Estado angolano foram anos da afirmação política do Presidente José Eduardo dos Santos, que não tinha nem a autoridade militante, nem o carisma, para convencer os sectores mais radicais do partido, nas costas de quem Neto ensaiava a aproximação à Unita, da necessidade da ruptura com o leste e de um entendimento com a guerrilha «savimbista». No seu processo de afirmação, José Eduardo dos Santos teria sido mesmo compelido a reprimir atitudes «netistas» exacerbadas, como as de Paiva Domingos da Silva, que teria iniciado a travessia pelo deserto em que se encontrava na altura da sua morte, depois da declaração proferida diante do novo Presidente da República, advertindo que ninguém deveria «tirar um só vírgula, naquilo que disse o mulaúla, camarada presidente doutor António Agostinho Neto».

No congresso de 1985, o afastamento da cúpula do partido de incondicionais de Agostinho Neto como Mendes de Carvalho e Lourenço José Ferreira «Diandengue», ou mais tarde, o «desterro» de Roberto de Almeida no Lubango, ou, ainda, de Bernardo de Sousa na China, tal como o confinamento de Lúcio Lara depois de arredado da direcção (para apenas citar alguns exemplos), podem ser considerados ataques directos contra o «netismo», no quadro da assumpção plena do poder e da afirmação da liderança de José Eduardo dos Santos.

Isso explica que para afirmar a sua liderança, José Eduardo dos Santos não poderia fazê-lo sob a sombra do «netismo» e isso pode explicar, também, porquê que foram tão displicentes as tentativas para esclarecer com os soviéticos primeiro, e agora com os russos, a morte do primeiro presidente angolano.

Levantar o fantasma de Neto denunciava, no passado, que a beligerância do Estado não era um dos desígnios que Neto aceitasse para o desenvolvimento do processo político angolano. Já mais recentemente, a figura de Neto passou a ser temido por poder desviar a política dos objectivos da nova liderança, por conduzir a comparações que a subalternizam sob o ponto de vista do carisma e da intelectualidade, por destapar os actuais défices de popularidade dos líderes do nosso processo político e por desqualificar os novos métodos de governação.

Pelo que, tudo o que se diz sobre Agostinho Neto nas jornadas anuais que celebram o Dia do Herói Nacional, quando se lhe chama «guia imortal» ou «líder incontestável» e se promete «seguir os seus ensinamentos» ou «preservar a sua memória», não passará de mero cinismo, até que se decida abordar a sua morte na mesma amplitude da sua dimensão política, que não foi atingida por nenhum outro líder político angolano até aos dias de hoje.


Fonte: SA

AGOSTINHO NETO "ESCONDIA" EM LISBOA UM "CORREDOR-SOMBRA" PARA WASHINGTON

Pouco antes da morte de Neto, em 1979, a Casa Branca pedia a Luanda que "esquecesse" a ajuda norte-americana ao Zaire e à FNLA; Walker, Bzerzinski, McHenry e Moose previam "para breve" a normalização das relações diplomáticas com o regime de Agostinho Neto

Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos lançaram na aventura dos corredores da Casa Branca alguns dos seus mais astutos negociadores. Por fim, em 1994, os Estados Unidos da América do Norte abriram, em Luanda, oficialmente, a sua representação diplomática, de facto. Quem foram os "homens de Neto" para os contactos com a Casa Branca? O nome de Paulo Teixeira Jorge, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, é indissociável dos esforços de Agostinho Neto para convencer os americanos. O JN descobre, entretanto, que o "velho" presidente tinha, "escondido", em Lisboa, na década dos anos 70, um "emissário especial". Uma "arma secreta" para "raids" à Casa Branca estratégica e tacticamente concertados, em linha síncrona, com o MNE angolano: o dr. Arménio Ferreira. Médico radicado em Lisboa. Antigo companheiro de Agostinho Neto nos bancos escolares e na Casa dos Estudantes do Império. Arménio Ferreira sentou-se, em Washington, credenciado por Neto, de frente para Richard Moose, Donald McHenry, James Overly, Zibgnew Bzerzinski, Walker, Funk, Alan Hardy, entre outros pesos pesados, médios e leves da política dos "States" para a África.
Arménio Ferreira, cardiologista, não é diplomata de carreira, nem sequer "político encartado". O seu estatuto confunde-se com afectos, coerências fecundas, sentido imperdível de constância na lealdade e na solidariedade. Não fosse o dr. Arménio tão modesto, tão avesso à pimponice mediática, e nós, os repórteres, dele tiraríamos, seguramente, revelações interessantíssimas sobre os "labirintos" e os muitos protagonistas da história de Angola e do MPLA. O que mais contraria Arménio Ferreira é o facto de ele não ter conseguido, ainda, em foro desapaixonado, divulgar o seu pensamento sobre o papel e a obra de Agostinho Neto. Quando o saudoso presidente angolano considerou útil e conveniente a colaboração de Arménio nas árduas conversações com os americanos, o médico não hesitou. Independentemente das circunstâncias, Arménio Ferreira respondia "presente!".
As incursões mais "trepidantes" deste emissário especial do presidente Neto, junto da Casa Branca, tiveram lugar em 1979. Isto é, pouco antes da morte de Agostinho Neto. Foi quando o dr. Arménio Ferreira, nos dias 29 de Julho e 9 e 16 de Agosto, andou numa verdadeira farândola entre reuniões e mais reuniões na Casa Branca e com os homens do Departamento norte-americano de Estado. Os altos funcionários encarregados, principalmente, dos Assuntos Africanos: Richard Moose, Donald McHenry, Walker, Alan Hardy, e outros. A sessão que mais terá marcado Arménio Ferreira foi, provavelmente, aquela segunda parte das conversações de 9 de Agosto (1979), por volta das 18 horas. Quando Arménio Ferreira, em representação da parte angolana, discutiu com uma delegação norte-americana da Casa Branca encabeçada por N. Walker. Este, investido das duplas funções de expert em Assuntos Africanos e representante governamental norte-americano para o "dossier Angola", estava acompanhado, também, por Funk, secretário para a Segurança da Casa Branca.

MEMORÁVEL

Dessa reunião, a 9 de Agosto, no Departamento norte-americano de Estado, guarda o dr. Arménio Ferreira uma impressão certamente memorável. No período da manhã, ele trabalhara com um "pesado" da Casa Branca, Zibgnew Bzerzinski (National Security). O americano quis saber, de Arménio Ferreira, se o presidente Agostinho Neto "poderia governar sem os cubanos". O enviado angolano sorriu-se e aproveitou para lembrar aquilo que, de facto, mais embaraçava a Casa Branca: "Os cubanos só estão em Angola para combater e repelir a invasão sul-africana". Dir-se-ia que os norte-americanos, prestes a aceitarem como irreversível a "normalização" das relações com Angola (1979), não perdiam ensejo de agitar, mais uma vez, o fantasma do "comunismo". Bzerzinski disse mesmo ao dr. Arménio Ferreira, enviado de Agostinho Neto, que a URSS era o "suporte", em "todo o mundo", de vários "estados-marionetas". Entrementes, o norte-americano Funk, da "National Security", tem uma explanação no mínimo premonitória: "Actualmente, os Estados Unidos não auxiliam quaisquer organizações anti-angolanas". E justificou: "Se o fizemos no passado era, somente, porque essas organizações apresentavam-se com uma máscara anti-comunista, dizendo-se com forte implantação junto das populações angolanas".

"NORMALIZAR!"

Finalmente, o próprio Bzerzinski foi categórico diante da expectativa crescente de Arménio Ferreira naquela reunião em Washington: "Desejamos e vamos normalizar as nossas relações diplomáticas com Angola. Julgo que Angola também o deseja". Mais tarde, num breve esboço elaborativo dos seus registos, o dr. Arménio Ferreira tomou nota. "Quanto às palavras de Bzerzinski, interpreto-as essencialmente como um recado ao presidente Neto. No sentido de que as relações USA/Angola são provavelmente desejadas, neste momento, pela Casa Branca". E, do seu próprio punho, acrescentava Arménio Ferreira: "Bzerzinski, nesse aspecto, foi claro, na qualidade de único dirigente norte-americano que falava como quem tem autoridade para o fazer".
E, aqui chegado, o dr. Arménio particularizava, da mesma entrevista com aquele alto funcionário da administração americana: "Quando o intérprete (F. de Rivera) me falou em "more normal relations between the two states", eu interrompi-o. E disse-lhe que o conselheiro político do presidente Carter havia falado, sim, em "normal relations". Bzerzinski concordou e confirmou, inteiramente, a minha versão, em inglês".
Arménio Ferreira rematava, assim, as suas apreciações ao perfil de Bzerzinski: "Elemento considerado como da linha dura da Casa Branca, ele foi de uma correcção comedida mas, ao mesmo tempo, simpático e frio no raciocínio. Como quer que seja, foi o único que disse claramente que os Estados Unidos da América do Norte iriam estabelecer relações diplomáticas com Angola. Não mencionou, todavia, qualquer data presumível".

"ACABEM JÁ COM A PARANÓIA!"

Paulo Jorge, antigo ministro angolano dos Negócios Estrangeiros,
"encostou" Chester Croker e ouviu "promessas" de Cyrus Vince...

Paulo Teixeira Jorge foi o carismático ministro angolano dos Negócios Estrangeiros durante a presidência do não menos carismático António Agostinho Neto. Ele tem, dos revoluteios da política externa dos Estados Unidos, um conhecimento quase visceral. Quanto ao "dossier" das relações entre Luanda e Washington, Paulo Jorge conhece todas as sofistarias da "máquina" da Casa Branca.
Em Luanda, Paulo Jorge recebe, pela segunda vez no espaço de 48 horas, o enviado do JN. Especialmente para revisitarmos algumas "páginas" do grande livro negocial: Luanda versus Washington.
JORNAL DE NOTÍCIAS - Quais foram os negociadores norte-americanos que revelaram maior apego à linha dura da Casa Branca?
PAULO JORGE - Para começar: a posição da Casa Branca, se bem que eventualmente matizada, é uniforme. Eu dialoguei, por exemplo, variadíssimas vezes, com o então subsecretário de Estado, Chester Crocker. Claro que a posição dele era a posição do Governo norte-americano! Foi precisamente ao Chester Crocker que eu disse, num dos encontros, que os Estados Unidos deveriam reconsiderar sobre a "paranóia" anti-Angola e anti-Cuba. Em dado momento, o Chester Crocker faz avançar o tão falado "linkage": interligar as questões referentes a Angola, presença cubana e Namíbia. E, em 1982, num comunicado conjunto Luanda-Havana, expressa-se a total rejeição de semelhante "linkage"! Este era um tema obrigatório nas minhas deslocações às Nações Unidas, na época. Já com Ronald Reagan na presidência dos Estados Unidos.
JN - O Paulo Jorge utilizou o termo "paranóia" somente nas conversações com Chester?
PJ - Utilizei-o também num discurso que proferi na Assembleia Geral das Nações Unidas.
JN - Nunca conversou com o "moderado" Walker?
PJ - Conversei com ele, uma vez, no âmbito das consultas bilaterais. Tive também encontros com o Cyrus Vance no período em que se encontrava Jimmy Carter na presidência dos Estados Unidos. Conversei, também, com o Alexander Haig. Com o Shultz, etc, etc, etc.
JN - Na altura do falecimento do presidente Agostinho Neto estariam, já, a desenhar-se perspectivas fortes de entendimento com os Estados Unidos?
PJ - Recordo que em 1978...1979, numa das minhas deslocações a Nova Iorque para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas, eu tive um encontro com o Cyrus Vance, secretário de Estado norte-americano. E, então, abordámos sim a problemática do reconhecimento da República Popular de Angola pela Administração dos Estados Unidos. Estavam os democratas na Casa Branca, portanto. E o Cyrus Vance deu a entender que estaria em curso um processo tendente ao reconhecimento e, naturalmente, à normalização de relações diplomáticas com Angola. Só que, entretanto, em 1980, foi eleito o republicano Ronald Reagan...! E tudo se desmoronou. Foi tudo por água abaixo. Um dos primeiros passos de Ronald Reagan, em 1981, na Administração norte-americana, consistia na revogação da chamada "Emenda Clark". Que impedia o Governo dos Estados Unidos de ajudar os "movimentos" de "oposição" aos regimes africanos. Já durante a campanha eleitoral dos republicanos se perfilava, e preconizava, uma ajuda à UNITA!

DIGA AO DR. NETO QUE É UM "INFERNO" SER-SE AMIGO DE ANGOLA EM WASHINGTON

Walker, encarregado norte-americano do "dossier Angola", queixava-se da sabotagem articulada por "comissões,
senadores, deputados e uma certa Imprensa ávida de deixar mal vistos os amigos da causa angolana"...

No interior da Casa Branca, durante a presidência angolana de Agostinho Neto, o poder democrata todos os dias traçava "fronteiras" entre os políticos hesitantes, às vezes mesmo contraditórios, e os políticos decididos. Um dos quais, Walker, não hesitou
em mandar dizer ao presidente Neto: "Olhe que não é fácil, aqui em Washington, a vida de quem se mostra favorável a Angola!". O enviado especial de Agostinho Neto (o médico Arménio Ferreira) percebeu, por outro lado, que os americanos já tinham como irreversível a opção de normalizar as relações diplomáticas com o regime de Neto. O líder angolano morreu, pouco depois, em Moscovo, vítima de cancro no pâncreas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Morte de Agostinho Neto



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